Redação Pragmatismo
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EUA 15/Jan/2016 às 12:38
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Obama volta a pedir fim do bloqueio econômico a Cuba

Obama já havia solicitado ao Congresso o fim da medida durante discurso na ONU, no final do ano passado, quando, pela primeira vez na Assembleia Geral, o líder cubano Raúl Castro denunciou os impactos sofridos por causa do bloqueio

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O presidente dos EUA, Barack Obama, em seu último discurso do Estado da União, na terça-feira à noite (12/01), pediu ao Congresso que acabe com o bloqueio econômico e financeiro imposto à ilha comunista: “os cinquenta anos isolando Cuba falhou em promover a democracia, nos atrasou na América Latina. Por isso restauramos as relações diplomáticas, abrimos as portas para o turismo, nos colocamos de maneira a melhorar as vidas dos cubanos“, disse o mandatário.

Obama já havia solicitado ao Congresso o fim da medida durante discurso na ONU, no final do ano passado, quando, pela primeira vez na Assembleia Geral, o líder cubano Raúl Castro denunciou os impactos sofridos por causa do bloqueio, em vigor desde desde 1962, e que só pode ser suspenso por ação do Congresso norte-americano, com maioria republicana.

Leia também: “Profecia” de Fidel Castro feita em 1973 se concretiza em 2015

Com relação a uma de suas promessas de campanha ainda não cumpridas, o líder norte-americano também ressaltou a importância de se fechar a prisão da base naval de Guantánamo.

Ainda sobre questões da política exterior, Obama reforçou que as Forças Armadas norte-americanas são uma das melhores do mundo e criticou comentários que, segundo ele, acabam por enaltecer os esforços de grupos extremistas, em especial o Estado Islâmico. “Enquanto focamos em destruir o EI, alegações exageradas que dizem que esta é a Terceira Guerra Mundial são somente favoráveis a eles“. E destacou os casos de violência em território norte-americano: “Militantes nas traseiras de caminhões, almas tortas que planejam ataques em apartamentos e garagens, são um enorme perigo a civis, devem ser detidos, mas não ameaçam nossa existência como nação”, argumentou.

Política norte-americana

Obama classificou a polarização entre partidos no país como um de seus maiores arrependimentos como chefe de governo do país e pediu à população uma reforma política: “este é um dos maiores arrependimentos da minha presidência — que o rancor e a desconfiança entre partidos piorou ao invés de melhorar”, disse.

Ele chegou a dizer, ainda, que vai tentar desfazer essa polarização enquanto for presidente. “Mas meus companheiros norte-americanos, esta não pode ser uma tarefa só minha — ou somente de qualquer outro presidente”, argumentou. “Isto significa que se quisermos uma política melhor — e agora eu me dirijo ao povo norte-americano — não é suficiente apenas mudar um congressista ou um senador ou até o presidente. Nós temos que mudar o sistema para que ele reflita o melhor de nós mesmos”.

Veja:Reabertura de embaixadas de Cuba e EUA é marco histórico

Para a reforma política, Obama sugeriu, por exemplo, o fim da prática de congressistas escolherem seus distritos, visto que é uma prática em que “os políticos escolhem seus eleitores e não ao contrário”.

Mudanças no nosso processo político — não apenas em quem é eleito, mas em como é eleito — só vão acontecer quando o povo demandar. Depende de vocês. É isto que significa um governo do, pelo e para o povo”, reforçou o presidente.

Ele ainda afirmou que sabe que o que está sugerindo é difícil, “mas se desistirmos agora estaremos abandonando um futuro melhor”.

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Comentários

  1. Fonseca Postado em 15/Jan/2016 às 15:39

    Cadê as Olavetes para dizer o contrário?!

  2. Eduardo Ribeiro Postado em 15/Jan/2016 às 17:34

    """""""""os cinquenta anos isolando Cuba falhou em promover a democracia""""""""""...e por acaso a intenção, com o embargo, era de promover a democracia? Muito desonesto falar de "falha".

  3. Thiago Teixeira Postado em 18/Jan/2016 às 11:07

    Triste foi o Irã atender com humildade as imposições do imperialismo (com mediação da ONU) e depois ouvir declarações arrogantes de Israel e EUA dizendo que "estarão de olho ...". Se esperava o mesmo gesto nobre do imperialismo, mas não ... Vão ser babacas assim lá no hemisfério norte. O Irão deveria ter gastado as ogivas nos porta aviões do Tio Sam.

  4. Joao Postado em 18/Jan/2016 às 14:49

    Todo navio que passar por Cuba – mesmo que seja apenas uma escala rápida – não pode atracar nos EUA por 6 meses. Produtos com qualquer matéria-prima cubana são barrados. Americanos não podem entrar nos EUA com charutos cubanos, por exemplo, mesmo que os comprem em outro país. O regime comunista proíbe as pessoas de deixar a ilha (a não ser em viagens oficiais, esportivas ou de estudo). Quem foge de barco para os EUA e é pego no mar pela guarda costeira americana é mandado de volta. Quem chega a terra firme sobrevive como ilegal. Livros, objetos de arte, filmes e afins podem ser transportados livremente de um país para outro. Cds e dvds virgens não entram nessa categoria. Entre 2004 e 2006, mais de 800 americanos foram punidos nos EUA por viajar ilegalmente a Cuba. Entre os americanos, só jornalistas, membros do governo em viagem oficial ou pesquisadores podem pisar na ilha. A remessa de dólares para Cuba é permitida até US$ 300 a cada 3 meses – desde que a pessoa não tenha parentes em cargos do governo na ilha. visita a familiares diretos (marido ou mulher, pais, filhos, netos e avós) é limitada a 14 dias a cada 3 anos. Na ilha, o visitante só pode gastar até US$ 50 por dia. Um americano pode levar presentes para cubanos, mas apenas até o limite de US$ 200 por mês. Só pode alimentos, roupas, produtos hospitalares ou equipamento de pesca. Em 2007, o comércio dos itens permitidos movimentou cerca de US$ 600 milhões.