Redação Pragmatismo
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Racismo não 21/Oct/2015 às 11:44
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Ofensas racistas e machistas contra estudante grávida superam todos os limites

Após dizer que não concordava com uma publicação discriminatória, estudante grávida de três meses é vítima de agressões racistas e machistas na comunidade “Graduação da Depressão”. A jovem de 21 anos viu sua vida pessoal ser invadida por desconhecidos que iniciaram uma perseguição virtual sob uma aparente calma de quem acredita na impunidade

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Uma mulher negra, grávida de três meses, foi vítima de ofensas racistas, machistas e gordofóbicas depois de entrar no grupo “Graduação da Depressão”, no Facebook, para interagir com outros universitários.

Carla Gomes, de 21 anos, de Porciúncula, no Norte do Rio, decidiu comentar em uma postagem que a indignou, com conteúdo discriminatório. Foi o pretexto para uma enxurrada de ofensas a ela, que, de uma hora para outra, viu sua vida pessoal ser invadida por desconhecidos que iniciaram uma perseguição virtual, xingando-a e expondo sua imagem pela rede.

O cardápio de preconceitos foi extenso: racismo, machismo e gordofobia apareceram nas mensagens. Sob uma aparente calma de quem acredita na impunidade, dezenas de jovens — todos membros do grupo — partiram para o ataque contra ela, que se manifestou para alertar que muitas das piadas compartilhadas naquela rede eram discriminatórias.

Um dos integrantes do grupo, que se diz estudante de Direito, chega a comentar que sabe que as ofensas na internet não resultam em nenhuma punição para os agressores. As informações são do jornal Extra.

“Eu curtia a página deles, mas não postavam nada demais. Vi que, naquelas sugestões do Facebook, tinha o grupo da mesma página. Como eu estou começando a estudar, pensei que seria legal estar lá, dividindo experiências com outros estudantes. Mas entrei no grupo e vi umas postagens racistas e comentei embaixo de uma delas que achava aquilo errado, que somos todos iguais. Foi então que começaram a me agredir e falar coisas horríveis para mim” conta Carla, que, assustada, desabafou em um vídeo em seu perfil no Facebook, publicação que também foi invadida pelos agressores.

O vídeo acabou sendo excluído pelo Facebook após uma série de denúncias, que partiram das mesmas pessoas que ofenderam a estudante.

No “Graduação da Depressão”, a maioria das ofensas era relacionada à cor e ao tipo físico de Carla. O desabafo da estudante viralizou pela internet, mobilizando pessoas que foram até a página defendê-la, mas também não escaparam das agressões. É comum encontrar na página postagens machistas.

Muitas meninas que comentavam em defesa de Carla recebiam em troca mensagens como “vai lavar uma louça” ou “feminista fedorenta”. No caso da estudante, o nível dos xingamentos foi ainda pior.

“Me falaram que preto de cabelo ruim não tinha vez naquele grupo, que preto sangue ruim não tinha o direito de estar ali, que eu não valia nada e era apenas uma gorda preta de cabelo duro que tinha que fazer um regime. Foram no meu perfil e fizeram montagem minha. Fizeram piadinha até com a minha gravidez. Me senti ofendida não só pelos ataques a mim, mas senti a dor de muita gente. Eles fazem isso com muita gente, são covardes. Já fui vítima de racismo muitas vezes, mas passaram dos limites. Eu digo que atrás do portão qualquer Chihuahua late. Na minha cara, ninguém fala isso”, desabafa a estudante.

Alguns dos responsáveis por controlar a comunidade usam perfis disfarçados. Depois do caso, o grupo “Graduação da Depressão” passou a ser secreto no Facebook. Só pessoas que já estão nele podem vê-lo ou convidar novos membros.

Um dos administradores do grupo se valeu mais uma vez de comentários preconceituosos para falar sobre a mudança: “A partir de agora, só os administradores postam até eu limpar essa corja de feminista imunda e esquerdista vitimista do cabelo ruim”.

Frustração

Decidida a lutar contra o racismo que a atingiu, Carla decidiu procurar a polícia para denunciar o grupo. Foi quando viveu outra frustração. A jovem conta que ao chegar à 139ª DP, em Porciúncula, foi aconselhada por um funcionário da delegacia a não registrar ocorrência.

“Fui à polícia, mas um cara lá de dentro, que eu não sei qual é o cargo, me aconselhou a não fazer queixa. Disse que não ia dar em nada, que eu era um grão de areia e fazendo isso ia correr riscos, que ia demorar muito. Ele falou um monte de coisa e eu não fiz o boletim de ocorrência. Ele me disse: ‘Ih, isso vai demorar muito, ainda mais você que tá grávida… Não pode passar por isso. Às vezes tem que achar IP do computador das pessoas, demora muito'”.

Resignada, Carla diz que deixou a unidade policial e registrou a denúncia no portal da Polícia Federal, que recebe ocorrências de crimes cibernéticos.

Denúncias

A Polícia Federal tem um canal online para receber denúncias de internautas para quatro tipos de crimes na rede: pornografia infantil, crimes de ódio e genocídio, tráfico de pessoas. Interessados em denunciar casos desse tipo devem entrar no site denuncia.pf.gov.br e preencher um pequeno formulário, com o link da página onde é cometido o crime e um comentário, explicando o caso.

Há dez anos, a organização civil sem fins lucrativos SaferNet Brasil também recebe denúncias de crimes cibernéticos e as encaminha para órgãos públicos competentes, como o Ministério Público Federal. As denúncias podem ser feitas no site new.safernet.org.br/denuncie, classificada pelos temas: pornografia infantil, racismo, apologia e incitação a crimes contra a vida, xenofobia, neo nazismo, maus tratos contra animais, intolerância religiosa, homofobia e tráfico de pessoas.

VEJA TAMBÉM: Homem perde emprego após postar foto com menino negro de 3 anos

Extra

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Comentários

  1. Luiz Ferreira Neto Postado em 21/Oct/2015 às 12:13

    não para por ai. O grupo é repleto de racistas e misóginos. Lá existem posts sobre estupro (onde discutem a possibilidade de estuprar uma mulher em condição vulnerável) e posts que ridicularizam pessoas gordas, negras, nordestinas entre outros para ver as postagens, basta acessar https://www.facebook.com/Por-Dentro-da-GDD-1704915169738525/

    • Rayane Postado em 21/Oct/2015 às 14:14

      Eu não quero acreditar que isso seja verdade. Alguém me fala que é mentira! Em que mundo essas pessoas vivem??? São essas pessoas com os valores morais completamente deturpados que supostamente serão os futuros profissionais do país. O que se pode esperar disso?

      • João Reis Postado em 26/Oct/2015 às 11:36

        Não muita coisa.

      • Roberto Pedroso Postado em 10/Nov/2015 às 10:34

        Então Rayane esta é a vida real.... existem muitas pessoas racistas machistas retrogradas reacionárias que com o advento das redes sociais não tem mais pejo em disseminar seu ódio e preconceito se valendo do anonimato garantido pela rede.Não obstante após os parcos avanços sociais que permitiram que negros e pobres começassem a ter acesso a bens de consumo e ao ensino superior graças a ações afirmativas implementadas pelo governo, este novo quadro acabou por gerar revolta e indignação de uma parcela abjeta, ignóbil,racista, e classista da sociedade,que tendo aquilo que eles julgavam como sendo "seus direitos naturais" ameaçados respondem desta forma com ódio,revolta e um infundado sentimento de indignação este é o Brasil atual.....basta um pretexto para que as diferenças entre classes patente em nossa sociedade surjam de forma clara e inconteste.

  2. Neusa Postado em 21/Oct/2015 às 12:35

    Primeiramente precisa ser bem resolvido, eu sou de raça negra gosto da minha cor e dane-se o branco que não gostar é só não olha para mim, somente agiria com processo se tiver algum prejuízo material por causa disso a exemplo se fosse barrada em um banco por causa dainha cor, o problema dessas pessoas não é a diferença no outro, é falta de educação mesmo.

    • Gabriel Salvatore Postado em 21/Oct/2015 às 15:54

      Não, o problema deles é o nojo, o desprezo por negros.

    • SILVIO MIGUEL GOMES Postado em 22/Oct/2015 às 09:04

      Errado. Em primeiro lugar o processo deve ser criminal nesses casos. O processo por danos em outros casos, se a vítima assim desejar.

    • Alexandre Postado em 06/Nov/2015 às 15:23

      Quer dizer que sua resposta ao racismo é ignorá-lo? Bela atitude de alguém sem nenhuma consciência de luta...

  3. Annyele Postado em 21/Oct/2015 às 12:48

    Não sei porque esconder a foto do perfil! O Brasil deveria tomar conhecimento de quem são os criminosos que praticam um crime de ódio desses. E um se diz estudante de direito.. Sem palavras

    • Dyego Postado em 21/Oct/2015 às 13:53

      Tinha que mostrar a cara e o nome desses criminosos! Pra todo mundo ir no face deles e eles terem que encerrar a conta pra se livrar.

    • Eduardo Postado em 21/Oct/2015 às 14:06

      Apoiado! Também sou contra essa "proteção".

  4. Ofensas racistas e machistas contra estudante g... Postado em 21/Oct/2015 às 13:24

    […] Após dizer que não concordava uma publicação discriminatória, estudante grávida de três meses é vítima de agressões racistas, machistas e gordofóbicas na comunidade. A jovem de 21 anos viu sua vida pessoal ser invadida por desconhecidos que iniciaram uma perseguição virtual sob uma aparente calma de quem acredita na impunidade. Alguns sugeriram que ela abortasse a criança  […]

  5. Leonardo Postado em 21/Oct/2015 às 13:45

    O traste deve saber que, ao proferir esses insultos, ele se desqualifica como ser humano. Ele passa a ser, no máximo, uma ameba virtual.

    • Leonardo Postado em 21/Oct/2015 às 13:48

      Peço perdão às amebas pelo insulto da comparação.

  6. Phelipe Postado em 21/Oct/2015 às 13:47

    “A partir de agora, só os administradores postam até eu limpar essa corja de feminista imunda e esquerdista vitimista do cabelo ruim”. Essa frase PROVA O REAL PENSAMENTO da direita que pensa que pode tudo, inclusive atacar a honra das pessoas indistintamente!

    • Salete Rossini Postado em 24/Oct/2015 às 01:33

      Pois é, amigo. Bom comentário. E tem mais páginas no facebook q tive a infelicidade, mas o bem, de conhecer. Uma delas, criada no clamor pós-jornadas de junho de 2013, é chamada MCC-Movimento Contra Corrupção-Manifestações. Tomei conhecimento do perfil da página ainda antes dos pleitos do ano passado, quando alertei sobre Eduardo Cunha (sou mineira e voto no meu estado, mas moro no Rio e acabei tendo também certo conhecimento da política carioca e fluminense). Através das notificações de email enviadas pelo Facebook, vi centenas de comentários misóginos e outros de baixíssimo calão. Ofensas inclusive homofóbicas e até, ironicamente, racistas (tenho origem multiétnica, embora tenha o domínio da cor branca). Falaram inclusive q eu deveria apanhar por ser, na crença deles, "petralha esquerdopata". Os comentários não me ofenderam em si, mas me levaram à descoberta do perfil preconceituoso e à reflexão sobre as influências nefastas deste q é o congresso mais conservador q conheci, q agora vota inclusive projetos repletos de requintes de crueldade como o q inibe a ação da vítima de estupro e torna ainda mais impune este crime, e o da família, ambos inconstitucionais em muitos aspectos. E, a completar, pensei: em termos de desenvolvimento da cidadania, o futuro q nos aguarda será sombrio. A direita é assim: agressiva, opressora, preconceituosa e falso-moralista. Agora tem também a face fundamentalista. Como vc falou, esse pessoal da direita acha q pode tudo. Não sou petista, mas se sou esquerdopata, tenho orgulho de se-lo, pois ao menos escolhi a luta pelo reconhecimento da nossa diversidade e pela justiça social. Se isso tudo tem q ser esquerda....rs. Abração!

  7. Thiago Teixeira Postado em 21/Oct/2015 às 13:52

    Bem feito. Todo negro ou negra que insiste em querer entrar na clã de gente branca (ou que se acha branca) da classe mérdia tem se danar mesmo. Negrão como eu, que cresceu ouvindo Racionais, Thaid, Facção Central, RZO, Sistema Negro sabem que a melhor arma para vencer o preconceito é partindo do suposto que toda classe mérdia é racista e são todos inimigos, até que provem o contrário (eles não acham que todo negro é vagabundo, burro, incompetente e ladrão até que se prove o contrário?). Se tem 70 alunos no curso e só você é negro (a), ande sozinho (a) até o final do curso, não cumprimente ninguém e se olharem torto, encare, não deixe passar batido, cara fechada mesmo, eu fiz isso e consegui me formar, viver, namorar, ter amigos (fora da Universidade, lógico) e arrumar emprego. Ninguém precisa agradar classe mérdia para ser considerado nesse país.

    • Pedro Pereira Postado em 21/Oct/2015 às 14:39

      É Trilha Sonora do Gueto, Rappin Hood e Facção Fazem o povo cantar com emoção

    • Roberto Pedroso Postado em 10/Nov/2015 às 10:51

      Mas Thiago,creio que generalizarmos todos os membros da classe media como sendo inimigos em potencial é um equivoco,pois nem todos os membros da classe media são racistas classistas e ignorantes,existem sim raríssimas exceções,ademais nem todas as pessoas tem a força interior de passar por uma situação como a relatada por você sem danos psíquicos emocionais pois ser hostilizado ou ignorado em um ambiente onde a interação humana é fundamental é uma tarefa ingrata e ninguém deveria passar por tal provação.Em tempo Thiago você pelo seu relato é um verdeiro Homem de aço(DMN)

  8. Marcelo da Silva Postado em 21/Oct/2015 às 14:12

    Bolsonaro e seus seguidores, infelizmente com a internet livre do jeito que é só vai aumentar o número de casos com esse, da qual muitos tem um orgulho imenso em discriminar e ofender todos que não se enquadrem no seu perfil social e econômico, se você for nas fãns page do tal deputado é comum ver esse tipo de comentário discriminando vários tipos de pessoas principalmente negros e nordestinos e sempre com a tal certeza da impunidade, ta complicado de comentar posts em páginas de vários sites de notícias espalhados pelo Brasil, se a pessoa fizer um comentário contrário a opinião daqueles que se dizem 'defensores" da moral e dos bons costumes é logo bombardeado de ofensas e xingamentos.

    • Salete Rossini Postado em 24/Oct/2015 às 01:12

      Marcelo, concordo com vc. Eu mesma fui xingada por gente de perfil idêntico em outra página do Facebook, chamada Movimento Contra Corrupção - Manifestações, criado após as jornadas de 2013. Tudo pq postei avisando quem quem é Eduardo Cunha antes deste ser eleito em 2014. Foi um verdadeiro linchamento virtual.

  9. Ana Cranes Postado em 21/Oct/2015 às 14:21

    Também gostaria de saber, porque não botaram as fotos deles?

  10. Ruy A. Dias Postado em 21/Oct/2015 às 14:51

    Porque o nome desses lixos humanos foi preservada? Temos de denunciar esses canalhas

  11. julia Postado em 21/Oct/2015 às 16:13

    Albert Einstein: "Temo o dia em que a tecnologia se sobreponha à humanidade. Então o mundo terá uma geração de idiotas." Infelizmente esse movimento da internet acontece internacionalmente e é uma amostra do que temos na realidade... O mundo virtual e real se entrecruzam mostrando sua pior face e, claro. nos dando amostras de que o prato do dia está apenas sendo requentando! Esse episódio é apenas a ponta do iceberg. Minha mãe fala em sinal do fim dos tempos ...às vezes eu acho que ela tem razão.

  12. SILVIO MIGUEL GOMES Postado em 22/Oct/2015 às 09:17

    A conduta do Servidor Público que não fez a ocorrência é comum em todo Brasil. E realmente é verdade tudo o que ele disse, ninguém se importa com a vítima desses casos, tratam com menosprezo. Pessoas idosas também não são atendidas. NO entanto, o Servidor cometeu crime ao não elaborar a ocorrência. Se existem por toda internet esses racistas, essa pregação do ódio, pedindo morte aos inimigos políticos, é porque a Polícia Federal, o MP, a Justiça também nada fazem e por isso está ocorrendo espancamentos e até mortes. Esses criminosos desejam a divisão do Brasil, atacam até Jornalistas e apresentadores de cor negra da GLOBO. SÃO OS FILHOS DE ARTHUR DE GOBINEAU, que encontraram solo fértil e prosperam no Brasil. REAGIR É PRECISO.

  13. Telmo Postado em 22/Oct/2015 às 12:47

    Porque não manter o racista invisível fica mais claro em: http://saudepublicada.sul21.com.br/2014/10/17/a-invisibilidade-dos-negros-e-indesejavel-a-dos-racistas-e-paralisante/

  14. Marcos Kim Postado em 26/Oct/2015 às 09:57

    Nunca pensei que poderia vivenciar um período tão conturbado de nossa história. Estamos em um momento em que a direita mais atrasada está interditando todo o debate racional, com seus ódios, preconceitos e fundamentalismo social e religiosos. Se as esquerdas não esquecerem suas diferenças e partir para a Unidade de Ação Política, seremos todos, que não fizerem parte dessa matilha perseguidos e escorraçados em praça pública.

  15. sidney Postado em 26/Oct/2015 às 18:41

    Por isso acredito que somente a violencia contra essas MERDAS ...

    • Roberto Pedroso Postado em 10/Nov/2015 às 10:57

      Violência não resolve e é justamente o pretexto que os setores conservadores aguardam para recrudescer o discurso de ódio fomentando ainda mais o conceito de estado policialesco e sua ação ultra violenta contra os menos favorecidos .