Redação Pragmatismo
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Redes Sociais 19/Jan/2016 às 18:48
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10 dicas para não ser enganado na 'guerra cotidiana' das redes sociais

Diante da guerra cotidiana por corações e mentes deflagrada na internet, é importante ficar atento a algumas dicas para não se tornar um leitor-cobaia

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Leonardo Sakamoto*

Dez dicas rápidas para você, leitor de redes sociais, não ser enganado na guerra cotidiana por corações e mentes que está deflagrada na internet. Porque, em uma guerra, a verdade (se é que ela ainda existe) é sempre a primeira vítima:

1) Olhe sempre a data do texto – Há muita gente que, por inocência ou sacanagem, reposta links antigos como se o fato tivesse acabado de acontecer. Como o momento em que um fato ocorre é importante para a sua compreensão, a impressão que fica é que o problema se repete por incompetência de alguém num eterno Dia da Marmota.

2) Anônimo é coisa do capeta – A chance de uma denúncia anônima e sem a fonte da informação circulando no WhatsApp ser séria é a mesma de um jabuti escalar um poste de luz sozinho. Se recebeu, demonstre nojinho e desconfie.

3) Fora de contexto, sem chance – Quando alguém tenta desacreditar uma ideia, pinça uma frase ou uma imagem fora de seu contexto e a utiliza para construir seu argumento. Como parte das pessoas foi condicionada a agir como gado diante do discurso de quem confia, acaba acreditando no novo significado que o sujeito tentou impor com essa descontextualização. Ou seja, na dúvida, Google nele.

4) Não seja otário, leia – Ler um texto até o final é fundamental. O título, a foto e legendas não são capazes de trazer toda a complexidade de um argumento. Se não tiver tempo para ler, não compartilhe ou curta. Você pode, sem querer, estar difundindo uma peça de racismo ou de violência contra a mulher.

5) Desconfie dos argumentos de autoridade – Não é porque o papa ou a bispa Sônia disseram algo que você tem que acreditar. O mesmo vale para o presidente da sua associação de moradores ou o diretor do seu sindicato. Exija confirmação dos fatos ou vá atrás dela.

6) Cuidado com falsa relações de causa e consequência – Um fato que acontece depois do outro não necessariamente foi causado pelo primeiro. O atropelamento de um pônei não é, necessariamente, a causa de uma tempestade. Da mesma forma, a chegada de imigrantes não é necessariamente a causa de desemprego.

7) Não se deixe levar por quem escreve bonito – O texto pode até estar te xingando de uma forma doce e você nem vai perceber se não observar atentamente o significado das palavras que o autor escolheu. Além disso, fique atento: não é porque a pessoa escreve com certeza absoluta no que diz que está certa.

8) Cuidado com os sites fantasmas – Não é porque um site publicou um assunto com uma abordagem com a qual você concorde que ele é honesto ou faz bom jornalismo. Procure um “quem somos” ou um “expediente” e veja quem trabalha lá. Se não encontrar, desconfie.

9) A imagem nem sempre vale mil palavras – Até uma criança não alfabetizada é capaz de manipular uma foto com aplicativos online. Então, por que você acredita que uma imagem é uma prova irrefutável de um argumento? Ao mesmo tempo, ao editar um imagem, deixando partes dela de fora, exclui-se desafetos ou cria-se a impressão de multidões onde elas não estavam.

10) Leia coisas com as quais discorda – Não é porque você não concorda com uma opinião ou informação presentes em um texto bem fundamentado que ele não merece ser lido. Considere que o mundo é mais complexo do que você pode imaginar e que a pluralidade de ideias, desde que não desejem a morte de ninguém, ajuda a crescermos como sociedade. O contrário disso se chama ditadura.

*Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo.

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Comentários

  1. Valle Postado em 19/Jan/2016 às 20:01

    6) Mentira, toda vez que um pônei morre a natureza chora a perda. É por isso que chove. É nisso que eu acredito, e se você discorda está ameaçando a minha fé.

  2. gustavo0 Postado em 19/Jan/2016 às 22:11

    Sakamoto escreveu fácil essas dez dicas, e com ótimo senso de humor.Gostei.

  3. Preto Velho Postado em 20/Jan/2016 às 00:41

    Se quiserem uma versão mais rebuscada, leiam Schopenhauer.

  4. Héber Pelágio Postado em 20/Jan/2016 às 12:03

    "Não é porque você não concorda com uma opinião ou informação presentes em um texto bem fundamentado que ele não merece ser lido. Considere que o mundo é mais complexo do que você pode imaginar e que a pluralidade de ideias, desde que não desejem a morte de ninguém, ajuda a crescermos como sociedade. O contrário disso se chama ditadura". Difícil é o pessoal da Esquerda aplicar isso aqui! Como eles sofrem do chamado "viés de confirmação", só procuram se informar mediante artigos divulgados pela Esgotosfera Petralha, que na sua imensa maioria é sustentada com o dinheiro dos nossos impostos.

  5. irineu Postado em 20/Jan/2016 às 14:25

    não use e ponto final, q dica é o cacete, todo mundo trabalhando pro zuque... tolos

  6. ricardo vaz Postado em 21/Jan/2016 às 11:00

    Faltou uma dica: quando alguém menciona um Decreto com número e data, como prova do que afirma, vá ao site do Governo e procure o Decreto. Frequentemente ele não existe, ou foi transcrito errado ou só da parte que interessa... Exemplos típicos: o Auxilio Reclusão (que vira "Bolsa Presidiário") , o Bolsa Família e a política de cotas. 100% das pessoas que me repassaram posts criticando estes programas, nunca os leram, admitidamente.

  7. beto Postado em 19/Jan/2016 às 22:41

    Por isso que frequenta o sítio né? hahahahahaha, é nítida a mudança de postura com certos temas que tu tens por aqui

  8. João Paulo Postado em 19/Jan/2016 às 23:07

    Por isso que parei de ler a Veja e Globo há mais de 10 anos ...

  9. felipe Postado em 20/Jan/2016 às 08:39

    É impossível formar opinião olhando apenas para um lado.

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