Redação Pragmatismo
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Racismo não 24/Mar/2016 às 15:35
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Estudantes de medicina de Jundiaí (FMJ) escancaram preconceito

Médico Eduardo Bhaltasar comenta imagem racista registrada na Pré-intermed 2016 e fala sobre o ambiente de preconceito que atinge parte de sua profissão e dos cursos de medicina

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Foto tirada durante a competição Pré-intermed 2016 que acontece nesse feriado de Páscoa

Eduardo Bhaltasar, O Prato Feito

Sou fã da Pré-intermed, já participei de algumas como competidor e como torcedor, joguei basquete (meu esporte de criação), handball, competi também no atletismo (medalha de bronze em salto em altura – aqui eu quis me mostrar) e xadrez (nunca perdi uma partida – mais uma vez quis me gabar).

Me formei em medicina pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e me lembro de sempre ficar ansioso por causa dessa semana que mexia com nossos nervos, mas ao mesmo tempo testemunhava cenas que realmente eu não concordava, como brigas e agressões entre as torcidas.

E pelo que vi, certas coisas não mudaram nessa competição que acontece uma vez por ano.

Antes de entender o caso, precisamos olhar para uma outra universidade. Como todos sabem, esse ano a Unicamp bateu o recorde de alunos oriundos de escolas públicas. Desse total, 43% se declararam negros, pardos ou indígenas. O curso de medicina teve um resultado espetacular, pois atingiu a porcentagem de 88,2% de alunos oriundos de escolas públicas.

A Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), uma das participantes dessa competição (Pré-Intermed), pisou feio na bola. Alguns alunos que estavam na torcida, numa tentativa de desmoralizar o adversário — que, no caso, era a Unicamp –, estamparam no peito as letras C-O-T-A-S, além de pintarem seus rostos de preto (Blackface). Afinal, pelo que parece, para esses alunos, uma universidade que tem cotas étnicas como política institucional é algo desmoralizante, algo que diminui sua qualidade.

A opinião sobre as políticas afirmativas serem boas ou ruins, certas ou erradas, não é a intenção desse artigo, isso é outra discussão. O tema central é que não existe motivos para que alguém desmoralize a universidade e o aluno ou o profissional que é beneficiário desse tipo de política, pois como mostra esse estudo da Unifesp, esse estudo da UnB e esse estudo da Unicamp, cotistas têm o mesmo desempenho ou, em alguns casos, desempenho superior quando comparado aos alunos não-cotistas.

O preconceito racial existe, sim, entre alguns alunos de medicina e eu vivi isso. Piadas racistas eram contadas com frequência (e aqui quem me conhece sabe que nunca aceitei), como também racismos escancarados, como certa vez ouvi uma colega dizer: “Não quero mais atender aquele preto fedido“.

É uma pena ter que ver esse tipo de imagem em pleno século XXI, vindo de uma classe de alunos que serão formadores de opinião em um futuro próximo, pois na sociedade brasileira, quando um médico fala ele é, de certa maneira, ouvido.

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Comentários

  1. José Ferreira Postado em 24/Mar/2016 às 16:01

    A imagem não é racista. Se a instituição resolve adotar as cotas, então ela deve saber ouvir as críticas.

    • Ricardo Postado em 24/Mar/2016 às 18:00

      Sim, blackface é uma forma de racismo. Cotas são políticas públicas fundamentais para diminuir as diferenças de acesso entre as diversas classes e "raças" (apesar de não existirem raças humanas, ainda nos comportamos como se as existisse). Querendo ou não, o desempenho dos cotistas tem sido igual ou superior ao não cotista. As cotas não existirão pra sempre, mas quando a sociedade brasileira atingir níveis decentes de igualdade de acesso, talvez elas não sejam necessário. No momento é o que há de mais justo e equânime para ser feito! Feliz pela Unicamp

      • ademar Postado em 25/Mar/2016 às 19:23

        As cotas são uma forma de corrigir a distorção ao acesso as Universidades, minimizar a histórica dificuldade que negros e cidadãos de classes econômicas inferiores sempre tiveram ao ensino superior. Sua citação "As cotas não existirão para sempre" , espero que ela realmente se confirme, pois as cotas devem permanecer por um período de transição, até que não sejam mais necessárias, porém o que vemos não caminha neste sentido, as reivindicações são para ampliação e perpetuação das cotas. Se as cotas tornarem-se permanentes, serão a prova viva do seu próprio fracasso e eficiência, pois se fizerem necessárias continuamente, é porque o seu efeito não foi capaz de corrigir as distorções.

    • Vitor Luiz Postado em 24/Mar/2016 às 18:05

      Crítica é uma coisa ofensa é outra.

    • Foda-se Postado em 24/Mar/2016 às 18:30

      O blackface é uma expressão totalmente racista. E eles sabem disso.

      • José Ferreira Postado em 24/Mar/2016 às 21:45

        Isso aí está mais para "greenface"... E quem garante que não serão inventadas outras desculpas para que as cotas se mantenham. Os que defendem as cotas não pensam no país, mas neles mesmos.

    • José de Arimateia Postado em 24/Mar/2016 às 23:24

      Se for pra falar merda, melhor engoli-la, acéfalo!

    • Thiago Lopes Postado em 25/Mar/2016 às 22:48

      Bom, Ferreirinha, o importante é que vai ter cota sim, vc vai ter que engolir. Engula , Ferreirinha, sofra.

    • Eduardo Postado em 27/Mar/2016 às 21:25

      NÃO É RACISTA NÃO É TIPO NEO LIBERAL BRANQUELO.... MAS TEM ANTIDOTO.... MÉDICOS CUBANOS NOS LUGARES DELES.... MÉDICOS QUE APRENDEM SER MÉDICOS E NÃO CAIXAS REGISTRADORAS. assista ao filme SICKO - SOS SAUDE..... vi na NETFLIX.... AÍ VERÃO ONDE DÁ ESSAS "CRITICAS" CAPITALISTAS.

    • Eduardo Postado em 27/Mar/2016 às 21:29

      EU DEFENDO AS COTAS, NÃO TENHO FILHOS QUE PRECISEM DELAS GRAÇAS A DEUS, MAS CONHEÇO MUITOS QUE PRECISAM E POR JUSTIÇA..... SE VOCÊ NÃO GOSTA DAS COTAS, FAÇA UMA VAQUINHA E COLETE RECURSOS PARA INDENIZAR OS FILHOS DOS NEGROS QUE CONSTRUIRAM NOSSO PAÍS, PARA QUE OS BRANQUINHOS OS CHAMASSEM DE PRODUTOS... USASSEM SUAS FILHAS E MULHERES COMO COISA.... SE NÃO QUER FAZER ISTO ENTÃO NÃO CRITIQUE QUEM TEM VISÃO DE JUSTIÇA E REPARAÇÃO HISTÓRICA.

    • Eduardo Postado em 27/Mar/2016 às 21:29

      EU DEFENDO AS COTAS, NÃO TENHO FILHOS QUE PRECISEM DELAS GRAÇAS A DEUS, MAS CONHEÇO MUITOS QUE PRECISAM E POR JUSTIÇA..... SE VOCÊ NÃO GOSTA DAS COTAS, FAÇA UMA VAQUINHA E COLETE RECURSOS PARA INDENIZAR OS FILHOS DOS NEGROS QUE CONSTRUIRAM NOSSO PAÍS, PARA QUE OS BRANQUINHOS OS CHAMASSEM DE PRODUTOS... USASSEM SUAS FILHAS E MULHERES COMO COISA.... SE NÃO QUER FAZER ISTO ENTÃO NÃO CRITIQUE QUEM TEM VISÃO DE JUSTIÇA E REPARAÇÃO HISTÓRICA.

  2. Karina Postado em 24/Mar/2016 às 18:38

    Estampar no peito a palavra COTAS e pintar o rosto de preto, não é, de maneira nenhuma, uma forma de criticar uma instituição que adota esse tipo de sistema de ingresso, é, porém, uma maneira discriminatória, tanto social quando etnicamente, de minimizar os alunos. Querem criticar? Usem argumentos plausíveis e legais.

  3. Rejane Postado em 24/Mar/2016 às 19:33

    Enquanto abordagens sobre racismo e outros temas derivados deste tipo de sentimentos for incisiva como vem sendo praticada, o ódio só vai aumentar; é mais que sabido que para cada ação surge uma reação, e é exatamente isso que acontece com este assunto tão complexo, que a cada dia cresce mais no mundo todo, e não apenas no Brasil, fica muito claro que a maneira de tentar "mudar" nossa conduta quanto as diferenças, ela está fazendo o inverso, ou seja, está fortalecendo o primitivismo que existe em todos nós, cada um querendo "marcar" seu território como alguns animais "irracionais" fazem, deixam bem claro quem "manda" em tal local, é assim com pessoas também, não querem "intrusos" nos seus domínios... Se não apelarmos para conversas inteligentes e com moderação, só vai piorar, não adianta querermos nos enganarmos, apontando o dedo na cara do outro, empurrando goela abaixo sua condição de racista e preconceituoso; isso não pode ser feito como vem acontecendo até agora, repito, apelar com bom senso para atingir o entendimento de quem é racista, é a diferença que pode começar uma mudança mais "racional" e humana, afinal ninguém gosta de ser mandado como se fosse um idiota, mas ser chamado à responsabilidade e coerência é meio caminho andado!

  4. enganado Postado em 25/Mar/2016 às 09:31

    Será que estes DOUTORES em MEDICINA, amanhã, vão atender os 7P´s= PRETOS, POBRES, PROSTITUTAS, PETISTAS, PROFESSORES, PATRIOTAS, PERIFÉRICOS, ou seus consultórios serão na Avenida Paulista para atender os riquinhos do P$$$DB/DEM? Quero ver se em seus vistosos DIPLOMAS estarão estampadas as discriminações que fizeram qdo iniciaram seus estudos na faculdade, e/ou irão se esconder atrás de jaleco branco dando entrevistas para a ___CANALHA__ da rede gRoubo. ___"""___ "" GOLPE é na gRoubo """___""".

  5. wladimir teixeira Postado em 25/Mar/2016 às 13:22

    Elite branca com medo de perder seus privilégios.

  6. Brah Postado em 27/Mar/2016 às 01:58

    Os médicos, empresários e advogados que me desculpem, mas principalmente sobre os médicos, digo que tenho nojo. Isso mesmo, nojo. Quando ouço alguém dizer que é filho de médico, que o irmão é médico, que quer ser médico, sinto nojo. A maioria dos médicos brasileiros são oriundos de famílias tradicionais e de elite. Pessoas que não souberam aproveitar as chances que tiveram na vida e escolheram a profissão apenas pela remuneração e status. Os cursos campeões de trotes violentos, misógenos, racistas, são sempre os de medicina. Posturas como essas são comuns não só em competições, como no dia a dia de quem frequenta uma faculdade de medicina pública. E essa frase "não quero atender aquele preto fedido" é mais comum do que se pensa. Entre ter um filho que escolha cursar medicina ou pedagogia, biologia, artes, física, jornalismo, música, enfermagem, fico com todas as outras opções!

  7. Eduardo Postado em 27/Mar/2016 às 21:31

    FOI POR ESTES PENSAMENTOS QUE USARAM OS NEGROS COMO ESCRAVOS, PARA A ELITE BRANCA NÃO CRIAR CALOS NAS MÃOS.... TEM MAIS É QUE TER COTAS MESMO, ATÉ QUE SE CORRIJA ESTA INJUSTIÇA HISTÓRICA.

  8. Thiago Teixeira Postado em 28/Mar/2016 às 12:38

    FMJ tentando desmoralizar a UNICAMP????????????????? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Esse caras, nem para disputar vagas de cotista na UNICAMP, iriam passar. Papai paga a faculdade. E mais, na universidade as cotas se limitam no ingresso ao campus, nada tem a ver com o conteúdo das disciplinas ou o curso em si, o vestibulando do Anglo e cotistas fazem a mesma prova.