Redação Pragmatismo
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Contra o Preconceito 29/Oct/2015 às 15:55
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Travestis e transexuais relatam preconceito durante Enem 2015

A citação da célebre frase da filósofa Simone de Beauvoir “ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, escrita em uma das perguntas do Enem, contrastou com o tratamento recebido por alguns transexuais que fizeram a prova no último fim de semana

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A citação da célebre frase da filósofa Simone de Beauvoir “ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, escrita em uma das perguntas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), contrastou com o tratamento recebido por alguns transexuais que fizeram a prova no último sábado (24), no Rio de Janeiro.

Estudantes do cursinho Prepara, NEM!, tiveram o nome social (que corresponde à identidade de gênero) deixado de lado, foram obrigadas a usar banheiro de deficientes e contam que se sentiram humilhadas.

Lara Lincon Milanez Ricardo é uma das 278 transexuais e travestis que solicitaram o uso do nome social no Enem – número três vezes maior que em 2014. No Rio de Janeiro, foram 33 solicitações de atendimento pelo nome social, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação das provas.

Em Duque de Caxias, no Centro Integrado de Educação Profissional 320, onde fez a prova, ela conta que os fiscais não sabiam orientar sobre a assinatura na lista de presença, se devia ser como na identidade ou não e a deixaram constrangida.

“A coordenadora e a fiscal começaram a falar abertamente, na frente de todo mundo, ‘ele mudou de nome, agora se chama Lara’ e ficaram se referindo a mim no gênero masculino”, reclamou.

A situação se agravou, segundo ela, quando uma das fiscais pediu para que Lara corrigisse a assinatura: “Ela disse ‘ah, meu filho, você não pode assinar nome fictício aqui’. Reparei em volta todo mundo olhando para minha cara. Fiquei apavorada”, desabafou.

Quem também deixou a prova relatando discriminação foi Tyfany Stacy. Ela disse que foi humilhada por fiscais e encaminhada para o banheiro de deficientes e não para o feminino, na Universidade Estácio de Sá, campi Norte Shopping, na zona norte do Rio.

“Tenho cabelo na cintura, prótese de 400 mililítros nos seios, 113 centímetros de bumbum e nenhum pelo no rosto. Vou ter que aumentar minha silhueta para ser reconhecida como [mulher] trans? Perguntei para a coordenadora se eu tenho alguma deficiência”, relatou.

Ela disse, ainda, que conseguiu manter a concentração, mas quer evitar a situação no segundo dia de Enem.

“Amanhã [domingo] estarei aqui de novo, vou passar pelos mesmos problemas, frequentar banheiro de deficiente, ser tratado como ‘ele’ e ainda ouvir chacotas?”, questionou.

Já Bárbara Aires, que prestou o Enem na Estácio da Lapa, no centro da cidade, teve uma experiência diferente das colegas de cursinho.

Não passou por nenhum constrangimento, foi chamada corretamente pelo nome social, pôde usar o banheiro feminino e elogiou os fiscais.

No entanto, disse que circulou pela sala uma lista de presença com seus dois nomes, o que não era necessário, avaliou.

“Como eles têm o número de inscrição é de se imaginar que esse número faça referência à minha inscrição com o nome do registro civil e o nome social. Ou seja, com o número, não precisaria vir o meu nome da carteira de identidade na lista para todo mundo ver”, explicou.

O Inep disse, por meio de nota, que as ocorrências serão analisadas. “Todas as ocorrências são relatadas em ata pelo coordenador do local de provas. Posteriormente, todas as atas são encaminhadas para análise do Inep caso a caso”, diz a nota. De acordo com o instituto, a forma de inscrição de transexuais e travestis foi acordada com os movimentos sociais, publicada no edital do Enem 2015 e divulgada pelos meios de comunicação.

Agência Brasil

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Comentários

  1. Joao Postado em 30/Oct/2015 às 09:32

    Viva a diversidade desse universo infinito !

  2. Rogerio Postado em 30/Oct/2015 às 10:59

    cotas são necessárias. Qto mais negros, gays e transgênero na faculdades melhor. Com formação acadêmica qualquer um é respeitado.

  3. Thiago Teixeira Postado em 30/Oct/2015 às 11:07

    O problema não é o aumento da diversidade, e sim o tratamento ao ser humano. Todos devem ser tratados com dignidade, independente o que está digitado no RG. Há intolerância no Brasil pois não há conscientização ou punição para as discriminações. Quem é "diferente", segundo a lógica reacionária, tem que se sujeitar as chacotas e ficar quieto, e os chacoteadores tem todo respaldo da "sociedade", política, mídia e justiça para continuar agredir as pessoas "diferentes".

  4. Thiago Teixeira Postado em 31/Oct/2015 às 14:47

    Casa sua mãe pretende ser "presidanta", de forças para ela. Agora para ser presidenta do Brasil meu amigo ... num país machista e cujo a elite branca é inimiga da população pobre e daqueles que ousam a fazer política para as "minorias" ... não é pra qualquer uma, é preciso ter o coração valente.

    • Galvão Postado em 01/Nov/2015 às 01:32

      FALOU TUDO PARA ESSE BABACA.

  5. Renan Postado em 03/Nov/2015 às 10:25

    Independente de qualquer coisa até mesmo RG, Lara vai ser sempre "José", Tifany sempre "Eduardo" e Bárbara sempre "João". Mas eu não ligo se eles pensarem que não. Só não podem obrigar os outros a pensarem isso. A liberdade é de cada um.

  6. nadja Postado em 04/Nov/2015 às 08:34

    Você não tem capacidade de fazer um ENEM