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América Latina 23/Nov/2015 às 15:24
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Conheça Maurício Macri, o novo presidente da Argentina

Após 12 anos de kirchnerismo, Argentina vive guinada à centro-direita. Futebol, oposição e espionagem: conheça Mauricio Macri, eleito para a Casa Rosada neste domingo

Maurício Macri Argentina novo presidente

Aline Gatto Boueri, Vanessa M. Silva e Matheus Pimentel, Opera Mundi

Em 2010, a jornalista Gabriela Cerruti escreveu uma biografia de Mauricio Macri em que afirmava que ele era o primeiro nome da direita com chances de chegar à Presidência da Argentina. Cinco anos depois, cumpriu-se a profecia da também deputada estadual de Buenos Aires alinhada ao kirchnerismo: Macri foi eleito para a Casa Rosada neste domingo (22/11) após derrotar o candidato governista, Daniel Scioli, e toma posse em 10 de dezembro.

Atual chefe de governo da cidade de Buenos Aires, Macri se formou em engenharia civil na UCA (Universidade Católica Argentina) e iniciou a carreira no mundo corporativo, no ramo de construção. Estudou também em universidades nos Estados Unidos, em Nova York e na Filadélfia. Trabalhou nas empresas do seu pai, Franco Macri, fundador e dono de um conglomerado que leva o nome da família e que atua em diversas áreas, como de automóveis, correio e indústria alimentícia.

Nas empresas do Grupo Macri, ocupou cargos de analista sênior, gerente-geral, vice-presidente e presidente. No entanto, não foi no mundo dos negócios que Mauricio Macri alcançou destaque público na Argentina. Em 1995, tornou-se presidente do maior clube de futebol do país, o Boca Juniors. Macri deixou o cargo somente para assumir o governo da cidade de Buenos Aires, em 2007, após uma gestão vitoriosa no Boca – um total de 17 títulos.

Trajetória política

Macri criou, em 2003, o partido político Compromisso pela Mudança (Compromiso por el Cambio), que dois anos depois deu origem a sua atual sigla, o PRO (Proposta Republicana). No mesmo ano, foi derrotado por Aníbal Ibarra na primeira tentativa de se eleger chefe de governo da capital do país. Ibarra foi destituído do cargo em 2006, após um incêndio na casa de shows República de Cromañón, que deixou 194 mortos.

Entre 2005 e 2007, Macri exerceu um mandato de deputado federal e foi duramente criticado por suas ausências a votações no Congresso. Segundo levantamentos da Câmara, o presidente eleito participou de 32 das 53 reuniões da casa em 2006, e, no total, esteve ausente em 277 das 321 votações.

Já em 2007, o novo presidente da Argentina não participou de nenhuma votação na Câmara. Nesse ano, Macri foi eleito chefe de governo, cargo para o qual obteve a reeleição quatro anos depois.

Boca Juniors

Durante um almoço com a embaixadora dos EUA Vilma Martínez, em 2010, Macri, reconheceu que sua gestão à frente da cidade de Buenos Aires não lhe proporcionou muitos eleitores em nível nacional, tal como fora revelado por documentos secretos divulgados pelo Wikileaks.

“Se tenho apoio político fora de Buenos Aires, 90% dele é por ter dirigido o Boca e 10% por ser chefe do governo de Buenos Aires”, disse.

Na campanha para a conquista da prefeitura de Buenos Aires em 2007, Macri foi inquestionavelmente beneficiado pelo sucesso na gestão à frente do time. No dia 20 de junho daquele ano, apenas cinco dias antes de o então candidato ganhar a eleição de seu concorrente, o kirchnerista Daniel Filmus, o Boca Juniors se sagrava campeão da Libertadores da América pela sexta vez.

Justiça

Macri chega à presidência processado por escutas telefônicas ilegais. Ele é acusado de associação ilícita para espiar Sergio Burstein, familiar de vítima do atentado à AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina), e seu próprio cunhado, Néstor Daniel Leonardo. Em 2010, a denúncia contra Macri foi aceita e ele passou a responder na Justiça pelo caso. A ele, se imputa haver utilizado a estrutura da Polícia Metropolitana, criada por ele em 2008, para realizar espionagem ilegal em conivência com funcionários de seu governo.

A defesa de Mauricio Macri alega que não há provas suficientes de que ele esteja envolvido no esquema de espionagem. Em entrevista a um programa televisivo a dias do segundo turno, Macri foi questionado pelo jornalista e advogado Darío Villarruel sobre sua campanha anticorrupção enquanto está processado pela justiça e evadiu a resposta. O então candidato disse que a causa penal foi “uma invenção do kirchnerismo” e acusou Villaruel de querer constrangê-lo.

Em abril de 2013, a Polícia Metropolitana acompanhou operários contratados pelo governo da cidade de Buenos Aires para demolir uma oficina de reabilitação do hospital psiquiátrico José Tiburcio Borda. Diante da resistência de médicos e pacientes, a força policial os reprimiu com violência e deixou 50 feridos. Macri havia sido acusado de envolvimento no caso, mas uma sentença o livrou de mais um processo em fevereiro deste ano, nove meses antes de sua vitória nas eleições.

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Comentários

  1. André Hinnah Postado em 23/Nov/2015 às 16:09

    Retrato muito superficial. Uma pessoa que vem de um governo municipal e tem uma vida pública merecia ter uma análise um pouco mais profunda.

  2. isaac Postado em 23/Nov/2015 às 16:21

    Se caímos na direita, nada ao povo. Se caímos na esquerda, desgovernança. Trabalhador está sempre fudido...

  3. Denisbaldo Postado em 23/Nov/2015 às 16:37

    Coxinhas, vão pra Argentina!!!

    • Denisbaldo Postado em 23/Nov/2015 às 19:54

      Os coxinhas estão tão desesperados que comemoram vitória da direita na Argentina!?!?!?! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

      • Carlos Prado Postado em 23/Nov/2015 às 23:07

        O bem para alguém temos que desejar.Ou vai se afogar na ilusão de que a esquerda representa "o povo" e a direita só quer explorar?

      • Denisbaldo Postado em 23/Nov/2015 às 23:54

        Isso, o bem na cabeça de vocês é uma "intervenção militar". O bem na cabeça de vocês é o Brasil dos anos 70/80. O bem na cabeça de vocês é o bem da sua família e amigos, o resto dane-se. Antes de acharem que algo de bom aconteceu na Argentina, esperem por resultados concretos. O Carlos Menem era liberal e a Argentina sofreu nas mãos dele. A esquerda não tomou o poder, foi eleita por conta da incompetência da direita. A direita volta ao poder na Argentina por uma vantagem mínima e sem bala na agulha. Estamos em 2015 e não adianta abaixar as calças pros EUA porque eles não querem mais comer, aliás, estão sem grana mesmo. Abaixa a bolinha e espera pra ver, a Argentina continua sendo um país insignificante com um PIB menor do que o Estado de SP. Logo mais esse presidente vai vir pra cá com o pires na mão pedir umas esmolas e vocês vão poder lamber as botas dele como fazem com qualquer rico da direita. O Brasil está cheio de pobre puxa saco de ricos, basta ver o Globo News e seus jornalistas lambe botas dos Marinho.

    • Denisbaldo Postado em 23/Nov/2015 às 20:01

      É mesmo!?!?! Aposto que foi o Reinaldo Azevedo que te contou!

    • Thiago Teixeira Postado em 24/Nov/2015 às 19:00

      Vai pra Argentina, babaca.

  4. José Ferreira Postado em 23/Nov/2015 às 16:52

    Sabia que vocês iriam falar mal do Macri. Se fosse o outro, esse veículo estaria "a soltar fogos".

  5. Guilhermo Postado em 23/Nov/2015 às 18:28

    Estou surpreso. Pensava que o outro iria ganhar. Claro que, como ele mesmo disse, o fato de ter sido presidente do Boca deve ter ajudado visto que a Argentina é fanática por futebol.;

  6. poliana Postado em 23/Nov/2015 às 18:57

    hahahahaha...volte a dizer isso nos próximos anos, querido cesar souza...veremos como a argentina ficará nas mãos dessa gente.

  7. Denisbaldo Postado em 23/Nov/2015 às 19:18

    Ouvi dizer que foi o Saci Pererê que fraudou as urnas para o PT ganhar por causa das cotas.

  8. Denisbaldo Postado em 23/Nov/2015 às 19:55

    Os coxinhas estão tão desesperados que comemoram vitória da direita na Argentina!?!?!?! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

    • José Ferreiraj Postado em 24/Nov/2015 às 10:52

      É só o começo. Paraguai já foi, agora é a Argentina, e no final será o Brasil...

  9. Trajano Postado em 24/Nov/2015 às 03:32

    Não entendi. O que exatamente os coxinhas e viúvas da ditadura militar têm a ver com as eleições argentinas? O que eles estão comemorando exatamente? O kirchnerismo venceu eleições seguidas vezes e não vi exaltação por aqui. Alguém lembra de algo parecido? Eu hein, parecem torcedores de time de futebol que só perdem e comemoram títulos de times estrangeiros. Constrangedor isso. Mauricio Macri nem começou o mandato ainda. Vamos torcer, sim, para que a Argentina continue um país forte, que mantenha nossas importantes parcerias comerciais, políticas, culturais, enfim, que continuemos nossas alianças importantíssimas, históricas, para ambos os países, para a América Latina. A realidade é que Macri terá responsabilidades assustadoras em seu mandato, uma vez que terá que conciliar as necessidades sociais às necessidades econômicas argentinas. No Brasil, o ministro da fazenda, Joaquim Levy, liberal “de carteirinha”, o “não existe almoço grátis”, sabe bem o que é isso, como a manutenção da meta de 0,7% de superávit, o que implica, para o alto empresariado brasileiro, cortar subsídios e programas do governo – ou a criação de impostos -, o que por si só, seja lá qual for a decisão, agrava a crise política e a presidenta Dilma está ciente dos pepinos gigantes, antes fossem mandiocas, e o próprio Levy fica na corda bamba segurando os pepinos e as mandiocas. Pepinão para Macri também administrar em uma eleição apertada, sem maioria no Parlamento, com uma população que, sim, verá a propaganda política de mudanças acontecer, mas os cidadãos não parecem estar muito cientes do que representam essas mudanças no plano econômico. Ajustar o câmbio e permitir a invasão de dólares no país, promessa de Macri, pode funcionar até a estabilidade da economia – vamos torcer que assim seja -, mas junto vem o boom da inflação, o provável corte de benefícios sociais, o risco iminente de impacto econômico brutal aos mais pobres e o presidente vai ter que fazer malabarismo para manter sua popularidade, o que exigirá que ele invista em publicidade e “simpatias” das mídias principais, mas Argentina não é Brasil. Em suma, a Argentina pode apresentar um levante econômico, mas com sérios riscos de antes mesmo do término do mandado apresentar uma queda difícil de ser remediada, com um custo de vida elevadíssimo e, novamente, retração econômica. E isso, nem a rasgação de seda de Uta Thofern dará um jeito, muito menos dos jornalistas partidários brasileiros que, no máximo, ocultarão do seu mercado consumidor os problemas inevitáveis que acontecerão, tal como fazem agora em suas propagandas a favor de Macri. De resto, se os direitistas brasileiros estão comemorando algo, a chance de vir bomba por aí é grande, quase que um mau agouro, afinal, só comemoram quando algo acontece no seu clube do bolinha particular, ainda que o resto se exploda. Ou alguém acha que a direita brasileira se preocupa com a Argentina??? Isso quando não se trata dos delírios napoleônicos pereirescos e dos esquizofrênicos políticos andre/maria/julio/cesar/souza com suas múltiplas personalidades que disputam quem falam mais porcarias. A Argentina, no momento, não é o melhor lugar para se depositar as fichas, principalmente em tempos de internet onde fica tudo registrado. Quem sabe, pelo menos, a direita brasileira aprenda o que é ser realmente oposição com os kirchnerianos nos próximos anos? Assim espero. Se deixarem de constrangimentos e imbecilidades em larga escala, já será um ganho para a democracia brasileira.

  10. Alberto Ferreira Postado em 24/Nov/2015 às 04:27

    Kkkk E o curupira e a mula sem cabeça que fazem parte da conspiração terão que ser caçados e fuzilados

  11. João Paulo Postado em 24/Nov/2015 às 12:28

    "Macri exerceu um mandato de deputado federal e foi duramente criticado por suas ausências a votações no Congresso." "Macri foi questionado pelo jornalista e advogado Darío Villarruel sobre sua campanha anticorrupção enquanto está processado pela justiça e evadiu a resposta. O então candidato disse que a causa penal foi “uma invenção do kirchnerismo”" Qualquer semelhança com Aópio Neves é mera coincidência ...

  12. Marcos Vinicius Postado em 24/Nov/2015 às 14:44

    Fascismo bolivariano?kkkkkk Pirou da batatinha! Até parece que a Cristina Kirchnner vai se recusar entregar o poder a ele pra manter a "ditadura", que por sinal respeitou o resultado das urnas.

  13. Eduardo Ribeiro Postado em 24/Nov/2015 às 15:45

    Esse garoto é caso patológico. É uma metralhadora fecal. Deve ser um menino de 14 anos sem referencia paterna que vive de dar ctrl-c ctrl-v de mises/olavão e discípulos/bolsonaro zuero/azevedo e outros. A quantidade de CLICHÊS REAÇAS por "pixel quadrado" que eu li é cavalar...

  14. Thiago Teixeira Postado em 24/Nov/2015 às 19:00

    Nojento é a forma que o PiG anuncia a vitória: "Macri vence as eleições e coloca em fim o Peronismo", "Nova esperança para a América Latina e Mercosul" Nojento foi o sorriso no rosto das jornalistas golpistas do Bom? Dia Brasil. Detalhe, 51% a 49%, 700 mil votos de diferença. Já no Brasil, 3,7 milhões de votos de diferença ... "Vitória apertada do PT" ... "Dilma vence, mas sofre derrota no legislativo" ... "Com baixa aprovação, Dilma iniciará o governo com turbulências". Mídia Nojenta, ESCÓRIA MUNDIAL.

  15. C.Paoliello Postado em 24/Nov/2015 às 19:12

    O WikiLeaks já havia feito as revelações sobre Macri em relação à sua submissão aos interesses dos EUA: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/42360/wikileaks+durante+governo+cristina+macri+pediu+que+eua+fossem+mais+criticos+com+argentina.shtml

  16. enganado Postado em 24/Nov/2015 às 22:52

    A Argentina vai chorar lágrimas de sangue, ficar sem o pouco de soberania que ainda tem e a judeuzada residente nos EUA/iSSrael, ou seja, os Anglo-Sionistas_Semitas vão fazer a festa com o cx dos argentinos. O nosso Rio de Grande do Sul servirá de exemplo, pois quem manda lá no estado é o Grupo Semita=Sionista RBS. Tá ficando cada dia melhor! Argentina,Vcs vão perder o pouco de riqueza que ainda existe por aí. O petróleo argentino vão para as mãos dos judeus em 6 meses. Aguardem! Enfim, foda-se o País.

  17. Carlos Postado em 25/Nov/2015 às 01:21

    Argentine livre, agora é a Venezuela e o povo vai poder limpar a bunda de novo.

  18. Pedro Accioli Postado em 25/Nov/2015 às 13:03

    Fascismo Bolivariano? Me faça rir seu coxinha otário! A Cristina reconheceu a vitória do Macri! Venceu a eleição, reconhecemos isso e que ele faça o governo dele e olha a ficha suja que este cara tem! Já está mais que comprovado que os coxinhas, ou são tapados ou são dignos de serem chamados de ignorantes!