Redação Pragmatismo
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Racismo não 23/Nov/2015 às 16:17
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Menina vítima de racismo aos 4 anos “se esfregava no banho”, diz mãe

"Ela se esfregava no banho porque achava que a cor ia sair", diz mãe de menina vítima de racismo aos 4 anos. Criança ouviu de colegas da escola que sua cor é de "gente suja" e o cabelo é "ninho de bicho"

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A pequena Lorena e a sua mãe, Gabriela Gaabe (reprodução/arquivo pessoal)

A assistente sênior Gabriela Gaabe é mãe de Lorena, uma menina de cinco anos. Antes de completar quatro anos a criança sofreu, pela primeira vez, racismo. Naquele dia, a mãe chegou do trabalho, a filha olhou para ela e disse que não queria mais ser negra.

A mãe ficou surpresa e tentou entender o que tinha acontecido naquele dia. A resposta foi que o ato racista tinha acontecido dentro da escola e partido das outras crianças que estudavam com a menina. Quando a Gabriela perguntou para Lorena o que tinham dito para ela, veio o relato: “Falam que minha cor é de gente suja e que meu cabelo é de ninho de bicho”.

Gabriela conversou com a filha e ligou para a escola. Quando falou com o diretor da instituição, a resposta que recebeu dele foi que aquilo “não era coisa da escola, que ele duvidava que as crianças estavam falando aquilo e que isso poderia estar vindo de dentro de casa”.

VEJA TAMBÉM: Entrevista da consulesa da França no programa do Jô foi uma aula sobre racismo

“Eu falei que não. Não existe preconceito dentro da minha casa. Achei agressivo da parte dele falar que o preconceito vinha de dentro da minha casa”.

A mãe de Lorena diz que aquele foi o primeiro contato da filha com o problema do racismo e que foi, também, a primeira vez que ela tinha presenciado algo do tipo com a filha dela.

“Ela se esfregava no banho porque achava que a cor ia sair”.

Para ajudar a filha a superar o trauma e fazer com que ela fosse forte para conseguir encarar outros momentos como esse, a mãe começou a trabalhar a autoestima da menina, buscando a representatividade. Ela mostra para a filha mulheres negras importantes, para que ela possa se ver representada em outras pessoas de sucesso.

“Uma vez ela me perguntou porque não tinha princesa negra e atriz negra em peça para criança”.

Gabriela sempre frequentou peças de teatro com a filha. Mesmo proporcionando momentos culturais para a criança, ela não se reconhecia nos personagens. Pensando nisso, a mãe resolveu, aos 28 anos, começar a estudar artes cênicas.

“Entrei no teatro pela minha filha e por outras crianças que precisam ter essa visibilidade. Quero mostrar para ela que existe princesa negra e que ela pode ser o que ela quiser”, contou Gabriela.

Giorgia Cavicchioli, R7

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Comentários

  1. Alan Kevedo Postado em 23/Nov/2015 às 17:01

    Olha, meu bem, você sempre foi linda e eu só não acho, achismo mesmo, bonito essa histórias de "Padrão de beleza" , pois pra mim padrão somente em idioma e , pior ainda, essa história de se escrever Biblias e nelas livros e nesses livros socar nomes conhecidos e tudo isso servir de estrutura de mando para se criar primeiro cisões entre eles e agora entre nós? E o pior ainda se ganhar dinheiro, com religião? Eu, hein?

  2. Juliana Postado em 23/Nov/2015 às 23:38

    Triste relato, mas prova que temos que mudar a cabeça das nossas crianças. Os adultos em hipótese alguma podem ser coniventes nesta hora e a escola deveria ter investigado a caso e chamado os pais das crianças agressoras para conversar. Afinal de contas, as crianças não insultaram a menina do nada, com certeza só reproduziram o que ouvem em casa.

  3. George Postado em 24/Nov/2015 às 09:27

    Tristeza. Meninazinha sofrendo racismo de criança que são influenciadas pelos pais (que devem ser racistas).

  4. Ricardo Postado em 08/Dec/2015 às 16:16

    É muito triste essa história. Preconceito é um câncer da sociedade. Mas adorei a atitude da mãe, mostrando à filha que ela não deve ter vergonha de sua cor.