Mailson Ramos
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Colunistas 22/Feb/2016 às 12:18
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De que cor são as vestes da moral?

A vida íntima de FHC não nos interessa. As manobras sim. E de que cor são as vestes da moral? Será que ela serve de disfarce, em suas cores diáfanas, para esconder a imundície humana?

FHC Mirian Dutra moral
(Imagem: FHC durante cerimônia de nomeação da Academia Brasileira de Letras / Fotos Públicas)

Mailson Ramos*

Nem as escadarias da Igreja do Bonfim após a lavagem parecem estar tão limpas quanto a consciência de FHC e dos moralistas sem moral. Porque deles emana a sensação de que, se a moral utiliza vestes, elas são brancas e intangíveis como as suas dissimuladas consciências.

Nada que a mídia não consiga alvejar ainda mais com artigos edificantes dos colunistas apaixonados por um príncipe que virou sapo. E no desvão da paixão desenfreada, Noblat e Cantanhêde se extremam em defesa unilateral da moral sem vestes do FHC.

O ex-presidente deixou cair as vestes esbranquiçadas numa lama fétida e putrefata. E isso causa repercussão justamente porque aqueles que não têm moral costumam imputá-la aos outros.

Há alguns meses, nas palavras de FHC a renúncia da presidenta Dilma seria um gesto de grandeza. Hoje os questionamentos o pressionam a ter um gesto de grandeza e explicar as manobras feitas para, por exemplo, enviar dinheiro para a ex-amante no exterior.

E o tecido sujo que se arrastou sobre a pele de FHC acabou respingando no José Serra e sua mais ausente funcionária, também conhecida como Margrit Dutra e irmã da Mirian. Esta ilibadíssima funcionária pública ia ao Senado uma vez por mês bater o ponto e depois se ausentava, segundo o Serra, para “trabalhar num projeto sigiloso”.

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Nem mesmo ao jornal O Globo o senador soube explicar qual era a frequência de Margrit, se ela trabalhava em seu gabinete ou não; o que nos mostra a imundície causada pela meritocracia. Não sabendo sobre a sua capacidade laboral, podemos dizer que ela é boa em protestar contra a corrupção. Uma piada pronta!

Num país em que o judiciário travou perseguição contra um ex-presidente por um sítio que não é dele – espetacularizando compra de barco de lata, pedalinho no lago e horta – outro ex-presidente é defendido com unhas e dentes em artigos de extremada argumentação.

Vivemos no país da dissimulação onde a verdade tem apenas uma face? O que espera a Polícia Federal para investigar o assunto? Devemos priorizar assuntos na agenda, como disse a Cantanhêde, para não deixar cair a perseguição ao Lula e sua família? Ou devemos colocar a culpa na Mirian e isentar este homem digníssimo com ares de garanhão de sangue azul?

Há de se ganhar muito descobrindo o que está por trás das vestes da moral, ainda que não se saibam as cores que ela veste.

No fim, não importa muito a cor das vestes da moral, porque FHC sequer as usou ou as usou para difamar seus adversários e posar de Príncipe dos Sociólogos. Principesco sim porque o status lhe concede a posição, mas sem um pingo de moral.

*Mailson Ramos é escritor, profissional de Relações Públicas e autor do blog Nossa Política. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político.

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Comentários

  1. Rodrigo Postado em 22/Feb/2016 às 15:07

    (Outro Rodrigo) Erro recorrente e comum, na política: idealiza-se um líder, nele sendo projetados todos os anseios do fã eleitor, sendo-lhe ainda imposta aura messiânica (assim o fã crendo que o ídolo é imune a vícios e tentações). Após, passando pelo binarismo e maniqueísmo, só "prestarão", terão "as cores da moral", o pretenso líder, ídolo político, e seus fãs; só haverão dois "lados" ("nós e eles") e o "outro lado" será sempre demonizado, generalizando e identificando totalmente o "ídolo político" não apenas com os demais eleitores, mas também com todo aquele que ousar tecer qualquer crítica a um outro "líder ídolo político". "Líderes" políticos deixam de ser pessoas e passam a ser "messias", ao que cidadãos eleitores, voluntária ou forçosamente (pela vontade de quem é criticado), passam a ser apaixonados "torcedores organizados", "os outros". E isso se mostra conveniente especialmente para os "líderes" políticos, pois sempre será mera "intriga do outro lado", será "a nossa vez" e, por terem sido desqualificados todos os que criticam (mas não seus argumentos), nunca será abordado o argumento. Assim, como dito em outro post pelo próprio blog, será ressaltada a hipocrisia de muitos (que não reclamam igualmente, que relativizam as acusações contra seus "ídolos" e maximizam aquelas contrárias ao "time adversário"). Se há, pois, acusações contra Lula, Dilma, Aécio, FHC, Collor, Sarney, militares, a comprovação de uma ou de algumas (ou, quiçá, de todas) não deve ser menosprezada apenas e simplesmente porque "o outro também faz". Devem sempre ser enfrentadas com argumentos, sem ainda pautar-se pela desqualificação do crítico ou do político que se busque "colar" no crítico.

  2. felipe Postado em 23/Feb/2016 às 10:03

    Texto tão hipócrita quanto quem o escreveu, falar de moral de alguém em momento desse só pode ser brincadeira de mau gosto..... quem nesse meio imundo pode se levantar entre todos estes e dizer sem medo do futuro que tem seu passado limpo? ta difícil de escolher mas apontar um dedo sujo não o outro ficar mais limpo.

  3. Moacir Postado em 23/Feb/2016 às 11:13

    E o Sr. José Serra tem certeza de que pode confiar na irmã da Miriam Dutra para "um projeto secreto"?

  4. Moacir Postado em 23/Feb/2016 às 11:17

    Cancelar um.

  5. Eduardo Ribeiro Postado em 23/Feb/2016 às 11:37

    Tira essa roupa preta que você não merece usar...você não é imortal, você é moleque...ouviu? Você é mo-le-que.

  6. Hudson Postado em 23/Feb/2016 às 17:18

    É nítida e desvelada a máquina de corrupção que se aparelhou do Brasil. Picaretas antigos, ex-presidente cínico e rodeado pela fina flor da política brasileira. Um envolvido até a alma e ilicitudes em seu estado, sempre guardado pelas articulações entre as instituições que deveriam prezar pelo correto, pelo bem público. Ainda tem o político que tem em seu maior sonho, o de ser presidente da república. Um verme, no sentido mais fuleiro da palavra. Um empregadinho dessa corja que se esforça da maneira mais vil, a atender aos anseios da casa grande e se mostrar assim , útil. Um juizinho mequetrefe, que sempre serviu somente pra isto, encebar as costas quentes dos vermes. Outros juízes mequetrefes vieram, alguns ainda permanecem e assim vão levando sua tosca história. Como dito em outro lugar, fhc é um miserável da política, sempre ajudado por um conluio de hipócritas e safados, cínicos no fiel significado da palavra. O PT assumiu o poder em 2003, mas nunca, na verdade, conseguiu desfrutar dele. Em qualquer direção que fosse. As instituições sempre foram regidas por essa matilha de cães sarnentos, ainda a espera de voltar ao poder e continuar seus desmandos. Vá lá, juizinho mequetrefe, meta a cara na mansão dos marinhos, seus patrões, ou volte pra casa, como sempre faz, abanado o rabinho e querendo lamber a mão de seus donos, pois não é nada mais do que isso ao que você presta. Janot, outro que tem que mostrar serviço aos seus patrões. Gilmar mendes, o dono dos hc para os ricos, outro pulguento. E por aí vai. Nossos honrados políticos e nossos representantes das instituições, de mãos dadas, sendo aplaudisos por uma platéia que tem de tudo: cínicos, pilantras, burros, mentecaptos e mais alguns caezinhos a lamber a mão de seus donos.

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