André Falcão
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PT 25/Aug/2015 às 23:06
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O PT e seu maior algoz

pt ódio corrupção conservadorismo direita

André Falcão*

Que não se imagine que as diversas tendências que se situam no âmago do PT, formalizadas e identificáveis como se contraditoriamente se tratassem de diversos partidos num só, tenham sido ou sejam o seu maior problema, até para que reste preservada a harmonia. Essa característica, que aqui mais o assemelha a uma frente, nem de longe é pesadelo a tirar-lhe o sono.

O maior inimigo do PT tampouco são seus maiores adversários: PSDB, DEM, parte do PMDB, o desfigurado PPS, o PSB, sério candidato à desfiguração tal qual o primo, outrora PCB, muito menos o PSOL, que não raro vem a demonstrar que o esquerdismo, doença infantil há anos diagnosticada por Lênin, mostra-se vírus de difícil extermínio.

Sequer o é o PIG, o Partido da Imprensa Golpista, assim chamados pelo jornalista Paulo Henrique Amorim os grandes grupos midiáticos, alguns poucos magnatas que, com inegável competência para a mentira, a deturpação e a manipulação sob os auspícios dos governos estadunidenses das mais diversas épocas de nossa conturbada história política, determinam boa parte do clamor da opinião pública tupiniquim, notadamente de grande parcela das classes média, principalmente, e alta, preconceituosas e politicamente analfabetas.

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Na verdade, o maior inimigo do PT está dentro do próprio partido. E tampouco me refiro à principal oposicionista a causar aperreios ao presidente recém-eleito em 2002, a então Senadora Heloísa Helena, seguida de Luciana Genro e outros menos estelares, cuja oposição ferrenha, e para muitos contraditória, culminou na expulsão desses parlamentares e posterior criação do PSOL.

Seu maior inimigo é o mais perigoso porque confunde-se com o próprio partido; trai seus dogmas e sua militância, enodoa seu perfil de agremiação partidária pautada pela ética, a diferenciá-la dos demais à sua direita; bandeira fortíssima que, desfraldada, vibrante e altaneira foi fundamental para levá-lo ao poder. O PT, aí, falhou. Não foi competente para coibir, ou punir, os malfeitos de filiados e membros de sua direção. Como se diz no popular, “deixou a coisa correr frouxa”. Mas nem por isto está irremediavelmente ameaçado na sua existência. Trata-se de lição que, se aprendida, o deixará mais maduro.

Mais a mais, o PT, junto com seus aliados de mais longa data, a exemplo do PCdoB, realiza os melhores governos da história. Mais a mais, o PT tem sua inestimável militância. Mais a mais, o PT tem Lula. Um partido com esse patrimônio não é morto, tampouco se suicida, facilmente.

*André Falcão é advogado e autor do Blog do André Falcão. Escreve semanalmente para Pragmatismo Político

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Comentários

  1. Carlos Postado em 28/Aug/2015 às 02:03

    O esquerdismo é um inimigo inato das esquerdas de todas elas, nasce para morrer. Impressionante a América Latina copiar sistemas e ideologias falidas enquanto os tigres asiáticos, Austrália, Japão, USA entre outros vive muito bem com o capitalismo bem gerido.

  2. Carlos Postado em 28/Aug/2015 às 02:56

    https://www.facebook.com/francislauer/videos/10204754095844487/ Aqui vai um bom vídeo sobre a história da esquerda 100.000.000 de mortos, Hitler passa longe, mas isso não vemos nos livros brasileiros, aqui nos preocupamos com os 600 mortos na nossa ditadura.

  3. Ricardo Postado em 28/Aug/2015 às 12:28

    Primeiro: morte é morte, não interessa a quantidade - é conceitual, não uma questão matemática (logo, se é conceitual - e é - vc tem de aplicar a mesma lógica para o capitalismo e bani-lo). Segundo: já desmascararam os erros metodológicos desse "cálculo" de 100.000.000. Terceiro: esquerdaxdireita não tem nada a ver com ditduraxdemocracia (só faz sentido para quem acolhe o vetusto discurso macartista, estupidez que se nega a deixar a AL). Quarto: "esquerda" e "direita" (como todos os termos) ganharam novo conceito, novo conteúdo (v. Bobbio). Quarto: Mises, o super-herói da "nova" direita, elogiou o nazi-fascismo europeu. Por último: não há problema nenhum em vc apoiar o capitalismo, esperaria somente que o fizesse pelos motivos certos, não pelos errados.