Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 25/Feb/2016 às 10:55
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Fernanda Torres pede “profundas desculpas” após repercussão de texto

Em novo texto, Fernanda Torres pede perdão por artigo sobre machismo e feminismo: “As críticas procedem. Refleti durante toda semana e o que me cabe são profundas desculpas. Procurarei estar atenta e comprometida com essas reivindicações”. Leia a íntegra do novo posicionamento da atriz

Fernanda Torres feminismo texto
Atriz Fernanda Torres se desculpa após críticas a texto (Folhapress)

Alvo de críticas por um texto em que desaprovava a “vitimização do discurso feminista” (relembre aqui), Fernanda Torres voltou a escrever sobre o assunto nesta quarta-feira.

No novo artigo, intitulado Mea Culpa, a atriz diz que refletiu sobre a discussão durante os últimos dias: “O que me cabe são profundas desculpas. Procurarei estar atenta e comprometida com essas reivindicações”, diz trecho do artigo.

Em Mea Culpa, a atriz diz que “as críticas procedem, quando dizem que eu escrevi do ponto de vista de uma mulher branca de classe média. É o que sou.”

Depois, admite que “esperava-se de uma voz feminina, que tem um espaço para se posicionar, uma opinião menos alienada e classista”.

Por fim, Torres pede “perdão por ter abordado o assunto a partir da minha experiência pessoal que, de certo, é de exceção” e garante que “toda vontade de mudança parte do indivíduo, é o que estou fazendo aqui”.

O texto pode ser lido na íntegra abaixo ou no blog Agora É que São Elas:

MEA CULPA, por Fernanda Torres

As críticas procedem, quando dizem que eu escrevi do ponto de vista de uma mulher branca de classe média. É o que sou.

Minha mãe sempre trabalhou, teve um casamento que nunca cerceou o seu direito profissional, eu cresci num ambiente de extrema liberdade, conquistada, diga-se, com a ajuda de movimentos feministas anteriores a mim.

Era uma época de um machismo muito arraigado, do qual guardo heranças, mas que, lamentavelmente, ainda à época não estava identificado de forma direta com o estupro e a violência.

Entendi com as respostas ao meu artigo que, hoje, os movimentos feministas lutam para que essa associação seja clara. Inclusive no que se refere ao direito de ir e vir sem assédio.

Esperava-se de uma voz feminina que tem um espaço para se posicionar, uma opinião menos alienada e classista diante da luta pelo fim de tanta desigualdade e sofrimento que as mulheres enfrentaram e enfrentam pelos séculos.

Refleti durante toda semana e o que me cabe são profundas desculpas. Procurarei estar atenta e comprometida com essas reivindicações.

Entendi que existe uma discussão maior, que vai da cidadania ao direito ao próprio corpo, e, acima de tudo, uma luta pela erradicação da violência contra a mulher num país já tão violento, discussão essa que não comporta meios termos.

Sou contra o estupro, a violência, o baixo salário, o racismo, e reafirmo a importância dos movimentos que lutam pela melhoria das condições de vida da mulher e das minorias no Brasil.

Sou mulher e não gostaria de ser vista como inimiga desses movimentos, e nem de vê-los como tal, porque isso não corresponde à realidade do meu sentir.

Toda vontade de mudança parte do indivíduo, é o que estou fazendo aqui. Sem a coletividade é impossível avançar.
Prometo estar atenta. Perdão por ter abordado o assunto a partir da minha experiência pessoal que, de certo, é de exceção.

Mea culpa.

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Comentários

  1. Ana Amelia Postado em 25/Feb/2016 às 11:36

    Sempre gostei dela e percebi tinha se equivocado, mas tinha certeza que ela voltaria atrás. Isso mostra maturidade, humildade e inteligencia. Ponto pra ela!!!

    • Denis Postado em 25/Feb/2016 às 13:02

      Reconhecer o erro é uma virtude.Pena que o texto anterior direcionado as feministas ,a grande maioria não haja dessa maneira.Se acham acima do bem e do mal.

  2. Helena Postado em 25/Feb/2016 às 12:32

    Chegamos ao dia em que as pessoas têm dúvidas sobre falar ou negar suas lembranças, suas memórias, seus sentimento... Negamos o passado, negamos a história, nos intimidados diante de pessoas que têm dificuldades em interpretar texto... A mulher branca de classe média tem que ser sentir CULPADA por ser branca de classe média... E aceitar ser calada, servialmente! Isso é um avanço?! (rs)

    • Valeria Postado em 25/Feb/2016 às 15:03

      Não é sentir-se culpada por ser branca de classe média. E sim por estar alienada a uma realidade que comporta a maioria e que diz respeito a uma realidade que está além das experiências da sua própria história.

      • eu daqui Postado em 26/Feb/2016 às 15:18

        Ela alienada de sua realidade e vc alienada da realidade dela. Empatou.

    • alessandra Postado em 25/Feb/2016 às 15:34

      Olha sinceramente está mea culpa me decepcionou,... entendi perfeitamente o que ela disse em seu primeiro texto, e me identifico em váriosmomentos com ela,... todos mivimentos extremistas me irritam pprofundamente, e nãoapoio de forma alguma,

    • Trajano Postado em 25/Feb/2016 às 16:07

      Helena, estamos falando do mesmo caso? Quando Fernanda Torres negou sua origem? Quando ela se sentiu intimidada? Quando ela negou seus sentimentos ou lembranças? Quando ela se sentiu culpada?!?! Creio que seria interessante explicar melhor o seu ponto de vista. Fernanda escreveu um texto, recebeu críticas e respondeu reafirmando sua identidade, suas crenças, seu lugar no mundo ao mesmo tempo que validou os demais discursos e ampliou a discussão de acordo com o que acredita. Jamais calada. Sempre relevante. Isso não se restringe a uma espécie de “avanço”: é demonstração de dignidade. A liberdade de expressão é algo importantíssimo de ser conservado e uma das bases que possibilitará a diminuição da desigualdade social e, consequentemente, da violência.

    • eu daqui Postado em 26/Feb/2016 às 15:18

      Entendo perfeitamente que todo mundo tem o direito de fundamentar suas crenças na própria experiencia. Não obstante, também sou caucasica de classe média e tenho crenças diferentes das dessa atriz.

  3. Mariângela Postado em 25/Feb/2016 às 13:18

    Acredito e aceito as desculpas dela. Porém, devemos ficar mais atentas para emitir opiniões baseadas do próprio umbigo.

    • eu daqui Postado em 26/Feb/2016 às 15:21

      Todos temos o direito de fundamentar nossas opiniões em nossa propria experiencia. A isso se chama liberdade de consciencia (e de subconsciencia, de onde emanam as emoções, o que é ainda mais importante). Quem não estiver satisfeito com a democracia laica de direito, pegue seus panos de rabo e vá (tentar) lavar latrina na arabia saudita.

  4. André Nelson Postado em 25/Feb/2016 às 13:31

    "Corrija um sábio e o fará mais sábio, corrija um tolo e o fará teu inimigo."

    • eu daqui Postado em 26/Feb/2016 às 15:22

      Se corrija e não precisará nem de sabio, nem de inimigo e nem mesmo de amigo.

  5. José Ferreira Postado em 25/Feb/2016 às 13:54

    Ela deu uma demonstração de fraqueza. Ela se acovardou para satisfazer uma meia dúzia de pessoas. Não é a toa que essa meia dúzia é chamada de feminazi, pois elas, assim como os nazistas, são intolerantes a opiniões contrárias a sua ideologia.

    • Trajano Postado em 25/Feb/2016 às 15:27

      Ela deu uma demonstração de grandeza. Ela não se acovardou para satisfazer uma meia dúzia de pessoas. Não é à toa que essas mesmas pessoas utilizam o “nazi” para formar neologismos depreciativos, pois elas, assim como os nazistas, são intolerantes a opiniões contrárias a sua ideologia e não hesitam em utilizar dos meios mais sórdidos de publicidade de guerra para denegrir a imagem de grupos, como ocorreu com a publicidade nefasta contra os judeus no século passado, pois a intenção não é dialogar ou discutir qualquer assunto, mas destruir quem e o que não se encaixa na visão de mundo segundo a métrica do próprio umbigo.

      • José Ferreira Postado em 26/Feb/2016 às 09:46

        Nesse caso teríamos que abrir um "campeonato" para decidir quem é o mais intolerante. O time das feminazi é um dos favoritos, mas não o único time nessa situação. Verdade.

      • eu daqui Postado em 26/Feb/2016 às 15:23

        Tem intolerancia e extremismo dos dois lados. Por isso o país é campeão de atrocidade e hediondez.

    • Ana Moreira Postado em 25/Feb/2016 às 16:37

      Antes de chamar TODAS as feministas de "FEMINAZI". Vá ler um pouco sobre a história do feminismo e suas reivindicações. Não fique com a opinião do senso-comum! Leia! Se informe! E só pra te informar, nós, feministas, não somos meia dúzia! Somos BEM MAIS!

      • José Ferreira Postado em 26/Feb/2016 às 09:44

        Ainda bem que vocês são meia-dúzia, pois, se fossem mais numerosas, o mundo estaria em situação de caos. Elas só não se envolvem com as sociedades tribais por não poderem ainda. Certamente elas gostariam de entrar em uma aldeia indígena e chamar os índios de "machistas".

      • eu daqui Postado em 26/Feb/2016 às 15:24

        Seja madura e aproveite a critica pra melhorar: que tal uma "faxinazinha" no movimento feminista?

  6. Maria das Graças B. D'Afo Postado em 25/Feb/2016 às 14:02

    Humildade e inteligência! Que bonito!

  7. Sylvio Jose da Silva Fari Postado em 25/Feb/2016 às 14:08

    Parabens Fernanda por ser uma pessoa diferenciada sendo um presente de exceção. .precisamos da sua força da sua capacidade de lutar contra as injustiças..um beijão Sucesso

  8. Rita Vieira Postado em 25/Feb/2016 às 14:47

    Tinha certeza do reposicionamento da Fernanda, entendi o que ela quis dizer com o texto inicial mas imediatamente pensei nas consequências. Não esperava dela outra atitude que não a retratação e mais uma vez não me decepcionou . Ponto pra você Fernanda!

  9. Eduardo Ribeiro Postado em 25/Feb/2016 às 15:27

    Em suma: admitiu que falou sobre o que não sabia. Parabéns pela humildade em reconhecer a própria ignorância, em reconhecer que nunca leu a respeito, não estudou, não debateu, nunca sentou a bunda e perdeu meia horinha do dia pra aprender a respeito...apenas puxou do intestino e botou pra fora pelos dedos. É uma conduta que muita gente tem por aqui e nem sentem vergonha. Aliás, a humildade que ela teve falta a muita gente.

  10. Trajano Postado em 25/Feb/2016 às 15:53

    Eu nunca vi qualquer artista brasileiro importante que tenha se retratado enfaticamente por um posicionamento. Ao menos não que eu lembre. No geral, o pedido de “desculpas” fica pior que a fala inicial ou simplesmente nem chega a ser um pedido de desculpas. Desculpas por desculpas é melhor não encher o saco e segurar a marimba. Mas no caso da Fernanda Torres não somente se trata de um pedido de desculpas dignamente bem escrito, como também construiu algo de extremo valor e abrangência para além da “desculpa”; em nenhum momento ela fugiu de sua posição - reafirmou suas convicções - ao passo que se implicou na discussão e a ampliou. Sou contra o estupro, a violência, o baixo salário, o racismo, e reafirmo a importância dos movimentos que lutam pela melhoria das condições de vida da mulher e das minorias no Brasil.. E eu entendi o quanto eu estava errado sobre a Torres e fiquei muito feliz pela possibilidade de me mostrar o erro que eu estava cometendo. Fernanda Torres, sendo feminista ou não, o fato de levantar uma discussão como essa em tempos de brutalidade é mais do que um debate: é produção de conhecimento, de cidadania, de urbanidade e de respeito. Brilhante! Muito grato por isso.

  11. Carlos Augusto Normann Postado em 26/Feb/2016 às 10:45

    Humildade e reconhecer o equívoco são sinais de grandeza...

    • eu daqui Postado em 26/Feb/2016 às 15:16

      Ou do oposto..............

  12. Maria Célia Postado em 26/Feb/2016 às 15:46

    Eu falo, você não gosta do que eu falei, eu peço desculpas, alguém não gosta do meu pedido de desculpas...!

  13. Elza Augusta Postado em 26/Feb/2016 às 16:52

    Não importa o que digam, ela é uma pessoa muito inteligente e se comportou como tal. Parabéns pra ela!

  14. Erson Ramos Postado em 25/Mar/2016 às 22:18

    Falou bobagem no primeiro artigo, chiaram, fez um segundo com mais bobagens ainda.. Teria feito um enorme favor se tivesse ficado calada pois estaria cumprindo o preceito expresso no Livro Bíblico de Provérbios 17: 28 que diz: "até um tolo passa por sábio quando calado"