Redação Pragmatismo
Compartilhar
Contra o Preconceito 18/Nov/2015 às 12:54
28
Comentários

A história de Laura, a delegada que já foi reconhecida como delegado

Laura decidiu que assumir sua identidade de gênero seria o melhor caminho para a sua vida. Em busca desse objetivo, pediu licença de seis meses à corporação e retornou com nova aparência, novo nome, nova identidade e feliz. Antes do afastamento era o delegado Thiago

delegado Thiago delegada Laura
Delegado Thiago virou delegada Laura

Sou Mais Eu Digital

Apresentar-se para o mundo da forma como internamente se sentia. Esse era o desejo de Laura de Castro Teixeira, 33 anos, delegada da Polícia Civil de Goiás, que atualmente serve à Delegacia da Mulher, em Goiânia. Em busca desse objetivo, pediu licença de seis meses à corporação e retornou com nova aparência, novo nome e nova identidade. Antes do afastamento era o delegado Thiago.

“Sempre tentei me conter em relação a isso.” Essa é a definição de Laura quanto ao período em que sentia o desejo de se portar como mulher, mas não assumia nem para si a sua condição. Na tentativa de combater seus impulsos, agia de maneira contrária. Fazia tudo para demonstrar ao mundo que era um homem convicto e viril, seguindo à risca o estereótipo da figura masculina.

Desde os tempos de criança, sentia que havia algo diferente, mas se policiava até mesmo em relação aos trejeitos, com medo de que as pessoas desconfiassem. “Eu fazia questão de parecer uma figura máscula. Uma pessoa forte, firme, implacável e que esconde seus sentimentos”, conta.

Hormônios antes da transformação

Na intenção de acabar com os desejos reprimidos, Laura buscou apoio psicológico. “Procurei ajuda para tirar aquilo da cabeça, não foi para assumir.” No entanto, nas sessões foi incentivada a agir da maneira que se sentisse mais à vontade. Nesse período, considera que aprendeu a entender sua situação e parou de pensar que seu desejo era impróprio.

“O psicólogo me ajudou a entender que aquilo não era errado. Errado é deixar de ser feliz por ter medo da reação das pessoas em relação a seu posicionamento.” Com esse pensamento, Laura começou a construir estruturas que sustentassem sua decisão. Ainda antes de estar totalmente segura de que se submeteria à mudança de sexo, começou a tomar hormônios femininos.

Essa seria uma mudança drástica e definitiva em sua vida. A ideia tinha de ser muito bem trabalhada, pois traria consequências para todos, inclusive para ela mesma. Apesar de tudo, o sentimento extrapolava uma mera atração pelo sexo masculino. “A minha situação não era apenas uma questão de homossexualidade. E sim de assumir o meu gênero.”

Logo após tomar a decisão de que realmente se tornaria uma mulher, comunicou o fato ao delegado-geral da Polícia Civil e pediu licença do trabalho. Depois disso, sua grande preocupação era relacionada à base familiar e às consequências de seu ato após a realização da mudança de sexo. Ao acompanhar o caso da modelo Lea T, 32, veio o desejo de realizar a operação. “O resultado dela foi excelente. Então achei que era viável.”

A grande preocupação era obter um resultado aceitável. De acordo com a pesquisa realizada por ela, quanto mais cedo se começa a usar hormônios femininos, maior a eficácia, principalmente em relação à expressão facial. A idade-limite para se obter o melhor resultado hormonal seria a de 30 anos, uma das razões para, aos 29 anos, Laura começar sua transformação.

A primeira intervenção foi a feminilização facial, que reduz o maxilar. O passo seguinte foi retirar o órgão genital masculino e fazer a adaptação para as formas femininas, no fim de 2013. Após a cirurgia, Laura ficou um mês em observação no hospital. Em seguida, se submeteu à última etapa: o implante de próteses de silicone nos seios.

Ela vai usar os hormônios femininos pelo resto da vida por questões de saúde. Desde a retirada dos testículos, o corpo dela não produz mais hormônios masculinos.

Laura não pensou duas vezes em se desfazer de bens materiais para concretizar seu sonho.”Abri mão de tudo o que eu tinha, como o carro e meus imóveis. Tenho de começar minha vida do zero.” De volta ao trabalho e à rotina, Laura depara com as mudanças em sua vida ocasionadas pela troca de sexo. O primeiro passo foi a alteração oficial de nome, em processo movido na Justiça. Após a mudança de aparência, durante aproximadamente três meses ainda teve de conviver com o nome masculino da certidão de nascimento. Um dos muitos desafios de sua nova condição.

No trabalho, não houve resistência quanto à mudança. O tratamento feminino se deu naturalmente. Um dos fatores que contribuíram para a adaptação foi a mudança de ambiente, pois passou a atuar na Delegacia da Mulher em Goiânia. “Fui muito bem acolhida na minha volta. Mesmo que eu ainda tivesse que assinar os documentos com o nome antigo, todos me tratavam como “doutora”. Realmente não tive dificuldade. Essa mudança de ambiente evitou que houvesse um choque. Mesmo assim, alguns colegas de lá me ligam e usam o tratamento feminino. Em relação a vítimas e acusados que procuram a delegacia, o tratamento é normal.”

Cantadas e assobios na obra

No seio familiar estão as maiores dificuldades enfrentadas na nova vida. As grandes transformações, ainda tão recentes, demandam tempo para adaptação. A própria Laura ainda não se sente à vontade para tratar alguns temas pessoais, por considerar que são delicados. Ela e os dois filhos adolescentes, um menino e uma menina, são submetidos a sessões psicológicas constantes para assimilar as mudanças.

“Vivemos uma situação que chega a ser engraçada. Tenho uma bisavó ainda viva, mas que não enxerga bem. Até hoje ninguém falou para ela sobre a minha mudança e ela me trata como se nada tivesse acontecido. Até imagino que já tenha percebido que há alguma coisa diferente, mas nunca comentou nada.”

Apesar dos obstáculos, Laura curte o momento. A atração masculina é algo que tem agradado muito nesta nova fase. “Você tem de se acostumar. O homem olha para um homem de um jeito e para a mulher de outro. Você anda na rua um motoqueiro passa e fala alguma coisa. Passa na frente da obra e ouve aquelas cantadas engraçadas. Eu me senti realmente como uma mulher. Sentir-se desejada faz parte da vida de uma mulher. Fico realizada.”

O sentimento após as etapas enfrentadas por Laura é de alegria. A realização do sonho de mostrar ao mundo sua verdadeira face, a forma como realmente se sentia. “Estou muito satisfeita com o resultado da cirurgia. Eu me sinto feliz.”

Recomendados para você

Comentários

  1. Jay Lins Postado em 18/Nov/2015 às 15:58

    Ai tem coisa errada se o Delegado Thiago morreu, a nova delegada estar exercendo um cargo a qual não foi concursada, dessa forma jamais poderia exercer essa função ate porque a Laura e Genérica.

    • Cristopher Calixto Postado em 18/Nov/2015 às 17:21

      Na verdade não, a pessoa é a mesma. Apenas assumiu o seu gênero.

    • Tulio Postado em 18/Nov/2015 às 17:58

      O que você diz não tem sentido nenhum...

      • Fithoslusec Postado em 18/Nov/2015 às 20:22

        Sim. Realmente não tem sentido. Thiago e Laura são a mesma pessoa. Apenas mudou de nome e casca

    • Samtha Postado em 18/Nov/2015 às 18:00

      E Você é burra! Passa agora tudo para o novo nome dela.

    • adrian Postado em 18/Nov/2015 às 18:19

      Jay lins vai se tratar...

    • Gidele Postado em 18/Nov/2015 às 18:27

      Gostei Jay!kkkkkkkkkkkkkkkkk a verdade dói!!!!!!!

      • Joao Postado em 19/Nov/2015 às 09:21

        O conservadorismo mata !

    • Maggie Postado em 18/Nov/2015 às 21:23

      Jay Lins você é um idiota.

    • Rodrigo Couto Postado em 18/Nov/2015 às 22:32

      A pessoa física é a mesma, não importa a mudança legal de nome. Podia ficar sem dizer asneiras.

    • Rogerio Postado em 19/Nov/2015 às 00:13

      Inzeste muita confusão quando se fala homossexualismo ou transexualismo. Mas usam livremente o termo lesbianismo. Então como fica?

    • Rafaello Postado em 19/Nov/2015 às 02:30

      Delegado Thiago morreu? Onde você leu isso? Kkkk Ela sempre foi ela,mas só agora que resolveu fazer a transição e assumir sua identidade real(Como ela se vê.) Seguindo essa linha,ela então não teria mais familia?A vida dela não parou e recomeçou do zero,ela apenas se adaptou de acordo com o novo gênero...

      • marcio Postado em 21/Nov/2015 às 18:00

        ...acho que é isso mesmo que vc disse...

    • Luciana Postado em 19/Nov/2015 às 09:57

      Primeiro aprende a escrever, depois volta aqui e tenta dizer algo inteligível e racional!

  2. Robinson Postado em 18/Nov/2015 às 16:06

    Algum "bolsobosta" da vida se anima a ir lá na delegacia esculachar a delegada?

  3. Whatever Postado em 18/Nov/2015 às 17:30

    Fui da policia civil do goiás e mesmo durante o curso, esse fato foi citado com muita naturalidade e profissionalismo. Na PMDF tambem tinham homosexuais declarados no curso de formação e foi tudo tranquilo e harmônico. A maioria desses "Bolsominions" que ficam babando sangue detrás da tela de um computador, nunca sequer serviram o exército e pegaram numa arma pra ficar militando sobre como deve ser a legislação brasileira em relação a armas, ou a menores de idade, ou a homofobia e nao sei o que... É igual cachorro correndo atrás de pneu de carro. Se o carro freiar o bicho fica sem saber o que fazer.

    • Luane Postado em 18/Nov/2015 às 20:06

      Amei a resposta, ninguém tem nada a ver com a vida pessoal de seus superiores ou colegas de trabalho. Se não tá feliz, arruma outro emprego. 2015 e ainda existem fiscais de sexualidade e gênero. Acho que vocês seriam felizes vivendo em países que tratam essas questões como crime, por que não vivem lá? mas não se esqueçam que lá não tem algumas molezas do nosso tão criticado "comunismo gayzista abortista feminista"

    • Luan Lary Postado em 18/Nov/2015 às 22:18

      Excelente comentário Whatever, é tão bom ler algo racional para variar. Parabéns

  4. Nogueira Postado em 18/Nov/2015 às 20:32

    Laura meu bem , me joga na parede e me chama de calango.. Zueira . Mas cada um tem que ser feliz da maneira que achar melhor.

  5. Lori Postado em 18/Nov/2015 às 20:36

    História linda até o penúltimo parágrafo... Como uma delegada de um setor de atendimento à mulher é capaz de colocar assédio moral e sexual como coisa positiva à identidade de alguém? Se tivesse nascido com o sexo feminino, enfrentando esse tipo de situação desde cedo, com certeza não pensaria isso.

    • Juliana Postado em 19/Nov/2015 às 07:46

      Concordo!!! Achei essa ultima parte absurda.

    • Flavia Postado em 19/Nov/2015 às 07:51

      Eu pensei a mesma coisa, lori! E achei ainda que é reforçar o machismo de todo dia. Mulher não quer ser desejada, quer ser respeitada. Como será que vai ser a reação dela se ela sofrer abuso sexual?

    • Marina Postado em 19/Nov/2015 às 09:28

      Lori concordo. Nenhum tipo de assédio te faz se sentir mulher só faz vc se sentir constrangida.

  6. Roberta Oliveira Postado em 18/Nov/2015 às 21:38

    O importante é ser feliz sem fazer mal a outrem. Deixem-a em paz. É um direito dela viver a vida DELA e vocês vivam as SUAS! Se estiver certo ou errado, o julgamento e a sentença não nos pertence. Mal sabemos conduzir nossas vidas e nos achamos no direito de dirigir a do próximo! Parem se se ocupar com a vida alheia e façam algo útil à humanidade: gastem seus preciosos tempo sendo o exemplo que tanto querem que os outros sejam!!!!!

  7. Vitor Postado em 18/Nov/2015 às 22:21

    essa delegada é muito macho

  8. Ana Brito Postado em 19/Nov/2015 às 01:27

    Você anda na rua um motoqueiro passa e fala alguma coisa. Passa na frente da obra e ouve aquelas cantadas engraçadas. Eu me senti realmente como uma mulher. Sentir-se desejada faz parte da vida de uma mulher. Fico realizada.” Gente, que louca de achar que cantada é realização pfvr

  9. Juliana Postado em 19/Nov/2015 às 07:45

    "Você tem de se acostumar. O homem olha para um homem de um jeito e para a mulher de outro. Você anda na rua um motoqueiro passa e fala alguma coisa. Passa na frente da obra e ouve aquelas cantadas engraçadas. Eu me senti realmente como uma mulher. Sentir-se desejada faz parte da vida de uma mulher. Fico realizada.” ... olha as bosta que a pessoa fala, depois ainda reclama de TERF...

    • EuMesmo Postado em 19/Nov/2015 às 13:50

      Um erro não justifica o outro, ela foi infeliz no comentário dela mas como foi visto no início do texto ela aprendeu com o tempo sobre as questões de gênero pode ser que ela aprenda também sobre o machismo, agora sobre o seu trocadilho ou seja lá o que for envolvendo as TERFs, por favor né se você não gostou do comentário dela não tem que ficar achando que o preconceito vai combater o preconceito.