Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 23/Jun/2016 às 15:46
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Juíza nega indenização a mulher abusada "porque ela não reagiu"

Mais um caso absurdo de culpabilização da vítima é registrado em São Paulo. Juíza negou indenização a mulher abusada no metrô porque ela não reagiu durante o abuso

mulher abusada metro sp

Mais um caso absurdo de culpabilização da vítima aconteceu em São Paulo na última semana.

A juíza Tamara Tamara Hochgreb Matos, da Justiça de São Paulo, negou indenização por danos morais a uma passageira que sofreu abuso sexual dentro de um vagão do metrô em outubro do ano passado.

Na sentença, a juíza negou o pedido de R$ 788 mil de indenização porque, em sua opinião, a vítima não demonstrou desconfortou ou reagiu durante o abuso. Tamara Hochgreb Matos justificou a decisão assim:

“Ficou impassível e nada fez enquanto era tocada por terceiro, ocasionando a demora na intervenção dos seguranças, que estavam no próprio trem.”

A juíza ainda disse que “se a autora tivesse expressado seu incômodo de forma inequívoca no início das agressões, os seguranças poderiam ter agido antes e evitado a situação.”

O abuso sexual aconteceu no vagão do metrô na Estação Brás e foi presenciado pelos seguranças do metrô, que detiveram o homem e o encaminharam à Delpom (Delegacia de Polícia do Metropolitano). A passageira, de 31 anos, prestou depoimento no local.

Ao portal G1, a passageira, que não quis se identificar, disse que ficou sem reação na hora e se sentiu muito envergonhada.

“Como é que a gente vai fazer alguma coisa com o metrô lotado? Estava muito lotado. Tem câmera, tem vídeo que o metrô pode buscar. Eles vão ver que não tinha nem como a gente se mexer direito no metrô. Eu estava incomodada, me mexia o que eu podia”, disse.

O metrô alegou que não é responsável pelo ocorrido porque o abuso foi cometido por outra pessoa. A mulher vai recorrer da decisão.

HuffBrasil, G1 e EBC

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Comentários

  1. João Paulo Postado em 23/Jun/2016 às 20:00

    Culpabilização da vítima é pesado. Isso porque preferi um eufemismo. A suposta omissão da passageira é ressaltada na sentença, pois não há como atribuir responsabilidade ao metrô pelo pagamento de indenização de danos morais. Uma coisa é leniência dos seguranças (gera dever de indenizar); outra é desconhecimento dos seguranças pela conduta praticada por terceiro (parece ser o caso); outra totalmente diferente é culpabilização da vítima. Quanto besteirol neste "texto". Parece a rede bobo falando do pedalinho ...

  2. Zeca Postado em 25/Jun/2016 às 14:01

    788 mil? Nunca que vão pagar isso, não pagam nem por assassinatos, pra estupro então... no máximo umas consultas médicas pra tratar o trauma e olhe lá, eu também não vejo culpa do metrô, nada justifica um estupro logo como poderia o metrô ser responsável, mas e aí? O que aconteceu com o estuprador? Só ser encaminhado pra Delpom não é nada comparado pelo que fez, espero que ele esteja preso até agora e fique pelo resto da vida.