Redação Pragmatismo
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Juristas 14/Apr/2016 às 10:38
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Corte Interamericana condena 'situações de um Estado de exceção no Brasil'

'Vemos situações típicas de um Estado de exceção' no Brasil, diz presidente da Corte IDH. Roberto Caldas critica métodos da Operação Lava Jato e alerta para 'ameaças à estabilidade institucional' no país

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Corte Interamericana de Direitos Humanos: ao centro, juiz Roberto F. Caldas, presidente (reprodução)

Para Roberto Caldas, juiz brasileiro e presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), no Brasil hoje há “situações típicas de um Estado de exceção”, com “situações anormais aceitas como naturais por parte da população”.

Em entrevista publicada nesta segunda-feira (11/04) pelo jornal argentino Pagina/12, Caldas foi instado a comentar o processo de impeachment por que passa a presidente brasileira, Dilma Rousseff, e os métodos da Operação Lava Jato, que investiga esquemas de corrupção e pagamento de propinas a políticos brasileiros por parte de empreiteiras que prestam serviços para empresas estatais.

O jurista diz ver “com preocupação o avanço de elementos próprios de um Estado de exceção no Brasil”. “Recordemos que já tivemos a experiência de golpes na Venezuela em 2002 e em Honduras em 2009 e esperamos que isso não aconteça novamente em nosso continente”. Segundo ele, nos dois casos a Corte IDH considerou que houve um golpe de Estado.

Não podemos olhar para o lado quando surgem ameaças à estabilidade institucional através de situações anômalas que podem terminar com a legalidade. Hoje não se põe fim à democracia com a intervenção de forças armadas, agora isso acontece por meio de outros mecanismos. A situação do Brasil preocupa muitos povos latino-americanos”, afirmou.

O mais grave, no entanto, é que haja uma parte da sociedade que defende a quebra dos princípios elementares, que apoia a violação de garantias fundamentais e da privacidade de pessoas que sequer estão sendo processadas”, disse o presidente da Corte IDH.

Questionado se a afirmação se tratava de uma referência à gravação e à divulgação do áudio de chamadas telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive de conversas entre o ex-presidente e a presidente Dilma, Caldas diz não querer “mencionar diretamente nenhum caso”, mas se referir a “situações anormais, perigosas para o Estado de Direito”.

Segundo o jurista, o Brasil conta com uma lei “que permite a gravação telefônica e seu uso como meio de provas em um processo penal”, mas a divulgação das gravações não está prevista na lei, “que só permite que se transcreva o que foi dito, mas jamais se pode divulgar o áudio da gravação”.

O vazamento à imprensa de um processo que está sob segredo judicial é uma violação séria e se isto se repete com frequência configura uma excepcionalidade ao regime constitucional”, afirmou. De acordo com o presidente da Corte IDH, a divulgação na imprensa de um processo que transcorre em segredo judicial é vetadaem primeiro lugar para não violar a autoridade do Poder Judicial, em segundo para não afetar a marcha da investigação e por último para não afetar a imparcialidade dos magistrados que julgam a causa através da pressão da opinião pública”.

Para nós a função da imprensa é fundamental”, disse o jurista, sustentando que “a liberdade de expressão é um pilar fundamental do Estado Democrático de Direito”. No entanto, “a liberdade de expressão não é absoluta e não pode se antepor a direitos humanos fundamentais e à garantia de um processo justo. A divulgação indiscriminada de gravações não pode violar a dignidade e a privacidade dos cidadãos”, concluiu Caldas.

O juiz brasileiro Roberto Caldas tomou posse em meados de fevereiro na presidência da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Eleito para o cargo em novembro de 2015, o jurista sergipano, de 53 anos – 30 dos quais de prática profissional – já respondia pela entidade desde o primeiro dia do ano, mas sua posse formal foi agendada para coincidir com a inauguração do ano judicial interamericano e o período ordinário de sessões de julgamento.
Entre as principais atribuições da Corte IDH está zelar pela correta aplicação e interpretação da Convenção Americana sobre Direitos Humanos por todos os países que ratificaram o tratado, de 1969.

Opera Mundi

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Comentários

  1. João Carlos Postado em 14/Apr/2016 às 11:37

    Já deu esse mimimi de golpe, ne? Já passou tbm o momento de ficar negando tudo. É simples: o pt já era. Agora é so escolher entre afundar com eles ou começar uma vida nova. Nao, nao estou defendendo cunha nem temer. Cada um terá seu momento. Mas antes devemos tirar o câncer que destruiu literalmente o Brasil!

    • Carlos Trigueiro Postado em 14/Apr/2016 às 16:13

      Vocês que têm de parar com esse papo de que o Cunha "terá seu momento". Vocês não ligarão para ele depois de consagrado o GOLPE! Porra nenhuma que vocês "irão atrás" do Cunha depois... esses coxinhas não nos enganam!

    • Eduardo Ribeiro Postado em 14/Apr/2016 às 16:49

      mimimi de golpe? não é pra chamar o golpe de golpe? é pra chamar de que? vc já tem um nome novo para o processo de rompimento da ordem democrática e para o estupro dos resultados das urnas iniciado UM DIA depois das urnas se fecharem? que curioso....que outras coisas vc quer que mude o nome? as nuvens, os cachorros, os carros, as mulheres...vc já tem um nome novo para cada coisa do planeta? ou é só o processo de golpe que está oficialmente em curso que vc quer que mude de nome? e quem destruiu LITERALMENTE o Brasil? nem FHC conseguiu destruir LITERALMENTE o Brasil, filho...ele até tentou...

    • Pedro Postado em 14/Apr/2016 às 18:59

      Seu comentario é difícil de entender. O que você quer dizer com "o pt ja era"? O PT não vai sumir caso a Dilma caia. Vai continuar sendo um dos maiores partidos politicos da América Latina. Se derrubar a Dilma por causa de pedaladas fiscais, através de membros do congresso absolutamente associados a corrupção, o que você acha que vai ocorrer? Que o PT e os partidos da "esquerda" vao simplesmente sentar no banquinho ou cometer sepuku? Que o Lula vai sair em rede nacional e dizer "a veja sempre teve razão, estou indo embora para o Uruguay pelo bem do Brasil?". Querido, esse impeachment vai causar INGOVERNABILIDADE: o pais vai parar. A eleição brasileira vai virar piada, os riscos são enormes. Se quiserem fazer esse processo com um mínimo de credibilidade, precisa começa despachando o Eduardo Cunha. Façam um processo de impeachment limpo, e com evidências de crimes de responsabilidade fiscal que fica tudo bonitinho. Esse papo de "o PT acabou" etc, não é verdade, e vai dar m.....

  2. Onda Vermelha Postado em 14/Apr/2016 às 12:12

    #NaoAoGolpeDeEstado | #STFsejaSupremo | O Tico Santa Cruz e Flávio Renegado também lançaram uma música irada “O Moro Mandou Avisar” contra o golpe de Estado em curso no país. Ouçam e compartilhem em https://soundcloud.com/vanderloubet/o-morro-mandou-avisar-tico-santa-cruz-e-flavio-renegado

  3. Claudia Postado em 19/Apr/2016 às 08:57

    Peço que sempre citem onde encontrar o texto original, link ou dados completos, pois eu divulgo no face e whatsapp. Obrigada pelo trabalho que vcs fazem.