André Falcão
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Ditadura Militar 14/Oct/2015 às 22:54
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As Forças Armadas, o comunista e espingarda

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André Falcão*

O Brasil deve ser um país que exerce enorme fascínio aos estudiosos sociais de todo o mundo contemporâneo. De um lado, conseguiu tornar-se independente sem precisar dar um só tiro, e somente precisou entrar em guerra com uma única das nações que lhe fazem fronteira, e só uma vez. Um país cujo povo tem a mestiçagem, a alegria, a criatividade e a hospitalidade como características reconhecidas por todos.

De outro lado, é também o país que assassinou crianças paraguaias mandadas à guerra por um ditador louco e cruel; que, no ocidente, resistiu por derradeiro à libertação dos escravos, e que teve a segunda mais longa ditadura militar da América Latina. Um país cuja parcela de seu povo é capaz de queimar miseráveis que dormem nas ruas, e é intolerante com as diversas diferenças, seletivo na sua indignação com a corrupção, e insensível às desigualdades sociais. Um país que não leu Marx, e pensa conhecer Jesus; que não estuda história, e idolatra as atrações consumistas que lhe batem à porta.

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Porém, é ainda o país que, finda a ditadura, elegeu (e reelegeu) presidente um humilde nordestino, metalúrgico e sindicalista, e em seguida elegeu (e reelegeu) uma mulher de classe média, forjada nas lutas contra a ditadura militar, sobrevivente corajosa às mais atrozes e covardes torturas físicas e psicológicas.

Pois bem, é esse também o país que a partir de oito de outubro último tem como Ministro da Defesa o comunista alagoano e deputado federal por São Paulo, por seis legislaturas, Aldo Rebelo, do PCdoB.

Numa solenidade simples, mas emocionante e muito prestigiada por representantes de inúmeros países, inclusive dos EUA, de integrantes das três Forças, inclusive de seu alto escalão e da reserva, de políticos que iam do próprio PCdoB ao PSDB, de membros da igreja, além de amigos e familiares do Ministro, fora momento histórico de extrema importância para o país. Donde é fácil constatar enquanto parcela da sociedade politicamente regrediu, ou permaneceu em 1964, os militares experimentaram inegável e alvissareiro amadurecimento político. Recomendo a todos que se deem o direito de assisti-la: basta acessar o You Tube.

E a espingarda? Bem, é que o Ministro, ao final de suas palavras, reportou-se a uma espingarda de caça que fora do Marechal Floriano Peixoto, e que adquirira quando soube estava para ser leiloada pela família. Não, ele não a guardou para si. Doou-a ao Museu do Exército do Forte de Copacabana. Como bom comunista.

*André Falcão é advogado e autor do Blog do André Falcão. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político

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Comentários

  1. Rodrigo Postado em 28/Oct/2015 às 11:54

    "Esse André Falcão precisa ser estudado, chama um ditador de louco, mas louva outro Ditador, Fidel que não massacrou o povo de outro País, mas seus próprios compatriotas. Um caso que daria belos estudos de como a mente de um doente funciona.

    • Galvão Postado em 01/Nov/2015 às 01:22

      Fidel quando criança era de família rica. Ele ia para a escola de limusine e via pelo caminho vários de seus colegas de escola, andando descalço pelo caminho. Ele chegava alimentado e seus colegas não. Isto o incomodava desde criança. Quando cresceu e começou a entender que seu país era governado por uma ditadura de extrema direita, comandada pelo General Fulgêncio Batista, que apoiado pelo Estados Unidos, só roubava o povo e próprio país e enriquecia seus bolsos, deixando a população a minguá. Por isso ele conseguiu tomar o poder em sua quarta tentativa, na noite do réveillon de 1959 para 1960. Enquanto a tropa de General Fulgêncio estava em festa ele e seu aliado Chê Guevara assumiram o poder. Isto é só um resumo rápido da história, após isso os Estados Unidos, através de anúncios em rádios AM , conseguiram retirar de Cuba todos os médicos existentes, oferecendo a eles salários maravilhosos e bons empregos. Restou a Fidel cerca de 400 alunos no último ano de medicina, que ele os enviou a Suíça para fazer doutorados, quando retornaram, Cuba Dispunha de 400 doutores em medicina com cerca de 25 anos de idade. Por isso que em Cuba o nível de mortalidade infantil é um dos menores do mundo, exportam vacinas para o mundo todo e possuí uma medicina fantástica (com os poucos recursos que tem) e um corpo médico que trabalha em muitos países do mundo e com reconhecimento pela Organização Mundial da Saúde. Eu Mesmo conheço um médico de lá, que fala muito bem de Cuba, trabalha na minha cidade, vai e volta de duas a três vezes por ano a Cuba, com total liberdade, adora ser médico, já trabalhou em vários países. Quase todo trabalhador de Cuba tem diploma Universitário, tem motorista de táxi que é advogado, professor, dentista. Garçonete que é psicóloga e assim por diante. Daí talvez você vai perguntar. Porque é que eles não trabalham na área que se formaram? Simples, porque todo mundo lá tem diploma universitário e alguém tem que ser taxista,jardineiro, garçonete e assim por diante. Agora, se Fidel massacrou muitos do seu povo, foi quem era contra isto, apoiava americano, queria só levar vantagem própria. O POVO DE CUBA É UM POVO FELIZ E LIVRE. Como eles próprios escrevem em outdoors espalhados pelo país: POR ESSA LIBERDADE EU MORRERIA. A Gente precisa parar de acreditar em tudo que a imprensa e a indústria cinematográfica americana diz(nossa imprensa também). Ou você esqueceu que nos filmes americanos, os russos querem destruir o mundo, os árabes são terroristas, eles sempre são os heróis contra todo o resto do mundo. A e tem o clássico que ia me esquecendo, eles criaram os MOCINHOS que lutavam contra os SELVAGENS, nos eternos bang-bangs, onde só eles ganhavam. Quando um índio era bom era chamado de TONTO. Voltando para Cuba., para falar mal de lá é preciso conhecer, viajar para lá. Provavelmente você vai mudar seus conceitos. CUBA É UM PARAÍSO, ainda intocável pelos americanos.

      • Sergio Carneiro Postado em 02/Nov/2015 às 08:52

        Gostei do argumento: Alguém tem que ser taxista, jardineiro e garçonete...(sic). Estou rindo até agora.

  2. Dedé Postado em 09/Nov/2015 às 18:04

    Tão feliz que morre afogado fugindo para Miami. Tão feliz que o governo não permite a saída de seus cidadãos, temendo que eles não não voltem. Tão feliz que virou regras atletas aproveitarem eventos no exterior para desertarem. Mas como se diz que tudo demais são sobras, há tanta felicidade em cuba, que eles queriam ser tristes.