Redação Pragmatismo
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opinião 06/Apr/2016 às 17:17
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Mamãe, eu quero que ela morra!

"Buscava entender quando foi que o desejo de morte se instaurou no corpo do filho de 5 anos. No divã, procurava associar a morte da mãe à morte de Dilma. Naquele dia, foi embora do consultório sabendo ainda menos sobre os desejos de morte. Saiu sem entender se devia procurar algum culpado pelo desejo incrustado no filho [...]"

Dilma Rousseff ódio pais crianças

O texto a seguir foi escrito por Ismael Canepelle* e originalmente publicado no jornal Zero Hora

Minha amiga é mãe de um garoto de cinco anos. Trabalha o dia inteiro, mal tem tempo de ficar com o pequeno. Os dias do filho se diluem entre o pai, a escola e a moça contratada para cuidar. Há dias em que minha amiga conversa com o filho somente quando acorda. Quando retorna à casa, o garoto já está a dormir.

Era depois das 10 horas da noite quando ela chegou, semana passada. Como sempre, tratou de se desinfetar antes de entrar, sorrateira, no quarto da criança. Sabonetes, álcoois, lenços umedecidos. Aquela era a melhor hora do dia. Sabia que, no futuro, sentiria falta do menino. Já sentia, mesmo sem saber.

Notou que o pequeno, pela primeira vez, parecia não estar tranquilo em seu sono. O rosto carregava uma tensão que ela ainda não conhecia. Um rosto novo era aquele filho que dormia. Não demorou muito e ele acordou, assustado. Olhou para a mãe e não sorriu. Minha amiga perguntou se estava tudo bem, ao que o menino respondeu negativamente. Com o rosto sério, disse apenas:

– Eu quero que a Dilma morra, mamãe.

Exposto o desejo, voltou a dormir.

Minha amiga passou um tempo olhando em volta, tentando encontrar algum sentido na lógica desarrumada dos brinquedos. Mãe, buscava entender quando foi que o desejo de morte se instaurou no corpo do filho. No divã, procurava associar a morte da mãe à morte de Dilma.

– Talvez eu seja Dilma… – insinuou minha amiga.

– Somos todos Dilma – completou o analista.

Naquele dia, ela foi embora do consultório sabendo ainda menos sobre os desejos de morte. Saiu sem entender se devia procurar algum culpado pelo desejo incrustado no filho. No carro, tentava assimilar os arquétipos, tanto da mãe quanto da morte. Pensou em Dilma e sentiu pena dela.

À noite, voltou mais cedo para casa. Sem avisar ninguém, estacionou o carro na garagem. O carro do marido, estacionado na vaga ao lado, lhe deu quase uma certa certeza tranquila de que tudo estava em seu lugar. No elevador, passeou os dedos pelo Facebook, sentindo raiva de cada machismo sofrido pela mulher cuja morte o filho havia desejado. Correu os olhos pela lista da Odebrecht e ficou surpresa com os nomes de Manuela D¿Avila e Maria do Rosário. Procurou pelo nome de Dilma e não o encontrou.

Quando abriu a porta da casa, tudo estava lá. O marido deitado no sofá, o pequeno tentando fazer os temas de casa e a televisão desejando o pânico. Os grampos de Dilma, reproduzidos à exaustão, a tornavam mais mulher e menos presidente, o que não era de todo mal. Ela beijou o marido, e ele estranhou ela ter chegado em casa mais cedo. Também estranhou a blusa vermelha e os cabelos suados. Ele perguntou onde ela havia estado, e ela respondeu:

– Eu fui na marcha lutar pela Democracia.

Depois, encarou William Bonner e sentenciou:

– Não vai ter golpe!.

O marido não conseguia entender aquele grelo duro que, subitamente, havia se materializado dentro da própria casa.

– Você saiu para defender essa bandida? – gritou o homem, saltando do sofá.

Ela nada respondeu. Pegou o filho, os cadernos e o estojo, e deixou a sala em silêncio. Desde então, os dois nunca mais dormiram juntos.

VEJA TAMBÉM: Sinta vergonha de envolver seu filho em todo esse ódio!

*Ismael Canepelle é escritor e dramaturgo

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 06/Apr/2016 às 18:00

    Eu sou suspeito para falar, pois minha mulher é coxinha kkkkk. De uns meses pra cá desisti de discutir, só fico em silêncio olhando pra ela quando acaba o JN. Ai ela solta uns "Éhh se bem que a Globo é anti-PT" ..."Tá, outros roubaram também e não foram presos ... mas ... éhh ... na realidade nunca serão pois todo mundo odeia o PT". Em silêncio, é mais fácil abrir os olhos do conjugue quanto ao golpe. Agora, motivo de não dormir junto com o companheiro (a) por questões ideológicas???? Trocar uma noite gostosa com o conjugue por Lula ou Bolsonaro ??? Já é paranoia.

    • João Paulo Postado em 06/Apr/2016 às 19:42

      Não entendeu a porra do texto! Filho é mais importante (ou deveria ser) que dormir "noite gostosa" com um boçal.

    • Line Postado em 07/Apr/2016 às 13:50

      Não sei como alguém aguenta ver o JN.

  2. Bruno Postado em 07/Apr/2016 às 04:41

    "conjugue", puta que pariu!

  3. Mônica Costa Postado em 07/Apr/2016 às 06:51

    Assisti isso na fila do caixa do supermercado. A criança com o pai, o menino devia ter 5 anos tb. Aí o menino viu a foto da Dilma na capa da IstoÉ e falou " olha a Dilma presidente, papai" o pai prontamente retrucou " presidente não, meu filho. Uma bandida! ". O constrangimento foi geral. Todo olhavam para os dois sem ação. Até hoje me pergunto se não deveria ter feito algo. Tristemente patético...

    • Thiago Teixeira Postado em 07/Apr/2016 às 19:24

      kkkkkkkk eu em 2009 ou 2010, não me recordo, no Extra da Vila Olímpia em São Paulo, quase sai na mão com um cara que estava na minha frente na fila do mercado. Estava tudo tranquilo, tinha outros casais, crianças, idosos na fila, enfim, um final de noite normal. Até aparecer a imagem do Lula (na época presidente) na TV. O cara surtou, começou a babar, a gritar "Morre seu FDP" "Bandido" "Safado" "FDP, SEU FDP" e tinha uma moça com ele que ficou na dela, meio que achando isso tudo lindo. Virei na direção do cara e disse: "O que esse homem te fez?" "Conhece ele?" "Esteve com ele" "Então fecha a sua boca e respeite as pessoas que estão em sua volta, fale baixo, guarde seus palavrões para falar na sua casa". Ai a mina do cara começou a segurar ele pois o coxinha queria brigar, ele gritava "Ele destruiu o Brasil" "Ele roubou nosso dinheiro" "Nosso país está uma med...". Hilário.

      • Antonio Palhares Postado em 08/Apr/2016 às 10:32

        Todos que tem consciência social e compromisso com o país estão passando por isto. Porém, eu sou radical. Penso como militar da reserva. Inimigo tem que ser destruido. Para completa implantação dos programas sociais no Brasil os inimigos do povo e dos interesses nacionais deveriam ser aniquilados. O psdb entreguista e a rede globo,que sempre estiveram a favor de interesses estrangeiros. O Lula não aproveitou a chance de destruir os inimigos. Bastaria investigar as privatizações e muitos do psdb estariam na cadeia. Aprovaria uma boa lei de imprensa e a globo não teria o monopólio da comunicação. O PT não soube exercer o poder. Estamos correndo o risco de perder todos avanços sociais que tivemos. O povo e o país estão perdendo sem ter quem os defenda. Nossos políticos não prestam.

  4. joão tomaz da Silva Postado em 07/Apr/2016 às 08:37

    Texto carente de melhor articulação e coerência.Penso que foi feito apologia de um ódio que começou em casa. Se entendi assim, DEUS SALVE A AMÉRICA.

  5. Luciano Fonseca. Postado em 07/Apr/2016 às 09:19

    Entendo que o filho é muito importante, pois sou casado, tenho dois filhos um de 18 e outro de 13 anos. Sou capaz de dar a minha vida por cada um deles, porém em uma cena como esta foi um radicalismo por parte da mulher. Antes de qualquer atitude tem que haver um diálogo, a mesma deveria explicar ao marido sobre o acontecido e como os atos dele( o pai ), estavam influenciando negativamente ao filho. Escrevo com a experiência de 20 anos de casamento onde muitas vezes ensinamos um ao o outro a conduta a ser tomada diante de nossos filhos em todos os aspectos. Nunca mais dormir com o cônjuge só dará espaço ao adultério, o divórcio e por fim a infelicidade do próprio filho ao ver seus pais separados e em muitos casos brigando pela guarda do mesmo por algo que poderia ser resolvido em uma simples conversa.

    • Line Postado em 07/Apr/2016 às 13:53

      Nada é justificativa para 'adultério' e quanto a divórcio, tem relacionamentos muito doentes de casais que vivem de aparências apesar de diferenças irreconciliáveis e isso prejudica muito os filhos tbm, mais do que os de pais divorciados que vivem de forma amigável.

  6. Sérgio Postado em 07/Apr/2016 às 10:32

    Já vi o exemplo oposto também. No metrô, a menina dizia: "eu odeio a Dilma". E a mãe a educava, questionando esse ódio. Quando presenciei essa cena, pensei: "quando eu tiver filhos, quero ser assim."

  7. chocada Postado em 07/Apr/2016 às 10:48

    "Nunca mais dormir com o cônjuge só dará espaço ao adultério" em 2016 sou obrigada a ler algo assim.

  8. ademar Postado em 07/Apr/2016 às 11:31

    Putz... pensei que o texto era sério, que apelação.....

    • Juliana Inês lauxen Antun Postado em 07/Apr/2016 às 12:52

      Hahaha eu tbm