Redação Pragmatismo
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Dilma Rousseff 26/Apr/2016 às 14:05
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Dilma em Nova York: 'Por que eles temem ser chamados de golpistas?'

"Por que eles temem ser chamados de golpistas? Porque é o que são. Disseram que eu viria na ONU para falar mal do Brasil. Eu vim falar a verdade", diz Dilma em Nova York; veja vídeo

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Discurso de Dilma Rousseff na ONU (reprodução)

Eu lamento que nesse período, enquanto eu saía do Brasil [para vir para Nova York], tenha sido escrito um editorial a meu respeito, de forma precipitada. Isso mostra que eles temem ser taxados de golpistas. Sabem por quê? Porque é o que eles são”, foi o que afirmou a presidente Dilma Rousseff durante entrevista coletiva concedida à imprensa em Nova York na noite desta sexta-feira (22/04).

Apesar de não citar nominalmente, a mandatária se referia à opinião expressa pelo jornal Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (21/04) em editorial intitulado “Golpe na ONU”.

Dilma viajou para Nova York para participar, nesta sexta, da cerimônia de assinatura do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, que envolve metas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa por parte dos países signatários.

A mandatária afirmou que caso o processo de impeachment culmine em seu afastamento, acionará a cláusula democrática do Mercosul. “Eu alegarei a cláusula inexoravelmente se caracterizar de fato, a partir de agora, uma ruptura do que eu considero um processo democrático”. Tal mecanismo do bloco integracionista pode ser invocado quando um governo eleito é destituído por vias não democráticas, tal como ocorreu com o Paraguai com a destituição de Fernando Lugo.

Sobre o fato de não ter dito na Assembleia da ONU a palavra “golpe”, Dilma esclareceu: “disseram que eu viria na ONU para falar mal do Brasil. Eu vim falar a verdade. Tivemos uma participação decisiva na COP21. Sem nós essa conferência não seria o sucesso que foi. Vocês têm que se orgulhar disso”.

Com relação às possíveis dúvidas a respeito de ser ou não um golpe de Estado o processo que está em curso no país, a mandatária ofereceu a seguinte explicação: “golpe é um mecanismo pelo qual você retira [alguém] do poder por razões que não estão expressas na lei ou no acordo institucional no qual o país vive”. E explicou didaticamente o que são pedaladas fiscais e os chamados decretos administrativos usados contra ela no processo.

Ela esclareceu ainda que não se trata de um golpe militar e ironizou ao dizer que o modelo atual precisa apenas de uma mão: “você rasga a Carta Constitucional e está dado o golpe. Rasga os princípios democráticos e está dado o golpe”.

A mandatária também negou que esteja se fazendo de vítima, tal como foi afirmado por alguns setores no Brasil: “eu sou vítima de um processo infundado. É uma questão de injustiça e não fui eu que escolhi estar nessa situação”.

Questionada sobre o processo de impeachment que agora será julgado pelo Senado, Dilma afirmou que vai se esforçar “muito para convencer os senadores”, juntamente com seus ministros para prestar os devidos esclarecimentos, já que na Câmara dos Deputadosnão tivemos o respaldo necessário” para a defesa.

Por fim, disse que vai defender o mandato dado legitimamente por mais de 54 milhões de brasileiros e voltou a dizer que se a presidente do país é vítima de um processo como este “com um vice conspirador, o que dizer da população quando seus direitos forem afetados?”.
Questionada sobre como sua família está encarando esse processo, a mandatária disse que “com tristeza”, mas pediu que seus familiares sejam poupados disso.

Veja a íntegra da coletiva transmitida ao vivo pela Mídia Ninja:

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Vanessa Martina Silva, Opera Mundi

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Comentários

  1. EDUARDO DO PT Postado em 26/Apr/2016 às 15:29

    Bela, estudada e da luta. A Dilma entrará para história brasileira por ter enfrentado, em tempos diferentes, dois golpes: 64 e 16. Foi o governo mais boicotado da história do Brasil. Como aguenta pancada essa mulher! Fico impressionado. Representa bem as milhões de brasileiras que são traídas e espancadas pela sociedade machista brasileira todos os dias. Ficaram impressionados com a votação do impeachment? Não fiquem! A nossa sociedade é o espelho do congresso. Machista, sexista, oligárquica, antidemocrática, corrupta. Mas tudo em nome de Deus, amém? Tenho e terei orgulho de ter lutado contra o golpe de 16. A história é implacável com golpistas e traidores. E o papo de novas eleições? Isso é balela! Porque não trocar o congresso nacional então? Quantos deputados, como Bolsonaro por exemplo, estão ali há quase 20 anos e não têm sequer um projeto de lei aprovado? Vários. Porque não trocá-los? Não adianta trocar presidente. Qualquer presidente alinhado à esquerda terá as mesmas dificuldades de governar o país. Será boicotado da mesma forma. Querem exterminar o povo com esse processo. E aviso de antemão que, se conseguirem, vai todo mundo pro saco. Isso incluiu você, viu, classe média.

  2. Sérgio Carneiro Postado em 21/May/2016 às 19:32

    "Por que eles temem ser chamados de golpistas?" Eu participei das manifestações pró-impeachment não temo de ser chamado de golpista. Eu golpeei o projeto criminoso de poder do PT. Eu golpeei, mesmo que minimamente, o aparelhamento do Estado e o esfacelamento das instituições. Eu golpeei, indiretamente, um líder que institucionalizou o crime organizado dentro da política. Sim! Podem me chamar de golpista.