André Falcão
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Política 17/Feb/2016 às 14:55
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Sobre (não) ter “juízo”

sobre não ter juízo doido esquerda política

André Falcão*

Há um pensamento que os liberais gostam de usar para desqualificar os comunistas que perseveram, a exemplo, entre nós, dos muito respeitados e populares, como homens, arquiteto e escritor, respectivamente, há pouco falecidos, Niemeyer e Jorge Amado. Cuida-se de pretenso axioma, até cinicamente tolerante: quem não foi comunista até os vinte anos não tem coração; quem o é depois dos trinta não tem juízo. À juventude, assim, seria permitido esse arroubo irresponsável e utópico em que se traduziria o comunismo, desde que, depois, a maturidade o trouxesse à realidade, portanto, ao liberalismo.

Danou-se! Por aí, estaria condenado a ser um desajuizado irremediável. E embora assim não me considere, devo resignar-me, afinal dizem que os loucos não se acreditam loucos… Donde o que eu pense de mim pouco importa aos que, por esse norte, seriam mais ajuizados do que eu.

Já tive a oportunidade de dizer para vocês que gostam de ler meus devaneios – meia dúzia de adoráveis maluquinhas e malucos –, que sempre fui de esquerda, acho que desde quando comecei a refletir sobre a vida e suas brutais injustiças e desigualdades sociais no mundo e na sociedade escravocrata, preconceituosa e (metida a) elitista da minha, entretanto, querida Maceió.

Mas para me dizer algo comunista levou um tempo enorme… Tanto que somente vim a fazê-lo já adulto, completados os tais trinta anos. É que não o fiz num arroubo de juventude, no seu alvorecer gostoso que há muito se perdeu no caminho. Vim a considerar-me, na verdade, depois de muito pensar e ler, compulsiva e quase sofregamente, mas menos do que gostaria e ainda preciso. Quer dizer: sou um irremediável. É que sempre levei muito a sério as afirmações a respeito de qualquer coisa, o que dizer-se a respeito de mim mesmo. Mais ou menos como dizer “eu te amo”. Não se deve dizê-lo sem a convicção do amor sentido.

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Há quem diga que a dicotomia esquerda e direita não existe mais. Mas não tenham dúvida: quem o diz é de direita – como já disseram que o socialismo e o comunismo acabaram apenas porque finda a então URSS (assunto para outra crônica, talvez). Não passa da mesma conversa tola daqueles que – por ignorância ou, pior, como mais comum, por desonestidade intelectual – dizem que os governos Lula e Dilma são socialistas. Os governos Lula e Dilma não passam de pretensas e mal acabadas versões do estado do bem-estar social europeu. Nada mais. Mas ainda o sejam, são os melhores já experimentados por este país.

Donde urge sejam defendidos.

*André Falcão é advogado e autor do Blog do André Falcão. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político

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