Redação Pragmatismo
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Índios 14/Jan/2016 às 13:21
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Vítor, 2 anos, sequer teve tempo de entender o ódio que sua etnia ainda provoca

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Eu aprendi a gostar muito de estar nesse lugar de quem, de alguma forma, pode através da sua escrita capturar a atenção de alguém. Sim, ainda que seja só pra ver o título, ou uma passada rápida nas primeiras linhas, isso em um tempo veloz como o nosso é, para mim, um grande ganho, uma façanha até.

Pois bem, ter o leitor ou leitora pelo tempo de uma coluna é a glória. Então, é necessário, uma questão de honra mesmo, buscar com cuidado na “caixinha de escolhas” o tema que vai oferecer aos leitores/as. Mas ultimamente não tem sido fácil não. Não poderia, por mais que doído seja, pelo menos para alguns, deixar de lado a tragédia que acometeu a família do indiozinho morto na semana passada.

Vítor nem teve tempo de entender o ódio, a indiferença e o desprezo que sua etnia ainda provocam. Sua mãe, como uma Pietá nativa, assombrada pelo pequeno sacrifício que é oferecido em nome da irracionalidade e da negação de sua existência incômoda, jamais será vista da mesma forma que uma mãe branca seria vista nesta mesma situação. O silêncio criminoso e perverso dessa nossa sociedade e sua mídia é o maior sinal de sua perversidade.

Não há desculpas para ambas. Apertam gatilhos, cortam gargantas, devastam ecossistemas e congratulam-se de sua capacidade de nos manter a todos sob controle, apaziguados, pacificados e sangrando. É tão hediondo quanto o projeto nazista na Alemanha de Hitler.

É sintomático ver uma comunidade inteira preocupada com um episódio de ciúmes entre uma cantora e seu marido, fazendo disso uma necessidade de discussão e transformando o caso em assunto nacional de alta relevância. Isso certamente diz muito sobre nós.

Toda a tragédia resumida a um surto, um problema psiquiátrico do algoz e ponto. Uma sociedade que elege os seus “matáveis”, sejam eles adultos ou crianças de colo. O que nos tornamos hoje como sociedade, demonstra claramente que o mito da sociedade alegre, solidária, festiva e piedosa, só se sustenta até a página dois.

Os números de nossa tragédia doméstica demonstram o que temos de pior. Permitir a continuação desse caminho é apostar em não-futuro. Certamente, como no caso do indiozinho Vítor e tantos outros, na criminalização dos pobres, na manutenção dos privilégios e na naturalização de tudo isso, reside um grande perigo. E é exatamente por isso que nossos silêncios e prioridades falam muito mais do que palavras e nos expõem as entranhas violentas da nossa terrível e veementemente negada luta de classes.

O que espera em meio a tudo isso, o que fazer? Ansiar por justiça e manter a fé nas belas palavras de nosso Cristo, nosso maior sacrifício e resultado do que o ódio sem sentido e a hipocrisia são capazes de produzir,” Bem aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados”

“A nossa luta é todo dia. Favela é cidade. Não aos Autos de Resistência, à GENTRIFICAÇÃO, à REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL , ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO, ao MACHISMO, À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER e à REMOÇÃO!”

Monica Francisco, Jornal do Brasil

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Comentários

  1. Rodrigo Postado em 14/Jan/2016 às 14:07

    (Outro Rodrigo) Claro que há racismo. Mas, no caso concreto, vejo que todos se calaram sobre a condição psíquica (se não for esse o termo, deixo a correção a cargo dos profissionais da área) do acusado de ter assassinado a criança. Ele realmente é alguém que foi agredido, discriminado em razão de sua orientação sexual, assim tendo sido abandonado pela família? Ele é alguém que já tentou assassinar o próprio pai e dado à autoflagelação, tendo mesmo tentado se suicidar na cadeia? Além da bárbara morte da criança, caso se confirmem todas esses apontamentos que trago, o próprio assassino também reclama olhares voltados para si e sua história. Ressalto não estar justificando o crime ou menosprezando a perda da família, mas atentando para o fato de ser uma questão que envolve uma criança assassinada e (aparentemente) alguém com grave transtorno mental e discriminado em razão de sua sexualidade. Outro caso similar é o dos recentes estupros cometidos por alguns (mas não todos, assim como alguns cometem atentados terroristas, mas não todos) imigrantes na Europa - uns criminalizam a totalidade dos imigrantes, outros dizem que quem reclama é por sentimento de posse quanto às mulheres violadas. Ou a discussão aborda a responsabilidade e condição de todos os envolvidos, ou ficamos nessas mútuas acusações e justificativas.

  2. poliana Postado em 14/Jan/2016 às 15:16

    claro, e a solução pra tudo isso é armar o país..tá "sertinho", pereira. tudo q precisamos diante dessa realidade q vc mencionou, é q a população tenha armas a sua inteira disposição. o ideal mesmo é fazer como nos eua onde armas são vendidas indiscriminadamente até mesmo em bancas de revistas. olha como o brasil seria um paraíso se essa fosse a nossa realidade!

    • José Ferreira Postado em 14/Jan/2016 às 16:08

      Nos Estados Unidos, que são mais populosos que o Brasil, a taxa de homicícios é de 30 mil por ano. Bem menos que aqui. O armamento da população não resolveria sozinho o problema, mas ajudaria.

    • poliana Postado em 14/Jan/2016 às 16:35

      jose ferreira, me explique a lógica do seu raciocínio, por favor. como q num país violento como o brasil, onde ocorrem 60 mil homicídios por ano, a solução seria armar a população? qual a lógica desse seu raciocínio? vc quer comparar a realidade norte americana com a brasileira? me explica isso, por favor. de coração, vc realmente acha q armar a população é a solução pro nosso problema da violência?

    • José Ferreira Postado em 15/Jan/2016 às 10:57

      Eu não disse que resolveria, mas que ajudaria. Esse problema é complexo demais para ser resolvido com uma única medida.

    • Denisbaldo Postado em 15/Jan/2016 às 11:26

      Pereira, já fizeram isso nos EUA e estão voltando atrás. Aguardemos os resultados.

    • poliana Postado em 15/Jan/2016 às 14:10

      pereira, e vc quer comparar "arminha de choque" com rifles, revólveres e afins?! e vc realmente acha q se o cidadão de bem andasse armado, isso iria intimidar o "vagabundo"!? vc acha q o "vagabundo" tem algo a perder a ponto dese preocupar com isso? se assim o fosse, nenhum "vagabundo" ousaria matar um policial, por exemplo. a experiência do vagabundo com uma arma na mão é muito maior do q ade um cidadão de bem...vc fala como se o simples fato de o cidadão de bem andar armado, isso resolveria nosso problema de segurança pública. eu juro pra vc q n consigo enxergar assim...ainda aguardo melhores explicações suas, do henrique, do jose ferreira ou de qq outra pessoa q defenda essa política...gostaria muito de me convencer q armar a população brasileira seria a melhor solução par ao nosso problema de segurança pública.

    • poliana Postado em 15/Jan/2016 às 15:59

      como o estado vai fazer pra desarmar os traficantes, vagabundos e bandidos? me diga...vc acredita q armando a população de bem, esta estará em pé de igualdade com os traficantes, vagabundos e bandidos, a ponto de fazer cair vertiginosamente a violência??? cara, eu juro q n consigo entender essa lógica, pois essa medida pra mim seria realmente trágica.

    • poliana Postado em 15/Jan/2016 às 16:01

      "Qualquer bandidinho mirim de 14 anos tem armas melhores ou iguais às da polícia. imagina todo o armamento que os traficantes tem por exemplo"..................sim, aí vc quer colocar nas mãos da população as mesmas armas desse indivíduos! seria a solução pros nossos problemas de violência!!???

  3. Henrique Postado em 14/Jan/2016 às 19:19

    Assim como antes era contra a liberação da maconha e hoje sou a favor, era contra a liberação das armas e agora também sou a favor, acredito que o número de assassinatos cometidos por irresponsabilidades, "cabeça quente" (infelizmente), seria muito menor que a quantidade de latrocínios, sequestros, etc diminuiriam. Enfim, é uma medida que não pode ser a única a ser tomada nem deve ser pensada que é a solução dos problemas, mas ATUALMENTE acho uma opção menos ruim do que como está. Agora, explique-me sua lógica governamental poliana, Como nos últimos 30 anos TODOS os indicadores socias melhoraram (desemprego, expectativa de vida, acesso à educação, saneamento, etc.) e a violência só cresce? A relação entre o social e o crime existe, claro, mas está longe de ser da maneira benevolente e populista que o estado prega, de passar a mão na cabeça, de julgar com infindáveis recursos, de procurar a reabilitação do indivíduo a todo custo, mesmo que o custo seja pago apenas pelo restante da sociedade

    • poliana Postado em 14/Jan/2016 às 21:16

      henrique, uma coisa é dizer q indicadores sociais melhoraram nos últimos anos, outra coisa é dizer q chegamos num excelente nível a ponto de adotarmos determinadas medidas...num país em q pessoas morrem a todo instante por motivos banais, como q armando a população, a quantidade de homicídios, latrocínios e etc e tal diminuiriam? é essa lógica q eu quero q vc ou o jose ferreira me expliquem! vc realmente acha q a população brasileira tem o grau de instrução, a educação necessária pra portar uma arma, indiscriminadamente? vc quer comparar a grande massa com uma minoria esmagadora? eu fico imaginando o pessoal num estádio de futebol no domingo, em pleno fla flu, ou coríntias x palmeiras, ou qq outro clássico tradicional, ou numa mesa de bar, no carnaval ou em quaisquer eventos públicos regados à álcool, portando uma arma por acharem q assim estarão seguros e diminuirão os casos de violência. vc realmente acha q isso daria certo? explique-me, por favor. ficarei muito agradecida.

      • poliana Postado em 15/Jan/2016 às 14:04

        henrique, como bem lembrou o denisbaldo aí em cima, o próprio barack obama está tentando a todo custo frear a venda indiscriminada de armas nos eua...olha qtos massacres eles tiveram nos últimos anos por conta dessa política nefasta. agora imagine no brasil. n é questão de admiração seletiva não. todos os indicadores q vc mencionou em seu post anterior, os eua estão anos luz a frente do brasil. se lá eu já acho um absurdo as pessoas terem livre acesso a armas, comprando-as até mesmo em bancas de jornais, imagine essa realidade no brasil. juro pra vc, q n consigo nem pensar nessa situação...

      • Henrique Postado em 15/Jan/2016 às 18:51

        Polícia, eu tb não quero um acesso indiscriminado às armas, mas tb não uma proibição imposta pelo estado para as pessoas que, TEORICAMENTE, não pretendem utilizá-las para atos criminosos. Acho mais que certo o qur o Obama está querendo fazer, embora seja difícil pois o lobby contrario lá seja absurdo, MAS o cidadão comum continua podendo ter acesso, perante sua responsabilidade. Aqui pra mim devia ser assim tb. Assim como tudo na vida e na política, a questão se resume a custo beneficio: o custo de vidas perdidas pela liberação vale as ganhas com a mesma? Pra mim sim, acredito que seriam salvas mais do que as perdas, além de que, pior que tá, só uma guerra civil, uma Honduras ou uma Venezuela. Entretanto a cj o que não seria necessário se fizessem um novo código penal com multas pesadas para crimes que visam o dinheiro, como roubos, para que sejam financeiramente inviáveis, e punição pesada para crimes contra a vida, como latrocínio, sequestro, estupro, etc. Desta maneira nem precisa liberar armas, mas que se puna. Não consegue manter todo mundo na cadeia? Então multa, 30 mil, até sair, pra que mesmo sendo pego e solto, ao ser pego vai ter que pagar tanto que não vai valer a pena ser vagabundos assaltando por ai

    • Joao Postado em 15/Jan/2016 às 08:53

      Sou a favor da legalização das armas a partir dos 16 anos juntamente com a redução da maioridade penal . Deve se incluir armas na lista dos materiais escolares. Assim , todos os pais poderão ficar tranquilos , a polícia seria desativada pela obsolescência e está resolvido o problema da violência :P !!

  4. Alessandro Postado em 14/Jan/2016 às 20:54

    Mídia governista se dizer a favor dos direitos indígenas é pura hipocrisia! Em sua parceria com o agronegócio o PT apoia o genocídio indígena no Brasil. Dilma covarde não tem coragem de botar limites na Katia Abreu e na corja que ela representa.

    • José Ferreira Postado em 15/Jan/2016 às 11:01

      A "namoradeira" é uma aliada da Dilma. Se dizem amigas, inclusive. Não espere deste governo uma solução para o problema. Entretanto, outros tipos de governos não resolveriam o problema, pois o agronegócio é forte, além de ser a única coisa que cresce economicamente no Brasil (nos dias de hoje).

      • Thiago Teixeira Postado em 15/Jan/2016 às 16:31

        Paga pau de José Serra é o cúmulo da coxinhice.

      • José Ferreira Postado em 15/Jan/2016 às 16:50

        Paga pau de Katinha é o cúmulo da ruralisse.

      • Alessandro Postado em 16/Jan/2016 às 18:53

        O agronegócio e as elites por trás dele são justamente o que caga com o Brasil. Não é atoa que o desenvolvimento industrial da era Vargas só foi possível uma vez que a economia cafeeira entrou em crise.