Redação Pragmatismo
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Polícia Militar 04/Aug/2015 às 10:13
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Farsa da PM no assassinato da transexual Laura Vermont é desvendada

Laura Vermont, de 18 anos, foi espancada por cinco homens em 20 de junho, na zona leste de São Paulo. Dois policiais militares que atiraram contra ela também foram presos por mentir à Polícia Civil sobre o caso. Eles são acusados de falso testemunho, fraude processual e homicídio

A transexual Laura Vermont
A transexual Laura Vermont (reprodução)

André Caramante, Ponte

Imagens das câmeras de segurança de estabelecimentos comerciais na avenida Nordestina, Vila Nova Curuça, zona leste de São Paulo, obtidas com exclusividade pela Ponte Jornalismo, gravaram o momento em que a jovem travesti Laura Vermont, 18 anos, foi atacada por cinco homens, na madrugada de 20 de junho.

De acordo com os delegados José Manoel Lopes e Michel Augusto Toricelli, do 32º DP (Itaquera), os responsáveis pela morte de Laura Vermont são Van Basten Bizarrias de Deus, Jefferson Rodrigues Paulo, ambos de 24 anos, Iago Bizarrias de Deus, Wilson de Jesus Marcolino, os dois com 20 anos, e Bruno Rodrigues de Oliveira.

Na quarta-feira (29/07), a Justiça decretou a prisão preventiva (até um possível julgamento) dos cinco envolvidos na morte de Laura Vermont.

Van Basten, Jefferson e Iago já estavam presos temporariamente desde o início deste mês. Wilson é considerado foragido da Justiça; Bruno tem sido monitorado pelos policiais civis do 32º DP e deverá ser preso em breve. A reportagem não conseguiu localizar os advogados dos cinco suspeitos.

As investigações do 32º DP apontaram que Laura Vermont foi agredida a pauladas por Van Basten, isso depois de também ter sido espancada por ele e os outros quatro suspeitos.

Laura foi espancada quando passava perto do grupo de cinco homens e, na versão da polícia, teve um desentendimento com eles. Desde a sua morte, amigos e familiares da jovem travesti acreditam que o ataque contra ela foi motivado por transfobia.

Ainda segundo os investigadores, as primeiras agressões contra Laura na madrugada de 20 de junho começaram quando ela entrou no carro com outra jovem, também travesti, e um homem que a acompanhava.

A amiga e o homem que a acompanhavam brigaram com Laura. As duas travestis foram colocadas para fora do carro pelo homem. Laura teria, segundo sua amiga, usado um estilete para atacá-la enquanto o trio brigava dentro do veículo.

Já ferida, Laura começou a caminhar pela avenida Pires do Rio. Ela continuava a brigar com sua amiga quando um motoboy viu a confusão e teria tirado o estilete da mão de Laura.

Ainda segundo a versão da amiga de Laura à polícia, a jovem teria atravessado a avenida para atacar um casal e puxou os cabelos de uma mulher.

Ao continuar pela avenida, Laura passou na frente da padaria onde os cinco homens bebiam e, após supostamente iniciar uma discussão com eles, foi espancada.

Já desnorteada e ensanguentada, Laura seguiu caminhando, sozinha, enquanto a Polícia Militar foi chamada para socorrê-la.

PMs presos por mentir

Os PMs Ailton de Jesus, 43 anos, e Diego Clemente Mendes, 22, do 39º Batalhão, foram presos em flagrante, na tarde de 20 de junho, após mentir para a Polícia Civil sobre um tiro disparado contra Laura.

Segundo familiares de Laura, a jovem saiu de casa na noite de sexta-feira (19), no bairro do Vila Nova Curuçá, onde vivia com pai, mãe e irmã, para participar de uma festa com amigos na avenida Nordestina, uma das mais movimentadas da periferia da zona leste de São Paulo.

Por volta das 4h do dia 20 de junho, Laura foi vista caminhando desesperada, ensanguentada e desorientada. Avisada sobre a situação da jovem por uma ligação para 190, a Polícia Militar mandou um carro para socorrê-la. Um homem chegou a gravar imagens de Laura no momento de pânico.

Na versão dos PMs, quando eles chegaram à avenida, Laura estava extremamente agitada e, sem que os dois militares percebessem, a jovem travesti assumiu o volante do carro da PM e partiu em alta velocidade, vindo a perder o controle e bater contra o muro de um condomínio poucos metros depois.

“A versão de que minha filha pegou o carro da PM é estranha. Ela não sabia dirigir”, disse o comerciante Jackson de Araújo, pai de Laura.

Inicialmente, o PM Mendes afirmou que chegou a se pendurar no carro da polícia para tentar impedir que Laura fugisse com o carro, foi arrastado e sofreu alguns ferimentos.

Mendes e Ailton disseram também que Laura, após bater o carro da PM contra o muro de um condomínio residencial, desceu do veículo e continuou a correr pela avenida Nordestina, sendo atingida na cabeça por um ônibus, que não parou.

Ainda desnorteada, a travesti seguiu sua tentativa de fuga e bateu novamente a cabeça, desta vez contra um poste. Foi quando ela caiu e ficou à espera de socorro.

Os PMs disseram ter socorrido Laura e a levado para o pronto-socorro do Hospital Municipal Professor Waldomiro de Paula, mas a família da jovem os desmente. “Fomos nós, a família, que levamos minha irmã para o hospital”, disse Rejane Laurentino de Araújo Neves, 32 anos, irmã de Laura.

Pouco tempo depois de chegar ao pronto-socorro, Laura morreu e os PMs foram para o 63º Distrito Policial (Vila Jacuí) relatar à Polícia Civil a versão deles para a morte da jovem. Foi quando apresentaram um relato de 18 linhas sobre o caso.

Cerca de duas horas após o registro do primeiro boletim de ocorrência sobre a morte de Laura, os PMs retornaram ao 63º DP e, desta vez, traziam junto um rapaz de 19 anos, apresentado pelos militares como “testemunha” do caso.

À delegada Ivna Schelble, do 63º DP, o jovem de 19 anos contou que bebia com amigos em um posto de gasolina quando Laura chegou desorientada, ensanguentada e pedindo ajuda. Disse também que, após 20 minutos, um carro da PM chegou à avenida para socorrer Laura e que viu quando a jovem assumiu o controle do veículo, fugindo, sem ser contida pelo PM Mendes, que se pendurou na porta.

Dois detalhes sobre a “testemunha” apresentada pelos PMs chamaram a atenção da delegada e dos investigadores do 63º DP: o jovem fez questão de enfatizar que não havia ouvido nenhum disparo de arma de fogo quando os policiais tentavam impedir Laura de assumir o controle do carro da PM. O rapaz também ficou cerca de meia hora conversando com os dois PMs, perto do 63º DP, sem que a delegada fosse informada se tratar de uma testemunha presencial.

Desconfiados da riqueza de detalhes da versão narrada pela “testemunha” apresentada pelos dois PMs, os policiais civis do 63º DP resolveram ir aos locais por onde Laura passou e encontraram manchas de sangue em locais não citados pelos policiais militares.

Outras imagens de câmeras de segurança também foram apreendidas e, após analisá-las, os investigadores e a delegada Ivna descobriram que os PMs e a “testemunha” apresentada por eles haviam mentido ao dizer que nenhum tiro foi disparado pelos militares contra Laura. Antes de ser baleada, Laura foi chutada por um dos PMs, logo após descer do carro da polícia já batido.

Ao analisar o corpo de Laura no IML (Instituto Médico Legal), os policiais civis descobriram que a jovem tinha lesões no rosto, tronco e nas pernas. A marca do disparo dos PMs estava em seu braço esquerdo.

Quando voltaram para o 63º DP, os policiais civis pressionaram os PMs e sua “testemunha” e todos resolveram contar a verdade. O PM Ailton assumiu ter atirado contra Laura “porque ela havia apresentado resistência e porque os meios menos letais mostraram-se ineficazes para vencer a resistência e a iminência de injusta agressão”.

Ao ser questionado sobre a mentira nos dois boletins de ocorrência registrados antes pela morte de Laura, o PM Ailton disse à Polícia Civil “ter receio de se prejudicar e sofrer represálias da lei”.

Já o PM Mendes disse à Polícia Civil que “foi instruído por [o PM] Ailton a não relatar a verdade dos fatos, mas se manter em silêncio e apenas aquiescer com o que ele fosse narrar”. Mendes disse ter medo de sofrer represálias por parte de Ailton, com quem trabalhava apenas pela quinta vez. Mendes afirmou também que procurou seus superiores na PM para informar sobre a farsa com a qual havia colaborado.

O jovem de 19 anos, a “testemunha” dos PMs, confirmou ter sido orientado pelo PM Ailton a mentir. O PM chegou a entregar um pedaço de papel a ele para que a versão fantasiosa sobre a morte de Laura fosse narrada à Polícia Civil. “Ele pediu para que eu treinasse a fala para que toda a história fosse coerente”.

Os PMs Ailton e Mendes foram presos em flagrante por falso testemunho e fraude processual. Ambos também são investigados por homicídio contra Laura, de acordo com a Polícia Civil.

Quatro dias após a prisão, o Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu liberdade provisória aos policiais militares Ailton e Mendes, 22. A fiança para soltura foi fixada ao pagamento de um salário mínimo para cada um deles e mediante o compromisso “de afastamento das testemunhas arroladas no boletim de ocorrência e que não sejam da corporação”.

Ao libertar os dois PMs, o juiz Antonio Maria Patiño Zorz também escreveu: “sem adentrar na apreciação do mérito e das provas (que ainda estão para ser colhidas no contraditório judicial), não se antevê, prima face, que estejamos diante de criminosos contumazes. Além disso, não se pode presumir que soltos trarão dificuldades à instrução processual ou irão se furtar à aplicação da lei penal, caso confirmada ao final a culpabilidade”.

No dia da prisão dos policiais, a Polícia Militar negou o fato. No dia 3 deste mês, a corporação informou que aguardará o fim das investigações para fazer eventuais comentários.

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Comentários

  1. Pedro Accioli Postado em 04/Aug/2015 às 10:56

    Isso é uma prova que muitos policiais acabam tendo atitudes arrogantes achando que estão acima da lei, a ponto de promoverem violência verbal e física, discriminação racial e a transgêneros e claro, a homofobia!

    • poliana Postado em 04/Aug/2015 às 13:33

      dessa classe vc espera sempre o pior! n fazem nada de bom para a nação! verdadeiros criminosos!

    • Rogerio Postado em 04/Aug/2015 às 17:46

      Não é querendo fazer apologia à violência, mas se eu tivesse filho gay ou filha sapatão... Eu pegava um chinelo, ou uma cinta, ou fio de ferro, ou um pedaço de pau, ou rabo de tatu e dava bem na cara do primeiro que mexesse com ele.

      • poliana Postado em 04/Aug/2015 às 18:51

        "sapatão"!!!???

      • Thiago Teixeira Postado em 04/Aug/2015 às 19:48

        Idem. Intolerância, arrogância e ignorância se responde com violência e sofrimento eterno aos babacas modinhas.

  2. Roberto Postado em 04/Aug/2015 às 11:03

    Desse jeito que a policia militar quer que agente bata palma para a corporação, e porque que sempre todos militares são encobertados , viva o Brasil e viva a impunidade ,parece que o poço não tem fim é triste.

  3. André Nelson Postado em 04/Aug/2015 às 11:08

    Violência em cima de violência. Mas, me chamou a atenção o nome dos caras: Bizarrias de Deus.

  4. Rodrigo Postado em 04/Aug/2015 às 11:10

    (Outro Rodrigo) Mas, ao que tudo indica, já estariam prejudicando a instrução desde o princípio. É um dos requisitos autorizadores da prisão, no caso.

  5. Eduardo Ribeiro Postado em 04/Aug/2015 às 11:30

    A versão da PM é coisa linda de Deus. ***A guria, lavada de sangue após ser espancada por 5 animais, rouba um carro da PM debaixo do nariz dos PMs...bate o carro com violencia contra um muro, e sobrevive....desce do carro, e sai correndo pra cima de um onibus em movimento, e os PMs seguem assistindo...o ônibus se chocou fortemente contra sua cabeça...ela milagrosamente sobreviveu....não satisfeita, levantou e saiu correndo de novo, com os PMs ainda assistindo passivamente...se distraiu e bateu a cabeça contra um poste...e finalmente parou de correr.***. Eu não serviria pra trabalhar com isso aí. A vontade de escarrar no infeliz que relatasse uma história fenomenal dessas pra mim seria impossível de segurar.

    • Vera Postado em 04/Aug/2015 às 11:45

      Coisa de cinema.

    • marc Postado em 04/Aug/2015 às 13:02

      Enquanto existir a tal "justiça militar" q de justa não absolutamente nada, teremos apenas bandidos fardados, vão dizer ah mas vc tá generalizando, com toda sinceridade quem aqui acha q policial não é criminoso levanta o dedo, como eu pensei, e se vc for policial e for exceção, vc sabe q é minoria e de certa forma se locupleta.

      • Deisi Postado em 04/Aug/2015 às 15:05

        Sem duvida marc, muitos são bandidos fardados, poucos se salvam, aqui em Presidente Prudente um policial matou a jovem Luana em uma blitz de trânsito pelas costas, ela era garupa do namorado em uma moto. Sua justificativa é que a arma disparou acidentalmente! Também tem o caso do publicitário que ocorreu em São Paulo, que confundiram com um ladrão de carro, e simplesmente executaram, depois colocaram drogas dentro do carro para justificar o ato. ´Lamentável!

      • Deisi Postado em 04/Aug/2015 às 15:05

        Sem duvida marc, muitos são bandidos fardados, poucos se salvam, aqui em Presidente Prudente um policial matou a jovem Luana em uma blitz de trânsito pelas costas, ela era garupa do namorado em uma moto. Sua justificativa é que a arma disparou acidentalmente! Também tem o caso do publicitário que ocorreu em São Paulo, que confundiram com um ladrão de carro, e simplesmente executaram, depois colocaram drogas dentro do carro para justificar o ato. ´Lamentável!

    • poliana Postado em 04/Aug/2015 às 13:35

      seria cômico se n fosse trágico eduardo. mas os defensores dessa corja vai dizer q entende o lado dos policiais. são mal remunerados e mal treinados...por isso q agem dessa forma. tá justificado, então.

      • José Ferreira Postado em 04/Aug/2015 às 14:50

        Bom mesmo é o PCC, né Poliana. O traveco (que se chama David) também não é lá essas coisas em relação á honestidade. Seja quem for, acho que isso deve ser investigado, e os culpados punidos.

      • Eduardo Ribeiro Postado em 04/Aug/2015 às 15:40

        """"""""Seja quem for, acho que isso deve ser investigado, e os culpados punidos.""""""""""" Truismo absurdo. É óbvio que os culpados - os animais espancadores e os PMs envolvidos - tem que ser punidos. Aguardamos ansiosamente por isso inclusive. No caso dos PMs que é o mais preocupante, temos: falso testemunho, fraude processual e investigação por homicidio pelo assassinato de Laura. O padrão no caso, o pacote básico, a praxe da PM.

      • poliana Postado em 04/Aug/2015 às 17:10

        eu falei q bom é o pcc??? agora vc tb quer deturpar minhas palavras?

      • poliana Postado em 04/Aug/2015 às 17:11

        errata: os defensores dessa corja VÃO* dizer q ENTENDEM*

      • RafaeL Postado em 04/Aug/2015 às 17:44

        Infelizmente, a PM defende os "normais" (ricos, héteros e etc...), já os "travecos", como gosta de falar o risível 'José Ferreira', são tratados como escória pela sociedade.

  6. GabrielG Postado em 08/Sep/2015 às 23:26

    Cadê o Pereira e aquela biscatinha da Maria pra defender os PMS? Nessas horas esses apedeutas simplesmente evaporam do site né?