Redação Pragmatismo
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Contra o Preconceito 22/Jun/2016 às 14:44
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Mãe se revolta com bilhete de escola sobre cabelo dos filhos

"Olá, mamãe. Os meninos têm cabelos lindos, mas....". Débora, mãe de gêmeos, recebe estranho bilhete de escola sobre o cabelo dos filhos. Ela considerou o recado uma expressão de preconceito racial e publicou um desabafo que ganhou as redes sociais

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Bilhete da professora para mãe dos alunos (Imagem: Pragmatismo Político)

Um bilhete em que uma profissional de educação pede a uma mãe que apare ou trance o cabelo de seus filhos, ambos negros, provocou revolta da família e está causando polêmica nas redes sociais.

O bilhete foi enviado na última sexta-feira, 16 de junho, na agenda dos gêmeos Antônio e Benício, de 3 anos, filhos da professora de canto Débora Figueiredo, moradora de Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense. Os dois estudam no Educandário Eliane Nascimento, em Caxias.

Olá! Mamãe Débora, peço-lhe se possível aparar ou trançar o cabelinho dos meninos, eles são lindos, mais (sic) eu ficaria mais feliz com o cabelo deles mais baixo ou preso. Beijos, Fran“, diz o bilhete.

Débora considerou o recado uma expressão de preconceito racial e fez um post em tom de desabafo: “Meus filhos Antônio e Benício foram vítimas de preconceito por causa do cabelo deles, recebi essa mensagem na agenda escrita pela coordenadora da escola que até então tinha meu respeito, daqui em diante...” A mensagem se espalhou, compartilhada por amigos, amigos de amigos e pessoas que ela nem conhece.

Ela foi procurada pela escola e, na segunda-feira, 20 de junho, esteve no colégio acompanhada de seu advogado. A diretora Eliane Nascimento, proprietária do educandário que leva seu nome, disse então que só falaria com a mãe também acompanhada de um advogado, e nova reunião foi marcada para esta quarta-feira, 22 de junho.

À BBC Brasil, Eliane Nascimento defendeu o tom do bilhete e disse que ele, em intenção ou expressão, não é mostra de qualquer tipo de preconceito racial da coordenadora, que é sua filha.

Segundo Eliane, há um surto de piolhos na escola, e o alerta da coordenadora foi no sentido de proteger os gêmeos, por entender que eles, com os cabelos cheios, ficam mais sujeitos a serem contaminados por colegas que têm piolhos.

Segundo ela, o tema “piolho” não apareceu no bilhete porque as crianças às vezes são buscadas por outra pessoa da família, e a coordenadora não quis falar do problema diretamente.

‘Sem preconceito’

De modo algum houve preconceito. Meu marido é negro. Aqui na escola aceitamos pessoas de todas as etnias e religiões, sem discriminação“, afirmou Eliane. Ela afirmou ainda que a infestação de piolhos foi um dos temas da reunião de pais realizada no dia 3 de junho, e que uma circular foi enviada aos pais pedindo ajuda para combater o problema.

Segundo Eliane, o educandário existe há 20 anos e tem cerca de 300 alunos, da educação infantil ao 9º ano.
Débora Figueiredo disse que recebeu a circular com o aviso do surto de piolhos, mas que o bilhete não é a mesma coisa, por se tratar de um recado específico sobre os cabelos dos gêmeos e sem falar em piolhos.

Eu mesma fui vítima de muito preconceito quando criança. Os colegas faziam música, me chamavam de nomes, eu chorava, brigava, apanhava… Sofri muito. Meus pais sempre me diziam que eu era linda, mas nunca agiram diretamente no colégio. Não quero que a história se repita com meus filhos“, afirmou Débora, que está à procura de uma nova escola para as crianças.

Fernanda da Escóssia, BBC

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Comentários

  1. Dyego Alves Postado em 22/Jun/2016 às 15:30

    Uma educadora que não sabe usar corretamente o "mas" e o "mais". Bom, eu já tiraria meu filho dessa escola só por causa disso.

    • Viviane Postado em 22/Jun/2016 às 21:34

      Perfeita observação!

    • Klebson Postado em 23/Jun/2016 às 13:00

      Verdade!

  2. Dyego Alves Postado em 22/Jun/2016 às 15:35

    Eu acredito na versão da coordenadora, realmente escola infantil tem muito surto de piolhos, tenho filhos pequenos na escola e sei bem disso e de fato, o cabelo deles como está fica mais propenso a pegar esse tipo de parasita. Não notei nada de discriminatório na carta, talvez a educadora devesse ter apenas sido mais clara.."...Está havendo um surto de piolhos na escola e eu ficaria mais tranquila se o cabelo dos meninos estivesse preso..." Mas de fato, essa mãe tá querendo aparecer, esse tipo de vitimismo não é legal, pelo amor de Deus, a educadora não fez nada demais.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 22/Jun/2016 às 17:16

      """"""""""Vitimismo"""""""""""

    • poliana Postado em 22/Jun/2016 às 18:05

      kd as outras mães q n receberam o mesmo bilhete? ela acha q piolho só dá em cabelo crespo? ou ainda, se os cabelos tiverem curtos ou trançados, o piolho passa longe???

      • laura Postado em 23/Jun/2016 às 17:25

        talvez nao receberam porque as outras maes enviavam seus filhos a escola com o cabelo devidamente preso o curto.... para e pensar antes de falar por favor....

      • poliana Postado em 23/Jun/2016 às 20:19

        e por acaso crianças com cabelos presos e curtos não pegam piolho??!! quem tem q pensar antes de falar é vc, sua estúpida!! continue com sua hipocrisia de querer negar o óbvio!! de repente, sou eu a errada mesmo. TODAS as crianças da escola andam com cabelos "trançados" e "curtos", assim, elas estão livres do risco de pegarem piolhos. somente as crianças em tela q precisam se"ajustar". ok, senhora hipócrita, entendi! obrigada pelos esclarecimentos.

      • tatiana reis Postado em 31/Jul/2016 às 15:30

        cabelo devidamente preso ou curto? isso é regra?

    • Alessandro Postado em 23/Jun/2016 às 00:17

      Já que vc tá tão por dentro do assunto, me tira uma dúvida, alguma menina branca e cabeluda recebeu o mesmo bilhete? Se sim, então a coordenadora está dizendo a verdade, se não, aí já sabe né? É o velho e repugnante preconceito de sempre.

    • Carlos Postado em 23/Jun/2016 às 15:28

      Piolho só vai em cabelo solto?. E a educadora disse que ficaria mais "feliz" com os cabelos mais baixos ou presos. Não sabe ler não?.

  3. Thaynara Postado em 22/Jun/2016 às 15:48

    professora além de racista, não sabe a diferença de 'mais' e 'mas'. nojo

  4. sandra Postado em 22/Jun/2016 às 15:51

    A profissional de educação além de preconceituosa é burra, não sabe a diferença entre mas e mais....

  5. Ionice Lomeu Postado em 22/Jun/2016 às 15:58

    Certinha, mae tem de defender os teus filhos.

  6. Bruno Postado em 22/Jun/2016 às 16:04

    Adoro o Pragmatismo Político mas... essa matéria não merece atenção por que está evidente pelo próprio bilhete que não há racismo. Sem outras provas não se conclui racismo nesse caso. Achei a chamada da matéria, título e introdução, ligeiramente sensacionalistas. Vocês são bastiões do novo jornalismo brasileiro, não vamos cometer os mesmos erros da grande mídia. Sucesso!

    • regina lian Postado em 23/Jun/2016 às 18:24

      Você não vê racismo pq não quer!!!

  7. Nina Postado em 22/Jun/2016 às 16:05

    Uma coordenadora pedagógica não saber a diferença entre mas e mais já é uma abuso....Soma-se a isso, o abuso maior, que é o de considerar a inteligência do outro inferior, ao enviar esse bilhete de tom condescendente, em que reafirma a prisão em que a pessoa negra deve estar: a prisão da adequação ao mundo branco. Lamentável.

  8. Rosana Postado em 22/Jun/2016 às 16:09

    Resposta possível: "Olá, professora Fran! Eu também prefiro muitas coisas a outras. Por exemplo, eu prefiro que a senhora escreva a conjunção adversativa "mas" no lugar do advérbio "mais"; eu prefiro que a senhora use vírgula antes e depois de "se possível". Eu também prefiro que a senhora seja menos preconceituosa."

  9. Marie Bayon Postado em 22/Jun/2016 às 16:20

    A professora que vá prender os cabelos de sua... Semvergonha!

  10. Rafaeli Postado em 22/Jun/2016 às 16:59

    Bom custaria justificar o por quê?...a carta realmente muito informal...nem timbre da escola têm...de fato dá pra considerar algo particular e pessoal da professora com os meninos

  11. poliana Postado em 22/Jun/2016 às 18:04

    há um surto de piolhos nas escolas, mas somente essa mãe recebeu o bilhete? as demais mães tb o receberam? e se a intenção era mesmo por conta do surto de piolhos, pq n deixar isso claro no bilhete. e tanto não é por conta dos piolhos q a cretina ainda escreve no bilhete: "eu ficaria mais feliz com o cabelo deles mais baixo ou preso".

  12. Jonas Schlesinger Postado em 22/Jun/2016 às 20:42

    A pessoa sofre a infância e fica traumatizada. É compreensível que a mãe se sinta ofendida com a carta. Pode ter ocorrido o mal entendido? Pode. A professora (?) pode não ter tido a intenção de ofender? Pode. Mas (sem i), eu pergunto se ela escreveu a mesma coisa para a menina branquinha com cabelos lisos até a cintura ou o menino loirinho? Sim, porque com certeza os alunos dela são a maioria brancos. Apesar do sensacionalismo do título e matéria, ainda dá para refletir nisso.

  13. S Rod Postado em 22/Jun/2016 às 21:44

    E viva o Pais dos trouxinhas do seculo 18.

  14. Priscila Postado em 23/Jun/2016 às 00:26

    Toda escola de educação infantil tem problemas com piolhos. Geralmente elas já tem bilhetes/recados prontos para esse tipo de situação. São frases simples e diretas acompanhadas de desenhos de bichinhos e, por vezes, até versinhos engraçados com o intuito de que os pais verifiquem os cabelos das crianças. Sem mistério, drama ou trauma. O bilhete em questão é, incontestavelmente, um recado sobre aparência. Isso fica evidente com as expressões "eles são lindos" e "mais baixos ou presos". Tem também a, no mínimo, curiosa justificativa: "eu ficaria mais feliz".

  15. Renato Postado em 23/Jun/2016 às 07:06

    aiai...q triste ver tanta gente acreditar q uma professora escreveria mais no lugar de mas...e quem acha q o conteúdo é ofensivo...é pq não tem filhas em escola pública...pq não precisa dizer q é por causa de piolho!

  16. Renato Postado em 23/Jun/2016 às 07:06

    aiai...q triste ver tanta gente acreditar q uma professora escreveria mais no lugar de mas...e quem acha q o conteúdo é ofensivo...é pq não tem filhas em escola pública...pq não precisa dizer q é por causa de piolho!

  17. gustavo0 Postado em 23/Jun/2016 às 10:03

    Me esforço um bocado, e já estou cansado, tentando entender e compreender este fenômeno social inusitado. Pessoas se expondo ao absurdo, procurando ofensas em tudo, fabricando dores, cultivando discórdia e tomando para si um ódio artificial. Tentativas e mais tentativas de legitimação de situações deletérias, inúmeras demonstrações de desonestidade intelectual, uma busca incansável pela infelicidade. A boa e velha procura por sarna. A glorificação da chatice, uma epidemia de discursos pseudo-humanísticos, intermitente fogo cruzado ideológico, que só faz apodrecer a relação entre os indivíduos. Que um dia isto termine.

    • maria Postado em 23/Jun/2016 às 19:55

      Vai terminar...quando Jesus voltar....ppr que o mundo só tende a piorar. Concordo com cada palavra que você usou!!!

    • João Paulo Postado em 23/Jun/2016 às 20:24

      Concordo, especialmente com "... tomando para si um ódio artificial". Adotarei a expressão. Quanto à matéria, nem sei o que dizer. Considerando a evidente limitação da coordenadora em se expressar, tenho que ela foi mal interpretada.

  18. William Postado em 23/Jun/2016 às 10:06

    "Meu marido é negro". De certo, o cabelo dele deve ser baixinho, pra deixá-la mais feliz.

  19. Eduardo Ribeiro Postado em 23/Jun/2016 às 10:18

    Aí a gente lê os comentários, de gente alfabetizada, internet na mão, que teve uma vida digna, vacinas tomadas, alimentação correta, todos os dentes na boca, enfim, gente que tinha tudo pra dar certo, cagalhando nos comentários...e vem aquela questão: como se combate o RACISMO se tanta e tanta gente se propõe a nega-lo tão veementemente? Se existe uma, e somente uma, coisa que deu certo 100% no Brasil, essa coisa é o racismo. O racismo encontra no Brasil o melhor dos mundos: existe, é forte a ponto de uma professora cometer essa carta criminosa, e gente "de bem" se propõe a nega-lo dia após dia, mesmo ele sendo evidente como o próprio sol. Lamentável.

  20. Dyego Alves Postado em 23/Jun/2016 às 10:31

    Não sei se o bilhete foi enviado a mais pais, a matéria não deixa deixa informação sobre isso. Seria até importante saber se isso aconteceu.

  21. Dyego Alves Postado em 29/Jun/2016 às 00:42

    Sim, meu anjo, todas as crianças estão propensas a pegar piolho, porém nas condições que estavam esse risco AUMENTAVA. Sabe resfriado? pois é, toda criança pode pegar resfriado, mas aquela que está mal agasalhada corre um risco maior. O que a professora faz? "Mãe, tá muito frio, agasalhe melhor seu filho". Ponto! Isso é descriminar a criança? Vou a praia com a criança, crianças mais claras demandam mais proteção contra o sol, se eu taco protetor fator 60 na criança de pele clarinha eu tou discriminando ela? Sabe? É um "radicalismo" tão insano, que quando se tem uma situação dessas é muito mais "fácil" dizer que foi racismo do que analisar o contexto. E repito, não sabemos se outras crianças receberam bilhetes semelhantes, ou até mesmo se isso já tinha sido avisado a outros pais durante a reunião de escola, então, reveja seus argumentos.