Delmar Bertuol
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Mulheres violadas 08/Mar/2016 às 11:55
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Shortinhos da reflexão

Manifestação alunas Colégio Anchieta short fardamento
Manifestação das alunas do Colégio Anchieta (Imagem: Pragmatismo Político)

Descontentes com uma norma da escola que proíbe o uso de shorts, centenas de alunos do Colégio Anchieta, de Porto Alegre, se reuniram para protestar contra a medida. Munidas de cartazes e com as bochechas pintadas com listras pretas, as alunas usaram o recreio para entoar hinos criados em grupos do Facebook e do WhatsApp, com mais de 300 membros e também para fazer um minuto de silêncio

Delmar Bertuol*, Pragmatismo Político

O presente texto é sobre o protesto das alunas (e dos alunos também) da Escola Anchieta de Porto Alegre. Sim, ainda essa história. É que apesar de se tratar de roupa curta, o assunto deu pano pra manga.

Desde que, na faculdade, um colega questionou porque não poderia fazer a prova com caneta vermelha, ao que professor respondeu que se tratava de uma convenção: estudantes respondem à tinta azul ou preta; e o professor humilha com Xs vermelhos; desde aquele momento percebi, embora a insistente inconformidade do meu colega, que convenções existem e a maioria é necessária. E devemos geralmente segui-las, embora não nos seja vedado as questionarmos. Mas que fique registrado que não tenho nada contra caneta azul ou preta e julguei patética a atitude do meu colega.

Não só no âmbito estudantil há convenções e liturgias. Em todos os lugares, em quase tudo que fizemos, obedecemos a ritos previamente estabelecidos. Tais atitudes vão desde um bom-dia (que convencionamos ser educado dizê-lo), passando pelo por favor até as vestimentas. Na cidade onde moro, não posso entrar sem camisa no supermercado. Diferente de quando estou na praia, em que entro no super sem camisa e sem chinelo.

Convencionou-se, pois, que na praia se pode andar mais à vontade.

Não acho que escola seja praia. Sou contra, contudo, o uso de uniforme justamente porque ele quer fazer isso que já se intitula, uniformizar. Eu repudio as homogeneidades. Mas concordo que roupas muito curtas não são pra serem usadas num ambiente escolar. Donde concluo que shorts não são adequados pras alunas. O mesmo valendo pra calções aos meninos. Ou, ainda, aquela moda(?) que alguns guris tem de, argh!, usar calça caída.

Mas agora o meu contudo:

Contudo, a manifestação das alunas, pelo que sei, era muito mais por um dos motivos alegados pela direção da escola do que propriamente pela autorização de mostrar as coxas à brisa. Segundo um dos argumentos da norma proibitiva de pernocas ao léu, as meninas que mostravam muito de suas coxas desviavam a atenção dos meninos. Ou seja, se um aluno não prestar atenção nas entediantes explicações professorais pois de tão vidrado nos pelos dourados que nascem nas pernas da colega ao lado, a culpa é da colega ao lado e não dele. Ou seja, se uma mulher está com roupa curta na rua e um tarado se sente provocado, pois eis que a atitude/vestimenta da dita mulher é provocante, e a estupra, a culpa é, pelo menos em parte, da mulher que, afinal, “tava pedindo”.

Leia aqui todos os textos de Delmar Bertuol

Era justamente contra esse pensamento machista que as meninas estavam levantando a bermuda e os cartazes.

A discussão tomou fôlego nas redes sociais. E as postagens que mais me chamaram a atenção eram as que comparavam as alunas com shortinhos curtos com outras de escolas militares, em que as estudantes estavam fardadas. Parte da população acredita puerilmente, como se fossem ainda alunos da Educação Infantil, que a farda tem um superpoder. Basta vesti-la que o sujeito(a) vai se tornar recatado, honesto e disciplinado. Não me peçam pra conceituar recatado, honesto e disciplinado.

Se as fardas militares tivessem mesmo o poder de tornar o sujeito ilibado – não me peçam pra conceituar ilibado -, não haveria casos de corrupção nas polícias militares e nem sofreríamos o atraso cultural e, pasmem!, educacional que tivemos por causa do período da Ditadura (há quem defenda que a disciplina de Moral e Cívica era de suma importância. Não me peçam pra elencar o que é ou não importante), por exemplo.

Parabéns às meninas da Escola Anchieta. Vai ter quebra de paradigmas, sim!

*Delmar Bertuol é escritor, membro da Academia Montenegrina de Letras, graduando em história e colaborou para Pragmatismo Político

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Comentários

  1. Lopes Postado em 08/Mar/2016 às 12:41

    Shortinhos sao o maior tesao!

    • Guilhermo Postado em 08/Mar/2016 às 18:39

      Depende das pernas de quem o usa.

      • Alan Kevedo Postado em 08/Mar/2016 às 22:37

        Você bebeu?

      • poliana Postado em 09/Mar/2016 às 13:17

        desculpa, eu n resisti! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      • Thiago Teixeira Postado em 09/Mar/2016 às 13:39

        Se for de mulher, obesa ou não, com ou sem celulite eu acho um tesão!!!!!!!

  2. Wylie Postado em 08/Mar/2016 às 12:57

    Eu penso que se o colégio ainda mantem o seu tradicional caráter religioso confessional, e por esse motivo o uniforme deve ser usado, os alunos tem de respeitar (Eu não sou religioso mas sou obrigado a respeitar quem eh). Afinal a escola eh particular e todo mundo esta livre para estudar em outra escola, uma que não tenha esse caráter religioso. Porem se o argumento da escola eh simplesmente baseado em machismo e tirar atenção dos guris e coisas do tipo ai ta tudo errado! De qualquer forma parabéns para a iniciativa das meninas.

    • Lopes Postado em 08/Mar/2016 às 14:37

      Sem sombra de dúvidas, a gurizada hetero deve adorar ver as menininhas de shortinho. Enfim, o uso dos shortinhos agrada as meninas e os meninos. Vamos amar gente!

    • Rogerio Postado em 08/Mar/2016 às 15:29

      Não vejo problemas nesse tipo de shortinho. Se não usarem na escola, usarão na rua. Não estão peladas.

  3. José Ferreira Postado em 08/Mar/2016 às 13:26

    Se a escola pública em que eu estudei fosse tão boa quanto essa daí, eu mesmo iria de burca para lá e ainda estaria feliz. Isso aí é frescura das meninas, que estão a se achar "revolucionárias" por conta disso. Pegar no cabo da enxada ninguém quer (eu estou a falar da ferramenta, sem segundas intenções).

    • Filipe Postado em 08/Mar/2016 às 14:39

      Legal..pena que uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra....

      • José Ferreira Postado em 08/Mar/2016 às 16:11

        Tem sim. O que eu quero dizer é que elas choram de barriga cheia.

      • Thiago Teixeira Postado em 09/Mar/2016 às 13:37

        Barriga cheia???? Ué????? Não estamos em crise? O povo não está mais passando fome?

    • marcio ramos Postado em 08/Mar/2016 às 22:32

      .. pega no cabo vc mano e deixa a mulherada de boa seu cusão...

    • Sueli Postado em 10/Mar/2016 às 09:58

      Não concordo, mas compreendo perfeitamente seu comentário pois também sou a ex aluna de escola pública.

  4. Guilhermo Postado em 08/Mar/2016 às 14:40

    Como as pessoas se preocupam (e protestam) por bobagens! É incrível. Os meninos devem adorar esse protesto. Usar shortinho na escola é até aceitável dependendo do clima. Agora, vcs tem que concordar que em alguns lugares, as regras de vestimentas devem ser mais rigorosas e as pessoas, terem bom senso. Imaginem um restaurante que aceita que as pessoas vão lá frequentar usando apenas roupas íntimas. Argh! Esses dias vi na rua uma mulher que, pela aparência, teria uns 70 anos. Ela estava de micro saia... Coisa horrível. O mesmo vale para aqueles caras que andam no centro da cidade sem camisa, mostrando a pança e o sovaco peludo. Cruzes. Ter bom senso é fundamental. Se não tiverem (bom senso), vai ter risadinhas sim, e se não gostarem, vai ter até dedo apontado. ^^

  5. Eduardo Ribeiro Postado em 08/Mar/2016 às 16:33

    Fizeram mesmo essa comparação com meninas fardadas? Eu felizmente não tenho amigos safados nem analfabetos nesse grau, então não tomei conhecimento desse esterco aí. As gurias estão certinhas nas suas alegações. Pelo que soube, o colégio já se posicionou, um padre mandou sexta passada uma carta lá aos alunos, e reiterou que a roupa "que pode" é a que consta no "regimento interno" mesmo. Fora outras barbaridades medievais e trevosas, que caiam bem lá pelo ano de 1215. Não sei como as gurias vão reagir, mas após essa carta eu não duraria mais 3 dias nesse colégio aí.

  6. Valle Postado em 08/Mar/2016 às 20:12

    Regras da escola. Não gostou saia e se matricule em outra. Mas que a justificativa da diretoria foi escrota, foi.

  7. Thiago Teixeira Postado em 09/Mar/2016 às 13:36

    Shortinho é tudo de bom!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  8. luis Postado em 13/Mar/2016 às 11:23

    Palavras saídas das bocas (esgotos) de esquerdistas que frequentam esse site sobre mulheres que não usam roupas adequadas à situação: “Essa cruz credo quer ser famosa ou criar bafafá?” “Ela quer é ficar famosa, dando uma de menina da facu, que foi assediada por colegas pelas roupitias que ela usa para ir às aulas, em dado momento ela se disse vitima de bulling e processou a faculdade, e depois virou capa de revista masculina, hoje se não me engano é apresentadora” “O que tem de linda e escultural, tem de toupeira e de oportunista sem ética.” “Ela deve primeiro aprender com os idosos raivosos que antes de tirar o sutiã deve reservar um espaço para que mãos consigam depositar dinheiro na borda da calcinha durante o espetáculo.”“O que esta vagaba queria era aparecer, e apareceu”

  9. Maria Célia Postado em 13/Mar/2016 às 17:20

    Meninos de pernas de fora e bonitas, também chamam e tiram a atenção das meninas. Pelo menos quando eu estudava era assim!