Redação Pragmatismo
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América Latina 09/Mar/2016 às 17:29
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Golpe em 2002 na Venezuela revela o que pode acontecer no Brasil

É necessário conhecer o golpe em 2002 na Venezuela para entender o que pode acontecer com o Brasil. Naquele país, tomada de poder teve armação da Globo local com militares e oposição. Franco atiradores atiraram na cabeça de manifestantes (vídeo) e houve comoção internacional

golpe Brasil venezuela 2002 13
(Imagem: manifestantes na sede da TV Anhanguera, da Globo, em Goiânia, nesta terça-feira; e a cena que foi manipulada contra o chavismo, na Venezuela / Viomundo)

“Quando empregamos tropas em eventos de pacificação ou de garantia da lei e da ordem, a determinação nos é dada por meio da Presidência da República. Se algum governador desejar a participação das tropas para qualquer coisa, tem que pedir à Presidência, esse é o fluxo. […] É essencial que as Forças Armadas, até pela credibilidade que têm, tenham papel completamente institucional e de Estado. Consideramos muito importante que a instituição fique pairando acima de qualquer viés ideológico” — General Otávio Rêgo Barros, do Centro de Comunicação Social do Exército, depois que porta-vozes da Globo tentaram trazer os militares para dentro da crise política

Viomundo

Divulgamos, abaixo (assista no fim do post), trecho do documentário A Revolução não Será Televisionada, de Kim Bartley e Donnacha O’Briain, que resume a História.

No início dos anos 2000, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, eleito em 1998, decidiu assumir o controle da petrolífera estatal PDVSA com seus próprios executivos.

Pesquisem a História do petróleo na Venezuela: foi, desde o início, uma atividade controlada por empresas dos Estados Unidos.

Tanto que a PDVSA montou uma rede de postos nos Estados Unidos, faz todo o seu refino lá e, pela proximidade, é muito competitiva no maior mercado consumidor do planeta.

A decisão de Chávez foi ao mesmo tempo um rompimento parcial com Washington e total com a oligarquia local. Parcial porque o presidente venezuelano sempre manteve relações cordiais com a Chevron, parceira da PDVSA em alguns projetos.

Chávez afirmava que a renda do petróleo deveria ser aplicada prioritariamente em programas sociais, especialmente de saúde, moradia e transporte.

Como reação à decisão dele, houve um locaute promovido por empresários.

Um dos líderes era o presidente da Fiesp venezuelana, Pedro Carmona.

Chávez foi socorrido pelo governo FHC, que consultou o recém eleito presidente Luiz Inácio Lula da Silva e despachou um petroleiro da Petrobras à Venezuela para abastecimento de emergência.

O golpe militar contra Chávez começou no dia 11 de abril de 2002. Os Estados Unidos deixaram claro que apoiavam a deposição de Chávez, de olho no pré-sal… ops, no petróleo da faixa do Orinoco.

Foi tudo milimetricamente organizado: começou com um protesto diante da PDVSA. Desconhecendo compromisso que havia firmado com a polícia local, a oposição decidiu marchar os manifestantes até o Palácio do governo. Tudo convocado e transmitido ao vivo pela Globo local — e suas associadas.

Franco-atiradores postados sobre um prédio atiraram na cabeça de manifestantes dos dois lados.

Além dos que marchavam ao Palácio do Planalto, havia também os que pretendiam defendê-lo: chavistas cercavam Miraflores.

Houve manipulação descarada de ângulos de câmera por parte das emissoras privadas para atribuir a chavistas as mortes causadas por franco-atiradores, o que causou comoção internacional.

Foi a senha para a intervenção militar.

Convocados pelos Mervais e Noblats locais, um grupo de militares apareceu nas emissoras golpistas, em rede, afirmando que já não reconheciam a autoridade do governo.

Em seguida, rebeldes atacaram — sem resistência — o Palácio Miraflores e levaram Chávez de helicóptero.

Carmona, o Skaf deles, assumiu o poder e, como primeira medida, fechou o Congresso.

As similitudes com a situação brasileira diante da manifestação prevista para o próximo domingo são apenas isso, similitudes.

A não ser pelo fato de que o PT é acusado de formar “milícias” quando são os diretórios, filiados e simpatizantes do partido que têm sido atacados em todo o Brasil.

De qualquer forma, não é possível desconhecer um modus operandi quase padrão que antecede golpes: desqualificação do governo na mídia e nas redes sociais, seguida de comoção causada por algum fato espetacular, seguida de intervenção jurídica/popular/militar para destituir governo eleito, seguida de oferta a poderes estrangeiros de acesso antes negado a recursos naturais.

É neste contexto que a comoção causada por mortes inesperadas tem um grande potencial de gerar ação!

Fica o alerta do leitor.

Vídeo:

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Comentários

  1. João Carlos Postado em 09/Mar/2016 às 18:39

    Hahaha, a zoeira não tem limites! O pp bem que podia fazer parceria com os sensacionalistas.

    • Carol Postado em 10/Mar/2016 às 12:36

      kkkkkkkkkkkkk Fatoo.

  2. Felipe Postado em 09/Mar/2016 às 20:38

    As vezes o pessoal aqui viaja geral.... Mas fica aí uma bela materia digna do sensacionalista.

  3. renato Postado em 09/Mar/2016 às 21:44

    pois é "A Revolução não será Televisionada" belo documentário que vale apena assistir antes de 13 de Abril.

  4. Jonas Schlesinger Postado em 09/Mar/2016 às 23:36

    E a Dilma é xingada pelo lado direito da força em pleno dia da mulher. O que tem? A recíproca é verdadeira.

    • felipe Postado em 10/Mar/2016 às 08:19

      Dois absurdos não acham?

    • felipe Postado em 10/Mar/2016 às 12:42

      Um belo exemplo de indignação seletiva acontece agora com o Delcídio não acha Rodrigo kkkk o cara foi do inferno ao céu em alguns dias kkkkk

  5. JOHN JAHNES Postado em 10/Mar/2016 às 00:09

    "A partir de agora, se me prenderem, eu viro herói. Se me matarem, viro mártir. E se me deixarem solto, viro presidente de novo", disse Lula a mais de um interlocutor, conforme o jornal O Estado de S. Paulo. E O AÉCIO, DEFINITIVAMENTE, VIROU PÓ. AGORA SÃO TODOS AÉCIO SÃO MILHÕES DE AÉCIOS ERAM IDIOTAS INÚTEIS. ERAM TODOS CUNHA. ERAM MILHÕES DE CUNHAS. (DITO POR ELES MESMOS)

  6. JOHN JAHNES Postado em 10/Mar/2016 às 07:14

    O POVO NÃO É BOBO, ABAIXO A REDE GLOBO

  7. Guilhermo Postado em 10/Mar/2016 às 10:30

    Bom, podia ser pior. Imaginem se o Estado Islâmico tomasse o poder no Br? Ainda bem que estamos bem longe daquela zueira.

    • poliana Postado em 10/Mar/2016 às 13:00

      eu n estaria tão tranquilo assim não viu...nunca subestime o poder do demônio! com o isis, n se pode ficar tranquilo nunca!

    • Renato Postado em 10/Mar/2016 às 14:42

      Dizem que o ISIS governa direitinho, garante segurança, emprego e assistência social para os seus, além de ter colocado ordem no trânsito de Mossul. (sim, fizeram até um vídeo institucional disso, ninguém mais comete infração de trânsito em Mossul) Segundo desertores do ISIS, o califado tinha tudo pra dar certo, se não fosse tão boçal.

  8. Eduardo Ribeiro Postado em 10/Mar/2016 às 12:05

    """"""não é possível desconhecer um modus operandi quase padrão que antecede golpes""""""". É possível sim. A quantidade de pessoas alfabetizadas num sistema educacional sucateado por décadas, que mal abriram 2 livros de história na vida, que se informam por Globo, que acreditam que estudar história/sociologia é "doutrinação marxista", é uma quantidade cavalar. Aí temos essas hordas intermináveis de analfabetos políticos bostejando sem parar. Tem um video muito bom do Hugo Chavez respondendo uma pergunta de um jovem repórter da Globo (dá até dó do menino), em que ele esculhamba lindamente, dá aquela sova na Globo expondo sua subserviência a interesses imperialistas, e finaliza mandando o jovem largar um pouco o script da Globo, sair pra rua e perguntar pro povo "o que é Puente Llaguno?". As coisas aqui estão acontecendo de um jeito tão surreal que eu tenho certo receio de acontecer de fato algo parecido por aqui.

    • João Carlos Postado em 10/Mar/2016 às 13:39

      "Tem um video muito bom do Hugo Chavez....". A partir daqui a viagem se tornou internacional, então parei de ler, hahaha

    • Eduardo Ribeiro Postado em 10/Mar/2016 às 16:16

      A quinta palavra do título é "Venezuela"...e você precisou esperar meu comentário no dia seguinte - e somente na parte em que eu cito Chavez, quase no final - pra finalmente perceber que há algo de internacional no texto? Tá dormindo, filho? O video não é bom, é excelente. Chavez em plena forma, firme, oratória impecável, postura ereta, combativo, peito aberto, cabeça erguida, dono da situação. Um monstro. O chute que ele dá nas bolas do coitado do moleque que a Globo mandou pra lá é histórico. Eu só não esculhambo muito porque era um garoto novo, cumprindo as ordens dos Marinhos...passou tanto tempo já que talvez ele até tenha acordado pra vida e esteja trabalhando em outro lugar. Se quiser eu boto um link especial pra você assistir...costuma fazer sangrar quem é alfabetizado por Veja, por Globo, por Olavão, quem acha que o Foro de SP vai nos destruir, quem acha que aula de história é "doutrinação marxista"...mas eu não sei se é o seu caso...

  9. João Paulo Postado em 11/Mar/2016 às 07:26

    Put... que pariu! O texto é bem simples. Mas nem assim conseguem entender e dizem que é "sensacionalismo". Nada aprenderam com as milhares de intervenções americanas pelo mundo ...

  10. Sergio Luz Postado em 30/Mar/2016 às 17:59

    Bem, podemos considerar que o texto é um "tanto quanto paranoico". Tipo conspiração de alienígenas metamorfos. Sem quere entrar na discussão sobre vida alienígena, farei algumas considerações: 1. Conheço bem seres humanos (mais que alienígenas) e são capazes de tudo. Na idade média quando um nobre queria matar outro passava veneno nas páginas do livro da vítima; 2. O uso da Estratégia por grupos, estados, exércitos, corporações, é antiguíssimo. Ver "Arte da Guerra", de Sun Tzu; 3. Conspiração para tomada do poder na América Latina é o padrão, e não a exceção, infelizmente; 4. E filosoficamente falando, o Real é Surreal, isto é a realidade é sempre mais estranha do que o mundo cor-de-rosa que podemos querer ver. Como se diz: "Queres a Paz. Prepara-te para a Guerra".