Redação Pragmatismo
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Racismo não 27/Apr/2016 às 09:39
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“Só porque sou negro tenho que ser o garçom?”

Ator Luís Miranda desabafa após ser confundido com garçom em restaurante no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca. Antes de ir embora, ator deixou “um bilhete um pouco desaforado” para a moça que o “confundiu” com um funcionário do estabelecimento

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O ator Luis Miranda e a imagem do bilhete deixado para a cliente que o confundiu com um garçom

O ator Luís Miranda, da Rede Globo, ficou irritado após ser confundido com um garçom em um restaurante japonês na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

No local, uma cliente perguntou ao ator, que é negro, se havia mesa disponível para duas pessoas. Luís respondeu: “Sou negro, mas nem por isso sou garçom aqui. Só porque sou negro tenho que ser o garçom, né? Não trabalho aqui não”.

Em entrevista ao Buzzfeed, Miranda diz que o que mais o incomodou foi que a pessoa nem pediu desculpas: “Fui ao banheiro e uma mulher me confundiu com o garçom. Eu fiquei p* porque ela nem pediu desculpas”, disse.

“Ela foi racista comigo. Não é porque ela me confundiu com o garçom, mas porque ela não me pediu desculpas. Eu não estava do lado dela. Eu estava subindo para ir ao banheiro. Você olha para as pessoas ao lado, entendeu? Você entra num restaurante e chama qualquer pessoa de garçom por causa da cor?”, questiona o ator.

Contou que, antes de ir embora, fez questão de “mandar um bilhete um pouco desaforado”. “As pessoas precisam observar antes de qualificar, não se entra em um lugar e pede uma mesa para quatro pessoas [para qualquer pessoa]. Não é assim que a banda toca”, disse.

“Não sou garçom, assim como você não é. Sou cliente assim como você, mas existem coisas que me diferem, como por exemplo o seu preconceito! Não poderia ir embora sem te mandar tomar no c…”, dizia o bilhete.

Racismo

Para Luis Miranda, uma das expressões racistas que mais lhe incomodam é a “neguinho”. “O tal do ‘neguinho’ me incomoda muito. ‘Neguinho fez isso, neguinho faz aquilo’”.

“Falar ‘neguinho’ soa mal para quem é negro e o uso recorrente da expressão vem sempre carregada de preconceito”, observa o ator.

Para Luis, não adianta tentar dizer que a expressão não tem a ver com os negros. “Não adianta querer falar que usou ‘neguinho’ como expressão. É uma coisa de raça sim, mesmo que a situação não tenha nada a ver”, finaliza.

Outro lado

Leandro Cerqueira Leite estava acompanhando a mulher que confundiu Miranda com um garçom no restaurante japonês. Para ele, o verdadeiro preconceituoso na história é o próprio ator.

“Entendi claramente que ele estava extremamente frustado por não ter sido reconhecido. Até porque, no mundo ‘hipocritamente correto’ de hoje, não reconhecer um ator deve ser um crime gravíssimo passível de pauta no Congresso e punição”, ironizou Leandro

“Eu jamais me ofenderia se fosse confundido com um funcionário de qualquer estabelecimento em que estivesse presente, como já fui confundido com vendedor, ou com qualquer profissional de qualquer profissão lícita”, escreveu. “Por acaso é algum demérito a profissão de garçom? Confundir uma pessoa que tenha outra profissão com um garçom tira sua honra ou dignidade?”, questionou.

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Comentários

  1. João Paulo Postado em 27/Apr/2016 às 10:46

    Não sei, parece exagero ou síndrome de ator de merda não reconhecido mesmo. Às vezes, fico lá parado aguardando minha mulher comprar alguma coisa, seja dentro da loja, seja na porta. Sou branco, de classe média e já aconteceu de me confundirem com segurança de loja e vendedor. O "global" devia estar parado na porta do restaurante. É comum em alguns restaurantes que gerentes ou donos venham recepcionar clientes na porta e essas pessoas não utilizam uniformes.

    • eu daqui Postado em 27/Apr/2016 às 13:44

      Já fui confundida com doméstica ao abrir a porta de um apto onde estava hospedada para uma visita. Sou caucasica morena assim como a vistante. A verdadeira domestica chegou alguns minutos após: caucásica loura. A dona da casa é cabocla. Entre mortos e feridos, nenhum ofendido: nem eu, nem a visitante, nem a domestica e nem a anfitria.

      • Rodrigo Postado em 28/Apr/2016 às 09:38

        (Outro Rodrigo) Direto me chamam de "segurança" em lojas e supermercados, ou a mim fazem perguntas relacionadas a produtos da mesma, confundindo minha roupa social de trabalho com a de funcionário do local. Nem por isso me ofendo, não achando assim indigna a profissão alheia - indigno é não querer ou não ter com o quê trabalhar. Nem por isso fico cobrando desculpas deste ou daquela. Nem por isso mando "recados" agressivos. O conterrâneo se excedeu, infelizmente.

      • poliana Postado em 28/Apr/2016 às 15:51

        (outro) rodrigo, tb concordo com vc q o luis miranda se excedeu, mas essa atitude explosiva dele me fez crer q foi a gota d'água pra algo q já vinha doendo há muito dentro dele. são 50 anos (seria essa a sua idade?) sentindo o racismo na pele no dia a dia...creio q esse foi "apenas" mais um caso e isso o fez "desabar". n sei..n estou defendendo-o nem dizendo q a reação dele foi certa. como tb achei estúpida a colocação do casal. mas só pra quem passa a vida inteira sendo vítima de racismo, sentindo essa praga todo dia na pele, é q sabe o qto dói né? eu não o julgo não. mas entendi sim a sua colocação.

      • Rodrigo Postado em 02/May/2016 às 11:43

        (Outro Rodrigo) Poliana, claro que sei que ele sofreu com isso e que aquilo por mim sofrido em locais fora da Bahia foi muito pouco perto disso. Estou algumas "primaveras" atrás do bom ator (do qual gosto muito, ressalto - assim como Wagner Moura, é um ator que sempre interpreta uma personagem, ao contrário de tantos que apenas sabem interpretar a si mesmos, exemplos de Luís Miranda sendo sua atuação em "Meu nome não é Johnny e personagens humorísticos seus, a exemplo dos apresentados na peça "Sete Conto"). E sei, mais, que até mesmo na Bahia ele sofre preconceito (não é "exclusividade" de nenhum Estado ou região a ignorância), eu já tendo sofrido por "ser do interior" (na verdade, nasci na capital, mas sempre morei no interior), pelo sotaque diferente. Assim, poderia ser eu ou você a abordar alguém e confundi-lo com um trabalhador do local, momento em que ficaria assustado com uma reação tal da pessoa abordada - talvez por isso faltou o pedido de desculpas. De toda sorte, tanto para expressar um sentimento verdadeiro, quanto para acalmar a situação, costumo pedir desculpas e evitar maiores discussões (nós é que sempre perdemos). E digo que entendi seu ponto também, moça.

  2. douglas Postado em 27/Apr/2016 às 10:49

    O preconceito está na cabeça do próprio idiota "ATOR" que quer chamar a atenção e qualquer maneira. Aproveita os 15 minutos de fama (porque como ator não teve!), e enfia a cabeça numa melancia e aproveita coloca uma cenoura lááá. <<>>

  3. Carlos Augusto Normann Postado em 27/Apr/2016 às 11:24

    Gosto do Luis. Ele representa uma leva legal de humoristas. Já passei por coisa parecida. Uma vez, quando morava sozinho, estava envernizando a porta do apartamento que havia alugado. Estava usando roupas simples, e, por ser verão, meu bronzeado estava bem "em dia", me dando uma cor legal, bem moreno, modéstia à parte uma cor escura bem bonita. Um morador do prédio veio me descompor, me chamando a atenção para falhas da pintura da parede, e, educadamente, eu falei que não era o responsável por tais serviços, e que estava somente ajeitando meu apartamento, sugerindo que informasse à Imobiliária responsável. O sujeito, claramente racista, não sabia onde se esconder...

  4. Lopes Postado em 27/Apr/2016 às 11:29

    Idiotice

  5. Eduardo Ribeiro Postado em 27/Apr/2016 às 11:32

    Leandro Cerqueira Leite (who?) é: ( ) um branco privilegiado que nega o racismo e está tentando culpabilizar a vítima ( ) um negro que sofreu a vida inteira com o preconceito e sentiu na pele a dor do racismo.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 27/Apr/2016 às 20:38

      Pereira....vc voltou.....que boooom...estou feliiiz....vc fica alegre com capitaes do mato.....a minha alegria é que eles juntos quase cabem na mao do meu papai Lulão.....Holiday, Timoteo, Pele, aquele safado do filme Django Livre, Tia Eron....negros defensores de privilegios brancos. Nem me surpreende eles alegrarem você.

  6. Josi Postado em 27/Apr/2016 às 12:32

    Ele tem razão sim, porque se fosse uma pessoa de pele branca não seria confundida com garçom.

  7. Eduardo Postado em 27/Apr/2016 às 13:31

    Assisti dia destes ao filma "ELE ESTA DE VOLTA", e o personagem de Hitler dia para um negro, vamos precisar de vocês nas construções das rodovias....... ou seja para nazista, fascista, alienado preconceituoso preto, pobre só podem ser escravos.... a data de 14 de Julho de 1789, esta para ser reeditada no Brasil.

  8. eu daqui Postado em 27/Apr/2016 às 14:07

    Respondendo a pergunta do título: não, vc não tem que ser garçom só pq é negro. Vc também pode ser ladrão, torturador, estuprador, corrupto, pedófilo. E pode ser também um trabalhador, como é um garçom, dentre tantos. A escolha é sua.

  9. DANIEL Postado em 27/Apr/2016 às 14:45

    outro dia uma pessoa (negra) por nome de LUANA, foi confundida também e foi espancada até a morte por 03 policias militares, ainda bem que o caso do referido ator não chegou a esse ponto.

  10. Renata Postado em 27/Apr/2016 às 19:26

    Eu tinha certeza absoluta que na desculpa do acompanhante ia surgir esse papo de que ser confundido com garçom não é demerito nenhum e bla bla bla... o preconceito é dificil de encarar... quem sofre fica doido... e é uma pena que quem comete nem ao menos tenta aprender... só se defender... Foi preconceito sim

  11. Maria Postado em 28/Apr/2016 às 00:25

    Na real, já confundi clientes com atendentes por causa da cor da camiseta parecida com o uniforme da loja, mas todas as vezes fiz questão de pedir desculpas. Pois toda pessoa merece desculpas , seja da etnia,classe social, gênero que for, não porque seja desmerito ser garção, mas por tê-la incomodado. Acho que o preconceito existe quando não se dá atenção às pessoas por igual.

    • eu daqui Postado em 28/Apr/2016 às 08:33

      Enquanto vc me confundir com qualquer função das classes trabalhadoras, vc não me deve desculpa nenhuma. Eu e que te devo gratidão por perceber que sou o que sou e gosto de ser.