Redação Pragmatismo
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Racismo não 11/Sep/2015 às 16:30
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Com blackface, alunas de medicina ironizam questão racial: "#pestenegra"

Alunas de medicina da Uniara (Centro Universitário de Araraquara) fazem blackface e ironizam questão racial. Foto com piadas racistas repercutiu mal na internet

blackface alunas medicina

A foto de um grupo de estudantes de medicina da Uniara (Centro Universitário de Araraquara) causou polêmica e foi apontada como racista no Facebook. Na imagem, cinco jovens aparecem com os rostos pintados de preto, algumas identificadas com o uniforme da torcida do curso. A foto foi tirada durante os 13º Jumed (Jogos Universitários da Medicina), realizado em Barretos (SP).

Além da técnica, conhecida como “blackface”, ser identificada como racista pelo movimento negro, a foto foi publicada com hashtags “#negritude” e “#pestenegra” na legenda.

Nos comentários, colegas que também aparecem na foto fizeram piada: “Negritudes” e “Inclusão social hahahahahah”, disseram. Outros comentários irônicos a respeito da questão racial no Brasil também foram registrados.

No Facebook, o Centro de Referência Afro Mestre Jorge, ligado à Prefeitura de Araraquara, criticou a postagem: “Racistas não passarão”. O grupo ainda afirma que a Coordenadoria de Politicas de Promoção da Igualdade Racial de Araraquara vai apurar os fatos.

Em nota conjunta, o DAMU (Diretório Acadêmico do curso de Medicina da Uniara) e a AAAEJ (Associação Atlética Acadêmica Edmundo Juarez) afirmaram que repudiam qualquer tipo de discriminação. O texto diz ainda que a bandeira da atlética tem as cores preta e laranja e que os torcedores do curso de Araraquara se valeram da primeira durante os jogos.

“Admitimos a infelicidade na escolha dos termos utilizados pela torcida e reafirmamos que de maneira alguma o intuito foi de ofender ou incitar elementos de qualquer cunho pejorativo. As instituições se responsabilizam por promover o quanto antes debates internos com a comunidade acadêmica e docentes a fim de conscientizar e propagar a luta contra o racismo”, informa a nota.

Por que o blackface é considerado uma forma de racismo?

O blackface surgiu por volta de 1830, quando homens brancos se pintavam de preto – de forma caricata – e se apresentavam para a aristocracia branca com o objetivo de satirizar a população negra.

Anos depois, a prática ganhou popularidade nos cinemas e televisão, como ferramenta de entretenimento cultural. Contudo, o blackface serve tanto como estereótipo racista quanto como forma de exclusão, porque se no primeiro caso ridiculariza, no segundo nega papéis a artistas negros.

blackface alunas medicina

com informações de iBahia, SpressoSP e UOL

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Comentários

  1. Alu Nas Postado em 11/Sep/2015 às 17:44

    Ai ai, curso de medicina. Em tantos e tantos casos a pessoa se mata tanto de estudar pra entrar na porra do curso que não tem tempo de gerar um simancol básico, de criar uma mínima noção sobre como o mundo funciona, o que aconteceu no passado nem tão distante assim, essas coisas. Foda, viu. É pra ter mais pena dessas coitadas que demonizá-las, sinceramente...

    • Consuelo Nery Postado em 13/Sep/2015 às 23:44

      Pena? pena de quem teve opornidade de estudar? de quem está capacitado para raciocinar?

      • Gustavo Postado em 14/Sep/2015 às 09:38

        Capacidade de raciocinar todo ser humano tem. O vestibular é um meio de seleção negligente de simples reprodução de certo tipo de conhecimento, desconsidera a singularidade, criatividade, temperamento, empatia e várias capacidades importantíssimas no exercício do trabalho. E geralmente nesses cursos superiores você encontra jovens que tiveram uma boa condição social e simplesmente aprenderam a memorizar e reproduzir, porém, raciocinar, acho que eles não o fazem muito bem.

  2. Sonia Postado em 11/Sep/2015 às 18:14

    Penso aqui comigo, que tipo de médicas serão essas aí? Terão nojo de pobres e negros, melhor é nunca trabalharem em hospitais públicos essas coisas

  3. João Carlos Postado em 11/Sep/2015 às 18:42

    Cada vez mais chego a conclusão de que o curso de medicina precisa urgentemente de um rigoroso exame psicológico para ingresso. As maiores pérolas sempre são de tais estudantes. Falo por experiência. Moro em um bairro disputado por médicos e estudantes de medicina, porque é ao lado dos hospitais. Respeito é algo inexistente entre eles. Uma hora da manhã tem bateria tocando, grito de torcida etc. Isso que é ao lado do hospital! Lamentável...começo até a gostar dos médicos cubanos quando vejo o nível dos médicos brasileiros

  4. João Paulo Postado em 11/Sep/2015 às 20:15

    Discussões acadêmicas, apuração administrativa, mimimimi. E o processo criminal e por indenização de danos morais coletivos?

    • Guilhermo Postado em 11/Sep/2015 às 20:26

      Você se sentiu assim tão ofendido?

      • João Paulo Postado em 12/Sep/2015 às 20:30

        Não posso sentir empatia por qualquer outro ser humano? Não desejo aos outros o que não desejo para mim.

      • Claudia Postado em 13/Sep/2015 às 18:19

        Eu não sou negra e me senti profundamente incomodada com o episódio. E também gostaria que fossem processadas criminalmente. Você não se importa com racismo?

      • Leide Postado em 13/Sep/2015 às 20:17

        Só não se sente ofendido quem não tem sentimentos humanitários e nega aos negros o direito à dignidade humana. Colocar-se no lugar do outro é um exercício saudável. Deveria experimentar mais vezes.

      • Guilhermo Postado em 14/Sep/2015 às 17:03

        Não, galera. Só achei a reação de vocês um pouco exagerada. Vocês querem puní-las de forma desproporcional, exagerada.

  5. Trajano Postado em 12/Sep/2015 às 10:16

    E a gente vê muita garotada que sai do ensino médio direto para uma graduação. Amizades, diversão, relacionamentos e tudo o que adolescentes precisam somado a tudo que o orgulho dos pais almejam e, óbvio, que o dinheiro pode comprar. As universidades privadas cobram de R$ 4.500 até R$ 7.000 de mensalidade para pais que desejam filhos médicos; é concorrência baseada em uma nota de corte medida na quantidade de milhares de reais. Não estamos falando de algo acessível para pessoas de classe C e D (talvez nem para muitos da B), pois o vestibular não é somente uma nota de corte: é também um corte social. Para um tipo de graduação que pode facilmente ultrapassar o custo de R$ 50.000 por ano, oras, convenhamos que não foram estas crianças “blackfaces” que passaram para medicina em faculdade privada, ao menos não somente e não principalmente: foram os bolsos dos seus pais que foram aprovados primeiro. Daquele tipo de gente que não se importa em constituir moral e ética de forma quantitativa aos seus rendimentos. Junta tudo isso com o ranço vira-lata impregnando da manjada hipervalorização da cultura estadunidense e temos um episódio como este, em que adolescentes pagam um mico derrapante via “Instagram” durante uma partida de time universitário, com rostos pintados de preto seguidas de hashtags #pestenegra e #negritude. Parece um filme de besteirol americano, só que com mais São Paulo, menos Estados Unidos e muito Brasil. O racismo desta foto que ultrapassa os limites virtuais, dá um tapa na cara da sociedade, revolta, angustia não está somente na pintura facial e nas hashtags repulsivas, mas também no fato de que a quantidade de negros que aparecem lá é quase que imperceptível. Reflete nossa história, nossa sociedade, nosso racismo mais profundo que é aquele institucionalizado, sociocultural, difícil de combater porque seus operadores são silenciosos e são muitos, milhões, e não precisam de patrocínios para operar, somente precisam de estímulos baratos como uma lata de cerveja “Devassa”. É isto: não vi racismo na atitude das adolescentes da foto porque o racismo está na foto toda, em todos os elementos presentes e transborda nos comentários cretinos da postagem igualmente cretina das meninas. Enfim, parabéns aos pais das envolvidas no caso, espero que estejam orgulhosos de suas futuras doutoras sem doutorado e discernimento.

    • Paulo Postado em 12/Sep/2015 às 13:46

      Olha, acho que a "classe B" é sim bem representada nas universidades. Depende muito de onde se faz o "corte" entre a classe A e B, mas o modelo universitário brasileiro foi a moeda de troca usada pela ditadura para comprar o apoio da classe média. O acesso a universidade no Brasil é absurdo: eu não consigo entender como uma pessoa que passa 2 ou até 4 anos no cursinho se torna um aluno "melhor" preparado para um curso que nada tem a ver com o conteúdo testado no vestibular. Esse comportamento tosco não é monopólio de alunos de medicina: na UNESP houve casos horríveis de racismo, na universidade de brasilia e na UFMG também: é o sistema imunológico da classe média reagindo ao que eles entendem ser uma infecçao.

    • Claudia Postado em 13/Sep/2015 às 18:21

      Comentaram que a maioria dessas alunas de medicina usa o FIES. Deveriam pensar 300 vezes antes de falar em inclusão.

  6. Renato Postado em 12/Sep/2015 às 17:32

    Mais cubanos, por favor

  7. sidney Postado em 13/Sep/2015 às 07:04

    Ja começam o curso dando sinais de burrice... Lamentável!

  8. Roberto Pedroso Postado em 13/Sep/2015 às 11:57

    Exatamente que tipo de instituição de ensino forma alunos que pintam suas caras e ridicularizam a parcela negra da população(que é a maioria da população em nosso pais segundo o ultimo Senso) que só recentemente começou por meio de ações afirmativas a ter acesso ao ensino superior?que especie de instituição de ensino forma alunos que ostentam cartazes em manifestações publicas clamando pelo retorno da ditadura ?que tipo de instituição de ensino forma seres tão alienados? vemos estes jovens com acesso a educação e cultura mas com extrema insensibilidade social e desconhecimento politico histórico isso é realmente triste e trágico e vamos assim cada vez pior ;eu temo pelo futuro e me envergonho de parte desta juventude que nada mais são do que escoria intelectualmente indigente.

  9. Roger Postado em 13/Sep/2015 às 21:33

    Infelizmente, neste país formam-se muita gente não por talento e aptidão, mas pela grana de mamãe /papai e por status. Dá nisso aí.

  10. Brasil de Abreu Postado em 13/Sep/2015 às 21:34

    Puxa como estamos atrasados. Nossos jovens que sabendo das dificuldades por que passa o país, perdem tempo em discutir raça e cor, sem chegar à nada, pois, somos todos iguais, queiramos ou não. Gene vamos usar o precioso tempo para desenvolver conhecimentos em benefício da humanidade. Ainda não aprendemos sequer a falar! Vejam: o homem ainda não aprendeu a se comunicar apenas com palavras, precisa usar de meios belicosos para se ''fazer entender'', o que resulta na indústria da morte, violência e guerras, não obstante destrói o planeta em que vivemos, a vida chega a perder o sentido de ser, sendo ocupada pelo ''ter'', uma ilusão tão fria como a de nos diferenciar pela cor. Sou branco, de raízes europeias, mas, orgulhoso dos meus semelhantes sejam de qual for a sua etnia.

  11. Armistrong Souto Postado em 14/Sep/2015 às 14:05

    Processo judicial, e exclusão, imediata, do curso! Tolerância zero!

    • eu daqui Postado em 16/Sep/2015 às 09:55

      se gritar pega não fica humano nenhum em um em curso nenhum..

  12. Thiago Teixeira Postado em 15/Sep/2015 às 12:39

    É inútil perder tempo com este tipo de episódio. O movimento negro não ira ser acrescentado em nada, pois as riquinhas estão dentro das universidades, nos melhores cursos graças a bagagem histórica de valorização de seus ancestrais, melhores condições financeiras e a anos luz na frente de um descendente afro e indígena. Sucesso a elas, parabéns pelo racismo e um dia o cidadão mestiço marginalizado irá encontra-las num semáforo ou num sequestro relâmpago.

    • eu daqui Postado em 16/Sep/2015 às 09:54

      Então essa é sua solução pra racismo: banditismo. É por isso que o racismo não acaba.....

  13. Juniperos Postado em 17/Sep/2015 às 07:40

    É... a farra do exclusivismo as deixou com uns sorrisos enormes no rosto... Ainda me lembro desse costume de black face, empurrado até para as crianças. Quem foi criança lembra do episodio de Tom&Jerry, onde ele pinta a face de Jerry com graxa, o põe numa frigideira, e o faz sapatear, com um isqueiro aceso logo abaixo, no intuito de impressionar uma gata? Puxa, pelo que estou vendo não mudou nada...