Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 23/Feb/2016 às 12:29
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Uma resposta ao polêmico texto de Fernanda Torres sobre machismo e feminismo

Em texto publicado na Folha de S.Paulo, Fernanda Torres diz que se irrita mais com a “vitimização do discurso feminista do que com o machismo”. Atriz descreve ainda suas lembranças com uma antiga babá, Irene, que era “um avião de mulher”. Conteúdo provocou discussões acaloradas nas redes sociais

Fernanda Torres machismo feminismo
Atriz Fernanda Torres critica ‘vitimização feminista’ em texto na Folha de S.Paulo e gera discussão nas redes sociais

A atriz e escritora Fernanda Torres gerou polêmica nas redes sociais devido ao seu último texto publicado no blog #AgoraÉqueSãoElas, do jornal Folha de S. Paulo, intitulado Mulher.

Nele, a autora afirma que “Não me incomoda o machismo”, que é contra campanhas como a Chega de Fiu Fiu e que “A vitimização do discurso feminista me irrita mais do que o machismo.” A atriz faz menção às suas memórias e relata a sua relação com uma antiga babá, a Irene, que era “um avião de mulher”.

Para ela, “o assédio [sofrido por Irene] não a diminuía, pelo contrário, era um poder admirável que ela possuía e que nunca cheguei a experimentar […] Já beirando a idade em que nos tornamos invisíveis ao peão da obra da esquina, rejeito as campanhas anti fiu fiu e considero o flerte um estado de graça a ser preservado.”

Na internet, as palavras de Fernanda Torres estão sendo criticadas e suas afirmações estão provocando discussões sobre o tema. “Li um texto da Fernanda Torres que fez meus olhos sangrarem”, publicou uma internauta no Twitter. “Que decepção ler esse texto da Fernanda Torres no #AgoraÉqueSãoElas. Não só pelo que diz, mas por não sacar onde quer chegar”, escreveu outra.

Na plataforma Medium, a jornalista Carol Patrocínio publicou uma resposta ao texto de Fernanda Torres. Reproduzimos a íntegra abaixo:

Refém — uma resposta à Fernanda Torres

Fernanda, preciso te contar uma coisa: estamos em 2016 e a escravidão acabou há 128 anos. Sei que é pouco tempo, mas já deu pra se localizar no contexto social em que vivemos e aprender a olhar o mundo com empatia, ainda mais quando o acesso a informação é tão fácil.

É triste quando mulheres reproduzem o machismo, mas a gente entende. Eu, assim como você, fui criada nessa mesma sociedade machista. Só que quando mulheres cultas, chamadas de intelectuais e com acesso a informação reproduzem um discurso falso é complicado de lidar.

E, olha só, você tem acesso a toda essa informação. Você mesma deixa isso claro no seu texto. E falar que a diferença com que o mundo trata homens e mulheres é biológica é quase criminosa: esse mesmo tipo de teoria foi utilizada para “comprovar” que negros deveriam ser escravizados. Esse é o lado que você escolheu ficar, Fernanda. O problema é que não é apenas nesse ponto que seu texto se mostra além de intelectualmente desonesto, racista e machista.

Que diferença biológica faria com que uma mulher ganhasse um salário menor do que um homem que ocupa a mesma função, tem a mesma experiência e educação? Que diferença biológica faz com que seus pares recebam mais do que você ao escrever um livro ou roteiro? Porque isso acontece, Fernanda. E não há diferença biológica nenhuma nisso.

“Tenho gratidão pelas babás que me criaram e que criaram meus filhos, cumprindo a função da mãe social, que nos tempos da vovó menina era feito pelas tias, primas, avós e irmãs da casa”

Mãe social? Você nota quão escravocrata é isso? Quem cria os filhos das babás? Filhos são feitos por um casal e é esse casal quem tem que arcar com sua criação com a colaboração de toda a sociedade, incluindo o chefe que acha que mulher sai demais quando tá com filho doente. Uma criança é um legado para o mundo.

“Minha babá era um avião de mulher, uma mulata mineira chamada Irene que causava furor onde quer que passasse. Eu ia para a escola ouvindo os homens uivando, ganindo, gemendo, nas obras, nas ruas, enquanto ela seguia orgulhosa. Sempre associei esse fenômeno à magia da Irene. O assédio não a diminuía, pelo contrário, era um poder admirável que ela possuía e que nunca cheguei a experimentar”

Antes de tudo, você sabe o que quer dizer mulata? Poderia ter dado uma olhada nos textos publicados nessa mesma coluna que você usa para espalhar seu parco conhecimento social e aprenderia com o texto A Mulata Globeleza: Um Manifesto:

“A palavra de origem espanhola vem de ‘mula’ ou ‘mulo’: aquilo que é híbrido, originário do cruzamento entre espécies. Mulas são animais nascidos do cruzamento dos jumentos com éguas ou dos cavalos com jumentas. Em outra acepção, são resultado da cópula do animal considerado nobre (equus caballus) com o animal tido de segunda classe (equus africanus asinus). Sendo assim, trata-se de uma palavra pejorativa que indica mestiçagem, impureza. Mistura imprópria que não deveria existir.

Empregado desde o período colonial, o termo era usado para designar negros de pele mais clara, frutos do estupro de escravas pelos senhores de engenho. Tal nomenclatura tem cunho machista e racista e foi transferido à personagem globeleza, naturalizado. A adjetivação ‘mulata’ é uma memória triste dos 354 anos (1534 a 1888) de escravidão negra no Brasil.”

Eu sei, você não é racista. Nenhum de nós o é. Mas, para dor e desespero de muito, não é a gente que decide isso, mas o outro. É quem olha de fora que pode dizer se você está ofendendo. É o negro que decide. Nós, brancos, não estamos acostumados com negros decidindo nada, mas é assim que o mundo funciona hoje em dia.

Além desse termo horrível, você fala que sua babá, que era negra ou não-branca, ouvia absurdos por onde passava. O que você chama de “homens uivando, ganindo, gemendo”, eu chamo de absurdos. Você imagina como ela se sentia? Você acha que algum desses caras gostaria de apresentá-la para a mãe, levar no almoço de domingo, desfilar com ela pela orla? Não, Fernanda, a maior parte desses homens querem transar com mulheres negras e casar com mulheres brancas.

Infelizmente, no imaginário masculino, até hoje existe mulher para transar e mulher para casar. E continua sendo igual na época da escravidão. Pensamentos como esse corroboram para que esse imaginário se mantenha. Você já pensou em conversar com a mulher que trabalhava para sua família como babá o que ela achava desse assédio? Porque, assim, ela existe, é uma pessoa.

(E sobre esse assunto, tanto da hipersexualização da mulher negra quanto da sua solidão, indico três textos maravilhosos: A carne mais exótica do mercado, A solidão da mulher negra e o racismo cotidiano e Síndrome de Cirilo e a solidão da mulher negra)

Você ainda fala que inveja “o companheirismo dos homens, o prazer que eles sentem de estarem juntos e se divertirem com qualquer bobagem”. Será que o problema são as mulheres ou as relações que você vem travando com outras mulheres? Durante anos eu senti o mesmo que você. Só andava com os caras, queria ser um dos caras, queria ser como eles, ter amizades como as deles. E aí eu descobri mulheres incríveis ao meu redor. Mulheres que não competiam comigo nem eu com elas, mulheres que riam de besteira, dividiam o prazer de fazer nada juntas, que entendiam que tanta coisa nos unia e não valia a pena deixar nada nos separar. Hoje a gente criou a Comum que é um lugar em que a gente aprende que juntas somos mais fortes e podemos materializar esses encontros cheios de risadas, amor e amizade entre mulheres.

O machismo não incomoda enquanto ele não é uma bela água batendo na sua bunda pelada. Uma água de banheiro público que esfria sua bunda quando você menos imagina. Aí ele incomoda. Mas existem contextos em que é fácil viver numa boa com o machismo e achar que ele se resume a ser machão. Machismo mata. Violenta mulheres. Acaba com vidas. Diz que tudo bem abandonar um filho. Faz parecer besteira a gente querer andar pela rua sem ser desrespeitada, seja verbal ou fisicamente. O machismo não é apenas um cara que gosta de transar, coçar o saco e falar besteira. Tudo isso a gente também gosta, inclusive de coçar.

“O Brasil está entre um e outro”

Infelizmente, Fernanda, o Brasil está mais perto da Índia e seus estupros coletivos que contam com a vergonha da mulher em denunciar do que da Alemanha e sua vontade de se distanciar da história de terror do seu passado. O flerte não é um problema, mas o flerte não é o assédio, não é a cantada de rua, não é a cultura do estupro que nos convence de que mulheres existem para servir os desejos sexuais dos homens.

“Uma vida de indiferença, onde todo mundo é neutro, não falo igual, digo neutro, sem xoxota, sem peito, sem pau, bigode, ah… é uma desgraça”

Não consigo entender de onde as pessoas tiram essa ideia. Quer dizer, entendo pessoas com pouco acesso a informação, que assistem programas em emissoras opressoras, acreditarem no que escutam ali, mas gente chamada de intelectual… As pessoas continuam tendo vaginas e pênis, seios, bigodes… Continuam transando, paquerando, dançando até o chão e talvez no colo do coleguinha. A diferença é que essas diferenças só existe ali, em mais nada. Adoro um pênis. Uma vagina também. Mas nada disso me importa na hora de contratar uma pessoa. Não me importa na hora de pagar bem quem oferece um serviço de qualidade. Não me importa quando alguém sofre violência. Não faz diferença nenhuma se tem peito, pinto, buceta, bigode. Ou se tem peito com pinto. Ou buceta com bigode. Vê a diferença? É sutil, mas está ali.

“A vitimização do discurso feminista me irrita mais do que o machismo. Fora as questões práticas e sociais, muitas vezes, a dependência, a aceitação e a sujeição da mulher partem dela mesma. Reclamar do homem é inútil. Só a mulher tem o poder de se livrar das próprias amarras, para se tornar mais mulher do que jamais pensou ser”

A parte mais importante desse trecho do seu texto é o MUITAS VEZES. Porque quando você o usa está assumindo que não é sempre assim. E aí falta empatia. Você não é uma má pessoa, mas comete o erro mais comum de todos: mede o mundo por você. A você falta essa vontade de ser livre? Essa força para lutar contra todas as amarras que você acha que precisa manter para ser “feminina”, “desejável”, “ter sucesso”? Porque, Fernanda, você não precisa. Você é refém de tudo isso. E é a exceção, aquela que comprova a regra. No final das contas você apenas está fazendo com que tudo o que a gente diz se prove ainda mais verdadeiro.

A gente não tá se sujeitando, tá apenas seguindo as regras que dizem pra gente que são as certas. Até o dia em que a gente abre os olhos, escolhe a pílula certa entre a vermelha e a azul, aguenta o clarão passar e começa a enxergar o mundo com mais objetividade, sem vendas nos olhos, nem as de renda que só deixam tudo meio confuso. E nesse dia a gente entende uma coisa incrível e que vai totalmente de encontro ao que você diz em seu texto:

“Nunca fui mulher o suficiente para chegar a ser homem”

O que eu te digo é que eu descobri que sou mulher o suficiente para não querer ser homem. E isso me torna completa, forte, plena e pronta para levar luz a assuntos que incomodem quem adora sentar no topo da montanha de privilégios.

Machistas não passarão. Racistas não passarão. Independente se são homens ou mulheres. Você ganha a minha sororidade – a tal amizade entre mulheres, sabe? — porque eu sei que não é fácil sair desse fluxo de obrigações femininas e silenciamento, mas não espere uma mão sendo passada pela sua cabeça: você é mulher o suficiente para ser melhor do que isso.

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Comentários

  1. Eliza Postado em 23/Feb/2016 às 13:08

    Eu tô em choque, não acredito que Fernanda Torres escreveu algo assim, mulheres preferem ser elogiadas do que serem assediadas, para quem pensa que não EXISTE uma diferença enorme. Triste ver uma mulher bem informada(pelo menos suponho que seja) pensando assim.Lamentável.

  2. Val arauko Postado em 23/Feb/2016 às 13:26

    Carol patrocínio arrasou!!!!!

  3. Adinalva. Postado em 23/Feb/2016 às 14:04

    Ah! Dona Fernandinha, o seu conforto em escrever e emitir sua opinião exige que VC responda o texto acima. E por ele estou aguardando. Assim se faz possível desconstruir as amarras confortáveis do preconceito de longo tempo e construirmos um novo modo de ser na estrutura social e racial da sociedade brasileira. Abaixo a hipocrisia!!!!

  4. Fran Oliveira Postado em 23/Feb/2016 às 14:06

    Tome!

  5. Marcelo Postado em 23/Feb/2016 às 14:33

    Deu no meio da muié, ótimo texto kkkk.

  6. Otávio Oliveira Postado em 23/Feb/2016 às 14:49

    essas discussões sobre etimologia do vocábulo são tão toscas, cara. Se formos pegar tudo que há de depreciativo na etimologia desses vocábulos, já podemos abrir mão de pelo menos 1/3 do dicionário. boa sorte!

    • Sandra Postado em 27/Feb/2016 às 04:07

      Então vamos abrir mão de 1/3 do dicionário. Vamos criar um novo dicionário se preciso for. Isso se chama evolução!

      • Cris Postado em 29/Feb/2016 às 14:24

        Sim, a novafala de Goerge Orwell

  7. Priscila Falcão Postado em 23/Feb/2016 às 14:50

    Acho que a verdadeira autora do texto foi a Vani, de "Os Normais". Só pode ser comédia, gente!

  8. Antonio Postado em 23/Feb/2016 às 15:10

    “Que diferença biológica faria com que uma mulher ganhasse um salário menor do que um homem que ocupa a mesma função, tem a mesma experiência e educação?” Esse é um dos mitos feministas mais repetidos e cultuados no mundo. A própria Fernanda Torres o repete no texto que este artigo critica. Porém, eu já sei que de nada vai adiantar mostrar centenas de estudos, livros e artigos acadêmicos mostrando que o “pay gap” é um mito. Uma feminista vai responder com algum texto de propaganda produzido por um desses departamentos de “estudos de gênero”. Não vai adiantar rebater com um meta-estudo patrocinado pelo departamento de trabalho dos EUA (o mesmo país onde esse mito se originou) utilizando os dados de mais de 50 estudos independentes e que demonstra de forma cabal, mais uma vez, que o “pay gap” é um mito. Não adianta mostrar a realidade para uma feminista, porque elas querem acreditar nas mentiras que inventam. Elas precisam desesperadamente acreditar que são vítimas. Então, a realidade que se dane. Resumindo a ópera, o “pay gap” é apenas um dos mitos produzidos e mantidos por uma ideologia atualmente movida pelo ódio, preconceito e uma vocação incorrigível para a autovitimização. Eu preferiria mil vezes explicar para a Fernanda Torres que ela está enganada nesse ponto e tenho certeza de que ela entenderia. Afinal, a ignorância pode ser corrigida, já a estupidez ideológica e o ódio travestido de “politicamente correto”, não. A Fernanda é a “verdadeira feminista”, uma mulher verdadeiramente igualitária. Ou seja, para uma feminista típica de “3ª. onda”, ela é um inimigo a ser destruído a qualquer custo, mesmo que através de mentiras e espantalhos grotescos como os que abundam no artigo acima.

    • João Paulo Postado em 23/Feb/2016 às 23:16

      Concordo, Antônio. O desnível salarial não procede, muito menos as oportunidades no mercado de trabalho. Quanto à "vitimização", aqueles que se sentem injustiçados se apegam muito à ideia de "aumento, mas não invento". No afã de defender a causa feminina (isso deve ser feito e há muitas batalhas ainda), todo e qualquer argumento é válido. Inclusive aqueles que já perderam o objeto de discussão pelo reconhecimento jurídico e social (desnível salarial é um exemplo). Acredito que argumentos inválidos ofuscam qualquer retórica e são incômodos (chatos, mesmo, como a atriz "grobal" diz) para quem os analisa de forma imparcial. Todavia, o termo "vitimização" também é exagerado, pois deixemos os grupos vulneráveis expressar - ainda que de formas impertinentes, por vezes - todos os séculos de submissão. Ah, nós homens temos direito - SIM - a escolher mulheres que servem para transar ou casar!

    • Filipe Postado em 25/Feb/2016 às 07:36

      Cara, você é homem. Você nem devia estar opinando aqui. Deixa as minas falarem é apenas ouça.

  9. Lidia Postado em 23/Feb/2016 às 15:10

    Quando a Fernanda diz que "era um poder admirável que ela possuía e que nunca cheguei a experimentar" ela realmente não faz ideia do que é experimentar esse tipo de "elogio". Realmente Fernanda, você é feia, e as bonitas são mais assediadas. Se você tivesse experimentado isso não iria gostar...

  10. edmilson Postado em 23/Feb/2016 às 15:12

    “A vitimização do discurso feminista me irrita mais do que o machismo.” Tudo bem pela resposta, mas a Fernanda não tem o direito de pensar e expressar isso? A Fernanda foi atacada, acusada no texto por causa de sua opinião. Hoje ninguem pode mais expressar o que acha.

    • Rogério Britto Postado em 24/Feb/2016 às 23:32

      Concordo plenamente com o Edmilson, ela tem o direito de dizer o que pensa. Não aguento mais os homens perfeitos.

  11. Miguel Postado em 23/Feb/2016 às 15:12

    Entendi o texto de Fernanda...e a resposta raivosa da moça apenas atesta tudo que ela disse, já aparecem as feministas vítimas! Tudo tem um limite...sou homem, mas respeito e reconheço que as mulheres sofreram e ainda sofrem muito em razão de um mundo ainda machista. Contudo, assim como em questões étnicas, raciais, religiosas etc, o que também me irrita é o excesso de "coitadismo". Tudo que é dito e feito precisa ser extremamente poderado, de modo a evitar que alguém - no caso, uma mulher - seja "ofendido" ou "menosprezado". Ocorre que, neste mundo chato atual, não raras vezes, a interpretação parte do próprio ofendido... É quase como aquele que confunde injúria racial com racismo. Logo, acho que entendi o que Fernanda quis dizer...sejamos sensatos, respeitemos as mulheres e seus direitos, mas não sejamos pedantes. Uma coisa é entender, respeitar e não levar o universo feminino, outra bem diferente é o discurso chato e cansativo das extremistas.

    • Rogério Britto Postado em 24/Feb/2016 às 23:34

      Excelente comentário!

    • Maria Eugênia Postado em 25/Mar/2016 às 09:44

      Penso do mesmo jeito. É muito extremismo para o meu gosto. Cada um tem o direito de pensar o que quiser.

  12. Michel Postado em 23/Feb/2016 às 15:50

    "Fernanda, preciso te contar uma coisa: estamos em 2016 e a escravidão acabou há 128 anos. Sei que é pouco tempo" Isso é um fato, é tão recente que uma grande amiga, idosa e descendente de quilombos, numa conversa falou dos pais. "Ah, meu filho, meus pais eram escravos mas nasci depois graças a Deus". Nunca me esqueci disso, ela faleceu ano passado em paz.

  13. Carmem Boaventura Postado em 23/Feb/2016 às 16:18

    Perfeito!!

  14. Lili Postado em 23/Feb/2016 às 16:42

    Parabéns pela resposta!

  15. Rejane Postado em 23/Feb/2016 às 16:49

    Eu penso que há uma lacuna entre uma opinião e outra neste caso...creio que o quê a Fernanda Torres quis falar, foi de uma constatação, não de um parecer ou opinião, ou gosto, ou seja lá o que for...mas uma simples e clara constatação de como funciona o mundo até então! Para mim, as pessoas estão invertendo e confundindo muitos assuntos, e, consequentemente se tornando radicais, por mais que não queiram admitir isso, pois quando alguém expõe seu pensamento, ela é detonada como se fosse uma total imbecil, as vezes até é, mas não creio que tenha sido esta a intenção nem percepção da atriz! Estamos passando por um período de total polarização; ou você é contra ou a favor, ou preto ou branco, ou pau ou pedra; e as coisas não funcionam com esse radicalismo todo, tudo tem que possuir harmonia, senão não acontece; e vejo nesta postura dos que se acham "pensadores" contemporâneos, o quanto são paradoxais, pois enquanto radicalizam um parecer de certos fatos, ao mesmo tempo não aceitam que outros tantos tenham definições necessárias, sem as quais nada se manteria, tipo mulher gesta, e isso é imutável, mas a partir daí, cientistas desenvolvem métodos em que homens poderão ter esse privilégio também...e isso já acontece, mas, seria apenas uma questão científica/biológica para que seja alcançado êxito, ou teriam outras implicações indissolúveis para a plenitude da maternidade/bebê, que no caso até isso mudaria de nome...? Existem muitas coisas que necessitam de mudanças, mas tudo precisa de uma coerência harmônica, as pessoas estão tão narcisistas, que querem que o mundo gire em torno de si, de seus prazeres e egocentrismos, isto é arrogância e falta de bom senso, pois muitas vezes o discurso é um e a prática é bem diferente! Falta inteligência para mudar muitas coisas ainda no mundo, a maneira como são feitos os enfrentamentos e abordagens está desenvolvendo seres sem essências, pois onde tudo é questionado, e nada é aceito, indo contra nossa própria natureza, está fadado ao fracasso, e é isso que estamos vivendo, um mundo diluído, sem certezas, sem alvos, sem afetos... Podemos transformar quadros feios em novas perspectivas, para isso cada um tem que se reconhecer como um aprendiz e não como dono da "verdade particular" absoluta! Se estes mesmos acham que chegaram e concluíram tudo, o mundo deles parou! E na questão dessa coisa da mulher, da mulata, que, quanto ao fiu fiu, o homem não vai mudar, nem deve, pois eu não sou hipócrita de dizer que uma boa cantada, não faz bem pro ego, pra auto-estima...me contrariem se quiserem se enganarem; nós humanos precisamos ser admirados, amados, aceitos, ouvidos, abraçados...eu pelo menos preciso, pois me encontra na qualidade de humana...agora confundir agressão física/moral/sexual é outro assunto, e não foi isso que Fernanda Torres com certeza quis referir,..,.a babá dela passava toda feliz, por que sabia que era bonita, gostosa, e isso lhe trazia felicidade... que bom se tantas outras mulheres pudessem também terem esse privilégio tão gostoso que faz bem, e negá-lo faz parte sim, de um viver amargo, reprimido e invejoso, infelizmente... Obrigada!

    • Oscar Castro Postado em 23/Feb/2016 às 18:50

      Estou com vc em gênero, número e grau, está parecendo que o radicalismo não permite as pessoas pensar que a vida tem mais que duas opções. Chamar de pensamento escravocrata por achar que as babás cumprem uma certa função que é ganhar seu sustento, e ser bitolada demais. Muito boa sua participação.

    • Trajano Postado em 23/Feb/2016 às 19:47

      Rejane, de qual “mundo até então” você se refere em creio que o quê a Fernanda Torres quis falar, não de um parecer ou opinião, ou gosto, ou seja lá o que for...mas uma simples e clara constatação de como funciona o mundo até então? Estranhíssimo. Uma atriz descreve suas experiências, fala de forma extremamente subjetiva e você, contraditoriamente, assume que isso não é uma opinião, mas uma constatação de “como o mundo funciona até então”? O mundo do umbigo dela, talvez. Mas o contraditório está presente em seu comentário do início ao fim, afinal, existem muitas coisas que necessitam de mudanças, mas tudo precisa de uma coerência harmônica, as pessoas estão tão narcisistas, que querem que o mundo gire em torno de si, de seus prazeres e egocentrismos, isto é arrogância e falta de bom senso, pois muitas vezes o discurso é um e a prática é bem diferente! para, logo depois, e na questão dessa coisa da mulher, da mulata, que, quanto ao fiu fiu, o homem não vai mudar, nem deve, pois eu não sou hipócrita de dizer que uma boa cantada, não faz bem pro ego, pra auto-estima...me contrariem se quiserem se enganarem; nós humanos precisamos ser admirados, amados, aceitos, ouvidos, abraçados... Rejane, se você precisa ser admirada, tudo bem. Como você bem enfatizou na crítica, as pessoas ultimamente estão tão narcisistas, não é mesmo? É bem por aí. De qualquer forma, tanto você com suas radicalizações, narcisismo, binarismo e contradições é livre para falar, Fernanda Torres também o é e, assim, podem continuar falando livremente sobre os respectivos umbigos. E isso não é uma opinião, é o que assegura a Constituição, a mesma que é ignorada ao ser estabelecido um desnível salarial entre homens e mulheres que ocupam a mesma função, a mesma que é rasgada quando as mulheres sofrem violência (vide os dados alarmantes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública) a mesma que é desvalorizada pelo número pífio de mulheres ocupando cargos políticos, enfim. Vocês duas podem normalmente continuar conversando sobre o mundo estranho de vocês, mas favor não confundir o umbigo como a régua que definirá o mundo, não que isso seja proibido, apenas lembre-se que a mesma liberdade de expressão que assegura que Fernanda Torres declare sua “pirocatização” intelectual, as outras pessoas têm o direito de não aceitar as porcarias que os outros despejam por aí, já que ela, por exemplo, poderia aproveitar para tratar dos seus problemas que envolvem pirocas e xoxotas, ou a neurose de não ser mulher o suficiente para chegar a ser um homem, com um psicanalista ao invés de um texto em coluna da Folha de São Paulo. Um abraço!

    • Rogério Britto Postado em 24/Feb/2016 às 23:38

      Esse é o melhor comentário até agora, parabéns.

    • Maria Eugênia Postado em 25/Mar/2016 às 09:47

      Perfeita sua colocação.

  16. Naty Mariane Postado em 23/Feb/2016 às 16:56

    Adorei a resposta!

  17. Mario Alves filho Postado em 23/Feb/2016 às 17:44

    O comentário acima é só para dizer que sabe que é a "pirocuda",já que homens se consideram os "picão''.deixa a Fernandinha em paz,'deixa a menina sambar em paz'.

  18. Marla Bertolla Postado em 23/Feb/2016 às 17:51

    Que decepção Fernanda torres. Brilhante resposta, nossa fiquei contagiada Carol Patrocínio, bravo!!!!!!

    • Weslley Postado em 23/Feb/2016 às 21:53

      Qual o problema de ser mulata? Mestiço ? O brasileiro é mestiço, e isso é maravilhoso! Fernanda Torres falou a verdade, o que ela quiz dizer é o que de fato ela escreveu, o feminismo não representa e nem expressa os direitos e valores da mulher, mulher. Fernanda Torres tem meu respeito, o que muitos chamam de machismo é apenas uma questão de valores que querem suprimir, o mundo perdeu os valores as pessoas só pensam na liberdade delas, em mostrar sua sexualidade, seus estereótipos de géneros como forma de intimidar e violar o direito dos outros, precisamos de um mundo com mais mulheres: fêmeas, maternais, que querem complementar ao homem e construir um lar, não que abrem mão do lar em busca de independência, dinheiro ou da falsa liberdade, liberdade pra deixar os filhos aos cuidados de outros, liberdade pra fugir das responsabilidades da família, liberdade pra desrespitar os pais, liberdade pra usar sua sexualidade como uma ferramenta de poder em vez do carater, e se fazerem de vitimas do modelo patriarcal, quando na verdade o mundo está carecendo de modelos e padrões de ética, respeito. As feministas lutam pra ser algo que não são e nunca vão ser, ao invez de mostrar a força feminina da mulher elas menosprezam a principal caractrristica da mulher: o seu lado feminino.

  19. Antonio Postado em 23/Feb/2016 às 18:02

    Foi muito didático entender que vocês estão abertos a posições contrárias ao seu discurso ideológico. A censura da opinião divergente é sempre uma marca registrada da mentira, da empulhação intelectual e da estupidez ideológica que não pode sobreviver ao questionamento racional. “Parabéns” por mostrar as suas verdadeiras cores.

  20. CINTIA Postado em 23/Feb/2016 às 18:41

    Falou tudo!

  21. Augusto Postado em 23/Feb/2016 às 18:58

    matou a pau... texto mais lindo gente...

  22. Cláudia Postado em 23/Feb/2016 às 20:00

    Penso que Fernanda tem o direito de se expressar da forma que lhe convier.. O que incomoda algumas nao pode ser regra ..

  23. Carolina Postado em 23/Feb/2016 às 20:03

    Bela resposta! Triste nos dias de hoje alguém ainda defender os pensamentos machistas. Sorte que ainda existem pessoas lúcidas no mundo. Obrigada Carol!!!

  24. Rebeca Postado em 23/Feb/2016 às 20:19

    É, tem resposta que é pior que um tapa na cara... Depois dessa acho que a Fernanda vai ficar um tempo sem escrever algo, rs...

  25. Eliana Postado em 23/Feb/2016 às 20:56

    Texto maravilhoso. Só senti pena de me decepcionar com uma pessoa que eu achava incrível como a Fernanda. Isso é o que dá "já achar a comida pronta", não sabe o trabalho que é pra chegar até a mesa.

  26. Kelly Silva Postado em 23/Feb/2016 às 21:10

    que resposta!

  27. Rosane Freitas Postado em 23/Feb/2016 às 21:13

    A linha divisória entre o flerte e o assédio tem a sutileza de um elefante em uma loja de cristais.

  28. Patricia Postado em 23/Feb/2016 às 21:15

    Brilhante, Carol! Viva!!!

  29. Azul Postado em 23/Feb/2016 às 21:33

    "“A vitimização do discurso feminista me irrita mais do que o machismo." Poxa, desculpa aí. As vítimas do machismo por aí tentando conquistar uma vida segura, com agência e igualdade social, nem tavam pensando se tavam incomodando a senhora. Mancada.

    • eu daqui Postado em 24/Feb/2016 às 11:52

      Os dois são um desserviço a civilização: machismo e vitimização. Sim, pq há vitimismo também, e não somente luta. Infelizmente. Sempre há aproveitadores onde há algo do que se aproveitar. Quem acha , encaixa.

      • Azul Postado em 24/Feb/2016 às 18:46

        Isso é tanto um problema quanto a prevalência de falsas acusações de estupro vs. reais. O foco dado não é proporcional ao problema e em geral vem de pessoas tentando deslegitimar a questão como um todo.

  30. Enyaly Poletti Postado em 23/Feb/2016 às 21:53

    De quem é o texto?

  31. rose Postado em 24/Feb/2016 às 13:34

    Carol, parabéns pelo seu texto.

  32. Line Postado em 25/Feb/2016 às 23:51

    Parabéns Carol. Nem todas as mulheres negras se sentem a vontade com homens uivando e gemendo na rua. Ao contrário, muitas mulheres sentem muito medo de situações como essas em vez de se acharem 'poderosas' como essa atriz acreditava.

  33. Hélcio J. Tagliolatto Postado em 11/Aug/2016 às 11:19

    "Além desse termo horrível," referindo-se a autora à palavra "mulata". A raiz etimológica não condiz mais com a realidade. Ninguém mais sabe o sentido original da palavra, mas o puritanismo do politicamente correto quer renascê-lo, na marra, criando conflito numa área pacificada, mesmo que pequena diante da realidade do racismo por que passam os negros no Brasil.