Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 20/Feb/2016 às 10:00
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Candidato de Paes no Rio muda versão e se diz ‘vítima’ da ex-mulher

Exame de corpo de delito comprovou que Pedro Paulo, candidato a suceder Paes no Rio, usou a esposa como saco de pancadas. Mulher foi jogada contra a parede e o chão, teve o pescoço agarrado e tomou socos e chutes. Em nova estratégia de defesa, agressor se coloca agora como ‘vítima’ da ex-mulher

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As agressões do secretário executivo da prefeitura do Rio de Janeiro, Pedro Paulo Carvalho, contra a ex-mulher Alexandra Marcondes Teixeira podem ser alvo de uma investigação por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR). O pedido de abertura de inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Pré-candidato à suceder o prefeito Eduardo Paes (PMDB) – de quem tem o apoio – nas próximas eleições, Pedro Paulo foi denunciado em duas ocorrências por Alexandra, em 2008 e 2010, quando eles eram casados. Os registros de agressão apontam que ele deu socos no rosto e corpo da ex-mulher. Há também relatos de ofensas verbais a Alexandra, com xingamentos de “vagabunda” e “piranha”, entre outros.

Por ser deputado licenciado, o caso foi encaminhado pelo Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) para a PGR. São documentos sobre a agressão em 2010 praticada contra Alexandra no apartamento do casal no Rio. Na ocasião, ela chegou a quebrar um dente e os dois fizeram exame de corpo de delito. Laudo do Instituto Médico Legal aponta que ela ficou com hematomas. Desde então, Carvalho e Alexandra estão separados.

Segundo o jornal O Globo, as agressões de 2010 teriam sido motivadas por uma traição de Pedro Paulo. De acordo com depoimento dado por ela à polícia na época, ela encontrou indícios de que outra mulher esteve no apartamento do casal. Ao confrontar o então marido, acabou sendo agredida por ele.

Desde a vinda à tona das notícias sobre a agressão, a ex-mulher participou de um encontro com a imprensa e minimizou o caso. Os dois já assumiram as agressões. Em uma das coletivas a jornalistas, no ano passado, o secretário questionou: “Quem não tem uma briga, um descontrole, quem não exagera numa discussão? A gente às vezes exagera, fala coisas que não deve. Quem não tem essas discussões e perde o controle? A gente perde o controle e tem discussões”. Ele também disse que o seu caso não se enquadra na Lei Maria da Penha.

Saiba mais: Agredir a esposa é ‘coisa de casal’?

A peça com o teor das suspeitas da PGR ainda não foi tornada pública pelo Supremo. O caso foi distribuído ao gabinete do ministro Luiz Fux, que será o relator do inquérito na Corte. Após a abertura da investigação, Ministério Público e Polícia Federal podem realizar diligências para apurar mais informações sobre o caso e, então, oferecer uma denúncia contra o secretário.

Secretário muda versão e se diz ‘vítima’

A defesa de Pedro Paulo já se manifestou junto à PGR e enviou um documento em que coloca o secretário como ‘vítima’ da ex-mulher. Segundo reportagem publicada no último sábado (12) pela revista Veja, ele espera pelo arquivamento do processo. Para isso encaminhou um vídeo em que Alexandra diz ter partido dela as agressões, e que Pedro Paulo apenas se defendeu. Há ainda um laudo da defesa que contradiz as conclusões da Polícia Civil do Rio.

Para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, essa é mais uma razão para que a investigação seja aberta, uma vez que há um “giro radical” no caso, com a “vítima tornando-se agressora”. “(Esse) giro radical precisa ser bem esclarecido, inclusive porque (a tentativa de incriminar alguém inocente, a ser de fato falso o primeiro depoimento dela) é crime, punido com reclusão de dois a oito anos”, diz Janot no documento da PGR.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo em janeiro deste ano, Eduardo Paes manteve o apoio ao seu secretário e chegou a colocar em dúvida as agressões denunciadas por Alexandra. “Não estou minimizando. Ele tem o direito à defesa. Conheço o Pedro Paulo e sei que não estou lidando com um homem violento, espancador de mulheres (…). Será que ele conhecia os fatos? Será que alguns fatos aconteceram?”, disse o prefeito do Rio.

Thiago de Araújo, HuffPost Brasil

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Comentários

  1. Trajano Postado em 21/Feb/2016 às 01:41

    É muito estranho que o Paes continue arrastando correntes por ai por causa desse homem. Aliás, o mais estranho é que os Picciani ainda corroboram a ideia de colocar o tal Pedro Paulo como candidato. Talvez o problema não seja a estratégia do PMDB pela escolha de candidato, mas, sim, do candidato escolhido por outro partido, já que o Crivella, PRB (Igreja Universal), virá novamente, após sucessivas derrotas de dois em dois anos para qualquer cargo do executivo que concorreu. Até o Pezão se beneficiou disso: com Crivella e seus fiéis, um número importante de votos e um índice de rejeição tão importante quanto. Em um eventual segundo turno, se seguir a tradição, a rejeição fala mais alto e qualquer candidato adversário que caiu de paraquedas vence. Mas vai saber, né... O mais estranho nisso tudo é a fonte de uma pesquisa de opinião que saiu em janeiro sobre Prefeitura do Rio em que aponta o Crivella na frente: Paraná Pesquisas. Sim, uma empresa de Curitiba fez uma pesquisa no Rio de Janeiro encomendada sabe-se lá por quem. Eu hein. Fuçando um pouco: o diretor do tal “Paraná Pesquisas” é o Murilo Hidalgo... Espera: Paraná Pesquisas que apontou Aécio como vitorioso no 2ª turno em 2014? Aquele diretor que disseram as “más línguas” que o Beto Richa queria empregá-lo? Gente, fé no pai que o inimigo cai... Esquecendo tudo isso, um dado importante que a mídia não noticiou sobre a pesquisa: “Se as eleições para Prefeito da cidade do Rio de Janeiro fossem hoje, em quem o sr(a) votaria? (espontâneo) – “Não sabe”: 82,3%. Aff! O pessoal do Rio de Janeiro parece ter jogado a toalha sobre política há certo tempo, vide o alto índice de abstenção e votos brancos/nulos da última eleição. Não é por acaso que aparece tanto político esquisitão pra disputar aqui, o povo parece estar pouco se lixando. Apatia total.

  2. poliana Postado em 21/Feb/2016 às 15:20

    Eh akela velha história de votar no menos pior mesmo, trajano. N tem jeito. Nós brasileiros, infelizmente convivemos com essa realidade. Por isso q o pmdb leva todas aí no rio. Imagine eleger um evangélico da IURD?! Deus me livre!!!!! Até no psdb eu votaria pra impedir essa corja evangélica de chegar na chefia do executivo!

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