Redação Pragmatismo
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Capitalismo 15/Oct/2015 às 10:52
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"A verdadeira pobreza é gastar a vida preocupado em viver acumulando"

Em discurso na abertura do 12º Congresso da CUT, Mujica pede integração latino-americana contra capitalismo globalizado e condena a cultura do mercado. Ex-presidente uruguaio também comentou o atual momento político e econômico brasileiro: "a única luta que se perde é a que se abandona"

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(Imagem: EFE/Sebastião Moreira)

Destaque da abertura do congresso da CUT, nesta terça-feira, em São Paulo, o ex-presidente do Uruguai José Mujica, atual senador, fez referência ao momento difícil vivido pelo Brasil, receitando persistência e unidade. “Eu sei que vocês, brasileiros, estão passando por um momento difícil. Mas durante a minha vida aprendi uma coisa fundamental: a única luta que se perde é a que se abandona.”

Exaltado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e chamado de “dom Pepe” pela presidenta Dilma Rousseff, Mujica disse que é disse que é preciso avançar na unidade e na integração sul-americana como forma de fazer frente ao capitalismo globalizado. Defendeu, inclusive, a criação de universidades integradas como forma de potencializar a produção de inteligência no continente. “Já chegamos tarde à era industrial. Não podemos ficar para trás na era do conhecimento e da informação, que vai definir o futuro”, alertou. “Isso não significa hipotecar a pátria nem perder nossos sentimentos de nacionalidade. mas construir uma casa maior, que possa proteger a todos.”

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Segundo ele, é preciso se preocupar com o salário, direitos e democracia, mas também pensar no amanhã. “Temos de lembrar às futuras gerações que somos responsáveis pelo mundo em que vivemos.” Da mesma forma, observou, os jovens de hoje precisam saber o que já aconteceu. “A liberdade é fruto da dor dos lutadores sociais que vieram antes de nós. O que se conquistou não caiu do céu. É fruto do heroísmo de gerações de lutadores sociais que nos precederam.” Por isso, é preciso pelear (lutar) pela democracia, “que está longe de ser perfeita”.

O líder uruguaio criticou a chamada cultura de mercado, que obriga as pessoas a correrem “como loucos”. E disse que os trabalhadores devem lutar por salários melhores, mas não podem se iludir. “A verdadeira pobreza é gastar a vida preocupado em viver acumulando, acumulando, acumulando. É preciso fazer as coisas que você gosta e ama. Se você não conseguir a felicidade com pouco, nunca a conseguirá.”

Mujica defendeu transparência na administração pública e nos balanços das empresas privadas. “O Estado tem de se encarregar de mitigar as desigualdades”, diz Mujica, acrescentando: “Desde sempre, quando você põe a mão no bolso de um poderoso para cobrar impostos, acaba por ganhar um inimigo de classe”.

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Ao fazer menção às diferenças jornadas de trabalho em todo mundo, o ex-presidente observou que os analistas econômicos apontam a luta sindical por redução como um fator que afeta a competitividade. “Enquanto houver desigualdade nas jornadas e nos direitos, não há como competir, Então se impõe o desafio de lutar para que haja uma única jornada de trabalho em todo o mundo.”

O ex-presidente diz reconhecer as dificuldades diante de um mundo no qual impera o poder do capital financeiro, mas ressalta que enfrentar essa realidade pressupõe aumentar o potencial da América Latina. “Não estou olhando para o meu mundo, porque tenho 80 anos, estou olhando para os que estão por vir.”

RBA

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Comentários

  1. julia Postado em 15/Oct/2015 às 14:52

    Sou apaixonada por esse vovozinho! Que lindo! Discurso impecável e sóbrio. Mujica sabe o que nós estamos passando e que a luta não é contra o PT....é contra as engrenagens de um sistema político que favoreceu, indubitavelmente, o mais pobres. Infelizmente, por trás do sobe e desce do mercado financeiro e todas as suas engrenagens, há muito mais do que julga a nossa vã filosofia..."Eles" já dominam as mentes e estão saindo na frente...poucos conseguem perceber o que está por trás desta articulação nefasta que nos levará de volta ao túnel do tempo...O "passado" que não se conforma com as mudanças que foram realizadas vai tentar, até as últimas consequências, ganhar esta guerra capital X trabalho.

  2. Salomon Postado em 15/Oct/2015 às 21:09

    De notar que o Mujica chamou a atenção para a liberdade (de comunicação) que é fruto do sangue dos que nos precederam. Ou seja, alguém teve que dar a vida, ontem, pela liberdade que desfrutamos, hoje. Afinal, se quem pede a volta da ditadura, só pede, e só pode pedir, porque não há ditadura! Eis uma verdade tão evidente, tão óbvia, tão cristalinamente posta, que custa crer que seres humanos saiam às ruas pedindo a volta dessa bosta que é a ditadura.

  3. Denisbaldo Postado em 16/Oct/2015 às 08:45

    A CASA VAZIA Um homem procurou um grande mestre para lhe fazer uma pergunta, visando melhorar a si mesmo. Ele disse: – Mestre, gostaria de me tornar uma pessoa equilibrada, que não se abala com coisa alguma. O que posso fazer para atingir esse estado em que nada me abala? O mestre respondeu: – Antes de te responder, quero te pedir uma coisa. Vá até a minha casa, que fica no alto dessa montanha, pegue tudo o que estiver dentro dela, e traga para cá. O homem não entendeu o pedido do mestre, mas fez o que ele pediu. Subiu no alto da montanha e entrou na casa do mestre. Assim que cruzou a porta de entrada, viu que a residência do mestre estava totalmente vazia. Não haviam móveis, roupas, artigos de limpeza, de higiene, livros, nem coisa alguma. Havia apenas o espaço vazio. O homem então desceu a montanha e foi falar com o mestre, dizendo: – Senhor, fui até a sua casa, mas não havia nada lá dentro. Por isso não pude retirar nada de sua casa, como me pediu. Mas não entendo… O mestre disse: – Preste atenção: Assim é o homem equilibrado, que não se abala com nada. Ele não deve possuir coisa alguma que possa lhe ser retirado, suprimido, roubado ou destruído pelos homens ou pelo tempo. O homem equilibrado não deve se identificar com coisa alguma, pois no momento em que se identifica, ele passa a pertencer àquilo, e isso pode lhe ser tirado. Se ele se identifica como um homem de negócios, ele pode deixar de ser; se ele se identifica com sua riqueza, pode perder sua fortuna; se ele se identifica com sua intelectualidade, pode ficar velho e esquecer tudo o que aprendeu; se ele se enxerga como um homem bom, pode sofrer quando cometer um erro e descobrir que não era tão bom como se julgava. Mas o homem que não se identifica com coisa alguma, apenas com Deus, ele é vazio de identidades, tal como a casa vazia onde nada pode ser tirado ou destruído. Da mesma forma que não se pode roubar uma casa que nada contém, ninguém pode desequilibrar ou abalar um homem que com nada se identifica. Ninguém pode tirar a paz de alguém cuja paz em coisa alguma se sustenta. Autor: Hugo Lapa

    • julia Postado em 16/Oct/2015 às 18:55

      Perfeito. Isso me lembra uma música: "Quando não se tem mais nada/Não se perde nada/Escudo ou espada/Pode ser o que se for, livre do temor" - Mantra - Nando Reis...é bem por aí! Eu não sou meu carro, nem minha casa, nem meu trabalho...mas, o sistema nos dá e nos tira toda sensação de pertencimento se não tivermos essas coisas "essenciais".

  4. Pedro Postado em 21/Jan/2016 às 17:34

    Tem que mandar uma boa galera pra Miami antes de podermos fazer essa união.