Redação Pragmatismo
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Serra privatista 26/Feb/2016 às 16:09
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Pré-sal: José Serra prometeu à Chevron que entregaria nosso petróleo

Informações vazadas pelo Wikileaks asseguram que o senador José Serra havia prometido à petroleiras dos EUA que acabaria com o domínio da Petrobras na exploração do pré-sal. Após a aprovação do projeto de Serra esta semana, senadores relembraram da informação divulgada pela rede de Julian Assange

José Serra pré-sal Petrobras

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) fez duro discurso contra o PLS 131, do senador José Serra (PSDB-SP), que permite às petrolíferas estrangeiras explorar o pré-sal sem fazer parceria com a Petrobras e, na prática, colocar o petróleo dessa bacia nas mãos das grandes petroleiras multinacionais.

Ele criticou a “pressa” com que o projeto está sendo conduzido, após a aprovação do regime de urgência na última quarta-feira (23), por 33 a 31.

“Por que esse desejo de velocidade? Atende a quem? O que está atrás disso”, questionou. “O Wikileaks assegurou que o senador Serra havia prometido (à petroleira Chevron) acabar (com o domínio do setor pela Petrobras)”, acrescentou. Pragmatismo Político tratou do assunto em texto publicado em 2010 que pode ser lido aqui.

A votação do PLS 131/2015 deve ocorrer ainda durante a sessão de hoje do Senado. Ontem, por 33 votos a 31, a casa manteve o regime de urgência na tramitação da proposta. Se aprovado no Senado, o projeto vai à Câmara, e, caso passe nesta casa sem modificações, segue para a sanção.

Em 2009, de acordo com o site Wikileaks, Serra teria prometido a uma representante da americana Chevron que, caso vencesse as eleições em 2010, mudaria a legislação que rege as regras do pré-sal.

Requião também criticou a falta de ação do governo Dilma Rousseff na defesa da atual legislação, que o próprio Palácio do Planalto lutou para aprovar em 2010.

“Por que esse governo não age com maior energia?” O senador José Serra pediu a palavra e disse que a acusação de Requião de que ele defende interesses estrangeiros é uma “infâmia”. “Nunca conversei com nenhum empresário estrangeiro ou nacional sobre o assunto”, garantiu. Segundo o tucano, a discussão tem que “ser baseada em argumentos”. “A única coisa que o projeto faz é tirar a obrigatoriedade (da participação da Petrobras de ao menos 30% na exploração do pré-sal)”.

Em seu discurso, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) não citou o nome de Serra, chamando-o de “esse senhor”, e rebateu a necessidade de urgência num momento em que a companhia petrolífera está fragilizada.

Ela também citou documentos do Wikileaks segundo os quais as multinacionais estão interessadas na operação dos negócios do petróleo no Brasil. “O projeto só tem um objetivo: aproveitar um governo fraco, como disse o senador Requião, e fazer leilões da Petrobras”, disse a senadora do Amazonas.

Segundo Vanessa, os argumentos de que a Petrobras “está acabada” e “cheia de corruptos” não são verdadeiros. “São afirmações falsas. É mentira que a proposta é anticrise. As novas áreas que vão ser abertas só vão produzir daqui a oito ou dez anos, então no que vai ajudar a sair da crise atual?”

Ela também refutou as alegações de que a estatal brasileira está “cheia de corruptos”. “Nem o setor público, nem o setor privado estão imunes à corrupção, porque, se existe corrupção, foi o setor privado o corruptor.”

Humberto Costa, que será o novo líder do governo no Senado, afirmou que o substitutivo do senador Romero Jucá (PMDB-RR) não garante a preferência à Petrobras, ao contrário do que alguns senadores acreditam.

Costa lembrou que a preferência fica condicionada, segundo o relatório, a ato do Conselho Nacional de Politica Energética (CNPE). “Na prática, o projeto revoga a participação da Petrobras como operadora do sistema do pré-sal”, declarou na tribuna.

Costa garantiu que o governo não tem preconceito contra a iniciativa privada, mas disse não ver necessidade em substituir uma “boa lei, construída por uma discussão de quatro anos”, por uma nova feita sem o necessário debate.

O senador Edison Lobão (PMDB-MA) defende a manutenção da lei em vigor e, portanto, se manifesta contra o projeto de Serra. Ele afirmou no Plenário discordar da alegação de que a Petrobras, em crise, não tem recursos para explorar o pré-sal. “Os custos serão pagos pela receita garantida da exploração”, disse.

VEJA TAMBÉM: Por que é ruim para o Brasil retirar da Petrobras a exclusividade de operar o pré-sal?

Mais cedo, Lobão declarou, em entrevista à Rádio Senado, ser contra o PLS 131/2015, de Serra, “porque a lei formulada em 2010 é a que mais convém aos mais legítimos interesses do Brasil”. Segundo ele, a legislação em vigor “não foi sequer suficientemente testada ainda”.

RBA

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Comentários

  1. sidney Postado em 26/Feb/2016 às 22:22

    E ai coxinhas burros vai apoiar isso também desgraçados?

    • poliana Postado em 27/Feb/2016 às 10:47

      com certeza vão..pode acreditar!

    • Eduardo Ribeiro Postado em 28/Feb/2016 às 08:42

      Já estão apoiando. "ui sem os americanos a BR não tem condições de operar...é o melhor pra BR e o melhor pro país...".....ah, "coxinha burro" e pleonasmo.

  2. aristóteles Postado em 27/Feb/2016 às 23:26

    Esse tal de Serra já não deveria - só por esse ato de traição à Pátria - ser colocado na cadeia? Já ouvi dizer que, na China, tipos como esse infeliz, são colocados atrás das grades e, logo, logo, pendurados por uma forte corda em volta do pescoço. Quer dizer, forca para o traidor da Pátria!

  3. Fonseca Postado em 27/Feb/2016 às 23:36

    Acho q esse naro solbo não é de direita. Ele só da uma apimentada nos cometários. Ele ama o pp. Bote fé!

  4. Fonseca Postado em 27/Feb/2016 às 23:44

    Naro, sem vc o pp desaparece.

  5. Márcio Ferreira Postado em 29/Feb/2016 às 13:28

    O Congresso em Foco tem uma excelente série de artigos que analisam a veracidade das falas dos políticos. Um desses verificou essa fala do Requião assim: A posição do senador José Serra (PSDB-SP) sobre o pré-sal, mencionada pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), é citada em um telegrama enviado a Washington em 2 de dezembro de 2009, revelado pelo WikiLeaks durante o Cablegate. O texto do documento, contudo, menciona uma fonte secundária, que relata uma conversa que o parlamentar teria mantido com empresas da área do petróleo. Logo, não é possível assegurar com 100% de certeza que Serra tenha dito que acabaria com o sistema. De acordo com o telegrama, a chefe de relações governamentais da Chevron, Patricia Pradal, atribuiu a seguinte frase ao tucano, falada em um encontro com representantes da indústria: “Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta.” Serra estaria defendendo o modelo de concessões e se posicionando contra o modelo de partilha. O projeto 131/2015 flexibilizou o sistema de partilha, mas não o modificou. Em nenhum momento o telegrama diz que Serra seria contrário ao pré-sal ou cita alguma conversa com a embaixadora americana – o que invalida a afirmação de Requião. O senador teria afirmado a outros parlamentares, segundo contaram representantes do Congresso a funcionários da embaixada, que era importante fazer emendas à lei, não contestá-la diretamente. Mais uma vez, não se trata de uma fonte primária. Mais frases desmistificadas ou esclarecidas são encontradas aqui: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/seis-blefes-e-meias-verdades-sobre-o-pre-sal/