Redação Pragmatismo
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Juristas 15/Sep/2015 às 19:23
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Ex-menino de rua é aprovado nos concursos do STF e Ministério Público

O pai foi morto a tiros e ele próprio foi vítima de uma bala perdida que quase o deixou tetraplégico. Conheça a história do advogado Ismael Batista, o ex-menino de rua que passou em 5 concursos e hoje trabalha no STF

ismael batista menino de rua
Ismael Batista (Imagem: Isabella Formiga/G1)

Ismael Batista, advogado, fugiu da casa onde morava aos 8 anos, em Samambaia-DF, para viver no Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília. Por quase um ano, ele dormiu no bagageiro do terminal e conviveu com os funcionários como se fossem da própria família. Uma dessas pessoas foi a atendente de uma locadora de carros, cuja mãe o adotou e o ajudou a ser aprovado em concursos no Supremo Tribunal Federal e no Ministério Público.

De família pobre, Batista cresceu em um barraco de madeirite, montado sobre a terra, com a mãe e os dois irmãos, em Ceilândia. O pai foi morto a tiros por usuários de drogas da região.

Batista também foi vítima de bala perdida, dentro da própria casa. Atingido de raspão, por pouco não ficou tetraplégico.

Aos 33 anos, Ismael ainda não sabe explicar a motivação certa para ter abandonado a família. “Talvez a junção disso tudo, de não gostar do lugar em que vivia, um lugar muito pobre, em que tudo era ruim para uma família naquela situação. Pode ser que isso tudo tenha dado um grande estalo. Mas não foi uma coisa planejada”, diz.

Vida no aeroporto

Deslumbrado com o aeroporto, Batista disse ter passado horas andando e explorando todos os cantos do terminal. “Fiquei só andando e olhando. Passei o resto do dia inteiro andando de um lado para o outro”, diz. “Não sei explicar o que era tão fascinante. É coisa de criança. Era um lugar bonito, tinha aviões. Hoje em dia, todo mundo anda de avião. Naquela época, 1991, só andava quem tinha dinheiro, era caríssimo. Tudo era diferente, e para mim aquilo era legal.”

Durante o período em que viveu no aeroporto, ele chegou a ser levado duas vezes para um abrigo de menores, mas sempre fugia. Em todo esse tempo, ele nunca telefonou ou manteve contato com a família. Em várias ocasiões, a mãe saiu à procura do filho pelas ruas levando apenas uma foto 3×4.

“Sentia falta da família, mas não via ali os riscos que uma criança que vive na rodoviária veria”, diz. “A condição de higiene era diferente que na rodoviária. Não tinha ‘bicho’ drogado. Era uma situação que imagino que seja muito melhor do que a gente vê as crianças moradores de rua passando hoje. Não me considerava nada, era apenas uma criança que estava ali. Hoje digo, fui morador de rua, fui menino de rua.”

‘Irmã adotiva’

Após alguns meses vivendo no aeroporto, Batista conheceu a jovem que se tornaria a “irmã adotiva” dele. À época, Andréa Carvalho tinha 19 anos e trabalhava em uma locadora de veículos. “A gente fez amizade. Às vezes eu chegava lá e comprava café da manhã para nós dois. Quando não tinha dinheiro, ela comprava café para mim, e almoço também.”

Escondida da mãe, Andréa levava o menino de rua para tomar banho na casa em que viviam, na 406 Sul. Batista descreve a experiência como “aventura” e “sonho”.

“Era tudo bonito. A cama era muito cheirosa, tinha roupa de cama. Fui do lixo para o luxo”, diz. A mãe questionava a filha se alguém havia estado em casa, mas Andréa sempre negava.Tudo mudou após um assalto no aeroporto.

“Alguns marginais pegaram as chaves que ficavam dentro das gavetas dos estandes e levaram os carros do estacionamento. A polícia começou a fazer uma investigação e ficou meio perigoso”, diz ele. “Foi então que minha irmã falou: ‘Está meio perigoso. Você vai comigo para minha casa, vou apresentar você para minha mãe. Na segunda-feira, imagino que vá estar mais tranquilo, e você volta.”

Batista passou o fim de semana com a família. Foi então que surgiu a proposta de ele ir morar com as duas. “Ela [mãe adotiva] me disse: gostei muito de você. Conversei com a Andréa e queria que você viesse morar com a gente, ver se dá certo. Não é certeza ainda, a gente quer tentar. Mas para isso, tem uma condição. Você tem que voltar para a sua casa, conversar com sua mãe. Se ela concordar, a gente vai lá e conversa com ela para eu pegar a sua guarda.”

“Fiquei morrendo de medo porque sei como a ‘baixinha’ [mãe biológica] é”, diz. “Passei entre seis e oito meses fora de casa. Sabia que quando voltasse o bicho ia comer e não deu outra.”

“Quando ela me viu, logo caiu uma lágrima do olho. Começou a chorar, me abraçou, e na sequência lembro que foi só ‘na orelha’. ‘Meu filho, você está vivo! Vem cá, cabra safado, o pau vai comer’. A pancadaria foi feia, o pau foi comendo até em casa.”

Depois, quando conseguiu conversar sobre a adoção, a mãe foi irredutível e disse que ‘não’, mas viria a mudar de ideia dias depois.

Estudos

Batista diz que só começou a se dedicar aos estudos aos 19 anos, para passar no primeiro concurso público. “Estudava 12 horas por dia – de 8h até meio-dia, tirava duas horas para descansar. Voltava às 14h, via um pouco de televisão, jornal, jantava. E às 20h estudava até meia-noite. Eram três turnos.”

Foi então que se apaixonou pela profissão que seguiria. “Comecei a estudar direito administrativo, constitucional. Não sabia nem o que era alínea, parágrafo. Estudei oito meses e passei em um primeiro concurso para bancário no BRB, aos 22 anos”, diz. “Seis meses depois, fui chamado para técnico no STF.”

Algum tempo depois, Batista foi aprovado para analista no Conselho Nacional do Ministério Público e para outros três concursos públicos. Atualmente, ele estuda para a segunda fase do concurso de delegado de Polícia Civil.

“Você começa a passar, vai passando, e vai adquirindo aquele acúmulo de conhecimento”, diz. “Não sou um cara muito inteligente, sou um cara esforçado. Se eu precisar ler dez vezes, eu vou aprender igual a um gênio.”
O advogado se define como um “aproveitador de oportunidades”. “A maior parte dos meus amigos de Samambaia já morreu. Sempre fui muito esperto e ia acabar usando essa esperteza para alguma coisa que talvez não fosse boa”, diz.

“É uma antítese entre o malex do aeroporto e uma mesa de servidor do Supremo, que já me fez chorar muito. É uma junção de bênção, que se chama de sorte, com também aproveitamento de oportunidades.”

Isabella Formiga, G1-DF

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Comentários

  1. savassa Postado em 15/Sep/2015 às 19:50

    Certamente através de alguma assistência da classe branca ou do homem do cavalo branco, ou o do pó branco.... Gente do mal, que não gostam de gente.... nunca teríamos estas oportunidades, se os Tucanalhos estivessem no poder.... Pensem nisso, brasileiros de bem....

  2. enganado Postado em 15/Sep/2015 às 23:33

    Meu caro advogado Ismael Batista, o ex-menino de rua, parabéns de Zero ao INFINITO. Mas a única coisa que lhe peço é que não venda sua dignidade/seu esforço/sua moral para a Direita como fez o ""Joaquim Barbosa"" que hoje tem até apartamento em Miami, ainda fica bravo qdo lhe questiona isso e outras coisas mais como conseguiu esconder do Povo Brasileiro os Inquéritos 2474 e 2818 que contam as verdades sobre o tal ___"""Mentirão do PT"""___. Que o exemplo citado sirva de como não perder a honestidade e que nunca deverá ser seguido por gente humilde, como VC, que alcança os degraus superiores pelos seus próprios méritos. Mais uma vez Parabéns! Boa sorte! Se cuide!

    • Ecthor Postado em 16/Sep/2015 às 09:44

      vender ??? como assim ?? ele conseguiu por mérito próprio igual a Joaquim brabosa que chegou lá !!! ele tem total direito de escolher o que é melhor para ele, não importa se ele irá seguir a direita ou a Esquerda mas sei de uma coisa, ele não dormiu no ponto e esperou a ajuda do ESTADO para melhorar de vida !!!

      • Denisbaldo Postado em 16/Sep/2015 às 11:45

        Mais ou menos Ecthor. Ele estudou e conseguiu uma carreira de sucesso no ESTADO. Será que se ele tivesse direcionado sua carreira para a iniciativa privada ele teria o mesmo sucesso? Infelizmente para muitos o ESTADO é o único acolhedor. na iniciativa privada, no capitalismo selvagem ainda existem barreiras intransponíveis para muitos. Acho que se ele vier a defender a direita e seu liberalismo, estará sim renegando boa parte de seu sucesso. Não achas?

      • Eduardo Ribeiro Postado em 16/Sep/2015 às 14:25

        """""""" não dormiu no ponto e esperou a ajuda do ESTADO para melhorar de vida !!! """""""".....VIU GENTE? ISSO SE CHAMA MERITOCRACIA!!

      • enganado Postado em 16/Sep/2015 às 14:44

        Ecthor! Quer dizer que os almocinhos que o ""VENDIDO"", JB, com o Aópio não lhe valeram de nada? E a porrada na 1ª esposa? Não consta em nenhum fórum que lhe foi aplicada a ""Lei Maria da Penha"", estranho! Qdo deu carona no jatinho da FAB que o levou a Costa Rica para uma tal Palestra, é é é PALESTRA! ((pra quem não sabe: __Costa Rica - Protetorado dos EUA/iSSraHell)), jornalista da__rede gRoubo__ e no dia seguinte seu filhinho estava empregado no show do HUCK(judeu). Empresa fantasma para a tal compra de um ato em Miami, de 500.000 dólares, mentira! 1 milhão de dólares, porque de 500.000 dólares não lá estas coisas para um pomposo fdp que ele é! Da mesma laia do LALAU ((roubo do FHC-assinou o cheque e disse que não o valor da quantia-Fórum de SP)). Pois é se VENDER MESMO! SER COMPRADO pelo PSDB/DEM/Clube Militar_DB/... a olhe o juiz MORO, aquele que a esposa é advogada do PSDB, é COMPRADO TAMBÈM! Ou será que VC afirma que um JUIZ-HONESTO se permite receber Prêmio de um filho do Roberto Marinho? (((Segundo o PHA, os filhos do Roberto Marinho não tem nomes, pois são apenas :: ""Filho(s) do Roberto Marinho"". É Ecthor, tá difícil de se fazer entender no BRASIL, por definição ___"""Toda a DIREITA é burra"""___.

    • Rodrigão Postado em 21/Sep/2015 às 00:38

      Você não está enganado, apenas do lado direito !

  3. Adriano Postado em 16/Sep/2015 às 02:36

    Nessa horas que sinto raiva de mim. Tenho estudo técnico federal e estou terminando minha faculdade particular paga pelos meus pais, mas ainda continuo desempregado. Só ano passado que comecei a estudar mais a sério para concursos técnicos. Gosto de estudar, mas a procrastinação vence na maioria das vezes. Preciso tomar vergonha na cara. Vejo o caso do camarada e vejo que só é preciso querer de verdade

    • Rodrigo Postado em 16/Sep/2015 às 10:18

      (Outro Rodrigo) Concordo, Adriano. Muitas vezes achamos que já nos esforçamos o suficiente, que não podemos ir mais além, que o fardo é pesado demais... Até vermos um Ismael vir e nos questionar: "ah, pra você está difícil, né? não pode mais, né? enquanto você escolhe continuar continue reclamando, eu escolho me dedicar, me superar e seguir vencendo." Lição de vida para mim também. Parabéns, Ismael! Que venham realizações ainda maiores para ti!

    • Thiago Teixeira Postado em 16/Sep/2015 às 15:51

      Não é por ai cara. O fato de ter estudo pago não significa garantia de sucesso, e se você não passou é porque está pecando em alguma coisa. Eu prestei vestibular em universiade pública 3 vezes, você precisa ter perseverança e encarar o que está de errado no estudo. Na ocasião que ei passei, estudei sozinho com 10 anos de provas impressa nas mãos, entendi o formato das respostas, o que eles esperam dos alunos, enfim, estudei o vestibular, e não para o vestibular. Não sei se concurso é a mesma coisa, nunca prestei, mas deve ser semelhante. Estude as provas passadas!

      • Rodrigo Postado em 17/Sep/2015 às 09:58

        (Outro Rodrigo) Isso também é verdade.

      • Rodrigão Postado em 21/Sep/2015 às 00:43

        Você trabalha ?