Redação Pragmatismo
Compartilhar
Saúde 03/Mar/2016 às 11:11
0
Comentários

Apresentadora Mariana Ferrão explica a 'experiência única' do parto normal

"Perdi a conta de quantas vezes me disseram que eu não poderia ter um parto normal". Mariana Ferrão publica relato sobre a experiência de ter dado à luz ao seu segundo filho, João, em um parto normal. Apresentadora chama a atenção para os questionamentos que as pessoas faziam ao saber que ela não optaria pela cesárea

PARTO NORMAL MATERNIDADE SAÚDE MÃE
Apresentadora Mariana Ferrão se preparando para o parto normal do seu segundo filho (Instagram: @marianaferrao)

A apresentadora Mariana Ferrão deu à luz João, seu segundo filho, na última quinta-feira (25). A novidade foi anunciada pelo também apresentador Fernando Rocha, com quem Mariana divide o comando do Bem Estar, na Rede Globo.

Ela faz parte de um grupo de mulheres que é frequentemente induzido a optar pela opção da cirurgia durante a gravidez, mas conseguiu quebrar o protocolo da “cultura da cesárea” e ter a experiência do parto natural e transformá-lo em uma experiência saudável para ela e para o bebê.

Mariana inicia seu texto com um desabafo. Ela chama atenção para os questionamentos que as pessoas faziam ao saber que a escolha para a sua segunda gravidez foi pelo parto normal e não a cesárea:

Perdi a conta de quantas vezes me disseram que eu não poderia ter um parto normal. ‘O primeiro foi normal? Não, foi cesárea. Ah, então o segundo também vai ser. Por que você não marca logo?’. Quanta gente falando a mesma coisa.”
E continua:

No final, cansei de ser sincera. Já tava falando pra todo mundo que o Miguel tinha nascido de parto normal também. A única forma das pessoas concordarem que o João ia ser assim e pararem de dar palpite sobre meu parto.”

Segundo os dados da pesquisa Nascer no Brasil, realizada pela FioCruz, 52% dos nascimentos na rede pública é por via cirúrgica. Na rede privada, os índices são ainda maiores chegam aos 88%.

Mas porquê algo que é natural gera tanta preocupação para as pessoas?

Quando a mulher passa por um parto cesariano, o útero é cortado e depois costurado. Durante as contrações, o útero pode se romper e causar hemorragia interna“, explica o obstetra Luiz Fernando Leite em entrevista ao site Bebê.

No entanto, em declaração oficial, Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que as cesáreas sejam realizadas apenas quando forem “medicalmente necessárias”, e lamenta a “epidemia” de cirurgias de parto que acontece em várias regiões do mundo, inclusive no Brasil.

De acordo com a organização, o VBCA (vaginal birth after cesarean, em inglês) ou PNAC (parto normal após cesárea), é indicado porque, embora apresente riscos (menos de 0,05% ), eles ainda são menores do que aqueles de submeter a mulher a uma segunda cirurgia.

Mariana Ferrão, em seu post, ainda explica porque quis tanto um parto normal:

Perdi a conta de quantas vezes me disseram que eu não poderia ter um parto normal….” O primeiro foi normal?” Não, foi cesárea. “Ah, então o segundo também vai ser”. ” Por que vc não marca logo?”. Quanta gente falando a mesma coisa, quantos médicos que foram ao programa e me disseram a mesma coisa! No final, cansei de ser sincera. Já tava falando pra todo mundo que o Miguel tinha nascido de parto normal tb. A única forma das pessoas concordarem que o João ia ser assim e pararem de dar palpite sobre meu parto. Por que eu queria tanto um parto normal? Pra viver a experiência, para o João poder escolher a hora de vir ao mundo, pra estar mais pronto pra esta dura experiência da vida, pra ter uma recuperação mais rápida e poder amamentar sem sentir dor no corte, pra me sentir forte, pra poder pegar o Miguel no colo logo, pra entender o poder transformador do parto, pra entrar em contato com algo primitivo, feminino, pra vencer a dor, pra conhecer a dor, pra descobrir o meu corpo, os meus limites, pra experimentar, pra ter uma lembrança diferente da primeira, pra o meu corte da cesárea não abrir de novo, pra eu sentir menos dor no pós-parto, pra poder dizer que consegui, pra ser lindo como foi! As razões são tantas e muitas ainda estão aqui dentro um pouco indecifráveis. Mas também por que importam? Era um sonho. Me preparei pra ele. Me conectei com meu corpo, com meu filho. E tanta gente se conectou comigo neste sonho: nada teria sido possível sem o apoio da minha médica, Dra. Diana Vanni, da minha fisioterapeuta e doula, Mirca Ocanhas, do meu marido, André. Aqui vai também um agradecimento especial pra uma amiga virtual e tão íntima, Bia Câmara, e pra uma amiga bem real de tantos anos, Vera T. Francisco. Este arco-íris de hj na janela do quarto é minha gratidão em forma de luz!

Uma foto publicada por Mariana Ferrão (@marianaferrao) em


O caso da apresentadora só foi possível, primeiro, devido a desconstrução que ela teve como mulher grávida a respeito de todos os mitos que circundam a gravidez e o parto normal.

Leia também:
Parto normal ou cesárea? Conheça mitos e verdades sobre cada um
Maternidade incentiva o parto humanizado em João Pessoa

Depois, ela contou com todo apoio e infraestrutura necessária para que ela pudesse viver essa experiência com segurança para ela e para o bebê.

Ana Beatriz Rosa, HuffPost Brasil

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Recomendados para você

Comentários