Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 08/Mar/2016 às 09:50
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Marina e Maria: As jovens que foram mortas pela conivência social

O desaparecimento de Marina e Maria comoveu a América Latina nas últimas semanas. Seus corpos foram encontrados com golpes na cabeça e dois homens confessaram o crime. Na internet, houve quem culpasse as mulheres pelo assassinato. Por outro lado, uma jovem escreveu uma carta emocionante em homenagem às vítimas

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Marina e Maria, jovens argentinas assassinas no Equador(reprodução)

A América Latina se comoveu com o desaparecimento o de duas jovens turistas argentinas no Equador.

Marina Menegazzo e María José Coni estavam viajando pelo país quando desapareceram de uma região litorânea em 22 de fevereiro.

Em um esforço de busca que envolveu inclusive o presidente do país, Rafael Correa, dois corpos foram encontrados poucos dias depois, com sinais de golpes na cabeça.

Ainda há muitos pontos para esclarecer na história, mas dois homens foram detidos, e um deles contou à polícia que se ofereceu para ajudar as meninas, que estavam sem dinheiro. Elas foram com eles para uma casa, onde os dois tentaram estuprar as jovens.

Segundo o relato do detido, ele e seu amigo estavam bêbados, e um deles levou uma das meninas ao seu quarto e tentou tocá-la. A jovem resistiu e ele deu uma paulada em sua cabeça, que a matou instantaneamente“, contou ao La Nacion Eduardo Gallardo Rodas, um dos responsáveis pela investigação do caso no país. A outra jovem, segundo a investigação, morreu após tomar uma facada.

Segundo o pai de uma das vítimas, antes de chegarem ao Equador, elas passaram por Santiago do Chile, Lima e Machu Picchu.

Guadalupe Acosta é estudante de Comunicação no Paraguai e, aparentemente, não tem nenhuma relação com as vítimas. A jovem, no entanto, escreveu uma carta emocionante em memória das duas.

E só morta entendi que para o mundo eu não sou igual um homem. Que morrer foi minha culpa, que sempre vai ser.”

Leia abaixo a íntegra do texto:

“Ontem me mataram.

Me neguei a deixar que me tocassem e, com um pedaço de pau, me arrebentaram o crânio. Me deram uma facada, e me deixaram morrer sangrando.

Como lixo, fui enfiada em uma sacola plástica, fechada com fita adesiva, e fui jogada em uma praia, onde horas mais tarde me encontraram.

No entanto, pior do que a morte, foi a humilhação que veio depois. Desde o momento em que encontraram meu corpo inerte, ninguém se perguntou onde estava o filho da puta que acabou com meus sonhos, minhas esperanças, minha vida.

Não, mas logo começaram a me fazer perguntas inúteis. A mim, imaginem, uma morta, que não pode falar, que não pode se defender.

– Que roupa você usava?

– Por que andava sozinha?

– Como uma mulher vai viajar desacompanhada?

– Estava em um bairro perigoso, o que esperava?

Questionaram os meus pais, por me darem asas, por deixarem que eu seja independente, como qualquer ser humano. E disseram que, seguramente, nós andávamos drogadas e buscamos por isso, que alguma coisa nós fizemos, que nós deveríamos ter sido vigiadas.

E só morta eu entendi que não, para o mundo, eu não sou igual a um homem. Que morrer foi minha culpa, que sempre vai ser. Enquanto que se a notícia fosse ‘dois jovens turistas mortos’ as pessoas estariam prestando condolências e, com seu discurso falso e hipócrita de dupla moral, pediriam pena maior aos assassinos.

Mas quando é uma mulher, se minimiza. Se torna menos grave, porque é claro, eu mesma busquei. Fazendo o que eu queria, encontrei o que merecia por não ser submissa, por não querer ficar dentro de casa, por investir meu próprio dinheiro em meus sonhos. Por isso e por muito mais, me condenaram.

Me entristeci, pois não estou mais aqui. Mas você está. E é mulher. E tem que aturar o mesmo discurso de “se dar valor”, de que é sua culpa que gritem na rua que querem tocar/lamber/chupar seus genitais porque você veste um short com 40 graus de calor, de que se você viaja sozinha você é “louca” e que muito seguramente, se algo acontece com você, se pisoteiam os seus direitos, foi você que buscou isso.

Peço que por mim e por todas as mulheres que foram caladas, silenciadas, que tiveram suas vidas e seus sonhos acabados, você levante a voz. Vamos brigar, ao seu lado, em espírito, e prometo que um dia seremos tantas, que não vão existir sacos plásticos suficientes para nos calarem.”

Ayer me mataron.Me negué a que me tocaran y con un palo me reventaron el cráneo. Me metieron una cuchillada y dejaron…

Publicado por Guadalupe Acosta em Terça, 1 de março de 2016

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Comentários

  1. irineu Postado em 08/Mar/2016 às 12:42

    muitos não sabem se manifestar e falam merda, mas também muitos não falam por mal, pois o mundo é perigoso, mesmo pra homens, e muito perigoso, para fazer essas trips tem q ter culhao e guentar o tranco, agora, ir na casa de estranhos, é muito vacilo, da licença... preferiria dormir na rua... mulheres e homens devem ter cuidado, dont talk to strangers, já dizia Dio, quá.... é triste mas é verdade... é uma pena que morreram, mas se as mulheres continuarem achando q podem sair por ai q nada vai acontecer ou colocar a culpa da morte delas no machismo dos outros, muitas mais vao morrer... elas foram burras e pronto, como muitos homens o são em viagens, como os homens vacilam e erram, elas erraram e morreram.... poderia ter sido com homens, vários morrem viajando pelo mundo.... mas as mulheres são mais frágeis, quem nega isso é estúpido.... não possuem força física nem a violência dos homens.... então minas, nada de emoções, cautela!

    • Luiz Orlando Postado em 08/Mar/2016 às 15:43

      'Muitos não sabem se manifestar e falam merda'. Cala a boca então, falou muita merda.

      • Carlos Postado em 10/Mar/2016 às 15:58

        Falou merda nada, mano...é assim mesmo...o mundo está uma merda, se o cara, homem ou mulher errar o lugar e as circunstâncias de onde está, arrisca-se a esse tipo de coisa...o mundo nunca foi seguro e hoje, muito menos ainda...o cara entra na favela e morre, só porque entrou lá...mulheres, querem viajar, aprendam auto-defesa, saibam como funcionam os predadores de plantão...mas sobretudo saibam defender-se...e bem.

    • Marco Postado em 08/Mar/2016 às 17:33

      Não vou mais falar nada nessa coisa aí. Querem se hospedar na casa de estranhos só pra bancarem as feministas e dizerem " eu me hopsedo sim na casa de homens estranhos, desacompoanhada de outros homens, e ningém tem nada com iss. Se vou transar com eles é escolha minha e se não quiser transar eu não transo e ninguém tem que achar que eu quero dar pro primeiro cara q encontro s´[o porque fui dormir na casa de um estranho em outro páis" Então q sejam estuporadas e mortas porque o estado não tem como coibir crimes assim, se uma pessoa se entrega ao criminoso indo pra casa dele. E tb nenhum discurso feminista vai convencer bandidos psicopatas, pois existe uma distância enorme entre crime hediondo e mero machismo.

      • simone Postado em 09/Mar/2016 às 02:31

        Se elas fossem feministas não aceitariam ajuda de homens estranhos pois feministas verdadeiras não confiam em homem nenhum essas garotas foram ingênuas ou mesmo burras em aceitar ir pra casa desses homens, hoje em dia as mulheres devem ter cuidado até com parentes e amigos.

    • paula Postado em 09/Mar/2016 às 08:50

      os assassinos que disseram que elas foram para a casa deles, porém pode ser mentira, elas podem ter sido levadas a força ou sob ameaça. Esses homens são monstros, lixo e espero que apodreçam na cadeia

  2. Eduardo Postado em 08/Mar/2016 às 13:15

    Logo após ao Angelus proferido pelo Papa Francisco neste Domingo ele pediu orações por quatro missionárias assassinadas no Iemen, será que morreram por serem mulheres.... não, morreram por se atreverem a levar conforto a outro semelhante de forma Cristã. No mundo de hoje onde deputados reúnem para aprovar porte de armas de fogo, com milhares de assuntos mais importantes voltados a vida, não é de se assustar com este tipo de ato.... Devemos é pedir a DEUS todos os dias que nos proteja e que o Livre Arbítrio não seja sinônimo de só praticar o mal por alguns. Paz à alma de todos que são covardemente assassinados, e o resto fica com nosso Pai Maior.

  3. poliana Postado em 08/Mar/2016 às 16:59

    "um deles contou à polícia que se ofereceu para ajudar as meninas, que estavam sem dinheiro. Elas foram com eles para uma casa, onde os dois tentaram estuprar as jovens".............................olha, desculpa pelo q eu vou falar...NÃO! A CULPA NÃO É DELAS! DE FORMA ALGUMA! a ninguém é dado o direito de violar o corpo alheio, forçar uma relação sexual sem o consentimento, e tirar a vida de outrem de forma tão brutal, "apenas" pq n conseguiu uma transa!!! porém, eu, POLIANA, enqto mulher, sabendo das minhas limitações físicas, emocionais e sociais, JAMAIS me meteria em uma casa de um homem completamente desconhecido, pq ele se ofereceu a me ajudar!o grau de confiança que eu tenho no ser humano está muito aquém disso! sozinha ou com uma amiga, jamais iria para um local reservado com homens q eu nunca vi na vida! deixo claro, MAIS UMA VEZ, q n estou culpando as vítimas, apenas analiso essa triste situação COMO MULHER, estando no lugar delas!!!!

    • felipe Postado em 09/Mar/2016 às 09:37

      Poliana, acho que tudo é uma questão de bom senso, seu comentário foi perfeito, a culpa não é dela, mas ela foi inocente em acreditar em um desconhecido, vivemos em uma sociedade cheia de criminosos infelizmente não podemos esperar coisas boas de gente desconhecida, isso vale para homens tb.

    • Thiago Teixeira Postado em 09/Mar/2016 às 13:43

      Está certíssima Poli, as minas vacilaram sim, mas o que não o direito dos babacas matarem ou da sociedade criminalizar as turistas.

      • poliana Postado em 09/Mar/2016 às 15:25

        sim, thiago, e deixei claro no meu posicionamento q não foi culpa delas, de forma alguma!