Redação Pragmatismo
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Política 06/May/2016 às 17:36
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Análise do programa de Michel Temer provoca arrepios

Michel Temer trama o retrocesso. Análise detalhada do programa econômico do vice revela ataque aos salários, novos favores às elites e ímpeto de bloquear luta por igualdade

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Michel Temer, vice-presidente do Brasil (reprodução)

Carlos Frederico Rocha, Outras Palavras

Ao se colocar como alternativa à presidência, o vice-presidente Michel Temer preparou um documento sobre quais seriam as linhas gerais seguidas em um suposto governo de substituição à presidente Dilma Roussef. O documento se chamou “Uma ponte para o futuro”. Este texto procura apresentar criticamente suas principais propostas e desenhar um possível cenário, caso a hipótese de impedimento da presidente venha a se verificar.

“Uma ponte para o futuro” realiza inicialmente um diagnóstico da situação do país. Primeiro, haveria um grave desequilíbrio causado pelos benefícios criados pela Constituição de 1988. Segundo, como a carga tributária é elevada, uma solução pelo aumento dos impostos estaria inviabilizada. Terceiro, existiria grande dificuldade de redução de despesas que resultam de obrigação constitucional.

O Ajuste Fiscal

Segundo o documento, os dispositivos de gastos em educação, saúde e assistência social seriam até virtuosos, mas, somados a outras despesas obrigatórias não virtuosas, que incluem a Previdência Social, tornariam necessária uma forte reestruturação, alterando dispositivos constitucionais e legais.

Em termos orçamentários, o projeto do Vice-presidente propõe:

I – fim de todas as vinculações obrigatórias do Orçamento a despesas específicos (incluindo as virtuosas);

II – criação do orçamento impositivo, ou seja, o orçamento votado no congresso deve ser obrigatoriamente executado em sua integralidade, sem contingenciamento;

III – fim de todas as indexações, seja para salários, seja para benefícios previdenciários, seja para qualquer gasto;

IV – criação do orçamento de base zero, que significa a revisão de todos os itens orçamentários a cada legislatura, ou seja, a possibilidade de descontinuidade anual de qualquer programa; e

V – um dispositivo que impossibilita o aumento das despesas acima do crescimento do PIB.

A primeira percepção que emerge da leitura das propostas de ajuste é uma tentativa de deslocamento de poder do Executivo para o Legislativo. Escrito em outubro de 2015, em um cenário político conturbado, com o governo enfraquecido, percebe-se que existe uma tentativa de assegurar aos congressistas que suas emendas orçamentárias terão de ser executadas. É possível especular que o objetivo era assegurar aos congressistas, próximos a votar um impedimento, estariam frente a uma oportunidade de ganhar poder na definição de recursos de acordo com seus desejos, que não poderiam mais ser alvo de contingenciamento governamental.

Sob o ponto de vista econômico, as medidas sugeridas parecem conduzir, no entanto, à redução dos gastos sociais. A desvinculação das despesas é um dos instrumentos, o outro é o fim das indexações, que afeta principalmente a Previdência Social, objeto de análise específica mais adiante. Uma rápida avaliação nas despesas que sofreriam desvinculação permite concluir que, salvo algumas exceções que poderiam ser citadas nominalmente se fossem os únicos alvo, apenas recursos destinados à Saúde, Previdência, Educação e salários sofrerão os cortes propostos.

A segunda consequência econômica é a proibição institucional de políticas keynesianas. Ao fixar que o gasto governamental não poderá crescer mais do que o PIB, o vice-presidente está definindo o fim da possibilidade de se realizar políticas anticíclicas. Tradicionalmente, os gastos governamentais representam um papel anticíclico. Economistas keynesianos e ortodoxos vêm debatendo questões em torno do tema desde a publicação da Teoria Geral do Emprego, Juro e Moeda, em 1936. Está longe de haver consenso, mas nunca, desde os anos 1930, o pêndulo esteve tão a favor dos seguidores de Keynes. Até mesmo o sisudo Fundo Monetário Internacional apresentou uma mudança no seu entendimento sobre o assunto, propondo políticas fiscais mais frouxas, após a crise de 2008. O entendimento do vice-presidente é, no entanto, que devemos proibir legalmente políticas que, frente a uma queda do PIB, possam atenuar os efeitos recessivos.

Surge, então, um primeiro conjunto de questões: será que é razoável dar esse importante passo, que produziráengessamento das políticas públicas, a partir da retirada de uma presidente que foi legitimamente eleita com um programa oposto e a indicação quase que biônica de um presidente alternativo? Será que medidas tão drásticas quanto essas não deveriam ser alvo de uma Constituinte?

Previdência Social

Uma ponte para o futuro dá especial ênfase à Previdência. Essa atenção é justificada devido ao crescente déficit do INSS e à elevada parcela do PIB dedicada a este item do Oaçamento. De acordo com os argumentos expostos, o Brasil teria cerca de 12% do PIB dedicados à Previdência, parcela semelhante a França e Alemanha, que têm uma pirâmide demográfica mais envelhecid –, e o dobro de EUA e Japão.

O documento, então, propõe:

I – aumento da idade mínima de aposentadoria para 60 anos, para mulheres, e 65, para homens; e

II – fim da indexação dos benefícios da Previdência ao salário mínimo.

Com respeito a esse ponto é importante ressaltar que cerca de 60% dos beneficiários da Previdência recebem o piso do salário mínimo. A retirada da indexação implicaria uma perda real significativa para um número razoavelmente grande de famílias (cerca de 30% das famílias recebem rendimentos previdenciários). É fundamental lembrar que, em média, o crescimento e melhor distribuição dos rendimentos da Previdência Social são responsáveis por cerca de um quarto da redução da desigualdade no Brasil. As mudanças na indexação no piso salarial estarão na contramão deste processo. Além disso, deve-se ponderar que, se o salário mínimo tem um valor em termos de dignidade humana (artigo primeiro da Constituição Federal), o que se pode pensar em termos de valores sociais sobre esse tipo de medida?

O aumento da idade de aposentadoria toca em um ponto relevante que entendo deva ser pensado pela sociedade. Trata-se da divisão intergeracional da renda. Não teria uma oposição inicial à medida, embora, mais uma vez e sempre, entenda que isso deve ser uma discussão social e não uma medida tomada a partir da assunção do poder indiretamente por alguém cujo programa não foi submetido a escrutínio.

É de se notar, contudo, uma grande omissão. Um dos vários equívocos do governo Dilma foi a desoneração da folha de pagamento, que provocou, em 2014, uma redução de cerca de R$ 20 milhões na arrecadação de impostos. Não há uma palavra do vice-presidente sobre esse tema. É de se especular quando entidades empresariais desenham ou copiam figuras de pato, quem serão os verdadeiros patos de um possível governo Temer.

A Agenda para o Desenvolvimento

A parte final do documento apresenta uma agenda de desenvolvimento fortemente baseada na liberalização dos mercados (ou quase). As principais medidas podem ser divididas em quatro grupos. Primeiro, há elementos que, creio, todos concordariam e que não foram realizados por impossibilidade de negociação parlamentar ou por falta de capacidade técnica de montagem de uma agenda de discussões. Nesse caso, a “Ponte para o Futuro” propõe a melhoria do ambiente de negócios com a simplificação do sistema tributário e redução dos obstáculos à abertura e ao fechamento de empresas; atenção à gestão das empresas públicas e das agências reguladoras, entre outros pontos de menor importância. Ensaia o que seria uma continuidade da política de inovação ao “dar alta prioridade à pesquisa e o desenvolvimento tecnológico que são a base da inovação”.

Segundo, argumenta pela necessidade de se realizar com celeridade uma “abertura comercial que torne nosso setor produtivo mais competitivo, graças ao acesso a bens de capital, tecnologia e insumos importados”. Essa abertura deveria ser acompanhada pela assinatura de acordos regionais, já em andamento, que melhorariam o acesso de produtos tupiniquins aos mercados da Ásia e da América do Norte. Além do mais, argumenta que o realinhamento do câmbio auxiliaria essa transformação.

A terceira frente seria “executar uma política de desenvolvimento centrada na iniciativa privada, por meio de transferências de ativos que se fizerem necessárias”, inclusive na área de petróleo, que retornaria à regulação que vigorou previamente à descoberta do pré-sal.

A quarta iniciativa seria a alteração da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), permitindo que as convenções coletivas prevaleçam sobre as normas legais, salvo quanto aos direitos básicos. Neste aspecto, merece também destaque uma frase contida no documento, em que se afirma que, em contrapartida ao novo sistema público sem indexação, “novas legislações procurarão exterminar de vez os resíduos de indexação de contratos no mundo privado e no setor financeiro”. O principal contrato do “mundo privado” é o de trabalho e creio ser essa uma maneira indireta de se afirmar que se alterará a regra de reajuste do salário mínimo.

Cabe notar uma importante ausência, tanto nos comentários da política de desenvolvimento, quanto nos referentes ao ajuste fiscal: a desoneração tributária à indústria por intermédio do IPI e outros procedimentos. (Olha o pato outra vez na área). A desoneração de impostos no total (incluindo a da folha de pagamento) representou, em 2014, R$ 88 bilhões de redução na arrecadação da União. Nenhuma palavra sobre isso no documento: nem sobre as medidas que poderiam vir a ser virtuosas, nem sobre alguns estrondosos erros do governo Dilma.

A agenda de desenvolvimento merece comentários. Na parte inicial, mudanças no ambiente de negócios estão longe de conduzir a uma trajetória clara de desenvolvimento. A evidência empírica não parece ser conclusiva a esse respeito, principalmente porque existem endogeneidades que são difíceis de controlar. Mais importante, acreditar na simplificação do sistema tributário com as divergências de interesses encontradas entre os entes federativos está mais próximo da montagem de uma agenda natalina, do que propriamente de desenvolvimento.

A proposta de abertura do mercado doméstico está na mesa desde o início do processo de redemocratização do Brasil. O governo Collor fez um esboço de uma política de redução da proteção e os governos Itamar e FHC realizaram uma importante modificação nesse cenário, estabelecendo regras transparentes para tarifas e permitindo a entrada de bens importados em todos os segmentos da economia. Os governos Lula e Dilma mantiveram as principais características do modelo, ainda que tenham implantado, em alguns setores, políticas de conteúdo local, bem-sucedidas em alguns casos, nem tanto em outros. De fato, quando se examinam as empresas, aquelas que mais importam insumos e equipamentos tendem a ter melhor desempenho e as exportadoras tendem a ser mais eficientes. Contudo, é wishful thinking pensar que a mera redução tarifária ou a suspensão de políticas de conteúdo local somadas à recente desvalorização cambial implicarão crescimento das exportações. A abertura de mercados impõe um novo e mais agressivo ambiente seletivo às empresas. Os impactos sobre emprego e renda no curto prazo estão longe de ser positivos. Um ano após a forte desvalorização de 2015, não se verifica mudança nas exportações. As estimativas de elasticidade preço e câmbio de nossas exportações estão longe de ser otimistas. Ademais, apesar da abertura promovida por Itamar e FHC ter afetado os segmentos de comerciáveis no Brasil, a estrutura industrial pouco se alterou além da provocação de uma onda de fusões e aquisições que internacionalizou ainda mais a nossa indústria. Nesse sentido, a experiência ensina que mesmo no longo prazo os efeitos podem não ser os desejados.

O tema da privatização parece ser um pouco mais perigoso e, nesse caso, o escrutínio público é fundamental. Toda vez que foi tema de eleição, a população escolheu contra a privatização. No setor financeiro, Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES tiveram um papel central na reversão da crise, entre 2009 e 2010. São instrumentos importantes de política econômica. Não parece razoável privatizá-los. Na área do petróleo, o retorno do marco regulatório ao sistema de concessão está longe de ser dano. No entanto, a privatização da Petrobras não parece ser convidativa. A Petrobras tem grande contribuição ao desenvolvimento tecnológico do Brasil. Parece claro que provedores da Petrobras têm melhor desempenho do que seus pares e os testes de causalidade, na medida em que se aperfeiçoam, tendem a ressaltar o seu papel.

O ponto mais perigoso da agenda de desenvolvimento são as mudanças preconizadas para o mercado de trabalho. No que tange às mudanças na CLT, parece claro que o documento caminha na direção de reduzir a remuneração daqueles que percebem até três salários mínimos. Calcula-se que 50% da melhoria na distribuição de renda se devem à melhor distribuição da renda laboral. Dois elementos tiveram papel importante nessa trajetória: a regra do salário mínimo e a redução do bônus da qualificação. Cabe lembrar que o país ainda mantém um dos maiores bônus à qualificação do mundo. A liberalização do mercado de trabalho, somada à desvinculação do salário mínimo à regra existente, tende a aumentar esse bônus. Os aspectos distributivos tendem a ser danosos. Mais uma vez, trata-se de uma forte reversão de trajetória.

A Economia Política do Impedimento

Em seu “Aspectos Políticos do Pleno Emprego”, Michal Kalecki, um dos grandes economistas do século XX, enuncia o principal limite das políticas econômicas que visam ao pleno emprego. Segundo ele, apesar do sucesso de políticas de dinamização da economia, a oposição dos “líderes da indústria” a essas políticas emergiria por três razões: “(i) não gostam da interferência do governo no problema do emprego como tal; (ii) não gostam da direção dos gastos do governo (o investimento público e o consumo subsidiado); (iii) não gostam das mudanças sociais e políticas resultantes da manutenção do pleno emprego”. No primeiro caso, ressalta que a rejeição às políticas tem origem na possível perda de influência que esses “líderes da indústria” teriam, em razão da perda de importância relativa do investimento privado para a manutenção do nível de atividade. “A função social da doutrina das ‘finanças saudáveis’ é fazer com que o nível de emprego dependa do estado de confiança”. No segundo caso, a oposição ao consumo subsidiado adviria do fato de que “os fundamentos da ética capitalista requerem que ‘você deve ganhar o seu pão no suor’, a menos que você tenha meios privados”. O terceiro caso é, no entanto, aquele que merece maior ênfase do autor. De acordo com ele, o elevado nível de atividade resultaria em busca de ganhos salariais e maior poder de barganha dos trabalhadores, podendo implicar greves. E a disciplina das fábricas seria algo de que os patrões não estariam dispostos a abrir mão. O texto de Kalecki, escrito em 1943, prossegue afirmando que o fascismo foi uma maneira de autorizar as políticas de estímulo ao nível de atividade, mantendo a disciplina do chão da fábrica.

Essas características estavam presentes em 2013/14, quando se discutia a eleição presidencial. O nível de atividade pressionava o chão das fábricas; as políticas de transferência de renda eram condenadas por importantes segmentos empresariais e pela classe média, com base em princípios éticos parecidos com os presentes no texto de Kalecki, (lembrem-se do “dê uma vara e ensine a pescar”); e o investimento público aparentava ter pujança para retomar um papel que representou anteriormente, na década de 1970, quando a mediação autoritária permitia o convívio de alto grau de atividade e pressão sobre os salários reais, mantendo elevada desigualdade. No entanto, agora não havia o regime autoritário para manter a disciplina. Estava montado o cenário para o início de pregação da doutrina das “finanças saudáveis”. Assim, o segundo e fragilizado governo Dilma iniciou o caminho à redução do nível de atividade, mas, para esses líderes da indústria (ou capitães da indústria, conforme tradução brasileira – por que não coronéis?), não seria o suficiente.

O impedimento da presidente se dá, então, sob esse clima e com uma agenda de mudança por parte da oposição que implica assegurar que não haverá espaço para outra vez se adotarem políticas anticíclicas no país. Enfim, olhando o resumo da obra, a ponte para o futuro parece mais um túnel escuro para aqueles que um dia sonharam com uma sociedade mais igualitária e sem pobreza. Trata-se de uma ponte para o passado e um passo para o abismo. Cuidado com a ciclovia que ameaça desabar.

Leia também:
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Comentários

  1. Jonas Schlesinger Postado em 06/May/2016 às 20:03

    Políticas liberais no que tange à economia e mercado, eu sou a favor. O estado precisa diminuir mais, muito mais e abrir o mercado para novas empresas em áreas estratégicas como a telefonia, internet e tecnologia. Importar produtos demais restringe o empresário brasileiro (aquele que está começando e tal, não os grandes empresários) de produzir e vender seus próprios produtos. O Brasil não faz quase nada para exportar, exceto commodities. Não vamos demonizar as privatizações, pois elas são essenciais. O problema é a privataria que foi o que o FHC fez vendendo estatais a preço de banana em momento de crise e tal. A privatização ajuda o país, pois o estado não pode dar conta de tudo. A Dilma osculou, por exemplo, privatizar aeroportos. Excelente! Existem coisas que não funcionam como estatais, por outro lado exstem coisas que não funcionam como privado. Aeroportos, rodoviárias, o Aquário daqui de Fortaleza, correios são uma das coisas que devem ser privatizadas; presídios, estradas, segurança pública pra mim o estado tem que ser maior. Sobra dinheiro para infraestruturas etc etc. Mas como fazer algo desse naipe se existe uma grande concentração de poder na m~ao de políticos? O presidente deveria ser apenas chefe de estado e deixar para o primeiro-ministro o governo nos moldes do parlamentarismo europeu inclusive com o voto distrital para evitar aqueles sanguessugas que foram de gaiatos no parlamento; o dinheiro dos estados ficam nos estados, controlar e vigiar com extremo vigor a partida do dinheiro para os estados e municípios para evitar corrupção no meio do caminho. Ou seja, é uma série de coisas que podem ajudar o país. Sou favorável ao parlamentarismo, pois se continuarmos no presidencialismo (que só dá certo nos EUA, que coisa!) daqui a 30 anos teremos essa putaria na política de novo e de novo e de novo. Desde quando essa baderna foi proclamada em 15 de novembro de 1889, o país no presidencialismo virou bagunça. E como hoje a família imperial caiu no ostracismo, o que me resta de esperança é uma república parlamentarista. Pronto falei.

    • Pedro Postado em 07/May/2016 às 04:23

      Grande Jonas: podemos discordar educadamente em alguns pontos (e maneirar nos palavrões e nos "e tal")? Os planos que você sugere ja foram implementados na década de 80 e culminaram com um recorde de acumulação de renda e desindustrializaçao do Brasil em 1995. O Brasil desenvolveu um parque industrial decente, que em 85 respondia por 21% do PIB: conforme as políticas neo-liberais dos anos 80 foram sendo implementadas, esse setor sofreu, e minguou, chegando a 11% do PIB em 2014. Eh preciso ter muita cautela ao fazer um receituário "liberal", até porque este é ramificado. Estou contigo, e creio na privatizaçao de serviços como aeroportos, rodoviárias, e vou além: as universidades publicas podem melhorar em qualidade e inserção internacional se tiverem partes de suas gestões privatizadas. Talvez para o Brasil, o modelo adotado por universidades estaduais norte-americanas, como Berkeley, seja um bom compromisso entre privado e publico. Mas precisamos reconhecer nosso atraso. O que o Brasil produz de decente? Quem fabrica o que no Brasil? A unica empresa no Brasil que produz algo digno de nota é a EMBRAER, uma estatal? Seu plano liberal prevê privatizaçao da EMBRAER? E porque deixar os recursos encontrados no pré-sal nas maos de empresas estrangeiras: esses recursos precisam, privados ou não, retornarem para a sociedade brasileira. Nosso problema, antes de corrupção, de desigualdade, é pobreza mesmo. A oportunidade de enriquecer o pais, investir na educação e infra-estrutura com recursos como os do pré-sal são importantíssimos. Mas você e eu sabemos que o estado ja teve suas oportunidades de elevar os padrões brasileiros em outras ocasiões, e não o fez: entendo o ceticismo e a tentação de apenas privatizar a exploração desse tipo de recurso. O debate não é tao simples, precisamos fazer uma escolha democrática sobre recursos estratégicos. Você citou um serviço muito peculiar: correios. Eu ja vivi em 5 países diferentes: o que todos têm em comum são correios estatais. Nos EUA os correios são do estado. O destino da nação não passa pela gestão dos correios, mas acho curioso sua sugestão de privatiza-los. Que tal apenas permitir que as empresas de entrega privadas atuem normalmente no mercado, como ocorre no mundo inteiro (FEDEX, UPS, etc) e manter os correios como são? Para finalizar essa parte, você esta propondo medidas que ja foram feitas: é a receita "neo-liberal" da década de 80. Quando essas medidas foram implementadas, causou aumento de pobreza, desindustrilizaçao e precarizaçao das condições de trabalho. Eh preciso muito cuidado ao defender essas medidas sem levar em conta as consequências negativas que ja conhecemos. O "neo-liberalismo" é paradoxal, porque não tem nada de novo, e não é "liberal". Eh natimorto, porque, como você mesmo citou, o processo de privatizaçao é sempre contaminado por politica, do Brasil a todo o leste europeu. O seu outro ponto é muito mais complexo, e um tanto utópico. Mudar a forma de governo brasileiro de "presidencialismo" para "moldes parlamentaristas": quem vai escolher isso? Você pode muito bem defender isso, mas trata-se de algo pratico, realista, ou de um devaneio utópico? Porque você acredita que o presidencialismo "soh da certo nos EUA": o que exatamente esta dando certo por la? Nixon renunciou em um escândalo, a era Reagan, "neo-liberal" destruiu a classe trabalhadora norte-americana e trouxe aos EUA níveis de desigualdade sociais que os colocam fora do mundo industrializado nos padrões de IDH. Eles quase impediram o presidente Clinton por causa de um "escândalo sexual", e elegeram George Bush em uma eleição fraudulenta. E você acha que, de alguma forma, os governos europeus são mais limpos e transparentes porque o noticiário sobre eles é menos intenso? Talvez valesse a pena você morar na Europa por um tempo, e analisar a distância de um cidadão alemão ou Francês do que se passa no poder de seus países. As mudanças que você propõe são puramente utópicas e simplistas. Você "pronto falei" coisas que são simplesmente suas opiniões e desejos: não ha evidências nem raciocínio lógico por trás das suas propostas. O que garante que a classe politica brasileira tradicional, fisiológica e corrupta, não va cooptar um sistema parlamentarista. Ora, o impedimento da Dilma esta sendo um processo praticamente parlamentar: na ausência de rigor jurídico para justificar o impedimento de acordo com a constituição brasileira de fato, o processo tomou ares parlamentares, nos moldes que você defende: na pratica, o seu desejo ja foi realizado. De tudo que saiu recentemente, a única analise que fez sentido foi a do Safatle, recomendo que leia. O atual sistema realmente esgotou: e você tem razão em querer mudanças. Mas o que todos parecem ignorar é que a cultura brasileira continuara ditando o tipo de pessoa que acaba praticando a politica, seja ela na ditadura militar, seja ela no "lulo-petismo" ou em um "parlamentarismo de moldes europeus". Qual é realmente a questão? Porque você citou a familiar imperial? Você realmente acredita que esse anacronismo tacanho monárquico traria qualquer bem para a nação? As mudanças econômicas que você deseja ja foram testadas, podem ser benéficas em doses corretas. Total adesão a elas tem efeitos fáceis de verificar, e não faz sentido para o bem comum partir na direção enlouquecida da receita dos anos 80: isso causa precarizaçao. As suas sugestões para "modelo de gestão" são muito complexas para serem implementadas, e pior: dado o material humano com que fazemos politica no Brasil, duvido que produzam qualquer mudança de fato. Na pratica, você tem razao no seguinte, apesar de não tê-lo declarado: no Brasil, vivemos um misto de presidencialismo com parlamentarismo que realmente facilita muito a corrupção. Com a recente intensificação da atuação da PF, vimos gente grande indo para a cadeia: ou seja, no momento em que o presidencialismo tentou se impor, a face parlamentar busca impor seu próprio interesse. Ou um, ou outro, esse regime promiscuo não pode continuar: mas é muito, muito difícil alterar o modo de governo.

      • Nelson Postado em 07/May/2016 às 07:00

        Pedro, orbigado pelo raciocinio claro e logico! Bom final de semana!

  2. Carol Postado em 07/May/2016 às 08:51

    Na verdade em mim nem tentos arrepios, com algumas coisas não concordo mas outros pontos são extremamente necessários. Quando vi a candidatura de Dilma, uma as coisas que pouco me agradou foi o Michel Temer como vice, tomara que a partir de agora as pessoas prestem mais atenção no nome que está junto com o do candidato a presidência, acho bizarro em algo tão importante os candidatos e a população agirem como se presidente não fosse afastado, não ficasse doente e como se a faixa ou deixassem imortais. E sobre planos de governos, leiam novamente ( ou infelizmente pela primeira vez), o plano escrito pelo governador do seu estado, nossa presidência e faça isso com outros cargos e até em tempos passados, no Brasil nada é levado a sério inclusive isso.

  3. Júlia Postado em 07/May/2016 às 11:28

    A fatura pelo analfabetismo político será altíssima. E serão os menos favorecidos que pagarão o pato. Apertem os cintos, o piloto golpista assumiu e vai cumprir o plano de vôo dos ianques e das elites brasileiras...Quem tiver alguma laminha no banco use-as e dê o fora daqui..."mulheres e crianças "premeiro"...Au revoir!

    • Pedro Postado em 08/May/2016 às 06:33

      E ir para onde Julia? A gente vai ser bem-vindo mundo afora? Somos sudacas, latinos, não somos bem-vindos no primeiro mundo. E temos aqui mesmo um pais pelo qual precisamos lutar. Se você tiver condições de ir embora e viver confortavelmente em outro lugar, ótimo. Mas o povo não tem para onde ir.

      • Deisi Postado em 08/May/2016 às 20:07

        Pedro em tempos de golpe, gostaria muito de ir embora para o Uruguai, só que meus filhos trabalham e estudam aqui, então não dá. Inclusive vou aprender espanhol, para quem sabe uma dia, gostaria muito de morar na terra de Mujica.

  4. Eduardo Ribeiro Postado em 07/May/2016 às 12:29

    Nem leu nada além do título. Comentou no automático.

    • Deisi Postado em 08/May/2016 às 19:55

      Os coxinhas só lêem o título no PP, assistem JN e vem trollar aqui.

  5. sandro Postado em 07/May/2016 às 13:14

    Direita sendo direita.

  6. José de pindorama Postado em 07/May/2016 às 14:32

    Caros Comentaristas, boa tarde! Lembrar, inicialmente, a todos que em primeira instância o Estado somos todos nós! Um Corolário; a 'oposição' que se desenha hoje é subserviente aos USA, entreguista e anti-nacionalista; não esperem nada de bom deles. Com eles no poder, vamos continuar sendo exportador de commodities, sendo que agora, o que faltava, estará sob controle internacional, para a alegria de muitos 'brasileiros'. Isto posto; privatização, para a economia indígena, significa, perda de controle, 'soft-kill' ou morte suave para um Estado, sem a necessidade de dispor de armas; são tentáculos de origem interna e/ou externa visando o controle, vejam bem, total do Estado até a sua final dissolução. Isso que o Sr. Pedro cita na história recente, evidencia todo o estrago que os Governos Sarney, Collor, e Fernando Henrique fizeram ao País. Sempre associados, a uma elite com a mentalidade dos primeiros dias do Brasil colonia -- aliás continuamos colonia até hoje; nunca fomos independentes! O afã pela melhoria dos serviços prestados ao cidadão não pode ser o motivo para privatizar inteiramente o País. Existem áreas de atividade que não tem problema nenhum de ficarem na iniciativa privada, mas outras são estratégicas para o Estado, ou seja para o País. O verdadeiro motivo, do Brasil passar por por crises intermináveis, é a politica financeira implantada no País por agentes internos conectados a interesses internacionais (vide Auditoria Cidadã da Divida Publica). O mundo, infelizmente, tem dono, e não são os USA. é um 'núcleo duro', de matizes diversas, que objetivam implantar seu 'modus operandi' em todo o planeta. Gustavo Barroso, Nillus, Chomsky, dentre outros, de várias correntes e tendências, podem refinar melhor nosso juízo de valor sobre algumas coisas. Se o blog, gentilmente, permitir,vide www.desenvolvimentistas.com.br/blog. Com relação às empresas estatais, como já tenho um razoável tempo de vida nesta terra, me atrevo a dizer: -Petrobras com corrupção ou sem; tem de ser 100% nacional. Essa sim, tem tecnologia de ponta inexistente em nenhuma empresa no mundo para explorar águas profundas; daí o ataque. Empresa que lida com energia, é estratégica, como o sangue é para os animais. O emprego do Petróleo nunca foi só combustíveis, àqueles que militam na agroindústria, sabem, que o grosso dos fertilizantes são oriundos de gases presentes no processo de hidrocarbonetos. Plásticos, industria têxtil, industrias química e farmacêuticas, industria alimentícia; tudo tem hidrocarbonetos. -A Embraer, começou, em 1969, como empresa de economia mista, a fim de dotar a Força Aérea Brasileira de aviões que pudessem substituir aviões obsoletos e nos conferir, ao menos, uma parca independência, nessa área. O Governo Federal, e a FAB, investiram e deram sustentação a muitos programas nessa empresa. Sem o Governo Federal, nenhuma empresa de aviação sobrevive em qualquer lugar no mundo! Hoje a Embraer faz belos e eficientes projetos; contudo com software de fora e componentes, a grande maioria de fabricantes internacionais. Tem mérito de fazer um projeto de qualidade, mas nada que uma empresa, fomentada pelo Governo de outro País não faça; não estou dizendo que é pouco o que a Embraer faz, mas, há de se ter um pouco de lucidez, Já tivemos antes da Embraer, empresas ligadas à aviação, que não tiveram apoio do GF, justamente devido a subserviência dos Governantes; CPA (Companhia Paulista de Aviação, Avibras, Neiva --hoje Embraer; Celma, para ficar em algumas). O Governo, dado interesse estratégico dessa empresa, principalmente no que tange a defesa nacional, deve ter ao menos 51% das ações; porque hoje, que eu saiba, só tem o Golden share. -Vale do Rio Doce; temos de estatizar, por completo, a Cia. Como privatizar o subsolo de um País, riquezas, que são intrínsecas do Povo Brasileiro. Que devem ser usadas com sabedoria e estrategia a fim de não nos faltarem num futuro. Vejam o desastre da Samarco, e quem vai acabar a resolvendo o impasse, o Governo Federal -- assim é fácil privatizar! E os bancos, muitos quebrados, seus acionistas ricos, ninguém preso; e o ônus ao Erário. Com a palavra Panamericano, Economico, Santos, Marka e Fonte Cindan, Nacional, Meridional, Haspa, Delfim, os que me lembro enquanto escrevo. E as comunicações, as siderúrgicas privatizadas, os estragos são incomensuráveis; e graças a co-autoria, de uma porção, do inconsequente povo brasileiro virão mais. Não existe dignidade social, e respeito a direitos e deveres num Estado mínimo e/ou fraco.

  7. Andre FLN Postado em 07/May/2016 às 15:49

    Sou empresário, técnico e não mamo na teta do estado, lí até o final e acho que a opinião desse autor está de acordo com minhas concepções sobre o papel do estado nas políticas. Essa ponte tá mais pra uma prancha de navio pirata. Quem acredita que a discussão se resume ao assistencialismo do estado com certeza não leu o texto. Aqui se discute uma estrutura poítica economica bem direcionada ao enfraquecimento do estado e volatilização em direção da dependência dos grandes capitais. Quem quer saber como isso funciona, vai pra argentina e descubra tudo o que a nossa mídia não fala sobre as invejáveis políticas do Macri. Dou a dica: hoje, são os argentinos que vêm ao Brasil abastecer seus carros... oha aí http://pt.globalpetrolprices.com/Argentina/gasoline_prices/

    • Rafael Postado em 08/May/2016 às 08:12

      Na sua opinião, qual seria a solução? Manter o estado do tamanho que está ou aumentá-lo?

  8. julia Postado em 07/May/2016 às 18:59

    José de pindorama, parabéns pelo comentário. Faltou citar que a privatização dos bancos estatais está na pauta bomba e, caso ele não consiga implementar a privatização total das estatais nesses dois anos, deverá fazer como os outros governos neoliberais: sucatear, sugar, lotear as direções, dilapidar...dai começa o discurso de que o PTÊ quebrou as estatais e que para salvar a nação da pindaíba a privatização ou abertura de capital como queiram chamar, será a luz no fim do túnel..,Adeus programas sociais administrados pelos bancos públicos, terceirização de todas as atividades, fim do concurso público, reajuste ZERO. Recado para meus "colegas bancários"...quem estava achando ruim os aumentos do governo Lula e Dilma gostaria de dizer que todos irão (RE)viver um tempo em que bancário era conhecido como 0800: 0 de direitos e 800 de salário. Vi e vejo muitos deles reclamarem dos acordos coletivos, das greves, dos reajustes e muitos deles furam greves e se orgulham disso, à vocês, principalmente, todo louvor, toda honra e toda glória, pois haverá choro e ranger de dentes quando se fecharem de vez as portas aos negociadores e vivam para ver a pauta de reivindicações voltar a ser entregue pela garagem da matriz... Áureos tempos que farão parte daqueles que passaram no concurso na era Lula e que entraram, sentaram na janela, pegaram uma ventania de direitos renovados pelos ACT´s e que agora irão "aplaudir" de pé esse novo governo entreguista...Uma salva de palmas aos que ajudaram a concretizar este golpe!!! Clap clap clap clap clap clap clap

  9. Pedro Postado em 07/May/2016 às 19:19

    José, primeiramente, quero agradece-lo e congratula-lo pelo ótimo comentario. Eu gostaria de concordar, discordar e levantar uma questão, relacionada, que apesar de desviar um pouco do tema, é fundamental. Vou começar pelo ultimo ponto: qual é o motivo de nossas elites acreditarem tao cegamente no receituário "neo-liberal" (que não é novo, nem liberal), e de onde surgiu a nova onda de jovens que papagaiam o libertarianismo norte-americano nas nossas paragens? Eles acreditam mesmo que o Estado não é o principal ator por trás do sucesso das nações desenvolvidas, invariavelmente bem-sucedidas as custas da exploração de outros povos, da colonização e por vezes da aniquilação de outras formas de associação humanas? Eu me surpreendo ao ler textos de jovens com bom nível educacional que acreditam que o sucessos "das nações do norte" se deve ao Estado mínimo. Isso é incorreto, no caso europeu, simplesmente falso. Essas nações possuem estados atuantes, vibrantes e fortes: o caso peculiar é o dos EUA, no qual o estado atua no setor mais estratégico: o financiamento de pesquisa cientifica e tecnológica. De onde a molecada tem tirado a idéia de que os recentes brinquedos montados e comercializados pelo (excelente) setor privado norte-americano conta com inovações tecnológicas privadas? As inovações foram bancadas pelo contribuinte norte-americano, nos laboratórios de pesquisa. Industria privada não tem visão de longo prazo para pesquisa cientifica, com raríssimas exceções, estas sempre associadas a bolsas estatais. Não entendo o que parece ser uma opção consciente pela ignorância, que nossos jovens adotaram. Qual a sua opinião sobre esse assunto que tanto me surpreende. O estado, no mundo inteiro, faz o que o setor privado não da conta: e essa rapaziada, do nada, enxerga um mundo ideal, sem estado, e que este faz apenas o mal para uma economia livre que nunca existiu e nem é capaz de existir sozinha. Eu entendo muito bem de onde essa idéias vêm, a historia por trás delas: o que eu não entendo é o "passo de fé" adotado por quem, em pleno século 21, decide acreditar nessas idéias absolutamente falsas. Enfim. Para encurtar: a EMBRAER faz um trabalho bonito sim. A questão das tecnologias estrangeiras no passam nem tanto pela parte de software, mas sim de turbinas. Montam boas aeronaves, mas as tecnologias-chave de aviação ainda são gringas. Existem poucos fabricantes de boas turbinas para aeronaves, e para caças, apenas duas empresas fazem abas de turbina em monocristal: Rolls Royce e GE. Os russos tem a versão deles, mas nem piloto russo confia naquilo, e a China esta correndo atras. Finalmente, o que importa: a Petrobras. Você tem toda a razão, mas privado ou publico, o recurso tem que ser investido no povo brasileiro. Não estou convencido de qual é a melhor forma de administrar e redistribuir a riqueza: parece o gato ou o gato. Qual o precedente? O regime militar teve estatais poderosas em maos, que serviram aos interesses das elites. Os privatistas fazem o mesmo: o que fazer? Não concordo com o dogma de que "energia é estratégico e precisa ficar nas maos do estado": pode-se fazer geração, distribuição e outras etapas em consórcios públicos-privados eficientes. A questão é, como você disse, petróleo não é apenas energia, é toda a industria moderna. Se a petrobras realmente dispõe de tecnologia de ponta e única na prospecçao marinha, seria um tiro de bazuca no pé abrir mao dessa oportunidade de explorar esse recurso e privatizar a empresa: seria anti-capitalista, ironicamente. Outras empresas são capazes de retirar esse petróleo do fundo do mar, o importante é: uma fatia significante precisa cair direto na melhoria da educação, saúde e infra-estrutura do povo brasileiro. Sugiro a rapaziada liberal uma viagem de carro pela Noruega. Veja o lindo pais que eles construíram vendendo commodities: exportam petróleo, e distribuem a riqueza. Enfim, valeu pelo comentário, abs.

  10. João Paulo Postado em 07/May/2016 às 23:01

    No que diz respeito à Previdência Social, o ponto central não é abordado. Creio que é necessária a limitação de benefícios, todavia a revisão das carências também. A exigência de apenas 180 meses (15 anos) de contribuição para assegurar a aposentadoria por idade é muito baixa. Mais importante que aumentar a idade é rever as carências, especialmente para licença maternidade, auxílio-doença comum, auxílio-acidente e pensões (esta teve algumas tímidas alterações com a reforma do ano passado). No mais, ao contrário de alguns comentários e em linhas bem genéricas, não é razoável socializar as riquezas do Estado com as elites (Petrobrás, Correios, bancos, aeroportos, rodovias, etc) e o Estado assumir apenas os ônus (presídios, escolas e hospitais). A tributação pode ser reduzida com sua simplificação e efetiva cobrança. É fácil sonegar. Os órgãos fiscalizatórios e o Judiciário falharam em suas missões institucionais e devem ser reformulados, tal qual a lei. A lei é amiga e complacente do criminoso-sonegador. Reduzindo a sonegação, é possível reduzir tributos.

  11. Ronaldo Postado em 07/May/2016 às 23:47

    BNDES emprestou bilhões a Eike Batista, JBS , outros países etc e o cara quer vir falar de "Grande Capital" ...e pior que foi dinheiro do FGTS que o BNDES usou. eu heim.

  12. Ronaldo Postado em 08/May/2016 às 00:08

    Caro pedro, apesar de eu concordar dos investimentos do estado em parte cientifica dizer que o privado é irrelevante na inovação tecnológica não é muito coerente. Muitas das industrias americanas que revolucionaram nasceram de uma garagem ou do nada. Enquanto EUA investia em computadores militares ou mainframes e a IBM dominava o mercado de computadores para aplicações grande, dois "malucos" em uma garagem criaram(ou implantaram) um novo conceito que transformou o cotidiano e a economia de forma abaladora...o computador pessoal, que não teve pesquisa do estado. Empresas na mão do governo geralmente que não tem visão de longo prazo, enquanto industrias antigas vem sendo valoradas pelo governa como Petróleo, Siderúrgicas etc. o mundo e as empresas já estão buscando esforços em outras alternativas, temos ai a energia solar que permitirá a descentralização da produção de energia e maior liberdade de escolha. Enquanto hoje somos forçados a escolher uma distribuidora de luz, ou seja, um monopólio gerado pelo estado via concessão, e uma legislação que limita a entrada de novas tecnologias por regulações exageradas e no sense(estado tem mesmo visão de longo prazo?). O mercado sempre trouxe mudanças e o Estado que se adapta depois. Concordo que a EMBRAER é uma grande empresa, mas temos exemplos de empresas brasileiras mais bem sucedidas, elenco aqui a GRENDENE, AMBEV(hoje brasileiros dominam InBev(belga) e a Anheuser-Busch(americana), Jorge Paulo Leeman é dono da Krafts Food e da Burguer king, quem diria um brasileiro!!), WEG (nasceu no interior de Santa Catarina). Enquanto ficarmos no "Petroleo é nosso" não avançaremos, só pra lembrar que o que a Apple tem em Caixa pode comprar a Petrobras. Sugiro conhecer melhor os países Escandinavos, apesar das politicas sociais, la vigora um forte respeito a propriedade privada e possuem grandes multinacionais privadas, carga tributária é alta, mas as leis fiscais são muuuuuuuito mais fáceis e menos confusas. Consórcios públicos-privados é gerar uma relação umbilical de estado e empresario, como aqui ja vigora, governo escolhe os empresários amigos e assim vai....só olhar ai o BNDES emprestando nosso dinheiro de forma irresponsável. Confiar em um ente centralizador como agente de mudança é loucura, pois o conhecimento está espalhado, negar na liberdade individual da mudança é dar um tiro em toda história de grandes inovadores que tivemos, como Nikolas Tesla, Thomas Edison etc.

    • Pedro Postado em 08/May/2016 às 05:12

      Ah, Ronaldo, nao podemos esquecer que no século XX, muita ciência e tecnologia foi desenvolvida na extinta URSS. O desenvolvimento tecnológico em si não é um elegante resultado da boa vontade da iniciativa privada. A massa dos saltos de conhecimento vieram, no mundo ocidental, de pesquisas financiadas pelo estado. As universidades européias são publicas, o financiamento de pesquisa nos EUA é estatal, e na extinta URSS não preciso dizer nada. O melhor exemplo de ciência feita pela industria é a termodinâmica clássica: mas os professores da época ocupavam cargos públicos em universidades européias.

  13. Pedro Postado em 08/May/2016 às 05:01

    Ola Ronaldo, obrigado pelo seu comentário. Eu gostaria, como sempre de concordar e discordar do que você escreveu. Concordar é mais fácil, então começo por isso. Estou com você, ao considerar o Estado, seja qual for, um agente ineficiente da gestão da comercialização de tecnologias. E até certo ponto, entendo o que você quis dizer por "Estado não te visto de longo prazo". Mas eu enxergo outra historia, e para que fique tudo claro, eu trabalho com tecnologia: sou cientista. Inclusive, vivi 5 anos na Suécia, conheço bem a escandinavia, melhor do que eu gostaria. O que me impressionou na Escandinavia é que a Noruega é um pais onde vive-se absolutamente bem, rico, bem distribuído, mas ao contrario da Suécia, eles não produzem nada digno de nota. As universidades norueguesas não chegam nem perto das Suecas, e as industrias deles são, para os padrões do mundo desenvolvido, fracas. Mesmo assim, os noruegueses conseguiram através de uma economia baseada na venda de commodities, produzir um pais com elevadíssimo padrao de vida e IDH. O resto que você disse sobre o mundo escandinavo é correto: respeito a propriedade privada com um porém que quase não existe no Brasil: valorização do espaço publico. A Suécia sim é um pais altamente industrializado e que desenvolve tecnologia: o estado ajuda muito nesse desenvolvimento. O papel do estado no desenvolvimento tecnológico é enorme no mundo inteiro, principalmente nos grandes centros de revoluções cientificas como EUA e Europa. Eu não concordo com os exemplos que você ofereceu de iniciativa privada desenvolvendo tecnologia, talvez porque eu e você tenhamos definições distintas do que é ciência e tecnologia e do que é produto. O exemplo do computador pessoal é o desenvolvimento de um produto. As tecnologia, difíceis de serem desenvolvidas, para que alguém as empacotassem em produto, foram desenvolvida através dos anos, com muita pesquisa de base financiada pelo estado. A visao que o Estado, neste caso, americano, possuía era primordialmente de hegemonia militar, portanto investiram pesado em computação. Os matemáticos, engenheiros, que criaram passo a passo, com diferentes grants estatais cada componente que permite a computação pessoal, poderiam ou não saber que um dia existiria o computador pessoal. O que os criadores do computador pessoal fizeram foi conhecer a tecnologia do seu tempo, e transforma-las em produto. Não se desenvolve transistor em garagem. Quando eu falo em "ciência e tecnologia", eu quero dizer a investigação e criação do desconhecido, não a montagem do conhecido em produto. Se você quiser um exemplo no qual, realmente a industria privada "fez ciência" mesmo, ocorreu no desenvolvimento da termodinâmica clássica. Quem impulsionou o entendimento e formalismo de maquinas a vapor e das leis da termodinâmica, foram pessoas envolvidas na fabricação e desenvolvimento de maquinas a vapor e motores no século XIX. O Estado participou, por um motivo muito simples: estimulou esses desenvolvimentos, porque interessava as nações ricas o desenvolvimento tecnológico. Mas eu enxergo muito mais "pureza" privada no desenvolvimento da termodinâmica clássica (o formalismo da mecânica estatística foi depois feito na academia, financiado pelo estado) do que em qualquer empresa informática do século XX. O ente centralizador como agente de mudança existe sim: ele coleta o dinheiro do contribuinte e investe em pessoas como Tesla, ajuda na criação de universidades, e financia pesquisas que não possuem resultados garantidos no curto prazo. O setor privado não investe, ou não tem sequer capacidade de investir (porque da muito prejuízo) em ciência de base. Trata-se de um esforço estatal, com rarissimas exceções. Quando empresas privadas como IBM e GE resolvem fazer ciência de verdade, sempre existe uma triangulação entre empresa, universidade e bolsa estatal. Eh o caso do desenvolvimento do microscópio de tunelamento, é o caso da fabricação de diamante na GE, e das abas de turbina monocristalinas (que apenas duas empresas sabem realmente fazer). A forma que você escreveu, pinta o Estado como um ente que não tem planejamento e não sabe o que quer. No mundo desenvolvido, e talvez até mesmo em alguns países em desenvolvimento, não é bem assim. Nos países que desenvolvem tecnologia, o estado valoriza (e portanto financia) a ciência: ninguém tem bola de cristal para saber de onde vai sair a próxima inovação, aplicabilidade de ciência é imprevisível. Eles basicamente atuam com as lições do passado, e investem em algo que tem dado certo, para realmente permitir saltos de excelência em suas economias. O que os americanos fazem muito bem é transferir a inovação diretamente para a industria. Se tiver a oportunidade, visite um dia o MIT. O que se passa dentro dos laboratórios é financiado pela NSF, NIH, etc, dinheiro do contribuinte. Mas existe ao redor escritórios de empresas privadas (no Technology Square) prontas para fazer a transferência do que pode ser util nesses laboratórios para a industria. Existe ai um conflito de interesses: porque no investimento de alto risco, o contribuinte banca, e quando traz beneficio, a empresa pode colher os frutos? Sim, as empresas também financiam, mas projetos-fim, nos quais o objetivo de aplicabilidade parece claro: e o montante é muito menos. Ronaldo, desenvolvimento tecnológico de verdade vem sendo feito assim, e o Tesla usou grants estatais para realizar seus feitos. O Estado não é nem mal, nem bom por definição, muito menos eficiente ou ineficiente por definição. Ele cumpre um papel muito importante: a questão é quem administra o Estado, e onde ele deve "tirar o pé". Os americanos, na minha opinião, encontraram um equilíbrio muito bom, mas precisam recompensar o povo deles que financiam as pesquisas de altissimo risco e sequer gozam de acesso a serviços de saúde universais. Não é justo dada a presença de Roche's e Medtronics nos campi universitários cujos laboratórios executam pesquisas com o dinheiro deles. Ou você acha isso correto? Ciência, a parte lenta, o mergulho no desconhecido, é feito com fundos do Estado, independente da sabedoria ou incompetência dele: isso é um fato. Montar um computador pessoal na garagem (o que jamais ocorreu bem assim, essa historias românticas dos primeiros passos da industria informática não são bem assim) com tecnologias ja bem estabelecidas não é fazer ciência e tecnologia: é ter uma boa idéia de como usar tecnologias desenvolvidas por outras pessoas, financiadas....pelo Estado. No Brasil, infelizmente, sequer temos o luxo dessa discussão. Quero apenas aplaudir a menção de você fez da WEG: é uma empresa maravilhosa. O desafio é: como uma WEG pode inovar e crescer? E termino com o exemplo da Noruega: eles não produzem nada digno de nota. Ficaram riquíssimos sabendo distribuir e investir, em grande parte, os dividendos do petróleo. Não tem ai uma lição a ser aprendida sobre o que fazer com a petrobras? A apple pode sim comprar parte da petrobras, mas o Estado brasileiro tem muito a aprender com a Noruega. Independente de quem explore o petróleo, a riqueza que ele gera precisa voltar para a sociedade, para por exemplo, gerar as condições para que a WEG encontre nas universidades brasileiras ambiente propicio para inovação tecnológica. Mais do que isso, para que o brasileiro viva mais dignamente como fim em si mesmo.

  14. Júlia Postado em 08/May/2016 às 06:36

    A receita neoliberal aprendida nos cursos e nos livros de administração oriundo dos EUA que será implementada, vai fazer muito proletariado e batedor de panela sentir saudade de Lula e Dilma...Estou na contagem regressiva, apesar de saber que irei me lascar junto ....:-(

  15. Pedro Accioli Postado em 08/May/2016 às 11:46

    Em resumo: toda a população brasileira acabou de se f**** e de verdade!!! Se bobear vão implorar pela volta do PT até o final do ano que vem e vou fazer questão de mandar tomar no ** todo mundo que for falar que era feliz com o PT e não sabia!!!

  16. José de Pindorama Postado em 08/May/2016 às 12:10

    Caros Comentaristas , boa tarde. Agradeço os que concordaram e/ou discordaram de meu comentário. Aproveitaria para fazer uma colocação: - a alegada, e algumas vezes de fato comprovada, ineficiência do Estado, é fruto da ação dos interesses da iniciativa privada nacional e/ou internacional? Pois, é sabido que o poder econômico tudo pode. Acredito que o Estado Brasileiro seja o mais privado do mundo!

  17. JOHN j. Postado em 09/May/2016 às 00:39

    Senhor TEMER, não se esqueça: SE PODE TER GOLPE, TAMBÉM PODE TER REVOLTA. JOAZINHO A Professora pergunta aos seus alunos: - Pedro, qual é a profissão de seu pai? - Advogado - E o seu Aninha? - Médico. - E o seu Igor? - Gerente de uma multinacional? - E o seu Joazinho? - Ele dança em uma boate, vestido de mulher, usando uma calcinha fio dental e depois da apresentação ele sai com os homens e vão para algum motel da cidade. A professora rapidamente dispensa toda a classe, menos o Joazinho e pergunta : - Menino , seu pai realmente faz isso? - Não professora, agora que sala está vazia eu posso falar a verdade: ele é político, deputado federal em Brasília, é amigo do Eduardo Cunha, do Bolsonaro, do Caiado, do Aécio, do Gilmar Mendes e de muitos outros que estão querendo tirar a Dilma da presidência para colocar o Michel Temer no lugar dela e até já foi convidado para ocupar um alto cargo de primeiro escalão no governo dele, mas eu morro de vergonha de falar isso na frente de todos outros colegas.

  18. Guilhermo Postado em 09/May/2016 às 09:51

    Esses comentários estão demasiadamente longos para serem lidos por minha ilustre pessoa.

  19. Salomon Postado em 09/May/2016 às 21:24

    Caraca! Os comentários estão maiores que o plano de governo do Temerário.

    • Thiago Teixeira Postado em 10/May/2016 às 09:06

      É o Estado Mínimo. kkkkkkkk

  20. enganado Postado em 10/May/2016 às 11:40

    temer= "" Don Corleone de merda fabricação paraguaia "" . Deve meter medo nos frouxos. Vai ficar mais RICO ainda com GRANA da PROPINA, lógico tem costas quentes: MORO, GILMAR, ROSA WEBER, TOFFOLI, P$$$DB, DEM, AGU_DB, PF_DB, STF_DB, exército du braZil TM*, ... , é, é tô rezando pelo meu lombo! Penso que até vão desperecer comigo depois do GOLPE-2016, poe excesso de PATRIOTISMO! Aqui é assim, ou Vc reza na cartilha da embaixada dos USraHELL, ou vai pra vala por ser COMUNISTA e ainda comedor de criancinhas, não é gen. Mourão?