Redação Pragmatismo
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Política 29/Feb/2016 às 09:00
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A esquerda e a direita ainda sobrevivem e se diferenciam

Esquerda e direita: A queda do Muro de Berlim não significou o fim das ideologias

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Leandro Fortes*, via Facebook

Qual a diferença entre esquerda e direita?”

Eu já ouvi essa pergunta de muitas formas, em muitas ocasiões, muito embora essa indagação seja feita, quase sempre, pelo mesmo perfil de gente: pessoas de direita com convicções bastante arraigadas nas zonas mais sombrias dessa parte do espectro ideológico.

A pergunta em si, não o questionamento acadêmico, costuma ser usada para induzir agressividade ao debate político. Não é feita para ser respondida, é mais um insulto do que uma questão. É como se o interlocutor lhe perguntasse: “Quem é tão estúpido para ainda se preocupar com isso?”

A esquerda, claro.

Um dos clichês preferidos da direita é o de apelar para o Muro de Berlim, supostamente uma prova física, material e documentada de que esquerda e direita teriam deixado de existir.

Trata-se de um silogismo simplório: se a linha de ferro e concreto que dividia o socialismo real do capitalismo ocidental ruiu, ruíram também os conceitos de esquerda e direita.

Acontece que uma das pistas para se descobrir se uma pessoa é de esquerda diz respeito, justamente, à capacidade de ela conseguir enxergar além do óbvio e de aceitar a complexidade da vida. O que é exatamente o oposto da lógica racional das pessoas ideologicamente conservadoras.

Imaginar que um conceito civilizatório como o socialismo possa ser pulverizado por um momento histórico é, no fim das contas, desconhecer – ou desprezar – a História em si.

Os regimes socialistas autoritários que se organizaram como Estados opressores abandonaram o pensamento de esquerda, que é, como toda ideologia, uma ideia à procura de um espaço físico. É, por isso mesmo, também uma busca pelo poder.

Em um país conflagrado politicamente, como o Brasil desses dias, a atual argumentação anticomunista é, na verdade, antiesquerdista. Ela foi quase que totalmente moldada a partir de velhas cartilhas da Guerra Fria com conceitos forçosamente adaptados ao antipetismo e, em grau avançado, ao bolivarianismo – uma ideia que não só ocupou um espaço físico (a Venezuela) como se transformou numa curiosa ideologia local adorada e combatida, a depender do que se enxerga nela.

Ao neoanticomunismo criado para combater a recente guinada da América Latina à esquerda uniu-se o fenômeno da internet, no todo, e das redes sociais, no particular. Foi dessa circunstância que nasceu essa militância feroz de Facebook, onde analfabetos políticos conseguiram se reunir em bando para produzir clichês fascistas em série.

Há, contudo, um grupo distinto da direita, formada por intelectuais, artistas e cidadãos de boa escolaridade, que naturalmente sabe dos efeitos maléficos desse movimento anticomunista anacrônico e absurdo. E, ainda assim, nada fazem para neutralizá-lo, quando não o adequam ao próprio discurso para dele se utilizar como arma política.

Guardadas as proporções, é como a piada pronta do deputado Paulinho da Força, do Solidariedade, ao se solidarizar com Eduardo Cunha, mesmo sabendo de tudo, por acreditar nesta adesão como iminente catalisadora do impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Como na política, há também desfaçatez na ideologia.

O pensamento de esquerda é transversal e, ainda que muitas estultices sejam vendidas como verdade pela mídia, não é sequer homogêneo no antagonismo ao capitalismo. Até porque o conceito de socialdemocracia, resumido no Estado de bem-estar social, é uma experiência de esquerda, bolada para, justamente, estabelecer parâmetros de comportamento mais solidário e justo dentro do capitalismo.

Ser de esquerda, portanto, é uma opção política ligada ao humanismo, à condição humana que nos obriga a conviver socialmente e, portanto, a decidir em grupo.

Mas não deixa de ter um problema da aplicação prática, e não apenas por conta da oposição de direita, mas por ser uma opção, ainda, revolucionária, sobretudo do ponto de vista dos costumes.

Não por acaso, tem sido a religião a histérica voz da direita contra a esquerda nos parlamentos, terceirizada para defender exatamente aquilo que deveria condenar: a desigualdade e a exploração humana.

A consequência visível dessa terceirização é o fenômeno tão brasileiro dos pobres de direita. Pessoas que, em nome da fé, desprezam o único modelo político com chances de trazer algum alento social para si e ao País.

E elegem seus algozes.

Leia também:
Bolivarianismo: mitos e verdades
Por que a direita conclama a morte das ideologias?

No Brasil, a nova esquerda produziu, entre outras maquinações, o movimento dos blogs, a partir de 2008, quando o pensamento de esquerda pôde se disseminar além da mídia, onde era confinado a currais específicos, quando não escondido no porão.

Movimento que evidenciou a existência inalterada, sim, da luta entre esquerda e direita, esta transposta diariamente às redes sociais e às ruas.

Não há porque temê-la, e menos razões ainda para ignorá-la.

Minha satisfação é saber que, enquanto a direita se mantém atrelada ao discurso do ódio, na idolatria ao individual e à competição, a esquerda mantém-se presa a seus sonhos de sempre.

Estou do lado certo.

*Leandro Boavista Fortes é jornalista, professor e escritor brasileiro.

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Comentários

  1. José Ferreira Postado em 29/Feb/2016 às 10:51

    Texto bem raso. Ele indica que a Esquerda é boazinha e que a Direita é formada por "seguidores do demônio". Posso dar um exemplo (que não é sobre o Muro de Berlim) que indica que "Esquerda" e "Direita" são rótulos: A reforma agrária aqui é vista como uma pauta "de esquerda" e na Europa é vista como uma pauta "de direita".

  2. Eduardo Ribeiro Postado em 29/Feb/2016 às 11:35

    Existe mesmo isso aí, de apelar pra queda do Muro de Berlim? Esses reaças direitosos analfabetos se superam a cada dia. Como são burros. Engraçado que negam a história e a realidade com esse blablabla de "ninguem se preocupa mais com isso de direita/esquerda, isso é tão anos 80, o muro já caiu", mas são os mesmos que adoram mandar aquelas barbaridades, "fora PT comunista marxista satanista bolivariano nossa bandeira jamais será vermelha vai pra cuba". A polarização esquerda x direita é fato inconteste, e negar a polarização ideológica é estratégia basilar da direita. O que precisa acabar de fato no Brasil é essa polarização odienta entre PT x PSDB. Que NÃO EQUIVALE a polarização esquerda x direita. E o suposto e festejado "meio-termo" entre os dois não pode ser uma crente ambientalista com uma moral difusa que entrega o banco central para os interesses do mercado financeiro internacional.

  3. Henrique Postado em 29/Feb/2016 às 12:13

    Essa parte da idolatria...Existem ditaduras em ambos os lados, mas acredito que o autor do texto procura deletar isso da mente, esquecendo que boa parte dos governantes há 10, 15, 30 anos no poder são "do povo". Basta ver aqui, a idolatria e o culto à imagem é forte no lado esquerdista, como o messias, salvador da pátria e dos oprimidos, campeão de honestidade

  4. Monteiro Postado em 29/Feb/2016 às 18:53

    "Acontece que uma das pistas para se descobrir se uma pessoa é de esquerda diz respeito, justamente, à capacidade de ela conseguir enxergar além do óbvio e de aceitar a complexidade da vida." Não posso deixar de rir de tão tosca mentira.

  5. Bruno Postado em 29/Feb/2016 às 11:19

    Esse texto foi totalmente infantil e falacioso.

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