Redação Pragmatismo
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Impeachment 16/Apr/2016 às 11:37
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Se Michel Temer virar presidente, o vice-presidente será Eduardo Cunha

É provável que muitas pessoas ainda não tenham se dado conta desta constatação trágica. Eduardo Cunha, réu no STF por corrupção, será o vice-presidente caso o golpe seja aprovado. Pior: Cunha assumiria a Presidência da República inúmeras vezes, já que é recorrente o afastamento do titular, sobretudo em razão de viagens internacionais

Cunha Temer impeachment golpe
Pouco se fala, mas caso Michel Temer se torne presidente com o impeachment, o vice-presidente da República será Eduardo Cunha, nome seguinte da linha sucessória por ser presidente da Câmara (Imagem: André Coelho, Agência Globo)

por Guilherme Boulos

Ao que parece, a votação do próximo domingo será decidida –como num jogo do Corinthians– nos últimos instantes, lance a lance.

Sabendo disso, Temer entrou em campo, como cabo eleitoral de si mesmo, no processo que visa a cassar sua companheira de chapa. A seu favor, tem Eduardo Cunha e suas manobras.

A voz das ruas já não é uníssona. O mesmo percentual que defende a derrubada de Dilma também é contra a permanência de Temer. E as manifestações para barrar o impeachment têm crescido expressivamente nas últimas semanas. A esplanada dos Ministérios estará dividida no domingo.

Aliás, tratando-se de popularidade, a última pesquisa Datafolha mostrou que Temer teria entre 1% e 2% das intenções de voto. Querem impor pelo Parlamento um presidente biônico ao país. Tem cheiro de golpe, tem cara de golpe, enfim, é golpe.

É golpe por não haver comprovação de crime de responsabilidade, condição constitucional do impeachment. É golpe também pela condução ilegítima e imoral de Eduardo Cunha, que em qualquer outro lugar estaria preso –e não definindo os destinos políticos do país.

Mas, para além dos meandros legais, é importante que o Brasil saiba qual o pacote que virá após domingo caso prospere o impeachment. O pacote do golpe, ou Agenda Temer, vem sendo anunciado aqui e ali, em jantares indiscretos, entrevistas e em discursos vazados numa forma rasteira de se fazer política.

Vamos a ele:

1. O vice. Pouco se fala, mas caso Michel Temer se torne presidente com o impeachment, o vice-presidente da República será Eduardo Cunha, nome seguinte da linha sucessória por ser presidente da Câmara. Um escárnio.

2. Direitos dos trabalhadores. O entorno de Temer propõe abertamente uma Reforma Trabalhista para diminuir o “custo Brasil”, isto é os direitos dos trabalhadores. Defendem também a desindexação do salário mínimo e a Reforma da Previdência (esta, vale dizer, encampada também por Dilma). Um ataque sem precedentes. Daí talvez o entusiasmo da Fiesp e de seus patos a favor do impeachment.

3. Programas sociais. Wellington Moreira Franco, braço direito de Temer, deu o tom da política em relação aos programas sociais: corte drástico de subsídios e revisão dos repasses do FGTS. Em tradução literal, isso significa destroçar a rede de programas sociais do Estado brasileiro. Sem subsídios e FGTS, não há Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida ou Prouni. É evidente que uma tal devassa não seria feita de uma só vez, mas sob a forma de “auditorias” e “contingenciamentos”. Ao fim e ao cabo, só muda a dose, o efeito é o mesmo.

4. Petrobrás. O presidente do Credit Suisse no Brasil esclareceu em entrevista recente as razões que levam o mercado a apoiar Temer contra Dilma. Junto a várias das medidas citadas acima, menciona a privatização da Petrobrás, ou “capitalização” segundo o eufemismo utilizado.

5. Acordão. Para ninguém no empresariado e no Parlamento brasileiro interessa a permanência da instabilidade institucional representada pela Lava Jato. Por isso, embora isso esteja entre aquilo que não possa ser dito, os rumores em Brasília revelam a expectativa de um governo Temer com condições políticas para abafar as investigações. A tal “salvação nacional” seria na verdade salvar Cunha, Renan, Jucá e companhia.

Este é o pacote do golpe. São os “sacrifícios” de que Temer falou em seu discurso antecipado de posse. Vale recordar aqui que a última vez que um político sentou na cadeira antes da hora –Fernando Henrique, na disputa com Jânio– foi desautorizado logo em seguida.

Mas, mesmo que venha a sentar, com este pacote dificilmente dura muito tempo.

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Comentários

  1. Antônio Palhares Postado em 16/Apr/2016 às 12:56

    Isto é a maior desmoralização. Um castigo que nem na eternidade e' perdoado. Fora ladrão Cunha.

  2. Victor Speed Postado em 16/Apr/2016 às 14:03

    Discordo. Cunha NÃO assumiria a vice-presidência. Vejam esta matéria: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/04/08/O-que-acontece-com-a-Vice-Presid%C3%AAncia-se-Temer-assume-lugar-de-Dilma

  3. poliana Postado em 16/Apr/2016 às 15:21

    mas pra "galera", eles são uma alternativa melhor q dilma, uma presidente que não cometeu qq crime e se quer é alvo de investigação! parabéns golpistas!!! vcs precisam ser objeto de estudo! NÃO VAI TER GOLPE!

    • Leonardo Postado em 16/Apr/2016 às 18:28

      Dilma pode não ter roubado, mas deixou robar. Msm coisa!

  4. poliana Postado em 16/Apr/2016 às 15:25

    seu hipócrita!!! e dilma foi o q???!!! as urnas q a elegeram foram fraudadas, mas as mesmas urnas q elegeram cunha e temer estavam ok? cara, como vc é medíocre!!!

    • Deisi Postado em 16/Apr/2016 às 17:06

      Poliana, ignora esse babaca, ele só faz isso para causar, é um tremendo trol.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 17/Apr/2016 às 17:13

      "Se mobilizem e impichem"? Você não vem conosco, Rodrisgoto? Tá tirando o corpo golpista fora da jogada por que? Não te interessa lutar contra a corrupção, tirar os corruptos Temer e Cunha? Só te interessa tirar uma presidenta eleita sobre a qual não pesa nenhum crime de responsabilidade? A corrupção não te interessa de verdade e o que você quer é tirar Dilma/PT, é isso que acabou de confessar? Não que eu não soubesse...

  5. Rodrigo Postado em 17/Apr/2016 às 11:07

    (Outro Rodrigo) Se não for cassado antes, seria o "vice"até fevereiro de 2017, quando acaba seu mandato à frente da Presidência da Câmara.