Redação Pragmatismo
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Política 08/Apr/2016 às 17:30
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Há 'coxinhas' nas periferias?

O preconceito de classe no Brasil precisa atualizar o conceito 'Casa Grande e Senzala'. Esse novo fenômeno ainda é pouco abordado pelos cientistas sociais e precisa ser desmascarado. O pobre da periferia acredita em subdivisões. Provavelmente, como os 'grand petistas' acreditavam que seriam aceitos nos clubes fechados da elite brasileira

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Willian Novaes*

A periferia de São Paulo anda cada vez mais conservadora. A nova geração incorporou de vez o elitismo dos “quatrocentões paulistanos” do outro lado da ponte. Ignorância, racismo, preconceito contra favelados, nordestinos e outros predicados.

A maioria deve acreditar que toda periferia é um amontoado de favelas. Onde pobres e pretos vivem e são constantemente mortos pela Polícia Militar. Por outro lado, todos são eleitores do PT e que vivem em harmonia com os seus vizinhos. Sem preconceito. Mas não, dentro dos bairros periféricos ou favelas existem subdivisões de classes. Isso, claro, na cabeça dos seus moradores.

Muitos se orgulham de morar no Jardim tal ou na rua X. Mesmo que na rua ao lado tenha uma das maiores favelas precárias da cidade ou uma boca de fumo na sua esquina. O mesmo ocorre dentro da comunidade. Residir na rua principal do comércio pode se transformar numa barreira social na cabeça e na vida dos seus próprios moradores.

Esse é um fato observado em pesquisas diárias. Por poder conviver com pessoas que moram em diversos bairros periféricos da cidade e com outras nos bairros mais elitistas do mesmo município. Observo o intenso debate político que tomou conta do país. As “verdades” apareceram e os xingamentos na mesma proporção..

O maior e mais reacionário preconceito, principalmente contra Lula e o governo petistas, vem dos “ricos” da periferia. Por incrível que pareça, eles que acompanharam de perto a ascensão social das classes mais pobres, ou seja, os seus vizinhos de rua ou viela.

Essa turma, na maioria das vezes, é herdeira de um ex-assalariado e – provavelmente – um atual aposentado, que infelizmente viu a sua renda familiar desabar. Pessoas que não souberam aproveitar o boom de desenvolvimento que o país teve nos últimos 15 anos. E que não foram beneficiadas com os programas governamentais, pois não se aceitavam como pobres e não eram ricos para surfar no mercado financeiro ou na construção de alguma empresa.

A redução do rendimento familiar ocorreu porque o mercado de trabalho não precisava de pessoas bem intencionadas, mas sem qualificação, como aconteceu com os seus pais e avós. Por outro lado, os seus vizinhos que eram miseráveis aumentaram o seu poder aquisitivo, já que o patamar era bem mais baixo, e hoje formam a nova classe média baixa.

Com a queda no rendimento as grandes casas nas vilas ricas dos fundões da cidade ficaram sem as tradicionais reformas anuais (não sobrou $$$ para a tinta, nem para o novo portão e muito menos para o carro zero). Por outro lado, os favelados, agora, também têm bons sobrados e um carro zero (popular) na garagem. “Claro eles não pagam impostos e ainda recebem dinheiro do governo“, visões claramente preconceituosas e deturpadas. Houve uma nova distribuição de renda no país. E uma grande parcela da sociedade se esforça para não entender esse fenômeno econômico social, atitude motivada por diversos fatores.

Os “quatrocentões das periferias” ainda moram nas comunidades por um único motivo: seus pais ou avós foram migrantes nordestinos ou imigrantes refugiados de alguma guerra. Ambos chegaram a São Paulo miseráveis, fizeram algum dinheiro trabalhando, uma parte ficou rica e foi embora da “quebrada”, mas quem ficou não teve sucesso empresarial no mesmo calibre, mas conseguiu dar um conforto bem maior para os seus filhos e netos, os atuais disseminadores do ódio.

O preconceito de classe no Brasil precisa atualizar o conceito Casa Grande e Senzala. Esse novo fenômeno ainda é pouco abordado pelos cientistas sociais e precisa ser desmascarado. O pobre da periferia acredita em subdivisões. Provavelmente, como os grandes petistas acreditavam que seriam aceitos nos clubes fechados da elite brasileira.

As atuais manifestações mostram com clareza esse novo modelo de divisão do país. Para essas pessoas com visão elitista – que por incrível que pareça são completamente ignoradas pela real elite – o pobre merece ser mais pobre. Eles se consideram “coxinhas” e acreditam que quem é a favor do governo Dilma é ignorante e um mero comedor de mortadela. Esse é um fato que só pode existir no país da Jabuticaba e da palavra Saudade.

Mostrei para um amigo rico e colecionador de artes algumas mensagens de um grupo da zona norte, extrema periferia da capital paulista, que não se reconhecem como moradores da mesma, mas sim do Jardim X. A reação dele foi surpreendente e, após alguns segundos de leitura, com um sorriso no rosto ele disse “essa é a revolução dos desinformados, essa turma jamais vai frequentar a Casa Grande“.

Enfim, o analfabetismo político, claramente, é um dos motivos, mas os pesquisadores precisam nos trazer outros fatores porque é muita esquizofrenia social para um povo só.

*Willian Novaes é jornalista e editor da Geração Editorial

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Comentários

  1. Jonas Schlesinger Postado em 08/Apr/2016 às 20:17

    Brasil: Único lugar do globo onde puta goza, cafetão sente ciúme, traficante é viciado e pobre é de direita. - Tim Maia

    • Ingrid Postado em 09/Apr/2016 às 07:52

      Já pensaram em respeitar as opiniões dos outros? Deixa a puta gozar ela tem esse direito, aqui o traficante é viciado porque muitas vezes vem do vicio sua necessidade de vender drogas e o principal, a politica no Brasil não é levada a serio por quem está dentro do jogo e tão pouco nossas crianças são educadas para pensar nela. Pensar em esquerda e direita e achar que essa polarização divide as pessoas em boas e más me parece as vezes inocência e as vezes falta de caráter. No Brasil as pessoas querem escolher um lado e torcer, gritar e brigar por ele, um dia bem que podíamos escolher o lado do respeito e do raciocínio logico.

      • Henrique Postado em 09/Apr/2016 às 11:51

        Baita!!!!!!!!

      • Line Postado em 09/Apr/2016 às 21:50

        Gostei Ingrid, é por aí mesmo!

      • Oblivion Postado em 10/Apr/2016 às 01:33

        Cara Ingrid, parece-me que neste momento o respeito e o raciocínio lógico tem um lado. Veja só, o impeachment precisa de um crime de responsabilidade (o que não há - então temos aí a falta de respeito à Constituição - e a tudo que ela representa); outro ponto é que um bando de corruptos tramam um golpe de estado (impeachment sem crime é golpe), liderados por ninguém menos que EC que com certeza ficará na história do Brasil como um dos maiores bandidos psicopatas que já recebeu tamanho poder do parlamento brasileiro, está aí a total falta de lógica e respeito ao povo. Agora sobre a frase do Tim Maia, analisando só a parte que o Brasil seria o único lugar que pobre é de direita, talvez podemos atualiza-la trocando direita por neoliberal. Direita ou esquerda fica um pouco vago né, mas neoliberal não. Realmente muito de nossa gente sofrida (inclusive não só no Brasil) ironicamente é neoliberal (assim ela é ensinada por canalhas que aparecem na televisão em "horário nobre" em emissoras corruptas, sonegadora de impostos, metida com offshore e sei lá mais o que...). Como seria bom se o povo soubesse que essa "maluquice ideológica vendida como ciência" é a forma que existe para que 1% dos mais ricos do mundo detenham a mesma riqueza que os outros 99% detém. É o neoliberalismo, normalmente, o responsável para que, de repente, certa cadeia produtiva (indústria, agricultura, pecuária...) desmorone por conta de que o específico produto será abastecido internamente por um país do outro lado do mundo, independentemente se esse produto lá é subsidiado, se as empresas respeitam uma legislação trabalhista semelhante a nossa, se a empresa recebeu subsídios, apoio logístico e sabotagens (agências de inteligências) de seus países de origem para se transformarem em impérios, etc. Onde está a justiça nisso? Onde está a lógica? Sem contar o dinheiroduto de dinheiro público que vai para pagamento de dívidas ao setor financeiro internacional. Dívidas essas que são no mínimo suspeitas, basta ver o resultado da auditoria da dívida do Equador, país que assim como o Brasil foi esculhambado por uma ditadura militar no passado.

      • Jonas Schlesinger Postado em 10/Apr/2016 às 02:40

        Não precisava desse texto grande, Oblivion. Ainda tem gente que acredita no radicalismo da direita como solução para o brasil. Vide essa ingrid que só é feminina pelo nome, porém o resto é pura sarcasmo em forma de pessoa. Essa mesma que prefere que a mãe universitária ou pare de estudar ou deixe o filho nas mãos de qualquer um pra estudar. Essas daí que adoram encher a boca de "Bolsonaro" e "Trump". Que deve trocar de calçada quando um preto passa do lado dela; que é a favor do linchamento público. A cara da oligarquia conservadora que talvez nem saiba o que é ser pobre (eu também não, mas pelo menos tento entender o que eles sentem na pele). Se for pobre é uma típica vespa teleguiada. A "Eu Daqui" do lado dela é marxista em pessoa.

      • Jonas Schlesinger Postado em 10/Apr/2016 às 02:41

        Corrigindo: A "Eu daqui"" é marxista em pessoa no lado dessa Ingrid.

      • Pedro Postado em 10/Apr/2016 às 03:51

        Você nao entendeu a fala do Tim Maia. Eh muito importante o que você fez e questionar, raciocinar em cima de generalizações. Mas o Tim quis sintetizar algo que nem é tao brasileiro assim: e por nem ser tao brasileiro assim, nos atrapalha muito a interpretar. Essa frase pode ser refeita sob a forma de que no Brasil, o prisioneiro é o próprio carcereiro. E isso é trabalho de Foucault sobre as prisões francesas que ele estudou. Ou pode ser encontrada na obra de Orwell, ou no filme de Tarantino "Django Unchained" com o negro escravo absolutamente protetor do seu mestre. Você tem sim razão: essa polarização linear entre esquerda e direita é falsa. O espectro ideológico possui mais dimensões. Porem, a fala do Tim Maia é sobre o papel do oprimido na perpetuação da sua própria opressão: o erro do Tim Maia é que não ha nada de "brasileiro" nisso. Alias, muito pouca coisa é "brasileira", vivemos problemas e intrigas universais, o que tem sido brasileiro é nossa dificuldade de resolvê-las.

      • Ingrid Postado em 10/Apr/2016 às 10:53

        Oblivion, não concordo em grande parte com sua facilidade em conseguir ver os lados tão claros, mas de tanto ter contato com pessoas com pensamentos parecidos eu consigo entender melhor o seu ponto de vista e acho que se as pessoas se preocupassem como você fez no seu texto a analisar mais a situação antes de escolherem um lado, teríamos desenhado um presente diferente para nosso país, teríamos não deixado a coisa toda ficar nas mãos de dois lados que no pico das suas diferenças são tão parecidos. Jonas Schlesinger, você sabe que não sou feminina ( sei la o que isso quer dizer ), sabe que sou racista e que mesmo defendendo que os dois lados sejam respeitados e analisados, você sabe que sou das que "adoram encher a boca de "Bolsonaro" e "Trump". Você me conhece melhor que eu mesma e sabe do meu passado, presente e futuro, tudo isso só pelo que leu de mim por aqui, você é o retrato da falta de respeito e raciocínio logico que fazem as pessoas se agredirem ao invés de crescerem com debates políticos.

      • Ingrid Postado em 10/Apr/2016 às 10:57

        Pedro," o prisioneiro é o próprio carcereiro" é uma ótima forma de ver essa frase. Vou ser sincera, essa frase me incomoda muito, não pela intenção de quem disse pela primeira vez, mas pela forma cheia de preconceito que as pessoas ficam repetindo ela. Para mim é mais uma daquelas coisas que alguém fala com um pensamento e do nada a coisa se transforma.

      • Pedro Postado em 10/Apr/2016 às 12:21

        Mas Ingrid, você nao pode se colocar tao acima do Oblivion e do Jonas, alegando não participar do comportamento deles, praticando a deslegitimaçao de idéias. Se você quiser realmente enxergar a situação, os fatos são suficiente: não ha necessidade para opiniões, ideologias muito menos teorias. O seu comentário inicial sobre a fala do Tim Maia pode ser dita como você traçou, mas também pode ser completamente errada: muito provavelmente o Tim Maia tocou na capacidade do prisioneiro em ser carcereiro. O engano dele é achar que ha algo "brasileiro" nisso.

      • Ingrid Postado em 10/Apr/2016 às 14:46

        Não me coloquei maior que o Oblivion, não teria porque já que ele mostrou a forma dele de ver a coisa de forma tão inteligente. Não entendi onde pareceu na resposts que dei a ele que estava diminuindo a sua opinião.

      • Ingrid Postado em 10/Apr/2016 às 14:48

        E sobre o Tim Maia é como eu disse, não me apego a intenção del ao usar a frase, mas ela está sendo usada de forma porca.

      • Pedro Postado em 10/Apr/2016 às 15:18

        A sua resposta ao Jonas foi sim muito depreciativa. Enfim, é a internet, o pessoal se pega. A frase do Tim Maia pode ser interpretada da forma que você propôs, mas também cabe na que eu diz. Apenas acho que o Tim Maia, assim como todos que começam suas frases com "No Brasil" estão buscando brasilidades em fenômenos muito mais universais do que eles imaginam. Como as pessoas repetem a frase realmente é complicado: quantas vezes não nos deparamos com uso de frases de pensadores ou celebridades, completamente fora de contexto, para defender uma idéia? Mas o que ha de mal nisso? Se a frase consegue transmitir alta densidade de informação, vale a pena ser usada. Enfim, o pessoal poderia começar a encontrar mais pontos em comum do que se refugiar nas diferenças.

      • Jonas Schlesinger Postado em 10/Apr/2016 às 15:43

        Em toda a sociedade, seja qual for, as pessoas estão sujeitas a um ônus e um bônus dependendo de quem está no poder ou de quem poderia governar. Quando citei o Tim Maia, disse só por efeito de comparação o que ocorre no Brasil. Não precisamos de debate para isso. Comprova-se que o ônus sempre fica com o pobre, sempre foi assim. Demagogia de rico é trabalho pra pobre e demagoga de pobre é lucro pra rico. A única diferença que a demagogia do sujeito oligárquico vem do cérebro, pois o próprio sabe como persuadir falando palavras brandas; o pobre já age pelo coração, pois se tivesse sabendo o que há nos bastidores veria a real intenção da direita. Pobre e direita é igual a água com óleo, nunca se misturam e sempre a direita ficará sobre o pobre. Só corroboro, nas minhas colocações, com o que você fala nos posts aqui do pragmatismo. Sinceramente é estranho pra uma mulher (não foi você) no post da professora e aluna dizer que só falta levar o cachorro pra sala de aula. Aí perguntei: Você quando parir, vai parir um cachorro? Um bebê e um cachorro é igual? Então eu fico intrigado quando mulheres como você, a Line, a professora entre outras no PP possuem colocações... machistas? Sei lá. De qualquer forma me desculpa. Mas eu continuo te achando a personificação do sarcasmo, piada em pessoa... Morreu assunto.

      • Rodrigo Postado em 11/Apr/2016 às 10:33

        (Outro Rodrigo) Parabéns, Ingrid.

      • Rodrigo Postado em 11/Apr/2016 às 10:36

        (Outro Rodrigo) Mas claro que há coxinhas na periferia. Lá também se tem o direito de comer o salgadinho que melhor aprouver ao degustador. Ele poderá optar entre a coxinha, o pastel de vento, o enroladinho e tantos outros mais. Temos de respeitar o gosto de cada um e não querer impor o salgadinho de nossa preferência, mesmo que seja um sanduíche com a deliciosa mortadela.

    • Deisi Postado em 10/Apr/2016 às 17:33

      Pobre ser de direita é pra acabar, principalmente pobre beneficiário de algum programa do governo.

      • Thiago Teixeira Postado em 11/Apr/2016 às 09:11

        E em viu Deisi. Já escutei cada papinho besta vindo de gente da periferia que é de dar dó . Pura alienação da Globo. Esses dias um cara que saiu da nossa construtora para montar um empresa de Formatura nos visitou e começou a falar em tirar o PT do Poder. Sacou? Formatura. Perguntei para ele se o ramo de Formaturas era melhor na época do FHC, sem querem eu desfiz a rodinha de conversa kkkkkkkk.

    • Pedro Postado em 11/Apr/2016 às 13:44

      Jonas, eu discordo de você no seguinte: pobre e direita podem sim se misturar. Quando a direita apela para o populismo e flerta com o fascismo, quem sustenta é a classe trabalhadora. Veja os países desenvolvidos: a base de apoio a Donald Trump é de americanos 'pobres', que se deixam levar por uma retórica anti-imigratória, racista e alienante. Os regimes fascistas se sustentaram com apoio das massas trabalhadoras. Não se pode romantizar o pobre como agente consciente de sua condição: ele pode, e muitas vezes age, contra sua própria causa. Mas enfim, sinceramente, a Ingrid quer apenas criar caso e brigar.

  2. Pedro Postado em 09/Apr/2016 às 07:42

    Mesmo com todos os erros absurdos que o Gilberto Freire nos entregou em sua obra, sendo o principal o mito da democracia racial, a casa grande e senzala prevê esse comportamento sim. Os escravos, mulatos, os domésticos, vivam vidas muito diferentes do escravo do trabalho pesado. Existiam diferenças hierarquicas entre os não-brancos, que defendiam os mestres e atuavam na opressão de seus pares. Enfim, o fenômeno não parece tao complexo ou imprevisível: pode ser parcialmente explicado por algumas ponderações, por exemplo, de Foucault: é uma espécie de "micro-burguês" que atua no front ideológico para perpetuação dos sistemas arcaicos de poder que privilegiam os pequenos, médios e grandes burgueses. E nos próprios livros do Gilberto Freire esse comportamento pode ser encontrado, e é muito provavelmente absolutamente humano e universal: o dedo-duro da escola, a criança que conspira contra os irmãos para ser favorecido pelos adultos. O fenômeno é muito real, e quem se depara com os "liberais de periferia" realmente entra em choque: mas um pouco de reflexão, como o próprio autor do artigo mostrou, leva a conclusões criveis sobre o fenômeno. Eh muito preocupante, falta coesão intelectual e ideológica nas camadas mais vulneráveis, e o mundo acadêmico brasileiro é muito distante do periférico: tao distante, que o periférico nem pode ingressar nas universidades.

    • Line Postado em 09/Apr/2016 às 21:52

      Muitos deles são assim porque sonham em um dia se tornarem ricos através da 'meritocracia'.

      • Pedro Postado em 10/Apr/2016 às 03:46

        Esse "sonho de se tornar elite" como capital ideologico para manter o pequeno burguês, e no nosso caso, o "a elite da periferia" no front ideológico das direitas tradicionais ja foi descrito por muitos autores. Me vem a mente 1984 de George Orwell, no qual ele descreve muito bem o sistema de poder. A classe média temia ser pobre e queria ser rica. Mas não vai ser nunca: nem as classes médias que ocupam setores de serviço diplomados vao tocar no poder nesse pais, quanto mais os proto-medioclassistas das periferias. Esse fenômeno não é novo, bizarro, nada: você identificou muito bem uma das causas. Muitos desses jovens acreditaram nessa asneira de 'meritocracia' e acham que a sociedade tem que ser o jogo onde o objetivo 'é chegar la em cima'. Essa turma deveria tudo ser alpinista, e deixar a sociedade para que quer construir justiça e qualidade de vida para a população.

  3. Marilia Oliveira Postado em 09/Apr/2016 às 12:16

    Excelente análise. Consegui me lembrar de inúmeros exemplos que comprovam essas teorias.

  4. Line Postado em 09/Apr/2016 às 22:03

    Sou da classe D numa cidade do interior da BA e infelizmente passei por muitas coisas citadas no texto. Sempre ouvi que a família era de classe média e se ofendiam quando eu dizia que éramos pobres, porém diziam que se mudássemos para uma cidade maior, seriamos moradores de favela. Não queriam se aceitar como pobres e por isso. Esse parágrafo resume muito o que houve aqui: "Essa turma, na maioria das vezes, é herdeira de um ex-assalariado e – provavelmente – um atual aposentado, que infelizmente viu a sua renda familiar desabar. Pessoas que não souberam aproveitar o boom de desenvolvimento que o país teve nos últimos 15 anos. E que não foram beneficiadas com os programas governamentais, pois não se aceitavam como pobres e não eram ricos para surfar no mercado financeiro ou na construção de alguma empresa."

  5. Sérgio Postado em 09/Apr/2016 às 23:33

    A ideologia capitalista é internalizada desde muito cedo, é transmitida de geração a geração há centena de anos. UBUNTU para todos!

  6. Roosevelt Postado em 10/Apr/2016 às 15:44

    Podemos chamar isso de síndrome da Dona Florinda. Lembra da valentona do 14 que mora no cortiço, mas acha que é da alta sociedade? O Chespirito sabia das coisas.

  7. Ives Silva Postado em 10/Apr/2016 às 22:17

    A medida em que lia vinha na minha cabeça a imagem de alguns conhecidos. Realmente o que o autor disse bate. Parabéns, ótima avaliação!

  8. Thiago Teixeira Postado em 11/Apr/2016 às 09:17

    É o que mais tem, pobre Coxinha. São os piores, puxa sacos da Casa Grande, se matam para serem notados pelos donos da empresa, querem participar dos eventos com eles, pagar de boa pinta, moram em casa do programa MCMV, fizeram faculdade graças ao FIÉS, ganharam dinheiro com as obras da Copa, se beneficiaram com o crescimento do país e hoje se sentem a vontade para criticar o PT, desejar a morte de Lula e passam na casa do bisneto da asa Grande com a camisa da seleção só para mostrar que foi na passeata do Golpe. Esses são os piores seres do planeta, vendiam geladinho na adolescência para não passar fome e hoje ficam xingando e perseguindo petistas nas ruas e na internet.

  9. Eduardo Ribeiro Postado em 11/Apr/2016 às 10:23

    Isso aí é falta de consciência de classe. É o que mais tem. O carinha do escritório que acha que "peão" é só a rapaziada de chão de fábrica. É o pobre elitista e "ostentador". É a mulher que vota em Bolsonaro. É um "Fernando Holiday" da vida. São os, digamos, "coxinhas colaterais". O ponto é: CONSCIÊNCIA DE CLASSE. Se for ficar falando aqui dá duas horas de leitura. Os valores da sociedade são absolutamente condicionantes pra ação individual, de modo que quem foi oprimido e não aprendeu/interiorizou que a opressão é uma forma injusta e errada de se relacionar com os demais indivíduos, fatalmente tende a oprimir também. O oprimido "normaliza" a sua condição conforme sofre episódios de restrição/humilhação um atrás do outro, e assim que pode trata como foi tratado. Ele nem vê nada disso, essa teia complexa...é tudo "normal". Quando a gente bate bate bate na tecla de que "Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor", é por enxergar essa situação toda aí se desenrolando debaixo dos nossos olhos. Mas aí algum quadrúpede semi-alfabetizado e adestrado pela Veja vai aparecer aqui pra me dizer que "Paulo Freire é um engodo".

  10. Cidao Postado em 12/Apr/2016 às 03:21

    Preconcetuosos!