André Falcão
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Corrupção 20/Apr/2016 às 10:21
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Sim! Sim! Sim!

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Raquel Muniz, deputada que votou ‘sim pelo impeachment e por um Brasil que tem jeito’.

André Falcão*

Esses últimos tempos têm sido ricos em me produzir náuseas e nojo invencíveis. Não há ânsia de vômito que saia derrotada. Como vitoriosa foi a facção dos corruptos, que assim deve ser considerada porque majoritariamente prenhe desses seres que infestam o país.

Foi um espetáculo de horror. Refiro-me, claro, à sessão de votação da admissibilidade do impeachment, ocorrida na Câmara dos Deputados, cujo pedido fora antes aceito, em ato de desavergonhada vingança contra o PT, pelo impune (e louvado pelos sepulcros caiados) corrupto-mor do país na atualidade. Seria de comédia, não se tratasse, ali, de algo extremamente grave para uma república federativa que se diz democrática e sob o império de sua constituição. O circo de horrores foi de tal monta que me vi agradecendo a Deus, mais de uma vez, por me conferir a capacidade de discernir entre o certo e o errado, de ver onde está a corrupção e os que a enfrentam, onde o discurso é hipócrita, cínico e covarde, e onde o é justo, equilibrado e corajoso. Vi-me agradecendo a Deus por me recusar a comportar-me como gado, que segue a boiada, ou como folha ao vento, ou mesmo como m… n’água corredeira.

O que se viu, ressalvados os poucos dos 367 que eram “apenas” homicidas da democracia e do estado democrático de direito, foi um desfile prenhe de hipócritas, estelionatários, corruptos, sonegadores, torturador, fundamentalistas religiosos, fascistas, racistas, homofóbicos, misóginos e assassinos. Eleitos. Donde representam seus iguais. À flor da pele, entretanto, hipócritas que eram, via-se maridos, pais, avós e filhos exemplares e apaixonados. As famílias de boa parte dos cínicos foram tão invocadas como justificativa dos votos pusilânimes, que fiquei desconfiado de que Dilma lhes fizera algum mal.

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Aí no dia seguinte, logo pela manhã daquela noite insone, deparei-me com um fato que, apesar de singular, provavelmente é pista segura de que a presidenta fez-lhes mal, mesmo. A deputada Raquel Muniz, aquela que elogiou a gestão do seu marido também querido, o prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz, e terminou a sua declaração de voto CONTRA A CORRUPÇÃO e com exaltados SIM! SIM! SIM!, acordou de seu berço esplêndido com a Polícia Federal cumprindo mandado de prisão exatamente contra seu cônjuge varão. É preciso, mesmo, tirar essa Dilma. Os bandidos precisam de sossego.

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Enquanto isto, os arautos da moralidade e da ética comemoravam com suas panelas e camisas verde-amarelas da CBF o resultado propiciado por seus 367 heróis.

*André Falcão é advogado e autor do Blog do André Falcão. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político

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