Redação Pragmatismo
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Educação 29/Feb/2016 às 16:36
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Acorrentado e em greve de fome há seis dias, estudante da UFPB desmaia

Um dos estudantes em greve de fome há seis dias na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) desmaiou, enquanto outro sofreu convulsões após reunião com a reitora da instituição de ensino superior. Artistas, professores e outros alunos prestam solidariedade aos grevistas

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Greve de fome na UFPB já dura seis dias (reprodução)

Desde a última terça-feira (23), quatro estudantes da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) estão acorrentados e em greve de fome em frente ao prédio da reitoria.

Marcos Francisco, do curso de Psicologia, Daniel Lima, de Serviço Social, Jonheiny Jeronimo e Matheus Presto, ambos de Ciências Sociais, protestam contra a exclusão de diversos colegas necessitados da lista de auxílio moradia da instituição de ensino.

“Estudantes em profunda situação de vulnerabilidade social estão sendo obrigados a ‘morar’ em Centros Acadêmicos e na rodoviária da cidade (João Pessoa)”, diz um comunicado divulgado pelos alunos.

Os estudantes reclamam do sucateamento das políticas de assistência estudantil da universidade e das limitações do RU (Restaurante Universitário). “O RU da UFPB é extremamente restrito, único no país em que apenas uma parte de quem estuda na universidade tem acesso”, afirmam.

Desmaio

Sem comer há seis dias, Marcos, um dos estudantes em greve de fome, sofreu um desmaio neste domingo (28). A página movimento Greve de Fome UFPB divulgou, no Facebook, informações sobre o ocorrido:

“No dia de hoje (28/02) um dos companheiros acorrentados sentiu na pele a reação, não só da greve de fome, como do descaso da Reitora Margareth Diniz e de sua equipe. O companheiro Marcos, à 01h da manhã, desmaiou devido a uma queda de pressão causada pelo baixo nível de glicose por estar há 120 horas em mobilização, juntamente com as companheiras e os companheiros. Estamos em luta pelo direito de todas as pessoas que frequentam a Universidade, para que permaneçam nesse espaço com dignidade”.

Também no Facebook, o professor do Departamento de Comunicação da UFPB, Carmélio Reinaldo, revelou sua preocupação com a saúde dos estudantes:

“Ontem à tarde fui prestar minha solidariedade aos estudantes em greve de fome na UFPB. Sai de lá muito preocupado com esses rapazes que estão arriscando a saúde e a vida por uma universidade mais humanizada. Ouvi de um deles que já não sentia mais fome, superara a vontade de comer. Acho que isso é prenúncio de que o corpo se entregou, desistiu de reagir, a máquina começa a desligar-se. A universidade, que tem na sua administração uma reitora cujo suporte maior vem da área de saúde, não pode continuar respondendo com notas burocráticas e discursos de planilha”, postou o professor.

Convulsões e deboche

Nesta segunda-feira (29), em reunião com a reitora Margareth Diniz Formiga para discutir e negociar as reivindicações, o grevista Daniel Lima sofreu convulsões, de acordo com informações divulgadas por alunos da universidade e pela página Greve de Fome UFPB.

“Durante o encontro, ele disse [em determinado momento] que a reitora estava mentindo. E a reitora riu dele. Debochou. Ele começou a chorar muito e teve espasmos”, dizem alunos.

“Daniel teve um ataque de pânico, seguido de uma convulsão na própria rampa da reitoria. A caminho do hospital, o estudante teve a segunda convulsão. Essa situação foi desencadeada durante a presença da reitora, que desrespeitou e tratou com irrelevância e descaso as reivindicações”, afirma o comunicado oficial dos grevistas, ressaltando que o jovem encontra-se no Hospital Universitário em estado regular. “Ele continuará em greve de fome”, conclui a nota.

Chico César

Na tarde e hoje, o cantor e compositor Chico César publicou um vídeo em solidariedade aos quatro alunos que estão em greve de fome no campus I da UFPB, em João Pessoa.

“Solidariedade aos jovens estudantes que encontram-se em greve de fome. Meu sentimento primeiro é de apreensão. E lastimo que seja necessário recorrer a esse expediente. Infelizmente, às vezes tem de ser assim. Torço para que consigam bons resultados em seus pleitos e para que as autoridades se sensibilizem com a saúde de nossos jovens, não apenas os que estão em greve de fome. Mas, de todos que precisam de um lugar pra morar – que vêm do interior do Estado, como eu vim – e de alimentação e de cuidados. Força, rapaziada. Um abraço grande”, diz Chico César.

Reivindicações

Pragmatismo Político teve acesso ao documento em que constam as reivindicações dos estudantes em greve de fome na UFPB. Confira trecho a seguir.

Continuaremos com nossa greve de fome e outras ações de resistência até que as seguintes exigências sejam cumpridas. A serem efetivadas imediatamente:

— Contemplação de todas as pessoas dentro do perfil socioeconômico do PNAES que solicitaram o auxílio moradia/residência em 2015.1.

— Abertura do R.U. para todos os feras da UFPB que solicitaram assistência estudantil enquanto não forem divulgados os resultados dos processos no período de 2015.2 e períodos adiantes.

— Mudança na logística de alimentação no RU, de forma que as pessoas não precisem mais ficar esperando uma hora para comer.

— Expansão no número de funcionários do RU para que a gestão do espaço se dê de maneira mais dinâmica em horários de pico sem sobrecarregá-los.

— Mudança do Superintendente do RU. A nova pessoa a ocupar este cargo deve ter experiência com a área de permanência e assistência estudantil. Professoras e professores que se candidatarem à vaga devem ser decididos por uma eleição entre os funcionários do Restaurante Universitário e estudantes.

— Reajuste dos valores dos auxílios em acordo com as necessidades básicas (alimentação, moradia, transporte, gás, luz, água, eletricidade e internet) e inflação real.

— Transparência total das contas e políticas da PRAPE e participação estudantil na construção das mesmas.
Publicização da última auditoria pública sobre a situação dos auxílios e residência e caso necessário realização de nova auditoria.

— Expansão no número de funcionários da Creche Universitária para que se possa atender a todas as mães estudantes e funcionárias da UFPB. Contratação de professores e professoras e o incentivo de programas de extensão, estágio e docência. Melhoria nas condições estruturais da mesma.

— Cumprimento de condições de higiene aprovadas pela vigilância sanitária nos locais de produção, transporte e consumo dos alimentos servidos no RU, em especial no condizente ao reabrimento da cozinha do RU I

— Contratação de novas e novos assistentes sociais para a PRAPE, possibilitando que haja um cumprimento responsável dos prazos dos editais de auxílio.

— Desmilitarização do R.U. Entende-se por isso a retirada de guardas armados do Restaurante Universitário.
Lançamento de edital para duplicação do número de pessoas que comem no Restaurante Universitário. Consideramos que isto agora é possível por conta da reabertura total do RU I.

— Que a PRAPE se responsabilize pela regulamentação da condição de “hospede” e abertura imediata de leito aos feras que solicita-los, garantindo a integridade das e dos estudantes que ocuparem os quartos. E ocupação dos quartos livres na residência universitária por meio do edital.

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Comentários

  1. Wylie Postado em 29/Feb/2016 às 19:20

    Em 33 Gandhi ficou 21 dias sem comer sobrevivendo apenas de um pouco de água. Teve um ativista que chegou a ficar 49 dias sem comer.

    • Katia Postado em 01/Mar/2016 às 11:46

      Verdade. Até que ponto vai chegar esses protestos sem fundamento. Gente Vamos protestar com mais convicção do que queremos. Pois creio que não séria possível o RU abrir para todos. Agora séria bom os residentes ter esse acesso livro e os outros alunos pagarem um pequena taxa para comer. O lanche não é menos de 5$ e não porque pagar esses 5$ para ter um almoço bom e de qualidade.

  2. Lopes Postado em 29/Feb/2016 às 21:44

    As eleiçoes para Reitoria estao proximas. Toda açao pode ter um fim politico.

    • Felipe Postado em 01/Mar/2016 às 11:47

      Toda a ação política tem um fim político. Acontece que no Brasil "política" tem a conotação de "maracutaia partidária". O baixo nível da cena e das regras políticas estão em estado terminal. Uma reforma política de verdade é a única solução para esse cenário assustador.