Redação Pragmatismo
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Homofobia 10/Sep/2015 às 14:54
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Justiça condena homofóbico a prestar serviços a instituição que ajuda gays

Homem que afirmou que iria “matar Jean Wyllys pessoalmente” é condenado a prestar serviços comunitários numa instituição que ajuda pessoas homossexuais. Márcio Damasceno justificou as ameaças contra o deputado: “desrespeita as leis de Deus e os princípios da Bíblia Sagrada”

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2ª Vara Federal de Natal condenou Márcio Damasceno a prestar serviços comunitários numa instituição que ajuda pessoas homossexuais após ele ter feito post com ameaças de morte e homofobia. Matéria humorística do site Sensacionalista compartilhada como verdadeira deu origem à ofensa e à ameaça de morte

Jean Wyllys, CartaCapital

“Eu falei do deputado federal endemoniado Jean. Se Deus não matar esse infeliz, eu mesmo vou matá-lo pessoalmente. Querem respeito desrespeitando as leis de Deus e os princípios da Bíblia Sagrada. Mas rapaz, quem vai virar homofóbico agora sou eu.”

Márcio Damasceno achou que poderia publicar no seu perfil pessoal do Facebook uma ameaça de morte contra mim — ou contra quem quer que fosse — e nada aconteceria. Nesse país, veado é morto todo dia e nada acontece, não é? Na sua imaginação doentia, Deus, a Bíblia e seus “princípios” estavam do lado dele e o habilitavam para ameaçar de morte outra pessoa sem que houvesse consequências.

Contudo, a Polícia Federal não concordou com Márcio. E nem o Ministério Público que atua junto à 2ª Vara Federal de Natal.

De acordo com a ata da audiência conciliatória realizada no dia de hoje na sala do tribunal, Márcio Damasceno deverá prestar serviços comunitários por oito meses, a razão de sete horas por semana, na Sociedade Viva, que cuida de homossexuais em situação de risco no município de São José de Mipibu, a 45 km de Natal.

A proposta de transação penal do MP foi, por vários motivos, exemplar, e eu quero contar a história completa, para que sirva de exemplo.

Tudo começou com uma matéria publicada pelo Sensacionalista, um excelente site de humor que publica notícias falsas sem enganar ninguém, já que avisa aos leitores que tudo o que publica é fictício. O objetivo do Sensacionalista, do qual sou leitor assíduo, é provocar a reflexão dos internautas sobre temas de interesse político e social, valendo-se para isso do humor e da ironia.

“Bancada gay lança projeto de lei para proibir o casamento de evangélicos”, dizia a manchete da matéria, segundo a qual a inexistente bancada homossexual do Congresso, liderada por mim, tinha apresentado um projeto de lei para alterar o Código Civil e proibir aos evangélicos o direito a se casar.

Vejam a ironia: a notícia, obviamente falsa, brinca com outra, infelizmente verdadeira: a bancada “evangélica” (que, diferentemente da falsa bancada gay, existe sim) está tentando aprovar no Congresso um projeto de lei, cinicamente chamado de “Estatuto da Família”, que tem por objetivo discriminar milhares de famílias, negando aos homossexuais o direito a se casarem (direito já conquistado por decisão do Conselho Nacional da Justiça após uma representação promovida por meu mandato) e desconhecendo, para todos os efeitos legais, a existência das famílias formadas por casais do mesmo sexo.

Ou seja, o Sensacionalista apresentava uma notícia falsa que espelhava, ironicamente, outra verdadeira, para mostrar quão absurda é a pretensão autoritária da bancada homofóbica, mal chamada “evangélica” (os evangélicos de verdade não merecem ser confundidos com esses pilantras que exploram a fé alheia e espalham ódio na sociedade), que quer negar a gays e lésbicas direitos civis básicos garantidos pela Constituição Federal.

A matéria humorística do Sensacionalista, porém, foi reproduzida como se fosse verdadeira por um site “evangélico” (uso aqui novamente as aspas por respeito aos evangélicos de verdade), a “Rede Promessa”, com o intuito de convencer seus leitores de que o falso projeto realmente existia. O recurso é o mesmo que quando dizem que eu me referi à Bíblia como “uma palhaçada” e aos cristãos como “doentes”, o que obviamente jamais disse e nem penso: os pastores pilantras tentam me colocar como inimigo dos cristãos.

Contudo, dessa vez, não inventaram uma notícia falsa, mas reproduziram como verdadeira uma matéria humorística. O pastor “evangélico” Davi Morgado compartilhou o post calunioso da “Rede Promessa” em diversas oportunidades, provocando dezenas de comentários ofensivos e xingamentos contra mim. A mentira começou a se espalhar, recebendo milhares de compartilhamentos.

Um deles foi o de Márcio Damasceno, quem além de reproduzir a notícia falsa como se fosse verdadeira, declarou publicamente em seu perfil que estava disposto a me assassinar, caso o próprio Deus não me matasse (vejam a ideia distorcida que esses falsos “evangélicos” têm sobre a personalidade do seu deus, que imaginam como um psicopata homicida).

A difamação e a calúnia são crimes graves, mas a ameaça de morte é ainda mais grave. Contudo, eu não acredito que Damasceno realmente tenha pensado em me matar. Ele foi muito estúpido e irresponsável e, em depoimento à Polícia Federal, reconheceu seu crime e se mostrou arrependido. Por isso, meus advogados não pediram para ele uma pena de prisão.

Eu tenho dito e repito aqui que não acredito que a gente vá erradicar o preconceito mandando pessoas para a cadeia. Claro que quem comete um crime violento (quem mata, estupra, espanca, agride fisicamente ou coloca em perigo a saúde, a integridade ou a vida de outrem) deve ser preso (e deveríamos ter um sistema prisional humanizado e eficaz para a reabilitação dos infratores), porque essa conduta constitui uma ameaça para a sociedade.

Contudo, quem ofende, xinga, reproduz preconceitos ou comete outro tipo de formas de discriminação que não incluam violência física — ou, como aconteceu neste caso, faz ameaças numa rede social que não passam de um ato de idiotice do qual logo se arrependem — podem receber penas alternativas que, em vez de trancafiá-los num presídio e embrutecê-los ainda mais (porque nosso sistema prisional dista de ser humanizado, infelizmente), os ajudem a aprender, a entender, a melhorar. Afinal, ele também é uma vítima. Embora ele tenha agido com burrice e irresponsabilidade, quem colocou essas ideias na cabeça dele foram os pastores pilantras, os vendilhões do templo, os exploradores da fé.

Eles são os verdadeiros vilões dessa história.

Por isso, eu fiquei muito satisfeito com a proposta do Ministério Público, aceita pelo juiz e pelo próprio Damasceno. Ele deverá prestar serviços comunitários numa instituição que ajuda pessoas homossexuais em situação de vulnerabilidade social.

Eu acredito que a experiência vai servir para que ele mude, para que ele aprenda a ver pessoas como a gente com outros olhos, sem a distorção criada pelo preconceito e a ignorância motivada pelos discursos de ódio dos pastores pilantras. Ele vai conhecer muitas pessoas homossexuais e vai poder vê-las como seres humanos tão valiosos como qualquer um.

Eu espero que isso mude a vida dele. E eu espero que sirva, também, como exemplo para outros. Precisamos desterrar o ódio e o preconceito da nossa sociedade. Precisamos construir, através da educação, do acesso à cultura e da garantia da laicidade do Estado, uma sociedade mais informada, menos preconceituosa, mais solidária e mais empática.

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Comentários

  1. Rosendo Postado em 10/Sep/2015 às 15:31

    Gente ignorante que reproduz a o que lhes é passado,não acho que ele tenha essa índole,acho que ele foi condicionado a pensar assim

  2. Eduardo Ribeiro Postado em 10/Sep/2015 às 15:38

    Está desinformado sobre o caso.

  3. Pedro Accioli Postado em 10/Sep/2015 às 15:39

    Muito bem feito para este homofóbico! Bem capaz que ele saia do armário neste meio tempo de prestação de serviço comunitário à homossexuais!

    • Trajano Postado em 14/Sep/2015 às 20:01

      Hmmmmm, poderosa!

  4. Juniperos Postado em 10/Sep/2015 às 15:47

    "Se Deus não matar esse infeliz, eu mesmo vou matá-lo pessoalmente" tomando para si os atos que ele acha que Deus deveria fazer, mas não fez é o mesmo que julgar Deus. Noutras palavras, o paradoxo do "pecado de Lúcifer". esse sujeito não tem o direito de tirar a vida de ninguém, mas se ele estiver indignado por ofensas a deus, a décadas sofremos com o trafico que revindica para si a vida de muitos, seja como vitimas, ou como militantes. no entanto esse verdadeiro desrespeito com deus passa cegamente diante de muitos das bancadas, já que gostam de esbravejar sobre a "lei de deus" com homossexuais, mas quem altera o tom de voz na frente de um criminoso como eles, quando com uma arma na mão, são eles. No fundo o que eles tem é a simples vontade de ferir e matar alguém, da sensação de poder de assustar e coagir, com o imaginário apoio de "deus" aos seus asseclas.

  5. Rodrigo Postado em 10/Sep/2015 às 16:08

    (Outro Rodrigo) E as pessoas seguem sem ler os dois mandamentos nos quais Jesus bem resumiu os 10: "Amarás a Deus acima de todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo"

  6. Rodrigo Postado em 10/Sep/2015 às 16:14

    (Outro Rodrigo) É, xará, aí você vai exigir demais... Em resposta, dirão: "não foi bem isso que ele quis dizer" / "ele não disse o que disse" / "estão distorcendo" / "é tudo culpa dos outros".

  7. Eduardo Postado em 10/Sep/2015 às 17:48

    Aqui de boas esperando o PP falar sobre a perda do grau de investimento da SP

    • Rodrigo Postado em 11/Sep/2015 às 10:58

      (Outro Rodrigo) Puxa uma cadeira, faz um café e pega um cobertor. Essa espera pode se alongar e vai que esfria... Deve ser porque "ninguém come grau de investimento", nem dólar, muito menos "Haddad 1", com suas 5 mil armas e 500 mil cartuchos, dirão...

  8. Trajano Postado em 10/Sep/2015 às 19:32

    Ué? Rolou processo nesse episódio? Qual o número do processo? Qual a alegação? Ser negro é ofensa? Ser gordo é ofensa? Até onde eu sei, o cidadão disse para o Jean “ñ se faça de desentendido, vítima! vc sabem muito bem q a intenção do PL 122 era de acabar cm a liberdade de expressão” e como resposta “um negro gordo se opondo a um projeto anti-discriminação de minorias é mais que burrice: é fim de mundo!”. Qual é a dúvida? Não é a liberdade de expressão que está em jogo? Então, se ele quer manter a sua liberdade para falar mal dos gays, ué, vai reclamar por ter sido chamado de burro ao ser contra um projeto a favor das minorias? Esperava o quê? Um abraço? Liberdade de expressão só serve pra ele, então? E novamente, ser negro ou ser gordo é ofensa? Chamar um gay de gay é ofensa também? Além disso, a conversa dos cavalheiros no Twitter invalida a decisão da justiça quando uma pessoa ameaçou outra de morte? Qual a equivalência dos casos, Rodrigo?

    • Guilhermo Postado em 10/Sep/2015 às 20:10

      É falta de educação chamar uma pessoa que você não tem intimidade e que está acima do peso de gorda em uma conversa civilizada. #sóacho.

    • Trajano Postado em 10/Sep/2015 às 22:02

      Nenhum dos dois quis ser educado, Guilhermo. Agora o que quero saber é se realmente existe um processo nessa história toda. Seria interessantíssimo saber quem alegou o quê. E processar não significa ganho de causa. Agora, se não existe sequer um processo em andamento, bom, então é mentira do Rodrigo. De qualquer forma, uma pessoa se basear em notícia inverídica de site de humor para ameaçar uma outra pessoa de morte não me parece uma atitude civilizada, muito menos inteligente... É crime mesmo. E não sei qual é da aberração intelectual que quer comparar bate-boca no Twitter com ameaça de morte.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 11/Sep/2015 às 10:23

      O citado "gordo e negro" posicionava-se contra um projeto que OBVIAMENTE DEFENDIA OS DIREITOS DE MINORIAS. Então, JW referiu-se ao cidadão como "negro e gordo" no sentido de expor a ÓBVIA CONTRADIÇÃO residente no fato de uma pessoa que é DUPLAMENTE vítima de preconceito (negro e gordo), que é DUPLAMENTE parte de uma minoria vítima da intolerância burra, se posicionar contra um projeto que defende os direitos de pessoas que sofrem o mesmo que ele sofre. Porra. Não foi um xingamento grosseiro que veio do nada, ""ah, você é um gordo e preto escroto...tchau""...foi uma constatação de um fato para expor uma contradição. Como pode um negro ser contra direitos de minorias esmagadas? COMO PODE???? Aí eu sou obrigado a ler que o cidadão espera condenação de JW...condenação pelo que, porra? Vai se informar antes de bostejar, por favor...

  9. Trajano Postado em 10/Sep/2015 às 19:35

    E maria continua seu trabalho de marketing das matérias do Globo, Veja e Folha. Não tem como denunciar como spam não? Tá ficando chato a maricagem desse homem!

  10. Rafael Postado em 11/Sep/2015 às 08:26

    Comunistas Brasileiros estão mais preocupados em defender essa ideologia (LGBT) implantada pelo imperialismo norte americano, do que seus próprios objetivos... Lamentável!!!

    • Guilhermo Postado em 11/Sep/2015 às 11:00

      Isso é ótimo. Defender essas minorias não trazem nenhum problema à sociedade. Até a torna mais justa em alguns sentidos. Imagina se esses comunistas decidirem lutar realmente pela implantação do socialismo aqui no Brasil! Isso sim será danoso à sociedade.

    • Slash Postado em 17/Sep/2015 às 13:44

      A culpa disso é nossa. Não fizemos nada por eles (LGBT) e a consequência foi uma homofobia culturalizada. Ou seja, achou-se que ser contra gays era normal e cultural no nosso país. O resultado é esse ai. Mas espero que no futuro, as coisas sejam diferentes. Eles(LGB Ts) já sabem que há uma parcela da sociedade geral disposta a por fim aos preconceitos e as segregações que eles sofrem. Despertamos para a realidade e agora essa briga tb é nossa. Há muito em jogo, vidas humnanas são destroçadas enquanto ficamos parados sem fazer nada. NÃO MAIS. Agora é pra valer. E ninguém, nem mesmo um deus da bíblia, vai nos parar. Os pentecostais não sabem o que provocaram.

  11. Shuma Postado em 11/Sep/2015 às 11:57

    Tentativa infeliz de ser um guerreiro sagrado de Deus.

  12. Lucas Oliveira Silva Postado em 15/Sep/2015 às 12:24

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Seguidores do Bolsolixo piram!

  13. Slash Postado em 17/Sep/2015 às 13:39

    Não vou julgar se este caso foi merecido ou não. Apenas direi que, essa sim seria uma punição para se aplicar em casos de homofobia.