Redação Pragmatismo
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Saúde 26/Nov/2015 às 12:18
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Cientista ajuda mãe a morrer e vira voz pró-suicídio assistido

Cientista que ajudou a mãe a morrer vira referência mundial em defesa do suicídio assistido. Preso e julgado pela justiça, pela mídia e pela sociedade, Sean Davison hoje é um ativista pró-eutanásia

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Sean Davison e a sua mãe. Cientista se tornou voz pró-eutanásia após ajudar sua mãe a morrer

O cientista neozelandês Sean Davison virou uma referência mundial em defesa do suicídio assistido.

Em 2006, ele macerou 18 tabletes de morfina e os diluiu em um copo d’água. Deu a bebida para a mãe, doente terminal de câncer cervical. Uma hora depois ela perdeu a habilidade de falar e dormiu. “Eu também dormi e, quando acordei, ela havia morrido” conta.

Preso e julgado em 2011 na Nova Zelândia por homicídio doloso — aquele em que há intenção de matar — Davison revela sua mãe havia pedido para que ele a ajudasse a morrer. Depois de refletir dias sobre o pedido, ele chegou à conclusão que a decisão não era dele, e sim dela. As informações são da BBC World Service.

Patricia, a mãe de Davison, era médica. E, durante sua agonia, recusou tratamento. Ficou paralítica e perdeu o paladar, o que a levou a fazer uma greve de fome para tentar acelerar sua morte.

A condenação de Davison gerou enorme polêmica no país, já que sua pena foi revertida para o crime de incentivo de suicídio, que levou a uma punição branda: cinco meses de prisão domiciliar.

Desde então, o cientista passou a ganhar notoriedade como um ativista pró-eutanásia e fundou a Dignity S.A (Dignidade S.A), ONG que faz lobby na África do Sul para a criação de uma lei que permita a eutanásia.

Davison escreveu um diário relatando a experiência, que enviou para uma irmã. Confira abaixo algumas falas do cientista:

“Quando minha mãe estava doente, minha cabeça estava voltada para mantê-la viva, mesmo com sua saúde se deteriorando na minha frente. O dia em que ela me pediu que a ajudasse a morrer foi um choque. Passei dias refletindo sobre o pedido, até que finalmente percebi que a decisão não era minha e, sim, de minha mãe. Quem era eu para dizer para a minha mãe que ela não poderia morrer e que teria de continuar apodrecendo em uma cama?”

(…)

“Ela não conseguia mais ler e pintar, que eram seus principais hobbies, porque também perdeu a habilidade de mover os braços. Quando ela parou de se alimentar e pediu que não a levássemos para um hospital, achei que sua morte seria rápida. Mas cinco semanas se passaram e ela ainda continuou viva.”

(…)

“Ela me disse: ‘você tem de publicar isso’ (o diário). Era um documento do que tinha passado. Foi uma forma de lidar com o estresse de tudo o que aconteceu. Minha irmã é assistente social e várias vezes tinha se deparado com casos em que parentes ajudaram entes queridos a morrer. Ela achava que tornar minha experiência pública poderia ajudá-los a ver que não estavam sozinhos”

(…)

“Não achei que precisava consultar meus irmãos. Primeiramente, porque todos sabiam que minha mãe não queria ir para o hospital. Segundo porque nenhum deles estava cuidando dela. Eu é que estava sozinho com ela, testemunhando sua agonia. Também não era uma decisão deles. Era da minha mãe.”

(…)

“Não fui julgado apenas pela Justiça, mas pela mídia e pela sociedade. Para aqueles que me criticam, só peço que se coloquem no meu lugar antes de emitir opiniões.”

(…)

“A Nova Zelândia é um país muito religioso e o suicídio assistido é uma questão delicada. As pessoas não param para pensar na morte, a não ser na hora em que precisam lidar com ela. Não acho que ninguém precisa deixar de ser preocupar com a vida, mas ter consciência de questões relacionadas à morte é importante”

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Comentários

  1. Guilhermo Postado em 26/Nov/2015 às 13:39

    Acredito na versão dele. Só que, mesmo nesses casos, é importante pensar adiante. Era óbvio que ele sofreria as consequências desse ato. Afinal, ele, de fato, "matou" a mãe.

    • poliana Postado em 26/Nov/2015 às 14:07

      n usaria esse termo, guilhermo. diria q ele ajudou a por fim ao enorme sofrimento da mãe. foi um ato nobre!

  2. Lann Postado em 26/Nov/2015 às 15:42

    Sou super a favor disso. Principalmente em doenças terminais onde a pessoa além de estar agonizando ainda mina a vida e felicidade da família.

  3. Grey Postado em 26/Nov/2015 às 23:04

    Pqp, mas vcs não conseguem MSM ficar sem enfiar politica em tudo não é? Se fosse uma matéria sobre como filhotes de animais são bonitinhos, vocês iriam achar ALGO para trazer política não é? Olha, se vc não tem nada para acrescentar a discussão envolvendo o assunto apresentado na matéria, cale a boca.

    • Jonas Schlesinger Postado em 27/Nov/2015 às 02:15

      Grey, por favor, acalme-se. Tem gente que quer fazer de nós de idiotas e se formos na onda desses aí é que eles vão achar que corroboram nisso.

  4. Cesar Postado em 27/Nov/2015 às 13:00

    André, eu acho que seria ótimo para você ao invés da presidenta, afinal quem está em estado terminal são os seus pensamentos suicidas.