Redação Pragmatismo
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Direita 22/Jun/2016 às 12:02
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A importância da decisão do STF contra Jair Bolsonaro

Kennedy Alencar considera que a decisão do STF de aceitar a denúncia e julgar Jair Bolsonaro é, acima de tudo, pedagógica. Jornalista lembra que o deputado é um político que cresceu explorando o preconceito, o ódio e a desinformação: "O Supremo coloca um freio nesse comportamento"

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Bolsonaro virou réu no STF por incitação ao estupro (Imagem: A.Press)

O jornalista Kennedy Alencar elogiou nesta quarta-feira, 22, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que aceitou receber a denúncia e julgar o deputado de extrema-direita Jair Bolsonaro (PSC-RJ) por incitação ao estupro.

“Foi uma decisão histórica. Fixou limites para a imunidade parlamentar, abrindo a possibilidade de punição a quem incita o crime de estupro e prega uma cultura de violência contra a mulher. É muito grave que um cidadão faça isso. Mais grave ainda na boca de um deputado federal, que faz leis e tem mais voz no debate público”, afirmou Kennedy.

Leia a íntegra do seu texto abaixo:

Ao aceitar uma denúncia e uma queixa-crime por injúria contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) ajuda a civilizar o debate público no Brasil.

Foi uma decisão histórica. Fixou limites para a imunidade parlamentar, abrindo a possibilidade de punição a quem incita o crime de estupro e prega uma cultura de violência contra a mulher. É muito grave que um cidadão faça isso. Mais grave ainda na boca de um deputado federal, que faz leis e tem mais voz na sociedade.

Na sua carreira, Bolsonaro é um político que cresceu explorando o preconceito, o ódio e a desinformação. Nos últimos dois anos, com o aumento da intolerância no debate público, viu um terreno fértil para prosperar.

O Supremo coloca um freio nesse comportamento, dando um alerta a autoridades e formadores de opinião que incitam o ódio, o preconceito e crimes, como esse do estupro. No caso analisado, ele disse que a deputada Maria do Rosário, do PT gaúcho, não merecia ser estuprada. Ora, nenhuma mulher merece. Dizer que há mulheres que merecem o estupro é incitar esse tipo de crime.

Bolsonaro inspira a violência na política. Na semana passada, houve um protesto de simpatizantes dele na UnB (universidade de Brasília) que resultou em agressões. Uma manifestante disse que pagava impostos e logo depois emendou frases homofóbicas. Ora, pagar imposto é dever do cidadão e não dá direito de homofobia a ninguém. Ela era uma simpatizante típica do deputado.

Bolsonaro é um personagem menor da política, mas que está construindo uma candidatura presidencial pelo partido Partido Social Cristão. Chegou a ter 8% numa pesquisa presidencial do Datafolha, tirando votos de tucanos que apostaram na radicalização do debate público e colheram um fenômeno fascista.

Há espaço numa democracia para a manifestação de todas as correntes políticas, da esquerda à direita. Mas a democracia não pode permitir, ainda mais sob o manto da imunidade parlamentar, que um deputado incite crimes, preconceito e ódio.

O Supremo deu um primeiro passo para punir um caso que teve início em 2003, quando houve a primeira ofensa de Bolsonaro a Mário do Rosário numa discussão no Salão Verde da Câmara. Em 2014, quando ela rebateu críticas de Bolsonaro à Comissão da Verdade, ele repetiu a agressão que resultou na denúncia do Ministério Público. O STF decidiu bem ao analisar esse caso.

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Comentários

  1. João Paulo Postado em 22/Jun/2016 às 14:03

    Teoricamente, a decisão é acertada, mas esse é o país do faz-de-conta. Não haverá qualquer punição, ainda que o Bostonaro seja condenado. E isso ainda servirá de mídia e motivo de idolatria para os escondidinhos.

  2. Salomon Postado em 22/Jun/2016 às 14:23

    Esta excrescência deve ser banida dos meios de comunicação como o foi do exército. A sua imagem invoca o que há de pior no ser humano. Hitler de um lado e Stalin de outro têm ambos, pelo menos, interesse de ordem histórica. Esse sacripanta que homenageia torturador, faz apologia ao estupro, discrimina as minorias, de entre outras coisas, é, de longe, mais pernicioso que os seus pares que assaltam os cofres públicos. Trata-se, pura e simplesmente, de um nazista, em sua mais genuína acepção. Quem tiver curiosidade dê uma olhada no crime previsto no art. 20 da Lei 7.716/89.

  3. Denisbaldo Postado em 22/Jun/2016 às 17:30

    Bolsomito!?!? HAHAHA!

    • poliana Postado em 22/Jun/2016 às 18:22

      agora é bolsoréu! rsrs

      • Priscila Postado em 22/Jun/2016 às 22:36

        "bolsoréu" foi a melhor do ano! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      • Denisbaldo Postado em 23/Jun/2016 às 09:14

        Vixe. HAHAHA. Nosso coleguinha bolsonete deve estar chocado. Culpa do STF bolivariano.

  4. Max Vanner Postado em 22/Jun/2016 às 20:24

    Dá nojo entrar nessa página, pqp. Tem babão demais pra uma causa perdida. A grana acabou, gente, vão trabalhar, bando de mortadelas!

    • Priscila Postado em 22/Jun/2016 às 22:35

      Coxinhas se doendo até hoje com a página... De onde vem? O que fazem aqui?

    • Eduardo Ribeiro Postado em 23/Jun/2016 às 10:22

      Dá nojo mas entra assim mesmo? Você é sequelado, menino? Quer que eu ensine você a entrar no site do Tio Rei?

  5. Eduardo Postado em 22/Jun/2016 às 20:51

    como pode um partido que tem em sua ideologia os preceitos cristãos aceitar um membro com ele.... é uma mentira esse partido.

  6. josé luiz Postado em 22/Jun/2016 às 23:10

    "Jamais iria estuprar você, porque você não merece", acrescentou.quer dizer que no STF também tem analfabeto funcional? jamais , é uma negação!. com print.

    • Ricardo Postado em 23/Jun/2016 às 11:27

      Uma coisa é dizer "jamais estupraria você" e PONTO. Outra coisa bem diferente é dizer "jamais estupraria você PORQUE ...". Esse "porque" é no sentido de causa, o porquê de não estuprar. Uma vez removida a causa do não estupro, é perfeitamente inteligível (para quem quiser ver) haver possibilidade de estupro legítimo (no caso, daquelas que "merecem"). Daí a apologia a crime.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 23/Jun/2016 às 11:39

      Isso. Agora ele tem que ir lá, sentar no colo dos togados do supremo, e explicar convincentemente qual é o tipo de mulher que merece ser estuprada segundo a teoria dele. Tem que explicar detalhadamente: quais mulheres, quando, em quais condições, quais as características das mulheres que mereceriam ser estupradas, ao contrário da Maria do Rosário que não merece. Simples assim, meu caro.

  7. Jonas Schlesinger Postado em 22/Jun/2016 às 16:45

    Eu não faço parte do PP nem sou de esquerda, mas gostei que esse Bolsobosta vai ser punido por tanta bosta que fez e falou. Uma pessoa que não tem um mínimo de senso democrático, que espelha sua política na política da espada e do tiro. Nos EUA, o Trump não teve o mesmo azar que o daqui, mas aquele lá tbm não vai se sustentar. Xupa essa filho (pereira e seus 1000 pseudônimos), xupa Naro Solbo, José Ferreira, João Carlos, Rodrigo.... e aqule cara do youtube Baitolando Moura.

  8. Eduardo Ribeiro Postado em 23/Jun/2016 às 10:25

    Nem precisa ser de esquerda pra querer Bolsonaro pagando pelas barbaridades que diz. É uma pessoa ruim, faz muito mal ao Brasil.

  9. Ricardo Postado em 23/Jun/2016 às 11:38

    Pois é. Acho que já passou da hora de o STF deixar de ser um bando de cagão que só pensa na sua conta bancária e assumir definitivamente seu papel de guardião da Constituição. Está na hora de traçar um risco e dizer: a partir daqui não é democracia e não será tolerado. Não se pode ser tolerante com intolerante, a democracia, por questão lógica, não permite em seu interior atitude antidemocrática. Isso é em qualquer país civilizado - aqui pagamos o preço da ignorância, e o pessoal acha que a liberdade de expressão permite manifestação antidemocrática. Nesse episódio ele nem chegou a tanto (cometeu apologia a crime), mas já se manifestou claramente contrário à democracia - chegou a dizer que, se fosse presidente, fecharia o Congresso, isso sem contar as homenagens à ditadura e a torturadores. Essa foi uma falha da nossa "transição democrática", talvez por influência daquela bobagem de "distensão lenta, segura e gradual" do Geisel: houve a nova CF de 1988, mas as instituições permaneceram praticamente intactas, e os mesmos agentes da política continuaram sua atuação. Os mesmos Ministros e Presidentes dos Tribunais continuaram em seus cargos, os mesmos políticos envolvidos direta ou indiretamente no regime, todos continuaram a levar a mesma vida no dia seguinte e a influenciar os rumos da nação. A mesmíssima polícia que reprimia politicamente permaneceu. A transição, no grosso, foi uma farsa.

  10. Jacyra Postado em 28/Jun/2016 às 21:08

    Naro, o que me parece é air algumas questões transcendem a divisão esquerda/direita. Você pode ser um liberal na economia, conservador na política e ser contra a apologia ao estupro. Ou não?