Redação Pragmatismo
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Curiosidades 28/Oct/2015 às 11:31
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O dia em que 22 toneladas de maconha flutuaram nas praias brasileiras

Parece conto de pescador, mas não é. Há 28 anos, diversas praias das regiões sul e sudeste foram infestadas por latas de maconha, da melhor qualidade. O episódio, que marcou uma geração, causou uma eufórica "caça às latas". O fato ganhou livro e até música

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Os mais jovens talvez não conheçam o histórico “verão das latas” que ocorreu no Brasil na década de 1980 (Pragmatismo Político/Arquivos)

Dennys Marcel, EcoViagem

Existem verões que são inesquecíveis, mas outros merecem entrar para a história e foi isso que aconteceu entre 1987 e 1988. Pode parecer conto de pescador ou até uma alucinação, mas diversas praias das regiões sul e sudeste foram infestadas por latas de maconha, da melhor qualidade [vídeos abaixo].

O fato, que ganhou livro e até música, deixou muita gente correndo alucinadamente atrás de uma lata, seja para aprendê-la ou por curiosidade!

O “verão da lata” começou oficialmente em 19 de setembro de 1987, quando chegaram a cidade do Guarujá, no litoral paulista, as primeiras seis latas com cannabis, despejadas no mar pelo navio Solana Star.

Após serem apreendidas pela polícia, na praia das Astúrias e do Tombo, a história começou a ganhar destaque nas páginas policiais e principalmente, no imaginário popular.

O episódio começou ainda na primavera quando o atuneiro Solana Star partia da Tailândia rumo aos EUA. Durante a viagem, a embarcação passou por algumas tormentas em alto mar e precisou aportar na costa brasileira para realizar reparos.

O navio traficava cerca de 22 toneladas de maconha, embaladas a vácuo, numa lata metálica semelhante as de leite em pó. O que os traficantes internacionais não esperavam é que a Agência norte-americana de Combate as Drogas (DEA, Drug Enforcement Administration) prendesse o líder do bando e que ele aceitasse a fazer uma espécie de “delação premiada” e entregasse os planos dos comparsas.

Após o DEA avisar ao governo brasileiro, a Polícia Federal e a Marinha tentaram localizar a embarcação com as drogas, mas não acharam nada nos pontos indicados pela Agência norte-americana. O problema é que os tripulantes do Solana Star avistaram o contratorpedeiro brasileiro e com medo de serem presos, despejaram cerca de 15 mil latas, com maconha, no mar.

As embalagens recheadas com aproximadamente 1,5 kg de cannabis, de excelente qualidade, começaram a chegar ao litoral e causou uma ‘corrida a lata’ entre curiosos e autoridades. Até a história começar a ser divulgada maciçamente pela imprensa e ganhar o noticiário brasileiro, os contos sobre as latas de maconha eram tratados com descrédito ou até como uma ‘viagem’ de algum usuário da droga.

Para se compreender o que o assunto significou à época, basta constatar que no auge da ‘caça as latas’, a Polícia Federal paralisou todos os outros casos e focou apenas naquela investigação.

Ao final, a ação conjunta das Polícias Militar, Federal e até Marinha conseguiu apreender apenas 3.292 latas, das 15 mil que foram jogadas no oceano. A maioria delas foram recuperadas por banhistas e pessoas que as encontravam boiando no mar e, posteriormente, as vendiam por bons preços devido sua qualidade. Se o produto chegasse ao destino final teria rendido cerca de US$ 90 milhões (R$ 351 milhões) aos traficantes.

Com a fama que o assunto ganhou no país, abrir a lata se transformou em ‘ritual’, e, numa ‘homenagem’ informal pela qualidade do produto, criou-se a gíria “da lata” para se referir a algo quando era de qualidade.

Se o imaginário popular ‘viajou longe’, a fama delas foi eternizada com a música “Veneno da Lata”, da cantora e compositora Fernanda Abreu. Mais recentemente, em 2012, foi lançado o livro “O Verão da Lata: Um verão que ninguém esqueceu“, do escritor Wilson Aquino que aborda o assunto.

Caça aos tripulantes

Enquanto o caso ganhava destaque absoluto na mídia durante aquela temporada, a polícia e a justiça faziam sua parte para solucioná-lo. O navio só foi localizado quando já estava atracado no porto do Rio de Janeiro e todos os tripulantes haviam fugido do Brasil, só restando um deles, que se declarou cozinheiro do Solana Star.

Identificado como Stephen Skelton, ele deveria ter saído do país junto com os outros comparsas, mas se apaixonou por uma brasileira e permaneceu em terras tupiniquins. A paixão de verão custou caro e ele foi preso e condenado a 20 anos de prisão, mas cumpriu apenas um ano.

Com a conclusão do caso, o navio permaneceu apreendido até ser leiloado. Seu nome foi alterado mais duas vezes, passando de Solana Star para Charles Henri e por último, Tunamar. No final, a embarcação, de bandeira japonesa, teve um final trágico e naufragou em outubro de 1994, matando 11 tripulantes.

Documentário – Maconha da Lata

Série do History Channel sobre o ‘Verão da Lata’

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Comentários

  1. O dia em que 22 toneladas de maconha flutuaram ... Postado em 28/Oct/2015 às 13:29

    […] Parece conto de pescador, mas não é. Há 28 anos, diversas praias das regiões sul e sudeste foram infestadas por latas de maconha, da melhor qualidade. O episódio, que marcou uma geração, causou uma eufórica "caça às latas". O fato ganhou livro e até música  […]

  2. Carlos Postado em 28/Oct/2015 às 13:32

    Singapura criminalidade zero, melhor país so mundo traficantes e usuários são mortos.

    • Thiago Teixeira Postado em 29/Oct/2015 às 07:50

      Melhor país do mundo????? A maior concentração de favelas e miseráveis por metro quadrado, onde a desigualdade social é gritante. Lógico, para pessoas como você isso é o melhor do mundo, pessoas vivendo do lixo, e quem "merece", em grandes palácios.

      • Samael Postado em 29/Oct/2015 às 14:56

        Cingapura mudou Thiago, eles simplesmente exterminaram tudo e todos, eles mataram todos que "incomodavam" ricos e pobres, é muitas pessoas fugiram. Mas o Salário lá em media é R$ 8000, tem saúde educação, mas as pessoas vivem sendo policiadas. Aqui no Brasil se acontecesse alguma coisa assim eles matariam 75% da população. Fora que não é muito diferente do nazismo.

    • Samael Postado em 29/Oct/2015 às 14:44

      Olha que maravilha Carlos! Cingapura: "Existe o risco de você até ser preso ou pagar uma multa alta por trazer chiclete. Então, tem que ser evitado mesmo. Chiclete, agora, só quando voltar ao Brasil" "A maioria das vezes você não percebe, mas está sendo vigiado. A polícia está sempre à paisana, você só vai perceber que ela está perto de você se cometer alguma fraude” "Por essas e outras é que Cingapura tem sofrido acusações internacionais de ser uma ditadura. A ilha é uma república parlamentarista, com eleições e com punições rigorosas para tudo. Se o motorista for pego falando no celular, não paga só multa, não. Vai preso na hora. A multa para pichação de muro, por exemplo, é de até R$ 4 mil, prisão por até três anos e, se a pichação tiver sido feita com grafite ou tinta difícil de ser removida, o "pacote" ainda inclui de três a oito chibatadas. O resultado de tanta "linha dura" é um país com índice zero de criminalidade;" "E, medo, muito medo do governo. Na "Esquina do Discurso Livre", um lugar para se protestar abertamente, ninguém teve coragem de mostrar o rosto. O governo garante moradia, saúde, educação para todas as crianças. Mas, exige obediência, e de boca calada. Só a chuva, insistente, de quase todo dia, e o calor, abafado o ano inteiro escapam do controle em Cingapura."

  3. luis alberto Postado em 28/Oct/2015 às 16:45

    com certeza...... lá, a iindustria do cigarro deita e rola, não é proibido crianças fumarem, até é normal.... crianças de 6,7,8 anos compram e fuma livremente.... toda e qualquer tipo de publicidade ligada ao cigarro é permitida.............. ""Crianças e adolescentes fumantes na Indonésia A Indonésia registra, há vários anos, um aumento no número de fumantes. Nos últimos dez anos, triplicou o número de mulheres fumantes e estima-se que mais de 25% das crianças com mais de três anos já experimentaram fumar, com 3% delas fumando regularmente.""

  4. giancarlo Postado em 28/Oct/2015 às 21:49

    Qual foi a musica?

  5. Roberto Postado em 28/Oct/2015 às 22:49

    Na biografia do Tim Maia, escrita pelo Nelson Motta, há uma passagem sobre isso. O Tim ficava com um binóculo na sacada do seu apartamento observando as latas e, quando avistava alguma, pagava para alguns garotos nadarem e pegarem para ele hahaha.

  6. O dia em que 22 toneladas de maconha flutuaram nas praias brasileiras | Além da Mídia Postado em 29/Oct/2015 às 05:44

    […] post O dia em que 22 toneladas de maconha flutuaram nas praias brasileiras apareceu primeiro em Pragmatismo […]

  7. Thiago Teixeira Postado em 29/Oct/2015 às 07:48

    Tipos como você, robô cibernético da direita.

  8. Denisbaldo Postado em 29/Oct/2015 às 08:13

    Se fosse hoje teria sido culpa do PT.

    • Thiago Teixeira Postado em 29/Oct/2015 às 11:31

      Além do fabricante das latas ser o filho do Lula!

  9. thiago camara Postado em 29/Oct/2015 às 12:14

    idiota esse maluco ,, deve encher a porra da cara de cachaça e tomar vários tarja preta ,, além de que não deve estar comendo ninguém ,, isso tenho certeza!!!!

  10. Ricardo Postado em 01/Nov/2015 às 08:18

    Ah eu lá!