Redação Pragmatismo
Compartilhar
História 12/Aug/2015 às 11:23
28
Comentários

Margarida Alves, a mulher que inspira a Marcha das Margaridas

Uma das figuras retratadas na imagem de capa de Pragmatismo Político no Facebook, Margarida Alves foi assassinada na frente dos filhos e do marido na porta de casa por um matador de aluguel. Em discurso para trabalhadores três meses antes de morrer, ela disse que “é melhor morrer na luta do que morrer de fome”. Conheça a história da mulher que inspira a Marcha das Margaridas

margarida alves marcha das margaridas

Retratada na imagem de capa de Pragmatismo Político no Facebook, Margarida Alves foi assassinada na frente dos filhos e do marido na porta de casa por um matador de aluguel

Três meses antes de ser assassinada na porta de casa, na frente do marido e do filho pequeno, a líder sindical paraibana Margarida Maria Alves disse, em um discurso de comemoração pelo 1° de maio (Dia do Trabalhador), que era melhor morrer na luta do que morrer de fome. Trinta e dois anos depois de sua morte, as palavras de Margarida ainda ecoam entre as mulheres trabalhadoras rurais e dão força para a luta diária por representatividade e melhores condições de trabalho e de vida no campo.

Outra frase famosa do mesmo discurso, “da luta eu não fujo”, está gravada em umas das paredes da antiga casa de Margarida Alves, que se transformou em museu em 2001. Na construção simples, uma geladeira azul que foi da camponesa ainda está guardada. Nos quatro cômodos da casinha de fachada amarela também estão à vista documentos da época em que Margarida liderava o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, atas de reuniões, instrumentos usados pelos trabalhadores no corte da cana-de-açúcar para as usinas, fotos e objetos pessoais: uma camisa branca com bordado de flores, os óculos, o chapéu usado por ela quando visitava os trabalhadores na roça e uma bolsa.

Nas paredes, recortes de jornais de todo o país e alguns do exterior dão a dimensão da repercussão do crime ocorrido em 12 de agosto de 1983. O assassinato chamou a atenção do Brasil para o clima de tensão entre sindicatos e latifundiários da região do Brejo Paraibano nos anos 1980. Como Margarida Alves, outras lideranças de trabalhadores também estavam marcadas para morrer. Mesmo diante das ameaças, a campesina não se intimidou e só teve a voz calada pela espingarda calibre 12 de um matador de aluguel. Mesmo com a exposição nacional do crime, que chegou a ser denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, 30 anos depois nenhum dos mandantes foi condenado.

Luta sindical

Entrar na casa onde viveu a amiga faz a violeira e repentista Maria da Soledade Leite se emocionar. “Margarida era uma mulher determinada, Margarida não era dessas de baixar a cabeça”, conta, sem esconder o orgulho da companheira que foi a primeira mulher a presidir um sindicato de trabalhadores na Paraíba.

“O trabalhador tinha a maior confiança nela, nós tínhamos, porque ela quando ingressava numa luta, ia até o final. A luta de Margarida era pelo décimo terceiro, pela carteira assinada, pelo direito ao sítio, porque os patrões plantavam a cana até na porteira da casa, quando a gente abria a porta da casa já estava dentro dos canaviais, a luta dela era para que o trabalhador tivesse uma areazinha onde pudesse ter suas plantações, enfim, poder dar uma vida digna à sua família.”

Soledade e Margarida se conheceram em Alagoa Grande em 1975 e lutaram juntas pelas mesmas causas, na militância sindical e também por meio da arte dos repentes e dos cordéis. Quando Margarida morreu, a homenagem da amiga foi em forma de verso: “Dia 12 de agosto nasceu um sol diferente/um aspecto de tristeza, o sol frio em vez de quente/ era Deus dando o sinal da morte de uma inocente (…) Jesus Cristo deu a vida pra redimir os pecados/ Tiradentes pela pátria foi morto e esquartejado/ Margarida na defesa dos pobres e necessitados”, escreveu na época. “Ela gostava muito de poesia”, lembra Soledade.

Se a saudade ficou registrada no poema, a memória de Margarida continua inspirando Soledade a cantar e brigar pelos direitos das mulheres paraibanas. Desde 2000, a violeira participa da Marcha das Margaridas – mobilização inspirada na líder campesina – e só não vai se juntar à caminhada em Brasília este ano por causa de uma dor no joelho. “O nome de Margarida ficou imortalizado, onde a gente estiver, sempre o nome de Margarida vai estar na frente. Se a gente vai cantar, se a gente quer representar alguma coisa de garra da mulher, a gente diz que é uma Margarida, forte como Margarida, sempre o nome de Margarida.”

Inspiração

A trajetória da líder sindical também é usada como referência pela assessora técnica da organização não governamental AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, Adriana Galvão Freire, para incentivar outras mulheres a buscar seus direitos. A organização atua no Polo da Borborema, uma articulação sindical e de entidades da agricultura familiar de 14 municípios da microrregião do Brejo Paraibano.

“A Margarida é uma grande inspiração para a gente, assim como outras mulheres que a gente também foi perdendo no caminho pela violência”, diz Adriana.

“A gente sempre usa Margarida como uma referência, uma inspiração para a nossa luta. Ela sempre faz parte do nosso processo, como uma inspiração de que o lugar da mulher também é na luta, como ela mesma dizia. Essas frases, a figura, a força de Margarida sempre contagiam”, completa.

Para que a impunidade do caso Margarida Alves não se repita, mulheres e jovens do Polo da Borborema se mobilizam há dois anos para pedir justiça pelo assassinato da agricultora Ana Alice Valentin, estuprada e morta quando voltava da escola, aos 16 anos, por um vaqueiro. No próximo dia 18, o caso vai a julgamento e o grupo vai acompanhar a sessão com uma manifestação e uma vigília.

Luana Lourenço, da Agência Brasil

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Recomendados para você

Comentários

  1. Pereira Postado em 12/Aug/2015 às 12:21

    Decidiram quantas plantações e pesquisas científicas destruirão ? Quantas propriedades privadas produtivas serão invadidas ? Isso estava na pauta da organização terrorista do MST ?

    • Luann Postado em 12/Aug/2015 às 12:27

      Pereira, embora os seus argumentos se baseiem em nada, sem fonte nem referência, acredito que o direito à terra, a moradia e a alimentação antecede o ideário científico de pessoas já estabelecidas. No Brasil, existe mais terra livre do que pessoas sem lugar para morar. É claro que você não está preocupado com isso, pois possui um teto, alimento etc. Acredito que uma leitura que vai a favor de seu raciocínio é Veja, Época, Istoé e, quem sabe, revista Caras.

      • Pereira Postado em 12/Aug/2015 às 12:47

        Pergunte para a Aracruz se o que eu falo é sem sentido !

    • daniela Postado em 12/Aug/2015 às 12:42

      Desculpe "Pereira" com isso tu quis dizer o que? Que foi certo matarem ele? Que absurdo, cara como tu é machista.

      • Pereira Postado em 12/Aug/2015 às 12:48

        Nada mais torturante para hipócritas da esquerda como a verdade.

      • Eduardo Postado em 13/Aug/2015 às 11:10

        pra quem tem tapa olhos não adianta querer mostrar o caminho, só enxergam pra frente, e só veem o que deixam... os argumentos dele chegam a dar nojo.

    • Salomon Postado em 12/Aug/2015 às 20:32

      Mr. Pereira é um dos tantos analfabetos políticos que batem panelas, vestem camisas da CBF e pedem a deposição da Dilma. Um tolo ou um coxinha apagado querendo iluminação? Ou as duas coisas?

    • Alvaro Postado em 12/Aug/2015 às 21:15

      Idiota. Peão vendido. Como pode ser tão estúpido diante de fatos como esse?

    • Eduardo Postado em 13/Aug/2015 às 11:08

      igualzinho a maria....

    • Alexandre Postado em 13/Aug/2015 às 11:58

      Pereira, como seria o mundo se alguém incomodado com suas ideias contratasse um matador de aluguel para calar sua voz? Esse era o mundo da Margarida. A direita se borra quando a esquerda de verdade, dos movimentos sociais, mostra sua força.

  2. Luann Postado em 12/Aug/2015 às 12:22

    As mulheres conquistaram, com sua força e coragem, espaço nos mais amplos seguimentos da sociedade brasileira. Muito ainda deve ser feito. As mulheres pobres - como já discutido na Teologia da Libertação- são duas vezes discriminadas. A força dessas mulheres não vão cessar. A luta pelos seus direitos estão apenas começando. Eu, como homem, admirador das mulheres, assisto essa luta em êxtase. Democracia é isso. Parabéns à marcha das Margaridas.

  3. Pereira Postado em 12/Aug/2015 às 13:06

    Tudo pago com dinheiro da caixa federal e bndes, VERGONHA TOTAL !

    • poliana Postado em 12/Aug/2015 às 13:39

      pereira, dê-nos sua opinião acerca do caso em tela, q ocorreu em 1980! uma mulher, mãe de família, trabalhadora, q lutava pelos seus direitos, foi brutalmente assassinada por um matador de aluguel na frente de seus filhos e marido. vc acha isso ok? tá valendo? será q vc pode deixar seu ódio ao pt e à esquerda de lado por apenas um minuto, e pensar de forma racional e humana acerca desse episódio?

      • Pereira Postado em 12/Aug/2015 às 14:11

        Bom eu não sei, mataram o charles chandler na frente da mulher e dos filhos e o articulador do assassinato é tido como professor emérito de uma importante universidade. Nesse caso eu me autorizo a não me compadecer do sofrimento esquerdista, pelo menos até a mídia tratar as coisas como iguais.

      • Pereira Postado em 12/Aug/2015 às 14:13

        Justifica a invasão de propriedades particulares de quem nada tem haver com o problema da referida mulher ? Justifica a destruição de pesquisas científicas ? Eu não sei.

      • Pereira Postado em 12/Aug/2015 às 14:17

        É certo financiar essas reuniões com dinheiro público ? É certo fazer reuniões politico-partidárias com dinheiro público ?

      • deisi Postado em 12/Aug/2015 às 15:52

        Poliana, o pereira é caso perdido, esse é seu jeito cristão evangélico de ser.

      • Rodrigo Postado em 12/Aug/2015 às 16:14

        (Outro Rodrigo) Pereira, não conhecia o caso ao qual você se refere, mas conhecia outros de pessoas, militares ou não, mortas fora de combate ("direita" e "esquerda" mataram na ditadura, mas seguimos vendo apenas um lado da história ser contado). Mas, de outro lado, eu me compadeço de todo e qualquer um que tenha sido assassinado, trucidado com carros-bomba ou aparato de tortura pelo Estado, esquartejado, especialmente quando em frente à família. E fico mais triste ainda com a coisificação da líder sindical, de sua tragédia pessoal, familiar e social, sendo usada no jogo político. Margarida Alves não é lembrada, mas sim usada da forma mais vil, por quem apenas quer sair do "volume morto". Políticos petistas e tucanos, bem como respectivos aliados, conseguem se superar no "vale-tudo" da política.

      • poliana Postado em 12/Aug/2015 às 18:14

        "Nesse caso eu me autorizo a não me compadecer do sofrimento esquerdista"......................mais uma vez, será q vc pode deixar esse ódio ideológico de lado, e fazer uma análise humana e racional desse episódio?! era uma mulher, mãe, esposa, trabalhadora, q foi brutalmente assassinada na frente da família, por um matador de aluguel, pq lutava por seus direitos. será q nem num momento como esse vc consegue deixar seu ódio ao pt e à esquerda de lado?

    • Ana Maria Postado em 12/Aug/2015 às 20:53

      Uma dica: procure ler, se informar, entender o contexto, conhecer quem foi a grande Margarida Maria Alves, guerreira, militante que lutou em plena ditadura militar em favor dos trabalhadores rurais. Uma paraibana, que não desistia da luta! Margarida fez e faz a diferença!

  4. Eduardo Ribeiro Postado em 12/Aug/2015 às 13:55

    Essa deveria ser um exemplo de brasileira. Mulher de fibra, forte, lutadora, digna, honrada, GUERREIRA. Em tempos de paneleiros da elite e de marchas dominicais dos nobres homens brancos, coisa de gente pequena que atrasa o país com medo de perder seus seculares privilégios, um exemplo de brasileira simples, humilde e VERDADEIRAMENTE batalhadora e que fez diferença, sempre cai bem e é bem vindo.

  5. Angela Postado em 12/Aug/2015 às 14:29

    Não sei porque vocês ainda respondem pra esse ou essa Pereira... Nem é digno de resposta, deixem-o falando sozinho.. é melhor!!

    • deisi Postado em 12/Aug/2015 às 15:54

      Concordo plenamente Angela, seres como esse pereira merece ser ignorado.

  6. Geraldo Postado em 12/Aug/2015 às 16:00

    Qual seria a reação esperada de um idiota que caiu nesta matéria nem sei porque senão trollar. As vêzes, pensando em Margarida, penso que o Brasil pode ser grande um dia,mas quando vejo figuras patéticas como este tal de pereira, fico em dúvida.

  7. Denisbaldo Postado em 12/Aug/2015 às 16:06

    Eu li alguém citar "sofrimento esquerdista". Estranho, tudo o que vejo atualmente é chororô da direita...

  8. Deisi Postado em 12/Aug/2015 às 16:22

    Denisbaldo, desde da fatídica noite do dia 26 de outubro, não fazem outra coisa, chorar e espumar de raiva, bater panelas, ir na marcha dominicais dos coxinhas, fazer selfie ao lado do Bolsonaro, pedir impeachment e até mesmo intervenção militar. Me divirto com tanto inconformismo, chororô, nunca vi antes. Que peninha dos coxinhas!

    • Denisbaldo Postado em 12/Aug/2015 às 17:15

      E depois nós é que sofremos. Os caras vivem em outra dimensão, não têm espelho em casa tadinhos.

  9. Eduardo Postado em 13/Aug/2015 às 11:12

    olha ela aqui, Pereira tá te apoiando....