Redação Pragmatismo
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Impeachment 13/Apr/2016 às 22:08
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Mídia dá impeachment como certo, mas a realidade é bem diferente

Analistas políticos rechaçam notícias veiculadas na Globo, Veja e Folha, que usam como estratégia repetir a certeza de que o impeachment será aprovado no domingo. Intuito é causar animação de um lado, desmobilizar o outro e provocar clima de já ganhou: “Ninguém, em Brasília, muito menos nessas redações abarrotadas de marionetes, pode afirmar qual será o resultado da votação no plenário da Câmara. Neste momento, não há votos suficientes”

impeachment globo jornal nacional

A avaliação de analistas políticos sobre o que pode acontecer na votação do impeachment, marcada para domingo (17) pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de acordo com seus próprios interesses e regras, é de que é impossível fazer uma previsão.

A negociação do governo com legendas e deputados, que já era instável, ficou ainda mais difícil de prever com o desembarque do PP da base do governo, anunciado ontem (12).

Não se sabe quantos votos o Planalto terá do PMDB, partido reconhecido hoje como o centro do golpe e com 67 deputados. Na Comissão Especial, o partido do vice-presidente da República votou dividido: quatro pelo impedimento, três contra. O PP, quarta bancada da casa (47 deputados), também mostrou divisão, com três a favor e dois contra o relatório de Jovair Arantes (PTB-GO).

Para o analista político Antonio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o governo pode contar como certos os 57 votos do PT, 11 do PCdoB, seis do Psol e quase todos os do PDT, partido que pode revelar dissidências.

Contariam ainda dois da Rede, embora o partido de Marina Silva indique o voto contra o governo. Desconsiderando dissidências do PDT, o governo teria aí 96 votos. Faltariam 75 para Dilma, seja entre votos contra o impeachment, seja de abstenções ou ausentes. Queiroz diz que, hoje, o governo teria votos para barrar o impedimento na Câmara.

Fabiano Santos, professor e pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), concorda que a previsão é muito difícil, senão impossível, e que o posicionamento das lideranças não pode ser considerado como parâmetro na conjuntura extraordinária desta semana.

“As lideranças não estão controlando os votos. O calor do momento está definindo muito a opinião e a atitude dos indecisos. Tem um grupo fechado numa posição, outro na outra, e esses não vão mudar. Mas o decisivo, que é o que o governo precisa, não se sabe. Seria preciso ver qual a tendência do indeciso, que geralmente segue o líder. Isso daria um indicativo. Só que essas avaliações não estão funcionando”, diz Santos.

Para ele, “tanto pode dar um placar espetacular a favor do golpe, como um placar surpreendente em favor do governo, ou dar uma votação apertada. É difícil fazer uma previsão”.

Mídia

De acordo com o jornalista Leandro Fortes, os editoriais dos grandes veículos de comunicação se comportam como se estivesse certa a aprovação do impeachment de Dilma. O objetivo seria desanimar um lado e mobilizar o outro.

“Todo dia, em todos os portais, em todos os jornais, a mídia amanhece com a mesma notícia: o impeachment são favas contadas. Ninguém, em Brasília, muito menos nessas redações abarrotadas de marionetes, pode afirmar qual será o resultado da votação no plenário da Câmara”, diz Fortes.

Fortes considera que essa atitude indica que os defensores do impeachment não têm, neste momento, os votos necessários para afastar a presidente, por isso precisam jogar de todas as formas. “Os ratos, sem voto, tentam voltar ao poder por meio de um golpe legislativo”, afirma.

As observações de Leandro Fortes fazem sentido se analisarmos as últimas votações polêmicas na Câmara dos Deputados.

A redução da maioridade penal teve 308 votos favoráveis e também foi alvo de uma série de manobras de Eduardo Cunha para ser aprovada. Na época, a matéria contava com cerca de 85% de apoio popular, segundo levantamento do Datafolha. O impeachment de Dilma, segundo a última pesquisa datafolha, tem 61% de aceitação.

Expectativas

O professor e pesquisador Rogério Arantes, da Universidade de São Paulo, divulgou em sua página do Facebook algumas projeções baseadas no posicionamento dos partidos na Comissão Especial e de suas lideranças. Arantes projeta 294 a favor do impedimento e 216 contra. Já para Diego Escosteguy, editor da revista Época, o impeachment terá 380 votos favoráveis na Câmara.

Seja como for, a condução absolutamente autoritária de Eduardo Cunha, a união da mídia, setores do Judiciário e Ministério Público conspiram contra Dilma e projetam um cenário imprevisível, dependente de fatos novos.

A votação ter sido marcada para domingo, e com um roteiro geográfico, começando com os votos do Sul do país, deixando os deputados do Norte e Nordeste para o fim, faz parte da estratégia de Cunha de criar um ambiente favorável ao impeachment durante a votação.

com informações de Eduardo Maretti, RBA

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Comentários

  1. Alan Kevedo Postado em 13/Apr/2016 às 23:04

    É preciso suspender algumas concessões federais, para baixar a febre antidemocrática.

    • Onda Vermelha Postado em 14/Apr/2016 às 12:13

      #NaoAoGolpeDeEstado | #STFsejaSupremo | O Tico Santa Cruz e Flávio Renegado também lançaram uma música irada “O Moro Mandou Avisar” contra o golpe de Estado em curso no país. Ouçam e compartilhem em https://soundcloud.com/vanderloubet/o-morro-mandou-avisar-tico-santa-cruz-e-flavio-renegado

  2. Rafa Postado em 14/Apr/2016 às 00:15

    Será? To achando que esse impeachment vai sair.

    • Jonas Schlesinger Postado em 14/Apr/2016 às 02:25

      somos 2

    • poliana Postado em 14/Apr/2016 às 14:40

      a batalha está apenas começando! SÓ ACABA QDO TERMINA!

  3. Fonseca Postado em 14/Apr/2016 às 09:02

    Pode até sair, mas a Rede Globo é o demônio mesmo.

  4. André Postado em 14/Apr/2016 às 10:11

    É disso que a matéria traduz: provocar o desânimo e a crença irrestrita na certeza do impedimento. Parece estar funcionando...

  5. Denisbaldo Postado em 14/Apr/2016 às 10:37

    É realmente impossível saber o resultado antecipadamente. São 513 deputados e muitos estão "indecisos". A mídia faz a sua parte, divulga a história que lhe interessa. Vamos ver.

  6. Moacir Postado em 14/Apr/2016 às 10:41

    A FIDELIDADE ÀS BASES ELEITORAIS É SEMPRE MAIOR DO QUE A PARTIDÁRIA.

  7. Júlio Postado em 14/Apr/2016 às 11:21

    Acredito que não. Esperem para ver o número de ausências. Entenda-se aquele que recebe para não comparecer no dia da votação. Não vai ter golpe mesmo. O PSDB tomando o seu próprio veneno.

  8. Thiago Teixeira Postado em 14/Apr/2016 às 13:48

    A dupla mais Golpista da humanidade, é de dar nojo esse jornal.

  9. Dedé Postado em 14/Apr/2016 às 14:54

    Eu sou totalmente contrário ao impeachment. O governo Dilma já acabou, deixa o partido ir se esfacelando até ela renunciar ou ser cassada.

  10. Dedé Postado em 14/Apr/2016 às 14:56

    Eu contra o impeachment! O governo Dilma acabou, deixa o partido ir se esfacelando até ela renunciar ou ser cassada.

  11. Vinicius Postado em 14/Apr/2016 às 15:38

    Acho difícil de segurar, fora que outros processos podem ser abertos, coisa que o intocável Cunha já sinalizou. A pressão popular, burra, mas inegável, no momento, somada a pressão que o PMDB impõe são fatores complicadores. PMDB já barganha cargos e apoio político, contando que terá presidência, senado e câmara, para muitos dos "indecisos". Indecisos são aqueles esperando a melhor oferta.