Redação Pragmatismo
Compartilhar
Fotografia 21/Feb/2016 às 10:00
7
Comentários

Fotógrafo que percorreu 38 cidades publica relato sobre o Mais Médicos

"É um manifesto humanista. Importância do programa é essa: o velhinho cruza com o médico na rua, toca nele e diz que está dando resultado o tratamento. É o contato direito, ter ali o porto seguro". Conheça o 'Mais Médicos' sob a ótica de um fotógrafo que percorreu 38 cidades atendidas pelo programa em um ano

fotografia mais médico saúde cidades brasil

É um manifesto humanista, mais do que um livro de fotografia. É assim que Araquém Alcântara, um de nossos maiores fotógrafos de natureza — ele prefere ser chamado de fotógrafo brasileiro — qualifica a última publicação que lançou. O livro Mais Médicos é um registro do programa do governo federal que levou mais de 18 mil médicos a 4 mil municípios do País. “Eu queria ir a esses lugares onde o Estado está chegando pela primeira vez”, conta Alcântara, em seu escritório na Vila Olímpia, zona oeste de São Paulo. “Eu sei como é, minha infância foi assim. Meus pais, analfabetos, nunca foram a médico nenhum”.

Segundo o texto de apresentação do livro, escrito pelo ex-ministro da Saúde, Arthur Chioro, cerca de 63 milhões de brasileiros passaram, somente agora com o Mais Médicos, a contar com a atuação de equipes de Saúde da Família com a presença de médicos, que garantem 80% dos problemas de saúde da população antes que se tornem graves.

Alcântara percorreu 19 estados e 38 cidades durante um ano. Foi a lugares ermos, onde nunca havia tido a presença de um médico. “As comunidades se sentem brasileiras, amparadas pelo Estado. É impressionante, você vê a presença do Estado — que é o que falta no Brasil. Foi nesse aspecto que eu quis fazer esse ensaio, para registrar essa transformação no País”. A logística da viagem foi bancada pelo governo federal.

O fotógrafo tem 46 anos de profissão e já publicou 49 livros, mas ainda vibra com cada imagem ao folhear sua última publicação: “Olha esse índio, olha esse peitoral, isso é África total! Esse é meu País! Um Brasil que ainda não foi descoberto, em 2015!”.

Araquém vai pinçando algumas histórias, como a da médica cubana que descobriu que o foco de esquistossomose em Igreja Nova, Alagoas, era causado pelos canais de irrigação dos arrozais. Ou então a do paciente velhinho, em Manaus, vítima de hanseníase, sem uma das pernas e com os dedos das mãos atrofiados. Apaixonado pela médica cubana que o atende, escreve diversos poemas em sua homenagem.

Leia também:
Por que os brasileiros preferem os médicos cubanos?
A importância do Mais Médicos na vida de quem mais precisa

Na Ilha do Marajó, no Pará, uma médica cubana faz as vezes de assistente social e conselheira. Diante de um bebê nascido com paralisia e uma mãe viciada em drogas, reuniu a família, redistribuiu as tarefas e delegou ao tio a responsabilidade de tratar da doença do sobrinho.

O roteiro de Araquém não ficou apenas na floresta. No Rio de Janeiro, o fotógrafo se encontrou com o médico João Marcelo Goulart, neto do ex-presidente João Goulart, que trabalha na favela da Rocinha. “Teve todo um esquema para liberar a nossa entrada. Passamos por vários caras armados, são os donos do pedaço. Triste”. Na favela, foram à casa de uma mulher que, em surto de esquizofrenia, matou a facadas o marido.

A importância do Mais Médicos é essa: o velhinho cruza com o médico na rua, toca nele e diz: está dando resultado o tratamento. É o contato direito, ter ali o porto seguro”, diz Alcântara.

As fotografias do livro serão expostas em diversas mostras, dentre elas uma em Havana, Cuba, e outra em Genebra, Suíça, na sede da Organização Mundial de Saúde.

Manuela Azenha, Brasileiros

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Recomendados para você

Comentários

  1. Jonas Schlesinger Postado em 21/Feb/2016 às 23:14

    E o cachorro, komo fik?

  2. José Alexandre do Nascime Postado em 22/Feb/2016 às 11:46

    Excelente obra. Não pq mostra o trabalho do governo, mas a realidade da vida dos que mais precisam e a atenção que está recebendo. Tem que se muito desumano "um animal" pra não se sensibilizar com o sofrimento dos outros e não fazer nada .

  3. Eduardo Postado em 22/Feb/2016 às 13:42

    como disse o nordestino, "não aceito que nenhum palhaço brasileiro fale mal de Lula e Dilma, até que façam o que eles dois fizeram"........ PONTO.

  4. Eduardo Ribeiro Postado em 22/Feb/2016 às 15:00

    Tem muito brazileiro por aí que encontra motivo pra ser contra..

    • daniela Postado em 22/Feb/2016 às 21:30

      com "z" mesmo

  5. daniela Postado em 22/Feb/2016 às 21:29

    Cada um tem direito a ter sua opinião politica. O problema é que a situação se polarizou de tal forma que nao conseguem nem reconhecer os acertos do governo

  6. daniela Postado em 22/Feb/2016 às 21:29

    Cada um tem direito a ter sua opinião politica. O problema é que a situação se polarizou de tal forma que nao conseguem nem reconhecer os acertos do governo