André Falcão
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Protestos 16/Mar/2016 às 12:01
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Reagir é inadiável

reagir rua manifestação democracia não vai ter golpe

André Falcão*

Ontem houve grande manifestação pelo país. Não sei se a maior da história, como alguns alardeiam. Não importa. Foi grande. Segundo institutos de pesquisa, majoritariamente formada por integrantes das classes alta e média, e de cor branca. Não importa. Foi grande. Teve coreografia, pequenos e imensos ricos bonecos, adrede produzidos e postos à venda, além de trios elétricos, protetores solares, e casais com seus bebês, todos ornados de verde-amarelo, devidamente cuidados por suas diligentes babás negras (de uniforme branco). Não importa. Foi grande.

Ora, todas as classes sociais têm o direito constitucional de lutar por seus próprios interesses, ou, como dizem, para ter o seu país de volta, por mais que esse desejo não tenha pé nem cabeça (o país jamais foi tão de todos como nos últimos treze anos), salvo se isto significar tê-lo aos seus pés, de sua cobiça, seu egoísmo e, conscientemente, ou não, dos interesses do grande capital internacional, que até então sempre havia posto o país de cócoras.

Importa, e o enfraquece enquanto movimento, a sua contradição essencial, que o torna tão oco quanto os bonecos ofensivos que ostentava. Bandeira anticorrupção é vazia (e antiga). Quem não a hasteia? As manifestações, inclusive, estavam prenhes de corruptos e sonegadores amorais. Além dos inocentes úteis manipuláveis e manipulados. Basta ver quem os apoia e qual foi o seu candidato.

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Mesmo assim, sob o manto destruído pelas traças da anticorrupção oca que envergam, está o desejo inconsequente e racionalmente injustificável de derrubar a presidenta recém-eleita pelos brasileiros (desde o dia seguinte a sua posse), e impedir, não pelo voto, o retorno ao poder do maior líder popular deste país, ancorado na grande mídia e em seus interesses bilionários e servis ao capital estadunidense, e nos novos e perigosos (à democracia) fenômenos da judicialização da política e da politização de parcela do judiciário. Mi-mi-mi de quem não sabe perder. Espetáculo de analfabetismo político, somados a uma cultura escravocrata, racista e fascista.

Urge, pois, a reação, que há de se dar na aglutinação das forças políticas contrárias ao golpe, e na ida às ruas. Mais do que a majoritária parcela da intelectualidade nos mais diversos campos, que defende o recrudescimento dos avanços sociais conquistados nos últimos anos, está o seu maior beneficiário: o povo, o povão, que sintomaticamente não estava nessas manifestações.

*André Falcão é advogado e autor do Blog do André Falcão. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político

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