Redação Pragmatismo
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Impeachment 16/Apr/2016 às 11:52
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Militância do PSB relembra Arraes e exige que deputados votem contra o golpe

Militância do PSB exige que deputados votem contra o golpe. Em novo manifesto, militantes, senadores, deputados estaduais, governadores, prefeitos e vereadores filiados ao PSB mandam recado ao seus deputados federais: "Não aceitamos compor governo com Michel Temer. Um partido que teve Miguel Arraes e toda sua biografia não pode apoiar o golpe à democracia"

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(Imagem: Lula, Miguel Arraes e, ao fundo, Eduardo Campos)

Militantes, senadores, deputados, governadores, prefeitos e vereadores filiados ao PSB estão entre os mais de 350 signatários de uma carta entregue na tarde de hoje (15) à secretária especial da executiva nacional do partido, Mari Trindade, em Brasília. No manifesto, eles cobram que os deputados do partido votem contra o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, no domingo (17).

“O manifesto é o recado de que a militância não aceita compor governo com Michel Temer. A militância não foi ouvida pelo partido quando decidiu apoiar o impeachment de Dilma”, afirma a advogada Fernanda Rosas Pires de Saboia, militante do PSB, que coordenou a coleta de assinaturas. “Somos nós que seguramos as bandeiras, que ajudamos na eleição dos quadros do partido”, diz.

Fernanda entende que o PSB está sendo incoerente com sua história ao apoiar o golpe à democracia por meio do impeachment. “Um partido que teve Miguel Arraes e toda sua biografia, que nasceu com um projeto claro, de governo inclusivo, não pode aceitar compor um governo com Michel Temer”. “Saímos do governo (Dilma) pela porta da frente. E nunca entraremos em governo pela porta dos fundos.”

Confira a íntegra:

Carta da Militância ao Partido Socialista Brasileiro

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons!” (Martin Luther King)

Em outubro de 2013, o Partido Socialista Brasileiro decidiu sair do governoDilma por não acreditar no rumo que as coisas vinham tomando na condução do país.Naquela ocasião, o saudoso líder Eduardo Campos fez questão de mais uma vez frisar o compromisso com as transformações econômicas e sociais que o governo Lula haviaproporcionado ao país, ressaltando todo o orgulho que ele tinha de ter feito partedaquela história. Eduardo apontava as imensas contradições na condução da gestãonacional, e antevia a chegada da crise econômica e política, denunciando as equivocadas decisões fiscais, mas principalmente ressaltando o perigo que era compartilhar tanto poder com o PMDB.

Já em 2013, o sonho da militância socialista era apresentar uma nova forma defazer política, para avançar ainda mais no debate das desigualdades sociais e regionais, com um pacto federativo para o país. As ideias da “nova política” foram defendidas demaneira cativante, firme e entusiasmada por Eduardo, até o último dia de vida. Por motivos lamentáveis e pueris, durante o período eleitoral, o PSB e sua militância sofreram campanha covarde de difamação, liderada pelo PT e seus (ex) aliados, mastambém por setores do PSDB, impedindo que o país tivesse segundo turno entre duas mulheres de origem nas lutas populares.

Passado mais de um ano do processo eleitoral, a direção nacional do PSB deixou de lado a proposta de construir uma alternativa de esquerda para o país e, em nome do pragmatismo e fisiologismo eleitoreiros que assolam os partidos atualmente, alimenta incessantemente uma campanha contrária à democracia e a legalidade, não só contra o (péssimo) governo democraticamente eleito, mas também contra o próprio legado do governo Lula, que sempre orgulhou a militância e sempre entusiasmou Eduardo.

Hoje assistimos constrangidos à união de dirigentes do PSB com aqueles que sempre foram os nossos adversários. A insensatez é tanta que atentam contra a democracia, tentando tirar do poder a presidente, que não cometeu crime, para colocar algumas das figuras mais nocivas da sociedade brasileira – aqueles que sempre denunciamos. É justamente por isso que decidimos que não iremos nos calar!

Somos totalmente contrários à proposta do PMDB e a forma como seus caciques conduzem a República, seu partido e seus parlamentares. O Projeto do PMDB não é um projeto que representa o nosso partido. Um partido que tenta chegar ao poder com eleições indiretas, aliado à mídia e todas as forças conservadoras do país, além de nunca ter sido legitimados pelas urnas, é totalmente avesso à democracia e liberdade proposto pelo PSB.

Sejamos claros e honestos com o Brasil: no domingo os deputados não intentam votar o impeachment da presidente, mas aprovar uma rede de conchavos e acordos espúrios que visam a levar Michel Temer à Presidência da República. A agenda que Temer e seus asseclas defendem para o país é a de retirar direitos dos trabalhadores, promover o conservadorismo religioso, frear a política de redução das desigualdades sociais, ignorar o debate da soberania nacional – tudo patrocinado pela velha elite de empresários paulistas, que não se conforma com o crescimento econômico das regiões Norte e Nordeste do Brasil.

A agenda Temer é exatamente a que aprendemos a combater desde a nossa criação, com João Mangabeira e com as figuras de Antonio Candido e Francisco Julião mobilizando as ligas camponesas. A nossa luta sempre será inspirada em figuras como Antonio Houaiss e Jamil Haddad. Desde que o também saudoso líder Miguel Arraes passou a dirigir o PSB, a nossa luta e a nossa formação passaram a ser ainda mais focadas nos valores da soberania nacional, e na defesa dos direitos da classe trabalhadora e dos mais carentes. Quem cerrou fileiras com esses grandes dirigentes jamais tolerará o atentado que o PSB tenta impingir à democracia e às nossas bandeiras históricas.

Diante de tudo isso, a militância vem repudiar os deputados que estiveram em reunião com Michel Temer, assim como clamar para que os parlamentares do PSB VOTEM CONTRA o golpe que está sendo gestado no Congresso Nacional e no Palácio do Jaburu, e voltem suas energias a construírem uma alternativa de esquerda a esse projeto que hoje dirige o país.

Não vamos desistir do Brasil: Socialismo e liberdade!

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Comentários

  1. Antonio Palhares Postado em 16/Apr/2016 às 12:29

    O tiro está saindo pela culatra dos golpistas imorais. Canalhas que entrarão para historia como Joaquim Silverio dos Reis. Traidores golpistas infames. Vão perder mais esta.

  2. Vitor Luiz Postado em 16/Apr/2016 às 13:45

    Não é surpresa essa atitude do partido. Pra quem é daqui de Brasília, do governador Rollemberg, sabe qual a proposta do PSB

    • Vinicius Postado em 16/Apr/2016 às 14:50

      Pois é, sugiro que esses militantes e filiados do PSB (Partido Salafrário Brasileiro) larguem esse partido. O Rollemberg, cínico de primeira que só sabe dar desculpa que os problemas vêm da gestão anterior e representa bem as atitudes desse partido canalha. *Outro Vinicius

  3. Mônica Costa Postado em 16/Apr/2016 às 14:27

    Concordo, Vitor! Se o finado Eduardo Campos que intitula parente do velho Arraes "esqueceu" de suas origens, o resto vai lembrar? Acho que o Enrollemberg nem deve saber de quem se trata! Mas vai que funciona, né?

  4. Deisi Postado em 16/Apr/2016 às 17:02

    Eduardo campos, já tinha esquecido a biografia do avô, tanto que a viúva e filhos, apoiaram Aécio no segundo turno. Um partido de esquerda, apoiando golpe a democracia. Tudo pelo poder!

    • Vinicius Postado em 16/Apr/2016 às 19:02

      Pois é Deisi, porém o PSB (Partido Salafrário Brasileiro) não é mais de esquerda a muito tempo, a exemplo disso temos o governador do DF (Rollemberg) como mencionado acima.