André Falcão
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Lula 02/Mar/2016 às 09:18
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1954, 1964 e hoje: Não é coincidência

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André Falcão*

Lula perdeu três eleições. Na quarta, venceu. Depois, foi re-eleito. Durante o período atravessou turbulências graves, notadamente na política, na economia e na popularidade. Deixou o mandato com altíssima aceitação popular.

Continua sendo reiteradamente eleito o melhor presidente da história do país em todas as pesquisas de opinião, e ainda hoje seria um fortíssimo candidato à presidência da república. É respeitadíssimo inclusive pela comunidade internacional. Mesmo com seu governo, seu partido e sua figura pessoal sendo atacados incessantemente durante toda a sua vida política.

Dilma não possui a retórica, o carisma e a genialidade política de Lula. Mas mesmo assim Dilma foi eleita, em grande parte porque o povo confia em Lula, e ela foi por ele escolhida. Depois, desta vez por mérito próprio, foi re-eleita, mesmo sofrendo uma campanha midiática ferocíssima, repleta de socos abaixo da linha de cintura, sendo o ápice da canalhice a capa mentirosa da revista Veja — que nos últimos anos se transformou no mais representativo exemplo de mau “jornalismo” escrito do país —, às vésperas do pleito. De lá pra cá, o que essa mulher tem sofrido de ataques a si, ao seu governo, ao partido a que está filiada e a tudo o mais que lhe diga respeito é tão impressionante quanto cruel e desumano.

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Esses ataques incessantes tornam simplesmente impossível se estabeleça um mínimo de governabilidade, notadamente num país do tamanho e complexidade do Brasil, prenhe de problemas seculares.

Dilma e seu governo vêm sendo diuturnamente torpedeados por jornais, revistas e telejornais desde o dia seguinte àquele em que os brasileiros a escolheram para governar por mais quatro anos, e paralela e sucessivamente por uma oposição incompetente, sem projeto de governo a confrontar o que atacam, e municiada pela mesma mídia parceira. Não há esse presidente que consiga fazer um bom governo num quadro desses.

As semelhanças com 1954 e 1964 não são meras coincidências. O modus operandi e o conteúdo dos ataques guardam essenciais semelhanças com os vividos por Dilma. Os velhos temas para enganar incautos: a corrupção e a incompetência. Aliás, vividos também por Lula, embora não exerça cargo público algum.

No caso deste, é o medo. Medo da sua força. Medo de serem derrotados mais uma vez caso ele resolva candidatar-se novamente. Mas o povo enxerga todas as manobras. Basta ver o recrudescimento significativo de novas filiações ao PT e ao principal partido aliado do governo, o PCdoB.

*André Falcão é advogado e autor do Blog do André Falcão. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político

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Comentários

  1. Leonardo Postado em 02/Mar/2016 às 09:46

    A falta de competência e moral da oposição para o enfrentamento no campo democrático é que abre espaço para o que de pior pode acontecer em uma democracia: o protagonismo político-partidário da mídia e do aparelho judicial, agindo articuladamente. A propósito, ainda demorará muito tempo para que aqueles que hoje aplaudem os autos de fé dos torquemadas de Curitiba reconheçam os prejuízos causados à nossa democracia ainda adolescente.

  2. Eduardo Ribeiro Postado em 02/Mar/2016 às 11:56

    """Os velhos temas para enganar incautos: a corrupção e a incompetência.""". A essência do golpe é essa. A bandeira do combate a corrupção sempre é sequestrada e levantada pela direita quando há a intenção de romper com a legalidade e interromper com truculência processos democráticos. É do mais profundo interesse do capital usar de todos os meios para fazer a patuléia crer que a razão maior/única de seus problemas é a corrupção, na intenção de: 1- esconder a desproporção cavalar entre os danos causados às familias pelos ladrões da política e pelas atividades corriqueiras e banais dos capitalistas (estes últimos, incomensuravelmente maiores e mais danosos para as familias); 2- desiludir o cidadão comum com a política e tirar sua esperança de ver a ação transformadora da política ser posta em prática ("são todos ladrões....foda-se tudo isso aí...vou cuidar é da minha vida"); e 3- fornecer supostos pretextos para GOLPES e quarteladas, que, em outros tempos, já teria sido posto em prática. De fato, vê "coincidencia" quem quer (se é que conhece a história do Brasil e ouviu falar de 54/64). Isso tudo aí é meramente "modus operandi". Pra quem lê a história do próprio país, isso aí é um filme velho e repetido.

  3. Rubens Postado em 03/Mar/2016 às 16:13

    Se Dilma for deposta por um golpe de direita foi por que assim ela o quis. Ela é presidenta do país e mesmo assim não faz respeitar sua autoridade e deixa um grupelho de policiais federais e um juiz, notadamente pagos para esse trabalho sujo, agirem com grande tranquilidade.

  4. pedro Postado em 03/Mar/2016 às 21:39

    Acredito que não caro amigo Rubens, as forças pra tira-la do poder vem de fora, se voce entrar no You tube e assistir os videos da Cibele Laura, vai entende oque estou falando, tem 11 videos dela, pegue a partir do primeiro, voce vai ver oque esta acontecendo no Brasil. abraços.