Redação Pragmatismo
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Direita 06/May/2016 às 15:43
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Para entender o impeachment, é preciso olhar para as eleições de 2014

Intensa reformulação de forças no Congresso Nacional a partir da eleição de 2014 não foi encarada com o devido cuidado pela presidente Dilma. Os eleitos, tanto para a Câmara como para o Senado eram muito mais conservadores que os colegas que substituíam. A elite tradicional voltará ao poder desta vez sem precisar de tanques

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Em 2014, Brasil elegeu o Congresso mais conservador de sua história

Percival Maricato, Jornal GGN

O resultado da eleição para presidente e especialmente para o Congresso, já apontava o cuidado extremo com que a Presidente Dilma, eleita por pequena margem de votos, devia governar. Seu discurso de posse, arrogante e simplista, mostrava que ela não tinha entendido o recado.

Os eleitos, tanto para a Câmara Federal como para o Senado eram muito mais conservadores que os colegas que substituíam. A Casa Branca logo percebeu a fragilidade do governo e o ataque começou mal tinha acabado a posse.

Pelo nosso sistema eleitoral é possível eleger um dirigente do poder executivo, municipal, estadual ou federal, progressista, mas o corpo de parlamentares acaba tendo maioria conservadora, ditada pelas características do sistema, custo de campanha política, atração da carreira para projetos pessoais e etc. Mesmo assim, a composição do atual Congresso é ponto fora da curva, conservador demais.

A bancada sindical laboral foi reduzida de 83 para 46 representantes, segundo o insuspeito DIAP, uma derrota estonteante, que deveria merecer muita humildade e reflexão dos sindicalistas e da esquerda em geral. Claro que não são apenas carências econômicas que a explicam. Quem sabe o apego exagerado a pleitos corporativos, o tempo e energia dedicados às guerras por controle de sindicatos, a falta de um projeto para o país, etc, ajudem a saber o porquê do resultado?

Os conservadores, segundo alertou o mesmo DIAP, findo pleito, elegeram 190 representantes do empresariado, 52 da bancadas evangélica, 55 da bancada da bala (candidatos policiais foram os mais votados em vários estados); destaque-se ainda a poderosa bancada ruralista, que seria composta de uns 100 deputados (além de 14 senadores). Claro que os números podem não ser muito precisos, mas os 46 da bancada sindical são.

Somados a outros eleitos pela esquerda, totalizam pouco mais de uma centena, poucos se fizermos uma comparação histórica mais abrangente (desconte-se que comunistas que foram para o PPS e socialistas do PSB, que se engajaram na trajetória dos partidos liberais) e considerarmos que os governos do PT foram muito bem avaliados pela população até aquele momento. O número de votos contra o impeachment chegou a 137, alguns votos a mais que a bancada de esquerda prevista acima, decorrentes de possíveis compromissos pessoais e deputados cuja consciência jurídica falou mais alto que o interesse imediato. Do outro lado, sem estranhar, esmagadores 367 votos.

O fato do andar de cima resolver por ordem na casa, entrar na guerra, enquadrar os fisiológicos, manusear o Lava Jato, sempre a espreita, a mídia pondo fotos e nomes de quem não aderia ao impeachment diariamente nos jornais, faz parte do jogo.

O Senado, por sua vez, sempre teve composição ainda mais conservadora, mas mais ideológica e menos fisiológica, o que não deixa de ser um diferencial importante em movimentos como o do impeachment. Um conservador experiente e não tão apegado ao curto prazo consegue pensar bem mais no futuro do país do que um fisiológico. Mas isso não é suficiente para deter a avalanche. As câmaras da Globo estarão apontadas para cada um no dia, tal qual pistola.

Lembremos ainda que os eleitos se dividiram em cerca de 30 partidos, com seus donos, agendas, interesses, e reivindicações. O país tem um problema na incapacidade e na visão predadora de sua elite tradicional, mas ela volta ao poder desta vez sem precisar de tanques, pelas mãos do fisiologismo.

Todos gostaríamos de ter um país economicamente desenvolvido, além de politicamente democrático, mas sempre ficamos amarrados ao passado. O fisiologismo, porém, é o problema imediato. Foi, talvez, o maior risco nesses anos todos, minimizado pelos governos petistas.

A presidente superestimou a possibilidade de controlá-los com distribuição de cargos. Quando Temer, em ascensão, com toda a Casa Branca dando cobertura, os ofereceu e de forma mais segura, o arsenal de Dilma minguou.

O fisiologismo, estimulado pela multiplicação de partidos-balcões de negócio, é a maior deficiência do sistema. Só mudará com muita educação para a cidadania, pacto com conservadores não fisiológicos, em especial lideranças com visão de longo prazo entre os empresários e uma reforma política.

Os governos petistas não se preocuparam como deveriam com esses problemas; muito menos os tucanos, que também tentam se aproveitar do fisiologismo e as vezes são por ele chantageados, em seus governos. Segundo o mensalão, Jose Dirceu tentou fazer o pagamento de apoios em espécie, em vez de ministérios. Não deu certo.

Consideremos que o advento da crise econômica, que reduziu os recursos até então distribuídos pelos governos petistas, apressou a decisão da Casa Branca e demais estamentos privilegiados do estado: não seriam eles que iriam pagar a conta. Simples assim.

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Comentários

  1. José de Pindorama Postado em 07/May/2016 às 12:41

    Caros Comentaristas, boa tarde! Destacaria, a meu ver, alguns pontos importantes. Primeiro; o ou a Presidente, no Brasil, devido ao nosso regime Presidencialista, não governa sem auxilio do Congresso (Câmara dos Deputados e Senado). É de uma ingenuidade abissal pensar o contrário, portanto, um projeto de lei e/ou medida provisória enviados pelo executivo necessita de ratificação pelo Congresso. Apenas exemplificando, Lula, enviou por duas vezes, se minha memória não estiver falha, uma reforma política, até tímida, mas enviou. Qual o resultado? Simples, não passou. Segundo; o articulista tem razão, só está sendo possível o andamento do processo de impedimento da Presidente; graças a co-autoria irresponsável, diga-se de passagem, de grande parte da população -- por tornar possível um Congresso que se assemelha a um circo de horrores. Explico, boa parte da população quer ensino de qualidade e gratuito; mas vota em donos e/ou representantes de escolas privadas. Na Constituição Federal está clara a opção de Estado Laico, e votamos em fundamentalistas,sectaristas, e fascistas. Desejamos saúde gratuita e votamos em donos e/ou representantes de seguros saúde. Almejamos segurança para todos; e votamos em representantes e/ou donos de fábrica de armamentos e indivíduos que desejam privatizar prisões -- preso é o nosso negócio. Além de escolher para cargos eletivos, campeões de ilicitudes, os popularmente denominados 'fichas sujas'. E por aí vai. O que deseja um povo, só para citar alguns, baseados exclusivamente, no trabalho apresentado pelos Parlamentares nesse período; de um Tiririca, Bolsonaro, Marcos Feliciano, Bruna Furlan, Bruno Covas, José Serra, Aluízio Nunes, Eduardo Cunha, Ronaldo Caiado, Cristiane Brasil, José Olímpio, para não se tornar cansativo. Isso sem falar nas Câmaras Estaduais! Toda escolha tem consequências, ingenuidade pensar diferente. Com relação à Presidente, acredito que erros foram cometidos no primeiro mandato e no segundo; porém devo lembrar aos incautos que toda essa crise política com reflexos na economia, tem origem no projeto da dita 'oposição' (eleita por parte do povo) de retira-la do poder. Travaram todo o processo decisório dentro das Câmaras baixa e alta,unicamente, para criar enormes dificuldades para o Executivo; lê-se criar dificuldades para o Brasil e a seu povo. A 'oposição' esta, ligada, umbilicalmente. aos interesses de Washington; o que torna o Golpe uma ação Geopolítica com desdobramentos na America Latina. Uma outra pergunta, fica no ar, para um Brasil melhor; Aécio, Marina, ou mesmo Eduardo Campos seriam opção melhor; meditem cuidadosamente?

  2. JH Corvetto Postado em 09/May/2016 às 13:36

    Para mim, as pedaladas não justificam o impeachment, já o estelionato eleitoral é caso grave e o fato moral para chutá-la de lá! Infelizmente, mentir e enganar não são crimes neste país.