Redação Pragmatismo
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Cultura 22/Feb/2016 às 23:04
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A biblioteca de Umberto Eco deixa qualquer um de queixo caído

'Anti-biblioteca' de Umberto Eco, falecido na última sexta-feira (19), é um labirinto de 30 mil livros (vídeo) e deixa qualquer um de queixo caído. O monstruoso acervo que Eco construiu em sua casa é a prova de que o escritor viveu para a literatura

Umberto Eco biblioteca literatura

Em uma cena do documentário Sulla Memoria (algo como “sobre memória”, em português), de 2015, o escritor Umberto Eco, morto na última sexta-feira (19), percorre os vários corredores de sua biblioteca. É de deixar qualquer um de queixo caído.

A monstruosa quantidade de livros que o autor de O Nome da Rosa tem em sua casa em Milão, na Itália, colocados em vários corredores de prateleiras, é a prova de que Eco viveu para a literatura.

Você pode assistir à cena a partir do momento 4:53 no vídeo abaixo.

A “anti-biblioteca” do escritor e pesquisador tem 30 mil títulos – e, para acomodar tudo isso, ele transformou o espaço, que originalmente era um hotel, em flats.

Agora você deve estar pensando: “‘anti-biblioteca’? Como assim?”

O escritor libanês Nassim Nicholas Taleb, em seu livro The Black Swan, diz que Eco é exemplo de alguém que entende perfeitamente a ideia de como uma biblioteca pessoal deve ser:

“Umberto Eco pertence a um pequeno grupo de acadêmicos que são enciclopédicos, inteligentes e interessantes. Ele é dono de uma biblioteca pessoal enorme (contendo 30 mil livros) e separa os visitantes em duas categorias: aqueles que reagem dizendo, ‘uau! Signore professore dottore Eco, que biblioteca você tem! Quantos desses livros você já leu?’ e aqueles – uma pequena minoria – que entendem que uma biblioteca particular não serve para inflar o ego, mas é uma ferramenta de pesquisa. Os livros já lidos são muito menos valiosos que os não lidos. A biblioteca deveria conter o máximo do que você não conhece conforme seus recursos financeiros, taxas de hipoteca e o atualmente inflexível mercado imobiliário permitem. Você vai acumular mais conhecimento e mais livros conforme envelhece e o crescente número de livros não lidos nas prateleiras olharão para você ameaçadoramente. Na verdade, quanto mais você sabe, maiores são as fileiras de livros não lidos. Vamos chamar essa coleção de livros não lidos de ‘anti-biblioteca’.”

Vídeo:

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Comentários

  1. Alan Kevedo Postado em 22/Feb/2016 às 23:26

    Engraçado, não há um só ganhador de prêmios e luminar do conhecimento, religioso. O papa? Eu falei religioso, cara.

  2. Olga Postado em 23/Feb/2016 às 01:07

    Geniooooo....adoro su obra...excelente escritor...!!!

  3. Fabrício Postado em 24/Feb/2016 às 00:49

    A mídia tosca ressignificou a obra de Eco com a sua morte de tal forma que é possível pensar se ele efetivamente algum dia existiu: "o crítico das redes sociais". É sempre assim, nunca se fala nada sobre o cara em vida, nem o deixam falar, aí quando ele morre, num "surto de consciência", roubam sua fala, ressignificam-na, e devolvem-na pasteurizada ao telespectador imbecilizado, fazendo o cara trabalhar de graça - morto - à maneira da mídia bizarra. Um exemplo das capacidades mágicas da TV, de montar um personagem, de fazer um autor estranho a si mesmo, que não reconhece sua "própria" face.