Nicolas Chernavsky
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Impeachment 11/Apr/2016 às 12:48
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O tal “impeachment de Temer” parece armadilha para o progressismo

Como o conservadorismo percebeu que propor tirar Dilma para colocar Temer levaria ao fracasso do impeachment de Dilma, por Temer ser alternativa inviável para a opinião pública, resolveu propor tirar Dilma e Temer e realizar novas eleições; isso parece uma armadilha para o progressismo, pois após eventualmente tirar Dilma, o parlamento realmente tiraria Temer? Acho que não.

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Michel Temer, vice-presidente do Brasil (reprodução)

Nicolas Chernavsky*

Em quase qualquer conversa com alguém que é a favor do impeachment de Dilma, se comento que no lugar de Dilma entraria Temer, a pessoa a favor do impeachment chega a uma espécie de beco sem saída: de fato, não é agradável a muitos apoiadores do impeachment de Dilma a ideia do presidente ser Temer. Claro que imediatamente a pessoa não desiste do apoio ao impeachment, inventando algum argumento para seguir apoiando-o, mas nota-se que quando se percebe quem entra no lugar de Dilma, a convicção a favor do impeachment se reduz sensivelmente. A ponto de inviabilizar a substituição de Dilma por Temer na opinião pública brasileira.

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O conservadorismo brasileiro percebeu isso. Percebeu que sua tentativa desesperada de tirar o progressismo da presidência sem eleições gerais (ou seja, sem ter que derrotar eleitoralmente Lula) estava fracassando, e decidiu agir. E a ação parece consistir em ventilar a ideia de que após o eventual impeachment de Dilma, poderia haver o tal “impeachment de Temer”. O mais bizarro desta tática conservadora é que a ideia seria uma “armadilha”, ou seja, não haveria esse posterior impeachment de Temer. A ideia seria só para que naquela conversa com alguém que apoia o impeachment, quando se comentasse que no lugar de Dilma entraria Temer, a pessoa possa dizer, triunfante: “Bom, aí depois a gente tira o Temer também”. Só que o parlamento não necessariamente fará isso. Aliás, muito provavelmente não fará, deixando Temer lá até 2018.

Essa proposta de tirar Dilma com a promessa de tentar tirar Temer depois e fazer novas eleições pode ser até usada para convencer alguns setores políticos que ficam envergonhados de explicitamente colocar Temer no governo a votarem a favor do impeachment de Dilma. Claro que se depois Temer não sofrer o impeachment, esses setores que apoiaram o impeachment de Dilma vão poder dizer: “nós queríamos tirar o Temer também, mas o parlamento não quis, etc.”. E assim, dando um olé na opinião pública, o conservadorismo conseguiria arrancar o impeachment de Dilma com os votos de apoiadores de um teórico futuro impeachment de Temer.

Se por ventura alguém achar realisticamente possível que o parlamento tire Temer depois de eventualmente tirar Dilma, pode pensar da seguinte forma: após conseguir, depois de quase 14 anos, tirar o progressismo da presidência e colocar um presidente conservador, com uma coalizão conservadora, com poder garantido por mais de dois anos e meio, você acha que o conservadorismo vai simplesmente arriscar isso em novas eleições? Não.

*Nicolas Chernavsky é jornalista formado pela Universidade de São Paulo (USP), editor do CulturaPolítica.info e colaborador do Pragmatismo Político

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Comentários

  1. Deisi Postado em 11/Apr/2016 às 13:16

    Os fascistas vão vibrar com Temer presidente e Cunha vice. Afinal Cunha é o herói dos coxinhas.

    • Pedro Accioli Postado em 12/Apr/2016 às 11:06

      Sim, os coxinhas são tudo uma cambada de idiotas com i maiusculo!!!

  2. EDUARDO DO PT Postado em 11/Apr/2016 às 17:12

    Acaba de vazar um áudio do Temer, reforçando sua tese, dizendo que fará um "bom governo". Xeque mate. 11/04/2016 as 17:00.

  3. Jonas Schlesinger Postado em 11/Apr/2016 às 17:34

    A cadeirinha gostosa do planalto é gostosa mesmo, hein. Qualquer um quer aquela poltrona. Até quem nunca recebeu 1 voto sequer tá louco.